Deflower Me If You Can (Novel) - Capítulo 172
Capítulo 172
Sem a menor desordem, o cabelo perfeitamente penteado para trás, um terno de três peças impecável e uma aparência alinhada por trás dos óculos. O homem tinha uma aparência de aluno modelo, extremamente entediante. O visual exageradamente arrumado, os traços marcantes e bem definidos e a altura elevada eram suficientes para atrair os olhares das pessoas, mas o motivo que prendeu a atenção de Grayson foi outro.
Olhos roxos.
O aroma que permanecia sutilmente dentro do elevador era extremamente familiar. Pudera: a maioria das pessoas que usavam aquele elevador eram “Millers”. Portanto, sentir “aquele” aroma não era nada de especial. A menos que aquele homem, um desconhecido, não tivesse olhos exatamente da mesma cor dos seus.
Diante da situação clara de onde viera aquele homem com a mesma linhagem que a sua, Grayson franziu o cenho. Por outro lado, o homem dentro do elevador deu um sorriso sutil para Grayson, fez uma breve reverência e saiu sem hesitar. Grayson continuou a encarar com o rosto franzido o homem que passava por ele. Ficando ali parado por um instante sem esconder seu descontentamento, logo virou a cabeça e entrou no elevador.
Em situações normais ele teria sorrido como se nada estivesse acontecendo, mas agora não estava no clima para isso. Enquanto permanecia de braços cruzados encarando o próprio reflexo na porta do elevador, a cabine subiu como uma flecha e logo atingiu o último andar.
Assim que o elevador parou com um breve sinal sonoro, Grayson desceu imediatamente e caminhou a passos largos para dentro de casa. Em seguida, esbravejou com uma voz irritada:
— O sujeito que vi no primeiro andar é aquele cara?
Porém, o que voltou foi apenas um eco distante.
“O quê? Não tem ninguém?” Vendo a irritação aumentar, Grayson caminhava de forma ainda mais brusca quando, tardiamente, alguém apareceu vindo lá de dentro. Grayson, que achou que toparia com Koi, franziu a testa no mesmo instante ao ver alguém diferente do esperado.
— Bliss?
— Grayson!
Bliss, que saiu correndo com alegria, deu um abraço apertado nele. Como aquele corpo pequeno se atirou de surpresa, Grayson vacilou bastante, mas por reflexo deu um passo para trás com um dos pés, evitando a desgraça de uma queda. Sem ter a menor ideia daquele perigo, Bliss esfregou a cabeça no peito de Grayson e disse com a voz totalmente empolgada:
— Há quanto tempo! Quanto tempo não nos vemos! Estou tão feliz em te ver!
— Nossaa, Bliss.
Ele tomou cuidado para que a voz não tremesse de raiva e fingiu um clima alegre e adaptado a Bliss, como de costume:
— Como você tem passado? Pois é, quanto tempo, né?
Assim como Koi, Grayson fingiu alegria ao acolher no abraço aquele Bliss que se atirava sem qualquer defesa, e perguntou como quem não quer nada:
— Agorinha eu vi um homem descendo do elevador. Aquele cara é o seu homem? Um Dominante?
Diante da pergunta direta, Bliss arregalou os olhos azuis brilhantes e logo em seguida corou as bochechas, dando um risinho afetado:
— Uhum Você viu? O “meu homem”. É ele mesmo, aquele cara é o “meu homem”. Ele é meu.
Parecendo ter gostado bastante da expressão usada por Grayson, Bliss repetiu as mesmas palavras três vezes. Grayson sorriu por fora dizendo “Ah, então era ele mesmo”, mas por dentro negava o fato que acabara de ouvir com um “Não pode ser”.
Aquele desgraçado era claramente um Dominante. E ele vai se casar com esse traste aqui que nem feromônio consegue emitir? Diante de um fato tão difícil de acreditar, Grayson baixou o olhar meio em dúvida. Bliss ainda estava agarrado a ele. Fingindo sorrir como se nada estivesse acontecendo, Grayson afundou levemente o nariz no topo da cabeça de Bliss. E, ao sentir o aroma marcante, acabou franzindo o cenho.
— Tem cheiro de feromônio… Como assim?
De Bliss sempre vinha apenas um cheiro doce de pele. Porém, o aroma que Grayson acabara de sentir era claramente o feromônio de um ômega, igual ao de Koi. Percebendo a reação surpresa do irmão, Bliss empinou o queixo com vaidade e respondeu:
— Eu tive o meu heat. Agora eu sou um ômega de verdade.
Ehem, ao ver ele até pigarrear com orgulho, Grayson ficou abismado. A vontade que deu foi de esganar o pescoço desse tonto na hora e gritar perguntando o que diabos tinha acontecido, mas ele não fez isso. Para ser mais exato, a expressão correta seria dizer que não pôde fazer. Porque viu Ashley e Koi descendo as escadas naquele exato momento.
— Grayson.
Ao se deparar com o segundo filho, Koi chamou seu nome com alegria e desceu correndo. Grayson primeiro trocou um breve olhar com Ashley, que vinha caminhando devagar, e depois virou a atenção para Koi, que se aproximava. Como Koi abriu bem os braços para abraçá-lo, Grayson também acolheu o Daddy no abraço.
— Olá, Daddy.
— Há quanto tempo, Grayson! Ouvi dizer que você continuava na Costa Oeste. Tem passado bem?
Com a alegria de ver o filho depois de tanto tempo, Koi parecia um pouco entusiasmado. Tinha um tom rosado nas bochechas, os olhos brilhavam e os cantos dos lábios estavam erguidos sem parar. Grayson percebeu isso imediatamente. Por ter tido sua linhagem/natureza definida desde o nascimento, ele não conseguia sentir emoções. Por causa disso, era extremamente difícil para ele perceber as emoções dos outros, mas para suprir essa falha Ashley ensinou ao filho “como ler emoções”.
Graças ao treinamento que recebeu desde muito pequeno, ele era extremamente habilidoso tanto em ler as emoções alheias quanto em imitá-las. Apenas imitar, sem conseguir compreendê-las por completo.
Desta vez também foi a mesma coisa. Identificando rapidamente o estado de Koi com apenas um breve olhar, ele puxou os cantos dos lábios de forma consciente e inclinou o olhar:
— Sim, tenho passado bem. Fico feliz em ver que o senhor está saudável, Daddy. Papa.
Imitando uma voz carinhosa ao falar, ele virou a cabeça para olhar para Ashley e, por fim, fixou o olhar no protagonista do dia:
— Nós estávamos conversando sobre o homem que diz que vai se casar com o Bliss. Não é mesmo?
— É.
Bliss assentiu obedientemente com a cabeça e logo em seguida continuou a falar sem nem respirar:
— Sabe, o que aconteceu foi o seguinte…
— Vamos sentar para conversar — disse Ashley, que acabara de descer as escadas. E então Koi se adiantou para reforçar as palavras dele:
— Isso, vamos todos tomar um chá juntos… Veio em boa hora, comprei umas folhas de chá novas há pouco tempo.
— Ótimo. Até porque tenho muitas coisas que gostaria de ouvir.
Grayson respondeu prontamente e sorriu para Bliss. Guardando bem fundo o seu interior que fervilhava de raiva.
•••
O aroma suave do chá espalhou-se suavemente. Servindo o chá preparado por ele mesmo para todos, Koi sentou-se à direita de Ashley, que ocupava o lugar de honra, e olhou para todos ao redor:
— Ultimamente passei a me interessar bastante por chá, então estou fazendo vários blends. Gostei bastante desse aqui, se vocês gostarem eu divido com vocês.
— Obrigado, Daddy.
Diante do olhar de expectativa, Grayson respondeu com um sorriso educado. “Se ele próprio nem consegue sentir o aroma, que sentido tem todo esse chá?”, pensou ele, mas não pôde soltar isso para fora. Porque Ashley o observava com um olhar afiado.
— Está gostoso, e o cheiro é muito bom!
— Sério?
Com o elogio feito por Bliss, o rosto de Koi relaxou. Ao afagar a cabeça do caçula com carinho, Bliss perguntou intrigado:
— Mas por que o senhor começou a fazer chá do nada? O Daddy nem consegue sentir o cheiro.
A única pessoa na casa capaz de falar sobre esse fato com tanta naturalidade era Bliss. Diante da pergunta pura e radiante, Koi respondeu sorrindo:
— Quando fico cansado de escrever artigos acadêmicos, tomar um chá quentinho ajuda bastante. De xícara em xícara, pensei em tentar fazer eu mesmo e comecei, mas é mais divertido do que imaginei. Mas você tem razão. Como não consigo sentir o cheiro, fico em dúvida se está bom mesmo.
E então ele deu uma olhada discreta para o lado de Ashley e murmurou:
— Mesmo querendo pedir conselhos, não ajuda muito.
Como Ashley dizia incondicionalmente que estava ótimo, não dava para confiar. Mas também não estava num nível de buscar um especialista para aprender, então era uma situação ambígua. Nisso, Grayson falou de repente:
— O parceiro do Keith entende muito de chá. Por que não se encontra com ele?
— É mesmo? Essa pessoa também gosta de chá?
Lembrando-se de tê-lo encontrado em uma festa no passado ao perguntar, Grayson respondeu com seu sorriso habitual:
— Sei lá? Isso eu já não sei, mas ele não era o secretário do Keith? Como esse era o trabalho dele, deve entender bastante, não?
Um silêncio constrangedor pairou por um instante. Até mesmo Bliss, que não costumava perceber o clima ao redor, olhou surpreso para Grayson, mas ele apenas tomava seu chá como se nada tivesse acontecido.
— Fazer chá é apenas uma fração mínima do trabalho de um secretário, Grayson — Koi o repreendeu com cuidado, parecendo desconfortável. Grayson deu um de ombros e pousou a xícara de chá:
— Eu sei. Mas também é verdade que preparar chá faz parte do trabalho deles.
Não houve má intenção. Ele apenas disse a verdade, então qual seria o problema? O problema era que ele não considerava nem um pouco como a pessoa que ouvia aquilo se sentiria. Engolindo um suspiro por dentro, Koi ficou sem saber o que fazer, quando Grayson de repente mudou de assunto para Bliss e perguntou:
— Então, Bliss, como foi? Quero saber em detalhes o que diabos aconteceu.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby, Othello&Belladonna