Define The Relationship (Novel) - Capítulo 48
Capitulo 48
O tempo lentamente retornou ao seu ritmo natural. Momentos que antes pareciam se arrastar infinitamente começaram a voltar para o lugar. As noites de Karlyle, outrora atormentadas por uma insônia que apenas sedativos pesados podiam combater, começaram a melhorar. Seu corpo, que havia resistido à recuperação mesmo sob as prescrições de Luther, e suas emoções constantemente em espiral, ambos mostraram sinais de estabilização.
Houve mudanças externas também. Embora muitos aspectos da vida de Karlyle permanecessem praticamente iguais, a questão mais importante havia sido resolvida: ele não estava mais preso a um noivado com alguém que não amava. Numa manhã bem cedo, durante o café da manhã, Karlyle se viu cara a cara com Alice. Esse encontro só foi possível por causa de sua estadia temporária na propriedade da família após deixar sua própria casa.
Enquanto Karlyle congelou diante da situação inesperada, Alice sentou-se ao lado dele. Como sempre, o silêncio se estendeu entre eles. Mesmo enquanto o café da manhã era servido, Alice não disse nada. Mas quando ela notou que Karlyle mal havia tocado na metade de sua salada ou omelete, ela falou primeiro:
— Parece que você ainda não se recuperou.
Para Karlyle, que tratava o consumo das porções de comida estipuladas como uma questão de disciplina, deixar comida intocada era, de fato, incomum para ele. Seu apetite ainda não havia retornado adequadamente. Pegando sua faca e garfo novamente, ele murmurou:
— Minhas desculpas.
Era de fato constrangedor para um homem adulto falhar em cuidar adequadamente de sua própria saúde. Karlyle refletiu sobre isso, punindo-se internamente. Mas Alice o interrompeu novamente:
— …Eu só toquei no assunto porque pretendia ligar para o Dr. Milan se você ainda estivesse se sentindo mal — explicou ela.
— Você não precisa se forçar a comer.
As palavras dela deixaram Karlyle sem fala. Seu olhar caiu para o prato.
Ele se sentiu estranho. Pensou que já havia se acostumado um pouco com as pessoas se preocupando com ele ultimamente, mas, claramente, não se acostumara. A preocupação inesperada por trás das palavras de Alice fez seus dedos tremerem. Ele hesitou, incerto sobre como responder de uma maneira que pudesse agradá-la.
— Estou bem agora. Sinto muito por preocupar você — disse ele finalmente. Ele havia sofrido por alguns segundos sobre se pedir desculpas por incomodá-la ou por causar preocupação, já que ele não tinha total certeza se Alice estivera preocupada com ele. Alice, que vinha movendo sua faca de forma mecânica, parou de repente. Ela encarou a própria comida por um longo tempo antes de responder: — Não há necessidade de pedir desculpas.
Foi muito mais difícil responder desta vez. Com olhos incertos, Karlyle olhou de relance para Alice antes de baixar o olhar novamente para sua omelete intocada. Após uma breve hesitação, ele pousou os talheres.
Uma conversa tranquila se seguiu. Fazia um tempo extremamente longo desde que Karlyle havia se sentado e conversado com sua mãe dessa maneira, não apenas durante o café da manhã, mas em qualquer situação. Alice disse a Karlyle que ele não precisava mais se preocupar com o noivado. Depois, ela sugeriu que talvez fosse melhor para ele tirar uma folga do trabalho por um tempo, ecoando os sentimentos tanto de Jonathan quanto de Kyle.
A ideia de ficar ocioso, de se sentir sem propósito, perturbou Karlyle, por isso ele expressou cautelosamente que não desejava fazer isso.
Observando-o com atenção, Alice respondeu calmamente que ele poderia fazer o que quisesse, assim que estivesse pronto.
Mesmo depois que a conversa deles terminou, após todos os tópicos de discussão terem se esgotado, Alice não saiu do lado de Karlyle. Em vez disso, ela tomou seu chá em silêncio enquanto compartilhavam uma manhã tranquila juntos. Apenas quando sua secretária entrou na sala de jantar à procura dela é que Alice finalmente partiu, desejando a Karlyle um bom dia. Para Karlyle, que havia passado a vida se esforçando pelo benefício dos outros — mais precisamente, pelo benefício de sua família —, a ideia de descanso era muito desconhecida. Isso não queria dizer que ele nunca tivesse feito pausas. Ele programava um descanso adequado conforme o necessário antes da hora de dormir. Ele tinha inclusive tirado férias, embora elas frequentemente coincidissem com viagens de negócios ou fossem continuações de várias obrigações familiares ou funções sociais. Relaxantes no nome, talvez, mas sempre com um propósito em sua natureza.
No entanto, esta era a primeira vez: estar desvinculado, sem obrigações ditando cada um de seus movimentos. Ele foi deixado à deriva, perdido no vasto vazio do tempo não estruturado.
Ainda assim, apesar disso… ele achou sua nova liberdade um tanto confortável.
Ao longo dessas férias inesperadas, Karlyle deu-se conta de estar pensando em Ash. Isso era inevitável, é claro, já que Ash ocupava seus pensamentos inúmeras vezes, mesmo durante seus momentos mais dolorosos e difíceis.
Além disso, Ash havia declarado seu amor por Karlyle. Na época, Karlyle estivera tão sobrecarregado pela agonia que não fora capaz de apreciar totalmente o peso daquelas palavras, mas agora que estava mais em paz, a confissão dominava seus pensamentos por completo.
Ash havia olhado direto em seus olhos e dito “Eu amo você” não apenas uma, mas três vezes.
Quer Karlyle estivesse acordado ou perdido em sonhos, aquelas palavras ecoavam sem fim em sua mente. Elas o tentavam, puxando as margens de sua contenção. “Você o ouviu. Não há mais necessidade de hesitar”, os sussurros instavam Karlyle. Mas algo o segurava.
Como pisar em cascalho movediço, as coisas que ele tentava e não conseguia esquecer deixavam Karlyle inquieto. O problema era que ele não conseguia determinar exatamente o que o perturbava tão profundamente.
Uma semana havia se passado desde o dia em que ele vira Ash pela última vez, e Karlyle finalmente tomou uma decisão. Ele queria vê-lo novamente, pelo menos mais uma vez. Ash não havia entrado em contato nesse intervalo, o que não era de surpreender, já que a única maneira de falar com Karlyle era por meio de Kyle, e Karlyle já havia deixado claro para o irmão que ele não precisava mais se envolver. Era justo que Karlyle desse o primeiro passo e, oportunamente, o fim de semana estava se aproximando.
Ao se lembrar da proposta de Ash de se encontrarem mais uma vez, Karlyle deu-se conta de estar deliberando sobre qual seria o melhor momento para contatá-lo. Enquanto participava de uma festa para a qual Aiden o havia convidado, Karlyle chegou a uma decisão.
O fim de semana seria o mais apropriado.
— Karlyle.
Karlyle ergueu os olhos do tabuleiro de xadrez para o qual vinha olhando fixamente sem motivo. Aiden usava uma expressão estranha, parecendo um tanto intrigado, apesar de seu aparente descontentamento.
— Foi você quem o convidou? — perguntou Aiden, apontando para algo.
Karlyle franziu a testa. Seguindo a direção do dedo de Aiden, ele se virou lentamente. Seus olhos imediatamente se arregalaram ao pousarem em alguém do lado de fora da janela. Antes que sua mente pudesse processar o que estava vendo, seu coração falhou uma batida. De repente, ele estava acelerado desordenadamente. O sangue correu por suas veias, aquecendo todo o seu corpo.
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr