Define The Relationship (Novel) - Capítulo 04
A antipatia de Ash em relação a Karlyle e os sentimentos que nutria por Nicholas, antes ocultos por trás de uma fachada elegante e de modos impecáveis, finalmente vieram à tona.
O verdadeiro motivo daquele homem, completamente diferente do que Karlyle havia imaginado, o deixou sem palavras.
Para Ash, Karlyle era apenas um intruso que havia causado uma péssima primeira impressão e o irmão de Kyle Frost, o alfa que disputara o amor de Nicholas.
Para Ash, a existência de Karlyle tinha pouco ou nenhum significado.
Ele havia concordado com aquele encontro absurdo apenas por causa da pessoa que amava.
A mente de Karlyle ficou agitada pelo impacto daquela constatação.
Seu humor, que até então estava tranquilo, despencou.
Pensou na pergunta sem sentido que havia vindo responder naquele encontro e na esperança tola que alimentara.
Sentiu-se a pessoa mais patética do mundo.
A vergonha o envolveu por ter interpretado tão mal o homem à sua frente.
Era como se seus defeitos e erros tivessem sido expostos diante de todos.
Apesar do tumulto interior, sua expressão permaneceu inalterada.
Afinal, aquilo era o que fazia de melhor: esconder seus pensamentos e mascarar seus sentimentos.
— É reconfortante ouvir isso.
Quebrando o silêncio, ao mesmo tempo longo e breve, Karlyle ergueu a taça de vinho.
Nem o menor vestígio de emoção atravessou seus frios olhos cinzentos.
Ash o observou em silêncio, como se estivesse tentando decifrar suas intenções, e então sua expressão suavizou.
— É mesmo?
— Certamente. Prefiro manter as coisas bem definidas — respondeu Karlyle.
Dessa vez, Ash ficou em silêncio.
Passou o dedo pela lateral de seu copo de cidra, parecendo incomodado.
Por fim, soltou um suspiro.
— Me desculpe, Karlyle.
— Não entendo porque está se desculpando.
— O que eu acabei de dizer foi rude. Desculpe.
Karlyle não soube como responder.
Sem conseguir engolir o vinho que havia levado aos lábios, afastou a taça e baixou o olhar.
A expressão de Ash havia retornado ao estado habitual, como se a dureza que demonstrara momentos antes fosse apenas uma máscara.
— Fui eu quem o ofendeu primeiro, Sr. Jones. Está tudo bem.
— Não, sinto que fui imaturo — concluiu Ash, pegando o cardápio.
Então exibiu um sorriso que suavizou o clima, dissipando toda a tensão anterior.
— Nunca conheci alguém exatamente como você, Karlyle.
Karlyle duvidava que aquilo fosse um elogio.
— Não quero dizer isso de forma negativa.
Karlyle colocou a taça de vinho de volta sobre a mesa.
No fim, nem sequer havia tocado na bebida.
Ash continuou:
— É só que você parece ter uma maneira diferente de se expressar.
— Você não precisa se esforçar tanto.
— É exatamente disso que estou falando — respondeu Ash com uma risada leve.
Ele colocou o cardápio diante de Karlyle, parando os dedos pouco antes de tocar os dele.
Karlyle baixou os olhos para a mão de Ash.
Era uma mão fina e bonita.
As unhas estavam cuidadosamente aparadas, com as pontas arredondadas e um leve tom rosado.
— Se eu te magoei de alguma forma, por favor, me diga agora.
Então, em um sussurro suave, acrescentou:
— Afinal, você não pode fazer esse tipo de coisa com alguém de quem não gosta, certo?
Diante disso, Karlyle pensou:
Eu desgosto deste homem?
Não.
Não era esse o caso.
Ele apenas se sentia desconfortável.
Havia algo que o incomodava, algo que o perturbava.
Mas não o odiava.
A ideia de se levantar e ir embora jamais passou por sua cabeça.
Foi assim que Karlyle definiu seus sentimentos.
Ash ainda nutria sentimentos por Nicholas.
Se era assim, então, pelo bem de Kyle — pelo bem de seu irmão — era imprescindível manter um olhar atento sobre aquele homem.
Karlyle não podia permitir que qualquer impureza colocasse em risco a felicidade recém-conquistada de seu irmão.
Sim.
Esse era o motivo.
— Não, você não me incomodou — respondeu Karlyle.
— Tem certeza? — perguntou Ash.
— Sim.
Karlyle sabia que ninguém poderia se colocar entre Nicholas e Kyle, mas manter qualquer risco em potencial sob sua vigilância o deixaria mais tranquilo.
Era só isso.
— O mesmo vale para você, Sr. Jones. Se eu o deixei desconfortável de alguma forma…
— Estou bem.
Então Ash acrescentou com um sorriso:
— Já coloquei tudo para fora.
— Nesse caso, agora que esclarecemos aquilo de que não gostamos, vamos tratar dos negócios?
Ash falou de forma a renovar o clima da conversa.
— E vamos pedir algo para comer também, se estiver tudo bem para você. Consigo praticamente sentir os olhares nas minhas costas.
Ao comentário astuto de Ash, Karlyle baixou o olhar.
— Certamente — respondeu em seu tom calmo e uniforme.
Depois de fazerem os pedidos, Karlyle recebeu uma ligação do Catar.
Ele se desculpou e se afastou para atender.
Enquanto isso, Ash o observava tranquilamente.
Karlyle presumiu que ele se ocuparia com outra coisa, mas, em vez disso, Ash permaneceu ouvindo sua voz, com o queixo apoiado na mão como antes.
Karlyle percebeu que não conseguia se concentrar na conversa e acabou encerrando a ligação rapidamente.
— …Espero não tê-lo entediado demais.
— De forma alguma. Eu gostei de ouvir sua voz. É sexy.
Ash deu de ombros levemente enquanto lhe entregava um garfo.
A comida já havia chegado.
Ao ouvir a palavra sexy, a expressão perfeitamente controlada de Karlyle vacilou pela primeira vez.
Seus lábios se moveram quase imperceptivelmente.
A palavra não lhe era estranha.
Ele sabia muito bem que sua aparência era considerada atraente pelos padrões da sociedade.
Ter uma aparência impecável também era uma vantagem nos negócios.
No entanto, era aí que o valor de seu rosto terminava.
Normalmente, ele ignorava esse tipo de comentário.
Mas, naquele momento…
— Foi a primeira vez que alguém disse isso para você? — perguntou Ash, os olhos curvados em um sorriso.
A mão de Ash, que segurava o garfo, parou bem diante da mão de Karlyle, apoiada sobre a mesa.
Karlyle enrijeceu e respondeu:
— Não, não foi.
— Tenho quase certeza de que você escuta isso com frequência.
Aquele era o momento apropriado para retribuir o elogio.
Trocar gentilezas era uma cortesia fundamental nas relações sociais.
Infelizmente, retribuir elogios relacionados à aparência física ou ao apelo sexual de alguém era um território desconhecido para Karlyle.
— …Tenho certeza de que o mesmo acontece com você, Sr. Jones.
— Obrigado.
Ash recebeu o elogio com naturalidade, enquanto os cantos dos lábios se erguiam em um sorriso.
— Posso cortar para você? — perguntou ele, olhando para o bife que Karlyle havia pedido.
— Eu consigo fazer isso sozinho. — respondeu Karlyle de forma direta.
— Me avise se mudar de ideia, Karlyle.
A mão rígida de Karlyle pegou o garfo e a faca.
Ele piscou rapidamente antes de suas mãos começarem a se mover com a eficiência de quem já estava acostumado.
A faca deslizou elegantemente pelo bife, cortando-o sem produzir sequer o som de talheres se chocando.
Ash o observou com interesse por algum tempo antes de mudar de assunto.
— Devemos voltar à nossa conversa de antes?
Ele certamente estava falando dos encontros que teriam dali em diante.
Karlyle concordou.
— Eu estava pensando em uma duração de cerca de dois meses — começou Ash.
— Com que frequência você gostaria de nos encontrarmos?
— Parece que ambos temos vidas ocupadas, então que tal nos encontrarmos nos fins de semana?
— Parece bom.
A conversa continuou enquanto comiam em silêncio.
Enquanto isso, sob a mesa, Karlyle moveu discretamente uma das pernas.
Seu sapato tocou o de Ash.
O garfo de Karlyle parou no meio do caminho.
— Se surgir alguma emergência e precisarmos cancelar, vamos avisar um ao outro com pelo menos duas horas de antecedência — sugeriu Ash.
— Eu me certificarei de avisá-lo com um dia de antecedência.
— Tudo bem, se é isso que você prefere, Karlyle.
Um sapato deslizou entre os dele.
Mesmo sem contato direto com a pele, a sensação foi estranhamente intensa.
Karlyle finalmente pousou o garfo sobre a mesa.
Ele havia perdido o apetite.
Em seu lugar, outra coisa começou a despertar lentamente dentro dele.
— …Então você está considerando um total de oito encontros?
— Sim. E, se nada mudar mesmo depois disso… acho que seria bom você consultar outro especialista.
Ash também colocou o garfo de lado.
Metade do salmão sockeye que havia pedido já desaparecera completamente do prato.
Os olhares dos dois se encontraram.
Por causa da mistura da iluminação púrpura e avermelhada do ambiente, os olhos de Ash pareciam mais profundos do que antes.
— Ah, tenho mais uma pergunta.
— …Sim.
Dessa vez, o tornozelo de Ash roçou levemente no de Karlyle, que ficava parcialmente exposto abaixo da barra da calça do terno.
A sensação do osso de seu tornozelo tocando o dele foi inesperadamente perturbadora.
— Você não gosta de ser tocado? — perguntou Ash.
Sua mão se aproximou um pouco mais da de Karlyle, e as pontas de seus dedos o tocaram de leve.
Aquela mão pairando próxima continuou ocupando os pensamentos de Karlyle, como se pudesse tocá-lo novamente a qualquer instante.
E aquelas unhas arredondadas.
— …Não exatamente.
— Então imagino que você não se importe com o meu toque?
— Não.
A resposta saiu em um sussurro rouco.
O silêncio se instalou entre eles.
Gradualmente, os dedos de Ash percorreram os de Karlyle, começando pelas unhas e seguindo até o dorso da mão.
Uma leve sensação de calor percorreu seus dedos.
Por fim, a mão de Ash cobriu completamente a de Karlyle, ocultando os contornos de seus ossos sob a própria palma.
O peso suave daquela mão fez Karlyle prender a respiração.
— Tudo bem, então.
Mas aquilo não foi o fim.
Os tornozelos dos dois se tocaram novamente, e Ash encaixou o seu contra o de Karlyle.
Não havia força naquele gesto, mas Karlyle sentiu como se estivesse sendo puxado.
— De agora em diante, não vou parar de tocar em você.
O dedo de Ash acariciou suavemente o dorso da mão clara de Karlyle, marcada por veias delicadas.
Uma sensação leve e incômoda espalhou-se por sua pele.
Parecia que algo se infiltrava sob sua superfície, subindo por seu pulso, percorrendo seu braço e se espalhando gradualmente pelo resto do corpo.
— Como alguém que não consegue tirar as mãos de você nem por um momento — Ash sussurrou —, vou continuar tocando você.
Ash, que antes acariciava o dorso de sua mão, então segurou seu pulso.
Seu polegar pressionou-o suavemente.
E a respiração que Karlyle vinha prendendo escapou em silêncio.
— Então tenha isso em mente.
Quando Ash terminou de falar, a pressão em torno do pulso de Karlyle diminuiu.
Ash endireitou a postura, e os tornozelos que antes estavam entrelaçados — e que haviam despertado em Karlyle uma sensação indevidamente provocante — voltaram às suas posições originais.
Como se nada tivesse acontecido, Ash pegou um garfo da mesa e o colocou na palma da mão de Karlyle.
Seus dedos envolveram cuidadosamente os dele, um gesto carregado de um calor muito diferente daquele toque anterior que havia feito um lento ardor percorrer suas veias.
— Se eu estivesse no seu lugar, não acho que gostaria de dormir comigo logo de cara.
Ash sorriu, como se pudesse imaginar isso.
A mão de Karlyle, ainda segurada por Ash, queimava.
— Não vamos fazer sexo até que você tenha vontade.
Karlyle queria olhar para um espelho.
Ele não fazia ideia de que expressão estava estampada em seu rosto naquele momento.
Resistiu ao impulso de erguer a mão e tocar o próprio rosto, conseguindo, por pouco, manter sua expressão neutra.
Então perguntou:
— Quando eu tiver vontade… devo avisá-lo?
Erguendo as sobrancelhas, Ash respondeu com uma voz carregada de diversão:
— Não.
A mão que antes o prendia o soltou.
— Você não precisará me dizer.
Sua mão estava livre agora, mas Karlyle sentia como se ainda estivesse preso ao toque de Ash.
Aquilo não fazia sentido.
E ele também não conseguia se mover.
Depois de encarar a própria mão por um instante, Karlyle ergueu o olhar para os olhos de Ash.
O olho azul.
E o olho cinza, cuja tonalidade lembrava a sua própria.
Seus olhares se encontraram.
— Porque eu vou saber.
O sussurro grave soou… insuportavelmente sedutor.
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr