Acidic Scent (Novel) - Capítulo 110
Marvin escutou em silêncio os risinhos de Kim Jia. Ele não sabia por que ela estava trazendo esse assunto à tona de repente.
— Queria te dizer que não foi porque eu não gostava de você. Quero dizer, o fato de eu agir de forma desconfortável quando nos encontrávamos. Era só porque eu tinha medo de acabar me apoiando demais em você.
Ele já imaginava algo assim. Aqueles do Centro eram, sem exceção, medrosos e extremamente desconfiados. Como conheciam bem demais a própria fraqueza por afeto, temiam formar relacionamentos profundos para evitar se machucar.
Portanto, não era algo fácil aceitar de repente como família alguém com quem haviam convivido como se fossem estranhos. Ele não podia culpá-la. Marvin também concordara passivamente com o desejo dela de manter distância e agira com cautela pelo mesmo motivo até agora.
— Foi por isso também que fingi não saber, embora estivesse óbvio que você estava comprando minhas pinturas. Fiquei com vergonha. Não sabia como te tratar. Mas, ao mesmo tempo, eu precisava demais daquele dinheiro para deixar meu orgulho me impedir de aceitar.
Ela riu enquanto expunha seus sentimentos mais íntimos, como se culpasse a si mesma. Em seguida, acariciou a criança sentada ao seu lado e disse:
— Obrigada. Devemos nossas vidas a você umas vinte vezes. Vou continuar pagando isso enquanto viver. Por favor, aceite.
Kim Jia puxou o chapéu até abaixo das orelhas com uma expressão aliviada, como se estivesse finalmente concluindo um dever de casa embaraçoso. Marvin assentiu em silêncio, aceitando o agradecimento. Por um momento, pensou que talvez pudessem se tornar o tipo de pessoa que troca cumprimentos de vez em quando.
— Mas, mesmo sendo meu irmão mais novo, você fica mais bonito à medida que envelhece? Está saindo com alguém?
Kim Jia fez uma pergunta tipicamente de irmã. Marvin, que não tinha imunidade a broncas desconhecidas, confessou tudo sem esconder nada.
— Não. Embora haja alguém de quem eu goste.
— É um amor não correspondido?
— Sim.
Ele nunca tinha definido dessa forma, mas seus sentimentos por Jang Jin-woo eram, estritamente falando, não correspondidos. Diante da confissão direta de Marvin, ela abriu a boca alegremente, com os olhos brilhando.
— Uau, estou realmente curiosa para saber quem é.
Bem nessa hora, seu filho, que havia se cansado de desenhar, começou a resmungar. Ela tirou alguns bichos de pelúcia da bolsa e os colocou sobre a mesa.
— Bom, mesmo assim, não sinto muita vontade de te consolar. Essa pessoa vai acabar gostando de você logo, de qualquer forma.
Diante do consolo não muito convincente, Marvin deu uma risada curta e respondeu em tom de brincadeira:
— Por quê? Porque sou bonito demais?
— Não. Porque você é uma pessoa muito boa. Não há como a pessoa não perceber isso.
Kim Jia sorriu radiante, com o rosto cheio de convicção. Marvin olhou para ela em silêncio, incapaz tanto de se afastar quanto de desfazer o sorriso que pendia em seus lábios. Ela se concentrou no filho, como se já tivesse dito tudo o que precisava.
Logo, a história de um pequeno boneco de pinguim partindo em uma aventura começou sobre a mesa. Marvin observou todo o processo enquanto o boneco caminhava pelo mar para encontrar um esquilo e um coelho e se tornarem amigos. A criança acenava com a mão empolgada. Depois que o pinguim, que se despedira com um “A gente se vê, tchau”, voltou para os braços da criança, os três também trocaram suas despedidas.
A gente se vê.
Tchau.
Marvin observou as costas dela o tempo todo enquanto ela caminhava em direção à plataforma do metrô segurando a mão do filho. Embora tivessem se despedido de forma leve, ele não sentiu remorso, talvez porque tivessem prometido uma próxima vez. As pessoas começaram a lotar a estação, coincidindo com o horário de pico da noite. Marvin desapareceu na multidão, como se estivesse apagando os próprios rastros que deixara brevemente no mundo.
Ao retornar para a casa de Jang Jin-woo após sua curta saída, Marvin foi direto para o banheiro. O que ficava junto ao quarto era grande demais, então ele preferia usar o pequeno chuveiro de hóspedes perto da sala de estar.
Assim que girou a torneira, a água quente saiu com força, aquecendo instantaneamente o banheiro gélido. Marvin pegou o xampu, deixando o jato d’água atingir o topo de sua cabeça. Levou menos de um minuto para se ensaboar e se lavar. No início, era um hábito nascido do treinamento — estar pronto para escapar a qualquer momento —, mas agora era apenas como ele vivia.
Só depois que a espuma desapareceu é que ele relaxou sob o chuveiro. Ficou parado por um longo tempo, de olhos fechados, escutando o ruído branco da água. Queria esvaziar a cabeça, mas não era fácil. Ansiedades do mundo giravam em sua mente e, por mais água que deixasse escorrer pelo ralo, seus conflitos internos não iam embora com ela.
Ele soltou um longo suspiro e abriu os olhos, esfregando-os para limpar a visão. De repente, sentiu uma presença e olhou para o lado. Jang Jin-woo estava encostado na porta do banheiro, observando-o. Marvin não tinha ideia de há quanto tempo ele estava ali.
— Ah?
Assustado com o visitante inesperado, Marvin colocou a cabeça para fora do box.
— Quando você chegou? Achei que só viria amanhã.
Jin-woo dissera que o veria no fim de semana, então Marvin naturalmente presumira que seria no sábado. Estava feliz em vê-lo, mas sentiu uma onda de vergonha perguntando-se há quanto tempo o homem o observava distraído. Jin-woo simplesmente ergueu uma sacola de papel.
— Vim para jantarmos juntos.
Marvin estava realmente com fome. Pensara em comer algo no caminho de volta após o encontro com Kim Jia, mas as filas do horário de pico estavam longas demais em todos os lugares. A sacola tinha o logotipo do restaurante de sushi onde haviam ido em Oseong.
— Você não está ocupado? — perguntou Marvin enquanto Jin-woo colocava a comida de lado e entrava no banheiro.
— Eu estava fazendo todo mundo trabalhar tanto que as reclamações estavam chegando ao teto. Deixei que saíssem mais cedo hoje. Me disseram que ninguém vai atender minhas ligações durante o fim de semana inteiro.
Marvin riu, imaginando os xingamentos que deviam ter acontecido às costas de Jin-woo.
— Já estou saindo. Falta pouco.
— Ótimo.
Quando Marvin tentou se apressar, Jin-woo deu um passo direto para dentro do box. A água espirrou em seu terno. Surpreso, Marvin foi desligar a água, mas Jin-woo entrou completamente no box.
— Promotor, suas roupas estão se molhando.
Jin-woo não parecia se importar, encurralando Marvin no canto. Marvin estava completamente nu, encharcado. O olhar de Jin-woo era pesado e direto enquanto encarava os cabelos úmidos de Marvin e a pele aquecida pela água. Seus ombros se roçaram. A camisa de Jin-woo começou a absorver a umidade do corpo de Marvin.
— Como você está se sentindo? — perguntou ele em voz baixa.
Era uma pergunta com segundas intenções para alguém que claramente parecia bem. Ele estava pedindo o consentimento final.
— … Estou bem.
Não havia outra resposta. Marvin sabia exatamente o que ele queria. Já estava meio ereto, com gotas de água escorrendo pelo seu pênis. Como não tinha roupas para se esconder, não havia sentido em fingir.
— A temperatura está bem alta aqui dentro.
O ambiente estava coberto de vapor. Marvin gostava de seus banhos pelando de quentes. Jin-woo desabotoou a camisa para aliviar o calor.
— Quer tomar banho juntos?
— Eu adoraria.
Jin-woo tirou a roupa imediatamente. Ao fazer isso, puxou Marvin para um beijo profundo e natural. Pressionou Marvin contra a parede, roçando o corpo ainda mais perto, como se não se cansasse. O atrito úmido de suas bocas enviou uma descarga de excitação por Marvin, que envolveu o pescoço de Jin-woo com os braços.
As roupas de Jin-woo estavam encharcadas agora. Entre os beijos, sua camisa e calça foram tiradas em ritmo lento e jogadas para fora do box. Assim que a cueca se foi, ele esticou o braço e abriu a água do chuveiro no máximo.
Um temporal pesado caiu sobre os dois. Como um sinal de partida, eles começaram a se devorar ainda mais através dos lábios. Instintivamente, juntaram as virilhas, roçando os pênis um contra o outro.
— Fuu…
— Haa.
Atingiram o ponto de ebulição instantaneamente. Não havia tempo para preliminares. Tinha se passado apenas uma semana, mas seus corpos estavam famintos como se fossem mil anos. Marvin podia sentir a própria umidade entre as pernas.
— Eu não queria agir como um cão farejador, mas posso simplesmente enfiar tudo? — sussurrou Jin-woo, mordiscando o lóbulo da orelha de Marvin.
— Se você não fizesse isso, eu ia te obrigar.
Uma risada soprada provocou a orelha de Marvin.
— Como?
Provocante, Marvin se virou, segurou o pau de Jin-woo e o guiou entre suas nádegas. Ele mesmo alinhou a cabeça do pênis com sua entrada. A resposta de Jin-woo foi cravar os dentes no pescoço de Marvin e se enterrar dentro dele em uma estocada funda.
— Hng…!
Marvin gritou ao receber todo o comprimento. Jin-woo soltou um som áspero e excitado. Conforme suas estocadas se tornavam mais violentas, Marvin se viu forçado a enterrar o rosto contra a parede molhada.
— Faz só uma semana. Por que você ainda está tão apertado? Todo aquele trabalho para te alargar e você está como um virgem de novo.
— Ah… aí… hng! Bem aí.
— Aqui?
— Sim. Haa! Ah, não… não bata tão forte, hhk…!
— É você que está me estimulando, Marvin. Seu buraco está engolindo meu pau vivo. Porra…
Ele pressionou o peito contra as costas de Marvin, jogando todo o seu peso em cada estocada. O ângulo era devastador, o pau esmagando as paredes internas de Marvin. Depois de um tempo, Jin-woo sentou Marvin na borda da banheira, abriu suas pernas bem e se enterrou novamente. A penetração ainda mais funda fez Marvin se lamentar alto.
— Ahht! Promotor, espera…!
Ele conhecia aquela sensação. Aquele acúmulo em seu ponto mais profundo que fazia seus arrepios subirem. Um orgasmo intenso estava prestes a tomá-lo. Estava rápido demais. Ele não queria gozar depois de apenas alguns minutos.
Marvin contorceu o quadril, tentando segurar, mas Jin-woo segurou suas coxas com firmeza, mantendo-o aberto e estocando ainda mais forte.
— Ah, hng!
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello