Deflower Me If You Can (Novel) - Capítulo 171
Capítulo 171
A voz seca fez Koi ficar tenso no mesmo instante. Com quanta ansiedade ele não tinha esperado por aquela resposta? Queria ter ficado ao lado dele durante os exames e ouvido os resultados direto do médico, mas Bliss recusou até mesmo isso.
— A partir de agora vou resolver todas as minhas coisas junto com o Cassian, então por favor torçam pela minha independência.
Diante da declaração irredutível do caçula, nem Koi nem Ashley conseguiram dizer mais nada. Embora já esperasse por essa resposta desde o momento em que os dois chegaram juntos, Koi não conseguia conter a batedeira no peito. Ele apenas esperava em silêncio de respiração presa, quando Bliss arregalou os olhos brilhantes e gritou a plenos pulmões:
— São gêmeos! Não é incrível?!
Naquele exato momento, Koi e Ashley perderam as palavras, apenas encarando o caçula sem reação.
•••
Um silêncio repentino tomou conta da sala. Ninguém abria a boca. Naquela atmosfera pesada onde mal se ouvia o som da respiração, apenas Bliss continuava a falar empolgado:
— Imagina só, vieram dois de uma vez só! O Cassian ficou em choque, eu também fiquei. Quem diria que uma coisa dessas aconteceriaaa! Não é demais? Serão meninos ou meninas? Quando vai ser a festa de revelação do sexo? O Daddy tem que me ajudar, já tem experiência! Kyaaah, meu Deus! São gêmeossss…!
Sem se dar conta do clima e girando feito tonto no mesmo lugar, a figura do filho caçula fez Ashley — que até então apenas o observava sem dar uma palavra — finalmente abrir a boca:
— …Com licença um instante.
A voz era tão assustadoramente grave que Koi se assustou e virou-se para ele. No entanto, Ashley nem esperou pela resposta de Koi e subiu as escadas com passos largos, entrando direto no quarto. E instantes depois…
BAM, KABAM, BAM!
Com o barulho estrondoso que fez a casa toda tremer, Bliss, que dava uma pirueta em um pé só, acabou dando um mau jeito no tornozelo.
— Uaaaah!
— Bee!
Graças à agilidade de Koi ao segurá-lo, felizmente o acidente de uma queda foi evitado. Ficando pálido num piscar de olhos e puxando o ar com dificuldade, Bliss piscou os olhos e perguntou:
— O-O que foi isso? O que aconteceu?
Ao ver o filho sem saber o que fazer, Koi fez o máximo para tranquilizá-lo e respondeu com calma:
— Está tudo bem, não se preocupe. …Parece que o Ash deixou cair alguma coisa. Quer sentar no sofá e descansar um pouco? Eu já volto.
Koi chegou a pegar mais petiscos para Bliss e fingiu que nada tinha acontecido ao se levantar. É claro que, assim que saiu do campo de visão de Bliss, subiu as escadas em direção ao quarto em passos quase de corrida.
— Ash!
Ao escancarar a porta chamando seu nome, ele parou imediatamente no lugar. Ashley estava parado feito uma estátua no meio do quarto totalmente destruído. As costas rígidas mostravam claramente o tamanho de sua fúria. Soltando um suspiro pesado de sufocamento, Koi voltou a caminhar e se aproximou dele.
— Ash, se acalme. O Bee vai se assustar.
Quando ele o consolou acariciando seu braço com carinho, Ashley rangeu os dentes e esbravejou com a voz ríspida:
— Eu devia ter matado aquele desgraçado.
— Não diga um absurdo desses.
Koi o repreendeu em um tom firme, algo raro de acontecer. Ashley então virou a cabeça bruscamente e despejou as palavras para cima de Koi:
— Ele engravidou aquela criança tão pequena! E ainda por cima de dois! Sem nem estarem casados!
Ashley estava enfurecido. Qualquer pessoa no mundo que visse aquela cena não teria coragem nem de puxar assunto. Porém, havia uma única exceção. Koi soltou um suspiro curto e falou:
— Você também me engravidou antes de nos casarmos. Pense nisso como uma tradição da família.
Ashley ficou simplesmente sem palavras. Abriu a boca, mas não conseguiu soltar som algum, ficando apenas balbuciando até protestar tardiamente como se fosse injustiçado:
— Isso é completamente diferente! Nós nos amávamos.
Koi concordava com aquilo, mas apenas quanto à última parte. Ele continuou a acalmar Ashley com serenidade:
— É a mesma coisa com o Bee. Se o Conde Heringger não amasse o Bee de verdade, não teria vindo até aqui pedir a mão dele sabendo que arriscava apanhar até morrer por você.
Mais uma vez Ashley não respondeu. Vendo a figura dele tentando engolir a raiva, Koi acariciou seu braço como um consolo e disse:
— Perdoe ele de uma vez. O que vamos fazer com os bebês que já estão a caminho? Além do mais, é a pessoa que o Bee tanto ama.
— ……
— Hum?
Diante da pergunta insistente, Ashley fechou os dois olhos e jogou a cabeça para trás. Após um tempo em silêncio tentando aplacar as emoções, ele voltou a olhar para Koi. Os traços de fúria extrema haviam sumido, mas com o rosto ainda rígido feito pedra, Ashley declarou:
— Se ele magoar o Bee, eu mato ele.
Rangeu os dentes ao soltar aquilo, e Koi assentiu concordando:
— Sim. Se isso acontecer, eu também não vou te segurar e vou te ajudar.
E era a mais pura verdade. Se ele roubasse seu precioso caçula de forma tão descarada e ainda o magoasse, Koi também não deixaria barato. Percebendo a sinceridade dele, Ashley finalmente relaxou a tensão do rosto. Beijou a mão de Koi que segurava seu braço e esfregou a bochecha em sua palma, fazendo Koi sorrir e colocar a mão sobre a cabeça dele. Como se estivesse esperando por aquilo, Ashley curvou a cintura e Koi afagou seu cabelo com carinho. Soltando aos poucos até mesmo o feromônio que mantinha guardado, ele viu Ashley soltar um phooou de alívio e perguntou:
— Se sentindo um pouco melhor agora?
— …Sim.
Após uma pausa, Ashley abraçou Koi. Acolhendo-o de bom grado, Koi deu tapinhas em suas costas.
— Vai dar tudo certo com o Bee. Ele é nosso filho.
“Com certeza vai. Eu vou fazer dar certo”, completou em seu pensamento enquanto erguia a cabeça. Ao afagar suavemente a nuca dele, Koi naturalmente fechou os olhos. Os lábios se sobrepuseram como se fosse o curso normal das coisas, e logo o aroma denso de feromônio se espalhou pelo ar. Era o feromônio de Koi — o único aroma de ômega que Ashley conseguia sentir sem qualquer rejeição. O único parceiro que Ashley levou a vida inteira para conquistar.
“Meu Koi.”
Só então Ashley conseguiu conter a raiva a custo. Notando a mudança nele, Koi separou os lábios e sorriu:
— Vamos descer agora? O Bee deve estar ansioso.
— …Está bem.
Apenas quando se acalmou é que o quarto destruído entrou em seu campo de visão. Olhando em silêncio para a bagunça, Koi perguntou brincalhão:
— Não importa o quão bravo esteja, violência não é algo bom, viu?
Em vez de responder, Ashley apenas balançou a cabeça negativamente. Koi segurou sua mão e o guiou para fora do quarto. E só então os dois ficaram sabendo que, nesse meio-tempo, outro dos filhos havia chegado em casa.
•••
— Seja bem-vindo, Sr. Miller.
Grayson Miller passou com passos largos pelo porteiro que o cumprimentava cordialmente. O visitante generoso, que normalmente retribuía o cumprimento com um sorriso calmo e ainda deixava uma gorjeta gorda, passou direto com a cara feia de poucos amigos, deixando o porteiro confuso olhando para suas costas. Mas o homem não deu a mínima.
Atravessando rapidamente o chão de mármore impecavelmente brilhante, ele parou em frente ao elevador privativo da cobertura. Ao checar que o elevador já estava no topo, franziu a testa e apertou o botão.
“O que diabos aconteceu?”
Cruzando os braços e encarando os números descendo, Grayson não aguentou e começou a balançar a perna com impaciência. Era uma atitude vulgar que normalmente jamais faria, mas ele ignorou esse mero detalhe.
Grayson Miller, o segundo filho de Ashley Miller. Assim como os outros irmãos — com exceção de Bliss —, ele também era um Alfa Dominante. Tendo nascido junto com sua irmã gêmea Stacey, ambos eram detentores natos da linhagem, ostentando olhos roxos desde o nascimento.
Diferente do primogênito Nathaniel, que era cínico com tudo, Grayson se intitulava um romântico. Desde muito pequeno, ao observar o Papa e o Daddy, sonhava em um dia viver um amor como o deles. E passou a vida inteira — literalmente a vida inteira — procurando por essa pessoa…
“Como é que o Bliss conseguiu primeiro do que eu?”
Era um absurdo sem tamanho. Ou seja, o motivo de Grayson ter vindo até ali também era porque queria confirmar os fatos com os próprios olhos.
“Maldição, por que é tão lento?”
Quando o elevador de alta velocidade começou a parecer anormalmente lento, o número finalmente mudou para 1. Roendo a unha do polegar enquanto encarava o painel numérico, ele ajeitou a postura assim que ouviu o sinal sonoro de chegada do elevador.
Prestes a embarcar assim que a porta se abrisse, ele travou no mesmo instante. Porque já havia alguém dentro do elevador. O homem que estava prestes a descer também notou Grayson e parou. E os dois ficaram se encarando através das portas do elevador.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby, Othello&Belladonna