Deflower Me If You Can (Novel) - Capítulo 158
Capítulo 158
— O chefe da segurança desapareceu?
Diante do tom de voz ríspido, o secretário estremeceu e continuou a falar com dificuldade:
— Sim… Ele certamente havia entrado no prédio. Foi confirmado que ele chegou até este corredor…
Ashley Miller o encarava com um olhar tão afiado quanto o seu tom de voz. O secretário prosseguiu com o relatório, escolhendo as palavras com o máximo de cautela:
— Foi registrado pelas câmeras de segurança que, após receber uma ligação e conversar por um breve momento, ele saiu correndo às pressas. Desde então, não conseguimos localizar o paradeiro dele.
As rugas na testa de Ashley Miller se aprofundaram ainda mais. Batendo os dedos lentamente sobre a mesa, ele se manifestou:
— Vocês confirmaram com quem e sobre o que ele estava falando ao telefone?
Diante do tom de voz baixo, o secretário respondeu prontamente:
— Sim, claro que verificamos, mas como se tratava de um telefone pré-pago, não foi possível identificar a outra parte envolvida. Peço desculpas.
O relatório encerrava-se ali. Ashley Miller permaneceu imerso em pensamentos profundos, mantendo o cenho franzido. Ele havia chamado o chefe da segurança para descobrir o que havia acontecido com Bliss, mas o homem não apareceu. Ashley esperou por mais quinze minutos além do horário combinado antes de tentar entrar em contato diretamente.
E agora, passadas vinte e quatro horas, as informações trazidas pelo secretário eram extremamente decepcionantes.
“Para onde diabos ele desapareceu?”
O que poderia ter feito o chefe da segurança, que já havia chegado até a porta do escritório após ser convocado por Ashley Miller, sair correndo daquele jeito ao receber uma ligação? O secretário parecia ter investigado o paradeiro do homem por diversos meios, mas não encontrou nenhuma pista plausível. Em suma, ele havia desaparecido.
— Droga.
Ao ser deixado sozinho após a saída do secretário, Ashley rangeu os dentes e praguejou. Com o desaparecimento do chefe da segurança, agora não seria mais possível ouvir a verdade de ninguém além do próprio Bliss. Deixando a busca pelo chefe de lado por um momento, ele precisaria investigar o que havia acontecido enquanto Bliss esteve na Inglaterra, mesmo sabendo que isso exigiria uma quantidade tremenda de tempo e esforço.
“Ter que dar uma volta tão grande quando havia um caminho tão fácil…”
Contendo o xingamento que estava prestes a soltar novamente, ele fixou os olhos no calendário sobre a mesa.
“…Um mês.”
Lembrar-se das palavras de Koi o obrigava a manter a racionalidade à força. Sim, um mês passaria rápido. Era apenas uma questão de dar tempo para Bliss organizar seus sentimentos. E assim que conseguisse acalmar Bliss para descobrir o que havia acontecido…
Pelo que lhe fora relatado, Bliss ainda passava o tempo chorando com frequência ou completamente alheio ao mundo. Não restavam dúvidas de que ele havia sofrido algum trauma imenso. Ele faria questão de descobrir quem era o desgraçado que havia feito aquilo com seu filho. E, quando descobrisse…
O olhar de Ashley tornou-se gélido.
“Vou fazê-lo se arrepender de estar vivo.”
— Haaah!
Bliss deu um pulo na cama, soltando um grito. Olhando ao redor às pressas, ele finalmente se deu conta de que estava em seu próprio quarto e que estava tirando um cochilo até aquele momento, o que o fez suspirar de alívio.
“O que foi aquilo? Senti uma sensação horrível de medo…”
Arfando profundamente, Bliss permaneceu sentado na cama por um tempo antes de se levantar e sair do quarto. Somente após virar um copo inteiro de água fria é que ele conseguiu recuperar a lucidez, mas logo uma sensação de vazio o invadiu.
“…Está silencioso demais.”
Ao se lembrar da movimentada residência do conde, a casa onde agora se encontrava sozinho parecia estranhamente deserta. Ele já havia morado sozinho ali antes e, naquela época, cada dia era divertido. Mas por que agora tudo parecia tão vazio? Não importava o que fizesse, sentia uma profunda apatia e inutilidade. Mesmo assistindo às novelas que tanto gostava, sua reação era de total indiferença.
“Antes eu ficava bem sozinho…”
Sentindo o nariz arder, ele fungou e segurou o ar. “…Não mais.”
“Bliss, olhe para cá. Bliss!”
Penélope.
“Ora essa, o que pensa que está fazendo pisando em toda a grama! Saia já daí!”
Sam.
“…E as outras pessoas que eu não conhecia muito bem.”
De qualquer forma, lembrar-se daquela barulhenta residência do conde lhe trazia uma dor no peito. No entanto, o rosto que ele mais sentia falta era apenas um.
“Bliss.”
Ao se lembrar de Cassian sorrindo para ele, as lágrimas voltaram a inundar seus olhos.
“Eu te amo, Bliss.”
— Eu também… Eu também te amo.
Ele tentou dizer em voz alta, mas não adiantava. Afinal, ele havia fugido por conta própria depois de fazer Cassian passar por uma mutação. Além disso, mesmo com o passar de várias semanas, não houve qualquer contato por parte de Cassian.
“Saber que eu estou aqui seria muito fácil para ele…”
A resposta era óbvia. Ele devia estar furioso. Com certeza não queria ver alguém como ele nunca mais.
“…Mas eu sinto tanta saudade.”
— H-huuuaaaah.
Ele tentou conter, mas acabou desabando em lágrimas novamente. Depois de chorar copiosamente, Bliss começou a cochilar.
“Que estranho, estou sentindo tanto sono ultimamente…”
Fungando, ele se dirigiu ao quarto. Embora já costumasse dormir bastante antes, ultimamente parecia ainda pior. Ele cochilava enquanto comia e, se se distraísse por um breve instante, era quase certo que acabaria pegando no sono.
“Talvez seja porque estou muito triste…”
Ele pensou enquanto se enfiava debaixo dos lençois. Que talvez, por estar triste demais, seu cérebro estivesse tentando adormecer.
“Sim, deve ser isso.”
Ele fechou os olhos e tentou dormir novamente. “É uma excelente decisão, minhas pequenas e fofas células cerebrais. Se eu dormir, dormir e dormir mais um pouco, a tristeza vai acabar diminuindo.”
“…E se não diminuir?”
Deixando uma ponta de preocupação no ar, Bliss caiu mais uma vez em um sono profundo. E enquanto o chefe da segurança abria os olhos para um novo mundo na “sala de prazeres” de Stacey, entregando-se completamente àquela experiência, um mês se passou.
— Hmmm-hmmm, hmmm-hmmm.
Bliss cantarolava com a boca cheia de cachorro-quente. “Delicioso, muito gostoso!” Ao ver Bliss sorrindo com a boca suja de molho, o proprietário que grelhava as salsichas perguntou com um sorriso:
— Está gostoso?
— Sim! Muito. Está incrivelmente delicioso!
Respondendo com entusiasmo, ele engoliu o pedaço restante de uma só vez. Nhoc, nhoc, nhoc. Engolindo a comida em apenas três mastigadas, Bliss apontou firmemente para outro cachorro-quente:
— Um cachorro-quente de chilli!
— Mais um?
O proprietário arregalou os olhos e acabou perguntando sem perceber. Diante daquela reação de surpresa, Bliss pegou um lenço para limpar a boca e respondeu:
— Sim, afinal eu ainda não comi desse.
Mas ele já havia comido um de queijo, um de cogumelo com bacon e outro de peru, totalizando três. Como um garoto tão magro conseguia comer tanto? Achando aquilo curioso, o proprietário lhe entregou o cachorro-quente pedido.
— Por acaso você é um competidor de comida?
Aquela parecia ser a única explicação. Segurando o cachorro-quente com cuidado para não deixar o molho escorrer, Bliss respondeu:
— Não, é que ultimamente tenho sentido uma fome constante por algum motivo.
Assim que terminou de responder, ele deu uma enorme mordida no cachorro-quente. Ao vê-lo devorar a comida com o mesmo apetite e velocidade do primeiro pedaço, o proprietário acabou rindo diante daquela situação inacreditável.
Depois de comer quatro cachorros-quentes, Bliss deixou o local e passou a caminhar calmamente pelas ruas. Apesar de ter comido tanto a ponto de assustar o dono da barraca, bastou ele dar as costas para sentir o estômago vazio novamente.
“Será que minhas células cerebrais decidiram enterrar a tristeza no meu estômago desta vez?”
Acariciando a própria barriga sem motivo aparente, ele começou a refletir. Depois de passar um tempo em um ciclo constante de dormir e acordar, seu sono parecia estar diminuindo aos poucos, mas agora seu apetite havia explodido.
“Bem, também não faz bem para o corpo passar o tempo todo apenas dormindo.”
Pensar que suas pequenas e fofas células cerebrais estavam trabalhando tão duro para ajudá-lo a esquecer a tristeza lhe trazia um sentimento de orgulho de si mesmo. Ele deu tapinhas na própria cabeça e, ao desviar o olhar, parou de repente. Uma rede de restaurantes centenária chamou sua atenção. Era justamente o restaurante que seu Papa e seu Daddy costumavam frequentar desde a época de escola.
— Bem-vindo. Mesa para quantos?
Bliss ergueu um único dedo para o funcionário que o cumprimentou alegremente e, assim que foi conduzido à mesa, um grupo de seguranças vestindo ternos pretos entrou logo em seguida. Sentando-se a uma distância não muito distante da mesa de Bliss, eles passaram a observá-lo como de costume. Bliss não se importou com a presença deles e, apontando para o cardápio, declarou com firmeza:
— Por favor, me traga tudo daqui até aqui!
O funcionário demonstrou surpresa imediata e esboçou um sorriso sem graça:
— Por acaso mais alguém da sua companhia está para chegar?
— Não, eu vou comer sozinho. Tudo!
Diante da resposta direta e sem hesitação, o funcionário não escondeu a expressão de perplexidade e confirmou o pedido mais uma vez. Bliss olhou ao redor enquanto o funcionário se afastava em direção à cozinha balançando a cabeça.
“Dizem que a decoração continua a mesma.”
Imaginar que seu Papa e seu Daddy haviam tido encontros românticos em alguma filial do Bluebell lhe arrancou um riso bobo.
— Hihihi.
Ele começou a se distrair mexendo em um guardanapo quando, de repente, o funcionário mudou o canal da televisão posicionada no centro do salão. Bliss direcionou o olhar para a tela sem pensar muito e acabou soltando um grito de susto:
— Hieek!
Abaixo da imagem da pessoa na tela, sobre uma faixa vermelha, uma legenda branca destacava-se nitidamente:
>”O conde Heringer, membro da Câmara dos Lordes da Inglaterra, chega ao país para discursar no Parlamento“<
↫─☫ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna