Define The Relationship (Novel) - Capítulo 02
— Ash, posso entrar?
Uma batida ecoou na porta do escritório privativo localizado no extremo do estúdio. Ash Jones ergueu a cabeça. Cercada por paredes de vidro em todos os lados, a sala retangular permitia que as pessoas vissem tanto quem estava dentro quanto fora dela, de modo que Ash conseguiu identificar imediatamente a visitante. Era Olivia, do departamento de Recursos Humanos.
O estúdio de design de Ash, chamado Unexpected, gerenciava todos os aspectos de design gráfico para clientes das áreas de publicidade, publicação e organizações culturais. Era uma empresa de médio porte com quarenta funcionários, e Olivia liderava a equipe de RH, composta por duas pessoas.
— Entre.
Ash fechou a janela que exibia a proposta de projeto colaborativo da Magma Books em seu computador e recostou-se na cadeira.
Olivia entrou na sala com um sorriso discreto. Como de costume, assim que o viu, seus olhos percorreram rapidamente o corpo de Ash. Era um hábito que ela mantinha diariamente desde que entrou na empresa, três anos antes. A essa altura, Ash já nem se incomodava mais com esse comportamento. Desde jovem, estava acostumado a receber esse tipo de atenção descarada por causa de sua aparência.
— O estágio do Daniel termina hoje, então vim pedir sua avaliação.
— O tempo realmente passa rápido. Você pode marcar uma reunião para daqui a uma hora?
Olivia parou diante da mesa. Inclinou-se levemente para a frente e olhou para ele de cima, sem perder o sorriso.
Olivia era uma beta e, apesar de saber que Ash só se relacionava com alfas, de tempos em tempos o convidava para fazer coisas juntos. Era uma paixão antiga.
Muitas pessoas se perguntavam como Ash não se deixava influenciar nem um pouco por ela, mas ele nunca havia se encontrado com Olivia fora do ambiente de trabalho. Não importava o quanto ela fosse bonita; simplesmente não era o tipo dele.
Nesse aspecto, Ash era bastante firme.
— Claro. Então o Daniel fará parte do projeto M&S?
— Sim. Acho que, trabalhando junto com Neilson na equipe, isso nos dará uma vantagem sobre a GTF.
Olivia apoiou as duas mãos sobre a mesa. O olhar de Ash recaiu sobre o esmalte azul-cobalto de suas unhas e então se deslocou para o celular ao lado delas.
Uma mensagem havia chegado.
— Com licença.
Ash pegou o celular.
A mensagem que apareceu na tela era de alguém de quem ele jamais esperaria receber notícias.
“Ash, como você tem passado?”
O número que ele ainda não havia apagado pertencia a alguém que Ash acreditava já tê-lo esquecido havia muito tempo.
A pessoa por quem ele nutriu um amor não correspondido, que terminou em um fracasso devastador, havia entrado em contato.
Ash piscou.
Sem dizer uma palavra, moveu os dedos para desbloquear a tela.
Foi recebido pelo histórico de conversa que nunca teve coragem de apagar. Já fazia mais de meio ano desde o último contato entre eles; a mensagem anterior tinha sido enviada oito meses antes.
A mais recente adição àquela conversa era justamente a mensagem que acabara de chegar.
Tomado pelas emoções complexas que aquela constatação despertava, Ash ficou olhando para a mensagem.
O nome do remetente era Nicholas White.
Nicholas era um homem que lhe havia sido apresentado. Também era o ômega que o fez abandonar facilmente seu tipo ideal e sua regra de sair apenas com alfas, porque Ash se apaixonara perdidamente por ele à primeira vista. Curiosamente, Nicholas havia sido originalmente um beta, o que talvez tivesse contribuído para a atração de Ash.
No entanto, seus sentimentos não tiveram um final feliz.
Ash nunca havia experimentado um fracasso ou uma amargura tão grandes em uma tentativa de conquista.
Nicholas já havia entregado seu coração a outro alfa.
A ironia era que Nicholas só percebeu isso depois de conhecer Ash. O relacionamento dos dois terminou com Ash desempenhando, sem querer, o papel de cupido.
Mas Ash não conseguia deixá-lo para trás com facilidade.
O tempo que passaram juntos havia sido breve, porém intenso.
E justamente quando suas lembranças de Nicholas começavam a se apagar…
— Ash, aconteceu alguma coisa? Você está bem?
Olivia interrompeu seus pensamentos.
— Ah.
Ash não havia percebido que estava encarando o celular em silêncio. Ele ergueu os olhos para Olivia e lhe ofereceu um sorriso.
Ela ficou momentaneamente hipnotizada por seus olhos, que se curvaram em duas suaves luas crescentes.
— Me desculpe. Recebi uma mensagem urgente. Você se importaria de me deixar sozinho por um momento?
— Sim, claro.
Olivia assentiu imediatamente e deixou a sala após o pedido educado de Ash.
Assim que ficou sozinho, a expressão de Ash se transformou em um leve franzir de cenho enquanto ele afundava ainda mais na cadeira.
Embora tivesse muito trabalho a fazer, sua mente estava completamente vazia.
O bom senso dizia que ele não deveria responder à mensagem.
O relacionamento deles havia terminado, e era óbvio que qualquer interação apenas deixaria seus pensamentos ainda mais confusos.
Ainda assim, às vezes as pessoas escolhiam a alternativa mais tola, mesmo sabendo qual era a resposta correta.
Ash suspirou e pegou o celular.
Nicholas respondeu rapidamente.
Exatamente dez minutos depois, Ash concordou em encontrá-lo para jantar naquela mesma noite.
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— Quanto tempo, Ash.
Já haviam se passado bons oito meses desde o último encontro dos dois, e Nicholas tinha emagrecido um pouco. Ao ver o belo loiro de maxilar definido, sobrancelhas grossas castanho-douradas e olhos verdes calorosos, Ash sorriu. Um leve traço do aroma de Nicholas chegou até ele — um cheiro do qual sentira falta. Era tão luminoso e encantador quanto seus cabelos e tão suave quanto a luz do sol.
— Faz tempo mesmo, Nick.
Ash voltou a um velho hábito e o chamou pelo apelido. Nicholas não viu motivo para corrigi-lo.
Eles estavam em Covent Garden, perto do escritório de Ash, sentados em uma unidade da Costa Coffee não muito distante da estação de metrô.
Assim que viu Nicholas vestido de terno, uma onda de saudade o atingiu.
Ele ainda desejava profundamente aquele homem; era quase lamentável.
Eles haviam saído juntos por apenas algumas semanas, no máximo, então Ash não conseguia entender por que ainda guardava sentimentos tão fortes por ele. Achava ridículo que, quanto mais envelhecia, mais difícil se tornava dizer adeus a alguém que havia permitido entrar em seu coração.
Ash reprimiu um sorriso de autodepreciação e apoiou o queixo em uma das mãos. Com a outra, apertou discretamente o copo de café.
— Você tem passado bem? — perguntou Nicholas.
— Sim, tenho passado bem. E você, Nick?
Nicholas hesitou.
Ash conseguia adivinhar o motivo.
Devia ser por causa da aliança em sua mão, envolvida ao redor do copo vermelho de café.
Só podia ser isso.
— …Tenho passado bem — respondeu Nicholas por fim.
Seguindo a direção do olhar de Ash, Nicholas também observou a própria mão.
Ash já esperava aquilo.
E, ao mesmo tempo, não esperava.
— Ash.
O rosto de Nicholas estava rígido, marcado por uma expressão atribulada. Sua voz carregava arrependimento e, por fim, ele balançou a cabeça.
— Eu não deveria ter pedido para nos encontrarmos. Alguém me pediu um favor que eu também não estava muito disposto a aceitar e… Por favor, esqueça que isso aconteceu. Me desculpe.
— Tudo bem — respondeu Ash suavemente.
Doía.
Doía mesmo.
Mas, ao mesmo tempo, estava tudo bem.
Ele já havia previsto que algo assim aconteceria.
Só não imaginava que eles se casariam tão rápido.
Sem dizer mais nada, Ash levou o copo aos lábios e tomou um gole do café.
Estava um pouco amargo.
Nicholas permaneceu em silêncio, esperando.
Ash rapidamente recuperou a compostura e falou com um sorriso:
— Eu concordei em vir. E estou feliz por vê-lo novamente depois de tanto tempo.
— …Você ainda pensa assim depois de eu ter contado o motivo pelo qual pedi para encontrá-lo hoje?
— Claro.
Dando de ombros, Ash pousou o copo de volta sobre a mesa.
— Você pensou em me procurar para pedir um favor. Eu jamais poderia deixar de ficar feliz com isso.
— Mesmo que esse favor possa ser um pouco estranho?
— Isso quem vai decidir sou eu.
Ash não tinha aceitado aquele encontro para fazer Nicholas sentir pena dele. Ele apenas queria ver com os próprios olhos. Queria saber se seu coração continuava o mesmo e se a pessoa que amava ainda era feliz.
Era só isso que queria descobrir.
— Tudo bem.
Nicholas assentiu.
Ash sorriu.
Ele gostava dessa característica de Nicholas. Da forma como ele se tornava decidido assim que tomava uma resolução.
— Então vou começar com uma pergunta, Ash.
— Pode perguntar.
Ash abriu um sorriso radiante e retirou a mão do queixo.
Usando uma expressão hesitante, Nicholas esfregou a testa antes de perguntar:
— Você está saindo com alguém?
— Essa não era uma pergunta que eu esperava.
Ash inclinou a cabeça e sorriu com os olhos.
— Sentiu minha falta depois de se casar, Nick? Eu também aceito homens casados, se você estiver interessado. Gosto do fato de eles terem experiência.
— Não é isso que eu quero dizer.
Ash soltou uma risada baixa, e Nicholas continuou após um suspiro.
— Eu sei que estou sendo um completo idiota ao te perguntar isso.
— Não seja tão duro consigo mesmo. Você está me fazendo sentir mal.
— Acredite em mim, Ash. Eu realmente não queria fazer isso.
— Foi uma brincadeira, Nic. Então, por favor, continue.
Mencionar que aquilo havia sido uma piada pareceu aliviar um pouco Nicholas, porque ele realmente continuou após uma breve hesitação.
— Então… se você não estiver saindo com ninguém, tenho uma proposta para você.
— Uma proposta?
— Você será recompensado da forma que preferir. Ele pode ajudá-lo a conseguir o emprego que desejar ou, se preferir receber em dinheiro, é capaz de lhe dar a quantia que quiser.
À medida que a conversa tomava um rumo que ele não esperava, Ash baixou o olhar.
— Que tipo de trabalho é esse?
— Não é nada estranho.
Ash assentiu. Afinal, o homem à sua frente era advogado. Ele não ofereceria a Ash algo que fosse contra a lei.
Com uma expressão determinada, Nicholas perguntou solenemente:
— Você teria interesse em ser o parceiro sexual de alguém por alguns meses, Ash?
Ash o encarou com calma.
— Não foi você quem acabou de dizer que não sentiu minha falta?
— Não estou perguntando por mim, mas por outra pessoa.
Quando a verdadeira intenção de Nicholas finalmente veio à tona, Ash sorriu.
Então era por isso que ele havia pedido desculpas.
Era realmente um pedido estranho.
Ele procurou alguém com quem havia saído — e que, na verdade, havia dispensado — para perguntar se estaria disposto a ser o parceiro sexual temporário de outra pessoa.
Considerando que Nicholas havia recorrido a ele para um favor desses, a pessoa que lhe fizera esse pedido devia ser extremamente importante para ele.
— Não é de se admirar que você estivesse se sentindo culpado.
— Eu sinto muito, de verdade.
— Acho que precisaria conhecer essa pessoa antes de decidir.
Então Ash acrescentou:
— Eu tenho meus próprios tipos.
Nicholas assentiu, como se isso fosse perfeitamente natural. Em seguida, colocou o celular diante de Ash.
— Na verdade, é alguém que você já conheceu.
Enquanto falava, Nicholas mostrou uma fotografia.
Ash lentamente endireitou a postura.
Seu olhar percorreu o rosto do homem exibido na tela.
E, de fato, como Nicholas havia dito, ele já o conhecia.
Lembrou-se de tê-lo encontrado no dia em que Nicholas o rejeitou.
— O irmão mais velho do Kyle, certo? É ele.
— Sim. O nome dele é Karlyle Frost. Se isso não for um problema para você, a oferta, como mencionei antes…
Por um instante, Ash deixou as palavras de Nicholas se tornarem apenas ruído de fundo enquanto observava a fotografia.
Ela mostrava um homem de cabelos escuros com leves fios grisalhos, olhos cinzentos e frios e lábios avermelhados pressionados firmemente um contra o outro. Sua pele pálida combinava com o tom frio de seus cabelos.
Na foto, o cabelo estava penteado para trás, revelando completamente a testa, e ele vestia um terno elegante e perfeitamente ajustado.
Sua expressão não transmitia calor nem afeto algum, mas era inegavelmente bonito.
Os traços faciais afiados, quase esculpidos, lhe conferiam um charme frio e intimidador.
Apenas pela aparência, ele era exatamente o tipo de homem que atraía Ash.
Havia algo satisfatório em imaginar um homem com um rosto daqueles perdendo a compostura.
Mas…
— Isso é uma surpresa — disse Ash.
— Perdão?
— Eu me lembro de que, quando nos encontramos brevemente antes, ele não teve uma impressão muito favorável de mim.
— É verdade.
Ash se recordou do dia em que conheceu aquele homem.
Ele estava acompanhando Nicholas até em casa depois que Nicholas havia encerrado o relacionamento entre os dois. O homem entendeu a situação de forma errada, achando que eles estavam em um encontro, e lançou comentários frios na direção deles.
Foi um encontro repentino, sem nada que se parecesse com uma apresentação formal.
Os olhos do homem, aparentemente cheios de desprezo, pousaram sobre Ash, mas ele não lhe dirigiu uma única palavra. Ignorando-o completamente, repreendeu apenas Nicholas.
Também não foi uma experiência agradável para Ash.
Embora o rosto daquele homem fosse exatamente do seu gosto, sua primeira impressão dele foi bastante infeliz.
Além disso, sua personalidade não era do tipo que se encontrava com frequência.
Na verdade, ele não era o tipo de pessoa de cuja companhia Ash gostava e, sendo sincero, Ash não gostava de sua personalidade.
Seu rosto inexpressivo traçava limites claros que não deveriam ser ultrapassados, sem revelar absolutamente nada do que se passava por trás dele.
Somava-se a isso uma postura levemente arrogante.
O fato de ele ter surgido do nada, ignorado Ash completamente e pressionado Nicholas havia sido, francamente, desagradável.
Seria estranho enxergar alguém assim de forma positiva.
Como Ash normalmente não gostava nem desgostava de ninguém em particular, sentir antipatia por alguém era algo raro para ele.
— Se isso for desconfortável para você, por favor, sinta-se à vontade para ignorar tudo o que eu disse hoje. Mais uma vez, peço desculpas, Ash.
Nicholas interrompeu suas lembranças.
— Nick, está tudo bem.
Ash tentou tranquilizá-lo.
Ele não sentia nenhum prazer ao ver Nicholas se desculpar de forma tão educada.
Embora estivesse, aos poucos, deixando-o ir, Nicholas ainda ocupava um lugar em seu coração.
Ash jamais conseguiria sentir satisfação ao vê-lo se diminuir daquela maneira.
No fundo, Ash era alguém que encontrava sua maior felicidade em ver as pessoas que amava felizes.
Sim…
Era exatamente isso.
— Eu não preciso de nenhuma compensação, Nick.
Sem conseguir entender a intenção de Ash, Nicholas estreitou ligeiramente os olhos.
— Se você responder à minha pergunta, eu farei esse favor para você — disse Ash, exibindo um sorriso caloroso.
— …Pode perguntar.
Como se aquela fosse a última — a última de todas — vez que veria Nicholas diante de si, Ash o observou por um longo momento.
Por fim, abriu a boca.
— Se eu fizer isso…
Ash fez uma pausa.
— Isso te faria feliz?
O silêncio se instalou.
Mantendo o sorriso, Ash tomou um gole tranquilo de seu café.
Após refletir por alguns instantes, Nicholas finalmente respondeu:
— Sim. Colocando dessa forma, me faria feliz.
Claro que faria.
Ash já sabia que Nicholas responderia aquilo.
Nicholas amava Kyle.
Ele faria qualquer coisa por ele, e isso incluía fazer qualquer coisa pelo irmão de Kyle.
Ash havia conseguido sua resposta.
Era tudo o que precisava.
Ele fez um leve aceno de cabeça para Nicholas.
— Então ficarei feliz em fazer isso por você, Nick.
Se fosse algo que deixaria a pessoa que ele amava feliz, se suas ações significassem alguma coisa para Nicholas, mesmo que fosse apenas um pouco…
Isso também faria Ash feliz.
— Então você poderia me dizer o que exatamente eu preciso fazer?
A única recompensa de que precisava era ver um sorriso no rosto de Nicholas.
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr