Define The Relationship (Novel) - Capítulo 52
Epílogo:
Define The Relationship
Era a primeira semana do ano novo, e Karlyle havia tirado uma semana de folga do trabalho, para encontrar uma nova casa após vender apressadamente a anterior no auge do luto e para recuperar o tempo que passara longe de Ash. Para falar a verdade, o segundo motivo correspondia a oitenta por cento, não, noventa e cinco por cento de sua motivação. A busca por uma casa era essencialmente o trabalho de seu assistente. Mas Karlyle havia escondido cuidadosamente o verdadeiro motivo. Ele temia que admitir a verdade pudesse sobrecarregar Ash, dado que eles tinham acabado de começar a namorar.
Karlyle era totalmente inexperiente sobre namoro, mas havia recebido alguns conselhos, embora com relutância, de Aiden, que o alertou contra ser pegajoso logo no início de um relacionamento. Karlyle não tinha certeza absoluta do que “pegajoso” significava naquele contexto, mas inferiu que envolvia apegar-se excessivamente ou ultrapassar limites logo após o início de uma relação. Ele sempre reconhecera prontamente sua ignorância, disposto a aprender. Quando se tratava de assuntos românticos, Aiden claramente tinha mais experiência; portanto, Karlyle decidira seguir seu conselho em seu relacionamento com Ash, com quem começara a namorar apenas no dia primeiro de janeiro.
Apesar disso, quando Karlyle informou Ash sobre sua folga por volta do Ano Novo, Ash revelou que ele também planejava tirar a semana de folga. Mal acreditando em seus próprios ouvidos, Karlyle lutou para conter seu entusiasmo, entregando-se apesar de seus melhores esforços.
Com um sorriso cúmplice, Ash observou sua reação.
— Você está feliz? — ele perguntou.
Karlyle, é claro, respondeu:
— Sim.
Ash soltou uma risada baixa que ficou presa em sua garganta, como alguém tentando controlar o divertimento.
De qualquer forma, após todos os pequenos obstáculos e acontecimentos, Karlyle agora se encontrava na casa de Ash.
Ele havia chegado precisamente há uma hora. Por cinquenta e nove daqueles minutos, ele estivera em um estado de extrema tensão, embora não do tipo ruim. Essa tensão vinha dos toques contínuos de Ash, que estavam longe de ser indesejados. Dito isso, eles eram certamente perigosos para o seu coração. Se as coisas continuassem assim, ele teria que começar a cuidar melhor de seu físico de forma mais consistente.
Desde que começaram a namorar, Ash mal havia tirado as mãos de Karlyle. Apenas dois dias se passaram, mas esse tempo sozinho foi suficiente para enlouquecer Karlyle. Mesmo agora, enquanto o silêncio se estabelecia brevemente entre eles, Ash acariciava a bochecha de Karlyle. Seus dedos faziam cócegas de leve nos cílios de Karlyle e traçavam as bordas de sua orelha. Karlyle sentava-se em silêncio, segurando uma xícara de chá, que já havia esfriado há algum tempo, pois ele era incapaz de dar um gole. Se ele bebesse o chá, Ash não seria capaz de continuar tocando seu rosto.
— Você não vai beber isso? — Ash perguntou finalmente. Ele sorriu suavemente, com o olhar derivando para a caneca nas mãos de Karlyle. Os dedos de Karlyle se apertaram ao redor da asa da caneca enquanto ele encontrava o olhar de Ash.
Embora Karlyle apreciasse imensamente os toques de Ash, como mencionado anteriormente, eles eram prejudiciais ao seu coração. Além disso, era quase impossível acalmar-se quando eles se tocavam.
— …Sim, eu vou. — Karlyle respondeu.
— Já deve ter esfriado a esta altura. Quer que eu faça outro? Gosto de ver você bebendo alguma coisa, Lyle.
Ouvir aquelas palavras desencadeou memórias de refeições que haviam compartilhado no passado. Mesmo antes de começarem a namorar, Ash sempre fora atencioso, frequentemente cortando a comida ou servindo bebidas para Karlyle. Ele até mesmo enrolara uma garfada de massa e a levara à boca dele, um gesto tão excessivamente terno que Karlyle engolira com o rosto vermelho.
Karlyle nunca fizera nada semelhante para mais ninguém, exceto por seu irmão mais novo, Kyle, quando este era muito pequeno. Mas agora, Karlyle e Ash eram um casal, retribuir tais gestos não deveria ser a norma?
Assim que o pensamento cruzou sua mente, uma avalanche de desejos se seguiu. Karlyle ficou horrorizado consigo mesmo por não ter percebido até agora o quanto queria, não, ansiava fazer. Rapidamente, ele se repreendeu e voltou ao assunto em questão.
— Você gosta de me ver beber? — ele repetiu timidamente.
— Gosto, me faz querer que você me beba também.
Atônito, Karlyle sentiu a nuca avermelhar.
— …C-Como?
— Também gosto de ver você comer.
Apesar de sua total perplexidade, Karlyle deu-se conta de que estava alimentando o pensamento irresistível de beber Ash. Quão requintado seria o seu gosto? Qual seria o seu sabor? Enquanto o aroma de Ash trazia a suavidade de uma brisa de primavera, Karlyle imaginava que o seu gosto seria intenso e refinado, naturalmente doce e inebriantemente viciante como chocolate com infusão de uísque.
— Você não faz nenhum som quando come, Lyle — Ash continuou. — Você come de forma tão silenciosa e elegante quanto fala e respira. É fascinante de assistir. — A expressão de Ash então mudou. Ele se inclinou mais perto de Karlyle, que estava sentado de frente para ele no sofá. — Mas quando você chora, os sons que faz são tão quentes e doces que me enlouquecem. Você sabe disso?
A mudança abrupta na conversa deixou Karlyle lutando por uma resposta, tentando desesperadamente esconder sua inexperiência. Ele não sabia como reagir a comentários daquela natureza direcionados a um alfa como ele.
— Não me recordo de… chorar de tal forma — ele respondeu no fim.
— Não esse tipo de choro.
Seus corpos se pressionaram mais perto. A atmosfera mudou sutilmente, o clima anteriormente leve e descontraído tornando-se denso de tensão. O ar ao redor deles permanecia seco e fresco, mas um calor ardente queimava sob a pele.
Karlyle não tinha certeza absoluta do que Ash estava sugerindo. No entanto, uma imagem surgiu em sua mente, sem ser convidada: ele mesmo estendido sob Ash, com as coxas afastadas até o limite, rendendo-se completamente.
Controle-se. Conforme Karlyle se repreendia internamente, sua expressão ficou sombria. Como havia dependido de supressores para controlar seus ciclos naturais por vários meses, seus impulsos inflamavam com o menor estímulo.
É claro que Karlyle jamais admitiria aquilo. Ele não queria parecer um animal insaciável guiado puramente pelo instinto. Ash já havia testemunhado o bastante de sua tolice, se ele expusesse uma parte tão bestial de si mesmo, Ash certamente se cansaria dele por completo.
Agora que a própria coisa que ele desejava havia se tornado realidade, Karlyle viu-se impondo restrições a si mesmo.
— Eu também gosto de ver você comer, Ash — ele disse, finalmente conseguindo direcionar a conversa para outro rumo.
Uma risada baixa escapou dos lábios de Ash enquanto ele se inclinava na direção de Karlyle. Seus dedos subiram lentamente a partir do joelho de Karlyle, a sensação de cócega infiltrando-se através do tecido de sua calça.
— Sabe, Lyle…
Karlyle inspirou abruptamente e finalmente colocou sua caneca na mesa. Mais um pouco e ele tinha certeza de que derramaria a bebida. Ash sorriu em aprovação.
— Sim, Ash? — Karlyle respondeu, com a voz calma enquanto Ash esfregava a palma aquecida contra sua coxa. Se não pudesse fazer mais nada, pelo menos conseguiria manter o tom de voz firme.
— Agora que estamos namorando oficialmente, por que não estabelecemos algumas regras básicas?
Enquanto isso, a mão de Ash, que estava apoiada no colo de Karlyle, moveu-se novamente para massagear a parte interna de sua coxa. Karlyle desviou o olhar, mas seus olhos vacilaram.
Karlyle fixou o olhar no ombro de Ash, perplexo. Seu rosto, quase neutro, mas não totalmente, era muito mais revelador do que antes.
— Tudo bem. — disse ele, concordando sem ter a menor pista sobre o que precisava ser decidido. Considerando que aquele era o seu primeiro relacionamento, não era de se surpreender que ele não fizesse ideia do que isso realmente poderia implicar.
Sentindo-se bastante ignorante, Karlyle endireitou as costas, demonstrando sua prontidão para aprender. A mão de Ash era impossível de ignorar, mas ele conseguiria suportar.
Assim esperava.
— Não há necessidade de muitas regras. Afinal, não estamos mais em algum tipo de relacionamento contratual.
Os olhos de Karlyle se suavizaram em um sorriso. Seu olhar hesitou brevemente, vacilando do ombro de Ash antes de se erguer gradualmente para encontrar o rosto dele.
Ash, que observava Karlyle de perto, abriu um sorriso. Enquanto isso, sua palma pressionava cada vez mais para o lado de dentro. Muito extasiado para notar, Karlyle permaneceu beatificamente alheio ao avanço.
— Vamos começar com os apelidos carinhosos — Ash sugeriu.
— Apelidos carinhosos?
— Sim. Como você gostaria que eu te chamasse, “Querido”? — Os cantos da boca de Ash se ergueram de forma travessa.
Karlyle cerrou a boca. Aquela única palavra fizera tudo parar abruptamente. Sua respiração falhou, sua cabeça balançou e sua mente ficou completamente em branco.
— Ou que tal minha vida? Docinho? Bebê? — Ash perguntou, empilhando nomes afetuosos com um sorriso travesso.
Karlyle mal conseguiu respirar enquanto sua nuca ardia de calor. Seu corpo inteiro enrijeceu, os dedos cravando-se na borda do sofá com tanta força que poderiam sangrar.
— …Essas são as únicas opções?
Não era que ele não gostasse deles, como isso seria possível? O problema era que ele não conseguia lidar com isso. O simples fato de Ash dizer seu nome já era suficiente para lhe dar borboletas no estômago. Ele costumava se perguntar quantos anos se passariam antes que pudesse se acostumar a ouvir o próprio nome, mas usar apelidos tão românticos… Isso era algo que amantes de verdade faziam.
No passado, quando ouvia termos de carinho semelhantes em músicas ou filmes, eles nunca tocavam o coração de Karlyle. Se tanto, ele os achava um toque juvenis. Mas agora, ouvindo-os dos lábios de Ash, as palavras carregavam um peso inteiramente diferente.
— Você não gosta deles? Então me chame de “Meu amor”.
A respiração de Karlyle falhou, seus ombros deram um solavanco enquanto Ash lançava a palavra casualmente. Aquela era perigosa demais.
Ash não tinha como saber. Karlyle já havia se precipitado, vislumbrando uma vida inteira juntos antes mesmo de o relacionamento começar. Se Ash usasse um apelido que sugerisse que eram casados, não demoraria muito para Karlyle propor casamento.
Apesar de sua falta de experiência em namoro, até mesmo Karlyle estava ciente de como a sociedade via esse comportamento impulsivo. Além disso, na Inglaterra, a idade típica para o casamento estava subindo constantemente. Muitos casais levavam pelo menos um ano ou dois para definir adequadamente seu relacionamento. Em tais circunstâncias, era costume que os noivados se estendessem por vários anos antes de culminarem em um casamento.
— Ash, isso pode não ser apropriado.
Pelo bem de Ash e para evitar colocar o relacionamento deles em risco tão cedo, Karlyle resistiu à tentação. Além do mais, chamar Ash por aquele nome simplesmente não era possível para ele. Pelo menos não por mais um ano — não, talvez dois. Ou quem sabe três. Ele não tinha ideia de quantos anos levaria.
— Caramba, Lyle… — Ash resmungou suavemente, a voz pesada com uma restrição mal contida. Desde que se lembrara daquele dia, Ash passara a chamá-lo de Lyle, um nome usado apenas por Ash. — Você está reagindo de forma ainda mais adorável do que eu pensei que reagiria.
A mão apoiada na coxa de Karlyle deslizou mais para cima, acomodando-se em sua cintura. Ash puxou Karlyle para mais perto, guiando-o para se sentar em seu colo enquanto se inclinava para trás contra o sofá. Karlyle permaneceu rígido como uma tábua, sobrecarregado pela posição constrangedoramente íntima.
— Eu também prefiro chamar você de Lyle. Mas por que amor é inapropriado?
A mão de Ash deslizou por baixo da camisa de Karlyle, o tecido branco e fino oferecendo pouca resistência. Karlyle estremeceu diante da sensação estonteante, suas próprias mãos balançando no ar enquanto ele lutava para saber onde colocá-las.
— É que… — Karlyle murmurou, tentando encontrar uma desculpa razoável. Ele estava com a língua travada demais e com medo de admitir a verdade. Mas a mão implacável de Ash interrompeu seus pensamentos, seus dedos longos traçando a curva suave das costas de Karlyle.
Lamentos suaves escaparam dos lábios de Karlyle. Seus pensamentos se dispersaram enquanto sua mente nublava. O calor avassalador do toque de Ash, após uma ausência tão longa, deixou-o tremendo. Suas nádegas se contraíram, sua mão tateando para se firmar contra o peito de Ash.
Ash, reclinado sob ele, usava um cardigã de tricô grosso aberto sobre uma camiseta simples de manga curta. Seus músculos firmes pulsavam sob a palma de Karlyle, que ardia a cada ponto de contato.
— A regra número dois é que devemos ser honestos um com o outro. A menos que seja realmente difícil demais, eu gostaria que você me dissesse o que está pensando, Lyle. — Os dedos de Ash traçaram o vão da espinha de Karlyle mais algumas vezes. As costas de Karlyle se arquearam rigidamente em resposta, suas palmas pressionando com mais força contra o peito de Ash.
As sobrancelhas incertas de Karlyle se contraíram e relaxaram em rápida sucessão. Dentro da calça, ele já estava meio ereto. Torcendo o tronco, Karlyle mal conseguiu assentir.
— Eu, er, tudo bem.
— Bom. Então, Lyle, pode me dizer agora? Por que não é apropriado? — O dedo indicador de Ash traçou uma linha preguiçosa pela pele lisa de Karlyle, parando em sua cintura. O dedo demorou-se ali, acariciando a leve curvatura de sua região lombar. O movimento habilidoso de suas mãos, logo antes de se aprofundar na calça de Karlyle, prometia mais, alimentando a antecipação de ambos.
— É só que não me atrevo, ngh, chamar você assim. — De forma constrangedora, gemidos continuavam escapando de seus lábios. Karlyle cobriu a boca com as costas da mão.
Com uma expressão lânguida, Ash continuou encarando-o de baixo. Inclinando a cabeça de leve, ele estendeu a mão livre, deixando a outra firmemente posicionada na cintura de Karlyle. Conforme entrelaçava sua mão com aquela que cobria a boca de Karlyle, Ash sorriu.
— Não é porque você não gosta, é?
— …Não.
Ao mesmo tempo, a mão dele desceu mais, avançando sem aviso para abrir o cinto de Karlyle. Ao som do estalo, Karlyle sobressaltou-se de seu transe e olhou para baixo. Ash riu descompromissadamente.
— Então… — Sua voz estava mais baixa do que antes. As costas de sua mão roçaram o leve volume na cueca de Karlyle. Diante do carinho gentil da mão de Ash na ponta de seu membro ereto, Karlyle fechou os olhos com força. Respirações insuportavelmente quentes escaparam dele. — O que você está pensando agora?
O sussurro baixo e sedutor quase fez Karlyle desmoronar. Ele quase confessou, quase admitiu que não queria nada mais do que Ash fizesse aquilo com ele antes de conseguir balançar a cabeça.
Havia algo que ele planejara fazer assim que visse Ash hoje. Aquele havia sido o propósito principal de sua visita. E Karlyle era, acima de tudo, um homem de determinação inabalável; quando estabelecia uma meta, ele a perseguia cegamente até sua conclusão.
Ash ainda não havia aprendido isso sobre ele.
— Um momento, por favor. Ash, sua mão… Ash!
Foi necessário um nível extraordinário de restrição para Karlyle se afastar. Ele se levantou e exalou de forma trêmula, com a respiração irregular enquanto se recompunha cuidadosamente. Ele ajeitou as roupas, ainda perplexo com a facilidade com que Ash conseguira desafivelar seu cinto, como se tivesse sido uma brincadeira de criança.
Depois de arrumar a calça e alisar a camisa social, Karlyle olhou de volta para Ash. O olhar do homem guardava um certo brilho, seus lábios curvados em um sorriso silencioso. Não era um sorriso gentil; pelo contrário, sugeria que ele estava alimentando uma intenção perigosa.
— Por quê? — Ash praticamente rosnou.
— Eu vim aqui hoje porque queria te dar uma coisa — Karlyle respondeu, com o tom firme apesar do calor remanescente.
Aquela era a verdadeira razão de sua visita. Ele queria finalmente dar a Ash a pintura que havia guardado por tanto tempo. Após a festa de noivado cancelada, Kyle havia devolvido a obra de arte a Karlyle, que a mantivera guardada em segurança desde então. Originalmente, Karlyle pretendia entregá-la a Ash junto com sua confissão, mas com aquele momento há muito passado, ele achou apropriado apresentá-la agora como uma forma de comemorar o novo relacionamento deles.
— O que é? — Ash perguntou.
— Não tenho certeza se você vai gostar, mas…
— Se for de você, eu vou amar, mesmo que seja um pedaço de chiclete velho mastigado.
Karlyle não pôde deixar de se maravilhar com a sagacidade natural de seu amante. O que ele não percebia era o quanto o humor de Ash estava impregnado de sinceridade.
Ash se levantou, movendo-se com a elegância ágil de um predador. Não houve som, não houve hesitação — apenas uma graça fluida e felina enquanto ele se erguia do sofá e seguia Karlyle. Combatendo o agito em seu peito, Karlyle virou-se para pegar a moldura que havia deixado encostada na parede da escada.
O olhar de Ash desceu, fixando-se na mão de Karlyle enquanto esta segurava a pintura. Lentamente, um sorriso gentil espalhou-se pelo rosto de Ash.
— Uau, é isso?
— …Sim — Karlyle respondeu, com a voz suave.
Karlyle desembrulhou a moldura devagar, o leve farfalhar da embalagem preenchendo o espaço. Suas mãos pálidas descascaram cuidadosamente as camadas de material protetor, deixando-as de lado de forma organizada antes de segurar a moldura contra o peito. Seu coração martelava, seu nervosismo aumentando a cada segundo que passava.
— Você mencionou uma vez que gostava do trabalho de Philip Whitewood, então eu queria te dar isso de presente.
Apesar do relacionamento recém-florescido deles, Karlyle ainda se preocupava que aquilo pudesse ser demais, cedo demais. Mas o pensamento de dar coisas — muitas coisas — para Ash o enchia de uma felicidade indescritível. Karlyle nunca vira muita graça em abrir a carteira, mas a ideia de usar sua riqueza para fazer Ash feliz era algo que ele podia abraçar de todo o coração.
— Não tenho certeza se você sabe — Karlyle disse —, mas o Lorde Gordon tinha isso em sua posse. Pelo que você me contou, sua mãe e o marquês eram amigos.
— Eram, sim — Ash respondeu calorosamente, com o olhar descendo para a moldura nas mãos de Karlyle. Sua expressão suavizou-se ainda mais quando ele colocou a própria mão gentilmente sobre a de Karlyle.
— Não conheço toda a extensão da relação deles, mas isso parece o destino, você não acha? O fato de ele ter a pintura que você admira e agora ela estar aqui conosco.
Destino. Um termo que Karlyle antes descartara como excessivamente romântico agora encontrava o caminho através de seus lábios.
Com olhos sinceros, Karlyle olhou para Ash.
— Só espero que este presente faça você feliz. Quando procurei por esta pintura, esse era o meu único desejo.
Seu peito se apertou quando ele a entregou. Seu coração batia de forma irregular, cheio de apreensão.
E se for demais? E se ele achar presunçoso demais?
— Lyle. — A mão de Ash pousou sobre a de Karlyle, guiando gentilmente a moldura para baixo. Karlyle segurou a pintura com firmeza, inclinando-a para que Ash pudesse ver. Por um longo momento, Ash apenas olhou, com uma expressão ponderada e pensativa. Seu silêncio durou o que pareceu uma eternidade para Karlyle. — Obrigado… de verdade.
As palavras vieram baixas, mas com uma sinceridade que aliviou a tensão de Karlyle. Ele mal havia exalado antes que Ash continuasse.
— Este é o maior presente que alguém já me deu. Significa muito.
Ash sorriu, com os olhos tingidos de tristeza. No entanto, essa tristeza foi imediatamente seguida por uma alegria incomensurável. Ash se inclinou para a frente. Seus lábios roçaram a bochecha de Karlyle em um beijo suave e demorado.
— Gostaria de saber um segredo?
A resposta de Ash fez o sangue nas veias de Karlyle correr com um novo calor. A tensão que sentira até aquele momento deu lugar a uma onda de exultação. Esforçando-se para controlá-la, ele assentiu.
— Na verdade, o Lorde Gordon pintou esta obra.
— Como?
— A história complicada que mencionei antes está toda envolvida nesta pintura. — Ash endireitou-se um pouco, seus dedos afetuosos deslizando pelas bordas da moldura. Karlyle lembrou-se da história que Ash havia prometido compartilhar em uma data posterior. Ele sentiu uma ponta de intriga ao cruzar os olhos com Ash. — Lembra, Lyle? Você prometeu compartilhar o que está na sua mente. Então, se você tiver curiosidade sobre algo, sinta-se à vontade para perguntar. Pergunte-me qualquer coisa.
Karlyle sentiu o peso do olhar de Ash, que fez uma pausa precisa em seus lábios antes de retornar aos seus olhos. Ele assentiu novamente, sua hesitação foi breve antes de finalmente dar voz à sua pergunta.
— Se não for doloroso demais, você me contaria o que aconteceu?
— Claro. — O braço forte de Ash envolveu os ombros de Karlyle, trazendo-o para perto. Suas mãos se sobrepuseram na pintura. — Então, vamos começar com a minha história hoje. — Ash começou a subir as escadas em um ritmo lento. Karlyle o acompanhou no mesmo passo. — E depois disso, será a sua vez de compartilhar o seu passado comigo. O que acha?
— Eu gostaria disso.
— Ótimo. Vamos fazer isso.
Antes de dar mais um passo, Karlyle de repente se lembrou de algo: uma imagem passageira de Ash relaxando no sofá, perguntando-lhe o que ele estava pensando. A lembrança permaneceu, despertando uma nova curiosidade. O que Ash estava pensando naquele momento? O que o havia levado a fazer tal pergunta?
— Ash.
— Sim, Lyle?
— Mais cedo, no sofá, no que você estava pensando?
Era uma pergunta sincera, feita com uma ingenuidade exposta. Karlyle genuinamente queria saber. Ash inclinou a cabeça de leve, seus lábios se curvando em um sorriso travesso.
— Hm. — A hesitação em seus olhos sugeria algo que ele não estava ansioso para compartilhar. Após um instante, ele balançou a cabeça levemente. — Você quer mesmo saber?
— Sim.
— Então eu te conto quando escurecer lá fora. Se eu disser agora, vai parecer… bem, que sou um completo pervertido.
Karlyle piscou, sobressaltado com a palavra.
— Pervertido?
— Não, não, não é nada — Ash disse, descartando o assunto.
— Ash — Karlyle respondeu, com o tom gentilmente reprovador —, essa não é uma palavra legal para usar consigo mesmo. Você não é nenhum pervertido…
— Desculpe, deixe-me reformular. Quero dizer que sou absolutamente sem-vergonha.
— Isso também não.
— Lyle, você realmente não tem ideia ainda, não é? Do quão terrivelmente sem-vergonha eu posso ser. — Ash riu com preguiça, seus olhos semicerrados brilhando perigosamente mais uma vez. Inclinando-se só um pouco para nivelar seus lábios com a orelha de Karlyle, ele abaixou a voz para um sussurro provocante. — Agora que estamos namorando, você logo vai descobrir. No quarto… ou talvez em outros lugares.
A insinuação por trás de suas palavras fez Karlyle congelar no meio do degrau. Ash soltou uma risada brincalhona e puxou sua mão, incentivando-o a subir. Embora hesitante a princípio, os pés de Karlyle obedeceram lentamente.
Em pouco tempo, o som do riso deles flutuou escada acima.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr