A Worn Out Love (Novel) - 𓇼 Capítulo 7.2 𓇼
𓇼 Capítulo 7.2 𓇼
— 𓇼 —
Enquanto todos celebravam o sucesso da surpresa, a expressão rígida da tia se recusava a suavizar. Ele esperava que fosse só coisa dele, mas parecia que era assim que parecia para todo mundo também.
— O que diabos é tudo isso?
Diante de sua voz cortante, todos pararam de rir um por um e começaram a observar o rosto da tia. Seowoon, que tinha involuntariamente feito a maior contribuição para essa surpresa, também observou. Sério, por que eu? Ele sentiu que era a coisa mais injusta do mundo, mas não havia outra saída. Teve um mau pressentimento sobre isso.
— …Eu adoro tanto! Vem aqui, meu presente! Muá! Obrigada por vir! Vou aceitar de bom grado meu presente de aniversário!
Havia um fato que Seowoon tinha negligenciado. Tinha esquecido que a tia de Yijin também compartilhava o sangue da família Ahn. Sem aviso, os ombros de Seowoon foram agarrados enquanto ele recebia beijinhos em ambas as bochechas. O que acabou de acontecer com minhas bochechas…? Ele ficou pasmo. Tinha acabado de trocar beijinhos, algo que só tinha visto na tela, com uma pessoa do leste asiático — e uma mais velha do lado do seu marido a quem tinha conhecido exatamente três vezes até hoje, ainda por cima.
Palma, palma, palma! Por algum motivo, ele também foi recebido com uma rodada súbita de aplausos. —Ai meu Deus! Fiquei tão surpresa!— —Ela realmente nos pegou bem!— —Nossa, nossa Sunny é mesmo alguma coisa, né?— —Acho que não somos páreo para você, senhora.— —Nossa tia é a melhor!— Parecia que todos, exceto Seowoon, tinham sido comovidos pelo ataque surpresa da tia.
Nesse ponto, Seowoon chegou a outra percepção surpreendente. O esquisito que eu conheço é melhor do que os esquisitos que não conheço. Foi uma noite que o fez sentir falta particularmente da fada residente de arrumação deles, que estava fora numa viagem de negócios de longo prazo.
— Bem-vindo à nossa casa!
Ah, eu quero muito bater o ponto e ir embora pra caramba. Foi a mais espetacular, e provavelmente incômoda, iniciação da vida de Seowoon.
— Minha nossa!
— Como o kimchi pode ter esse gosto!
— Dá pra sentir mesmo a diferença no kimchi feito com tanto cuidado.
Com o pós-choque de sua iniciação ainda pairando, o Kimchi Envelhecido de sua Tia abriu o prelúdio da festa de aniversário. Seowoon estava internamente aliviado, mas ainda não conseguia se adaptar à situação. O que Seowoon tinha se preparado era para uma postura de contra-ataque para uma história desastrosa de sogros, não essa bagunça caótica.
O pote de kimchi familiar, colocado no meio da vasta mesa de jantar de mármore, e as pessoas ao redor dele. Todos estavam provando o Kimchi Envelhecido com o tipo de postura elegante que se veria num livro didático, e ele só desejava que simplesmente comessem. No final das contas, era só kimchi. Eles não agiriam assim mesmo que estivessem comendo as iguarias mais raras da terra. Era isso uma nova forma de assédio? Seowoon, forçado a escutar, sentia que estava enlouquecendo. O fato de estar ocupando o assento central na mesa piorava ainda mais tudo. Tinha sido graciosamente concedido o assento ao lado da tia, a aniversariante.
A família de Yijin estava comendo o Kimchi Envelhecido sem nenhum arroz. Ele desejava que comessem com um pouco de arroz. Só de observá-los, o interior da boca de Seowoon ficava salgado. Como se sentisse o desejo de Seowoon, o pai de Yijin, que estava saboreando o Kimchi Solteiro, de repente parou de se mover por completo.
— …Hic!
Então, ele chorou. Não, mas por quê? Os ombros do Presidente Ahn Ui-seon começaram a tremer. A confusão de Seowoon tremeu junto. Sério, por quê! Foi mais um momento que o fez sentir falta de sua Inteligência Artificial, que rodaria automaticamente sua função de conhecimento sem ser solicitada.
— Estou tão feliz.
Desculpa? Do nada? Logo depois, os outros membros da família balançaram a cabeça veementemente. Ele não sabia por que estavam agindo assim de novo de repente, mas em momentos como esse, era melhor só ficar quieto. Ha, haha…. Seowoon escolheu cuidadosamente suas palavras enquanto forçava um sorriso. Os membros da família estavam todos perdidos em suas próprias emoções, os olhos brilhando com lágrimas.
— Poder ver o rosto uns dos outros como família.
— Passar tempo juntos.
— Uma vida em que podemos comemorar um aniversário.
— Estou tão feliz.
— Parece que dinheiro realmente não é tudo na vida.
— Se não fosse pelo Jinny, nunca teríamos sabido.
— O Jinny é o amuleto da sorte da nossa família.
— O amuleto da sorte da nossa família!
— Sim! Isso mesmo!
Certo, certo. Eles tinham razão. Uma vida em que você podia ver os rostos de sua família, passar tempo juntos e comemorar um aniversário — era uma coisa feliz. Era feliz, mas ele se perguntava se era algo para fazer tanto alarde assim. Enquanto desviava os olhos desconfortavelmente na atmosfera à qual simplesmente não conseguia se acostumar, o quarto de repente ficou em silêncio.
— Seowoon, obrigado por se tornar parte da nossa família.
— Estou tão feliz que alguém tão bom quanto você seja o parceiro do Jinny.
Assim como Yijin, parecia que as pessoas nessa família eram naturalmente sérias sobre tudo. Não tendo imunidade a elogios tão flagrantes, ele não conseguia se livrar do constrangimento. Estava atrapalhado também.
— Não, de jeito nenhum. Sou eu quem é grato por vocês pensarem assim de mim… Vou fazer o meu melhor… não, vou tentar não decepcioná-los.
Uma bagunça total. Ele tinha gaguejado e até acrescentado uma palavra de enchimento inútil. Os mais velhos provavelmente odiariam isso…
Contrário às preocupações de Seowoon, elogios eclodiram em vez disso. —…Nossa, tão humilde também!— Hã? Eu? Graças a eles, só Seowoon, o elogiado, sentiu-se envergonhado.
— Pensar que aquele jovem é da nossa família, somos verdadeiramente abençoados.
— Parece que nossos amuletos da sorte se multiplicaram, não acham?
— Deong-i! Que tal Deong-i como apelido para Seowoon?
— Isso é fofo. Mas acho que Un-i também é bom!
— Qual é melhor?
— Seowoon, você escolhe?
Não, espera um minuto. Como a conversa chegou aqui? Ele tinha deixado a conversa deles passar por ele sob a desculpa de estar envergonhado, e agora naturalmente tinha esbarrado num dilema.
Tendo sido zombado a vida inteira por causa de seu nome, que soava exatamente como um certo adjetivo, Seowoon era extremamente sensível sobre as pessoas o chamarem por outro nome. Não estava mentindo quando disse que tinha ouvido trocadilhos como —Seowoon é seoun-hada (triste)— mais de cem vezes. A situação era diferente agora, mas fosse o que fosse, —Deong-i— não era uma opção. De jeito nenhum!
— Graças ao Seowoon, nos tornamos família com uma pessoa maravilhosa como a Mi-sook, e até recebemos um presente tão precioso que ela mesma fez para a família… Estou tão, tão feliz!
Se a tia de Yijin não tivesse começado a se emocionar naquele exato momento, Seowoon teria perdido a cabeça. Deong-i não vai acontecer. Absolutamente não! A tia, dominada pela emoção, olhava com saudade para o pote de kimchi. Seowoon ainda não conseguia acreditar que aquele pote de kimchi estava naquela casa.
— Pensando bem, não sei como devemos retribuir a nossa parenta por casamento.
— Pensar que ela nos deu três potes dessa coisa preciosa.
— Que tal um carro novo?
— Ouvi dizer que a filha dela está fazendo o vestibular este ano. Que tal preparamos um presente de universidade também?
De novo, de novo, de novo. Estavam se adiantando de novo. Já era surpreendente o suficiente que kimchi e um carro fossem considerados equivalentes, mas agora um presente de universidade também? Depois de observá-los por um tempo, ele sentiu que estava começando a ver um padrão. Em vez de tentar detê-los, Seowoon naturalmente redirecionou a atenção deles.
— Tia, eu também preparei um presente.
Essa única frase provocou um alvoroço totalmente novo. Seowoon, que tinha ficado sabendo do aniversário da tia tarde demais, tinha pedido a Yijin e preparado um presente junto com ele, mas cada membro da família tentou detê-lo. Nem deixaram ele tirar o presente.
— Na verdade, não trocamos presentes entre nós.
— Especialmente não presentes de dinheiro.
— Isso inclui cartões.
O presente que Seowoon e Yijin tinham preparado era um cartão de crédito. Foi resultado de seguir inteiramente a opinião de Yijin. Yijin tinha dito que todo ano, ele fazia e dava aos membros de sua família cartões de crédito em seu nome, acrescentando que criar uma situação em que pudessem ter o que quisessem era o método mais eficiente. Seowoon tinha se perguntado se aquilo realmente estaria bem, mas, já que viviam em mundos diferentes, não teve escolha a não ser aceitar. Foi por isso que tinha ficado ainda mais preocupado com o presente de kimchi de sua Tia.
Mas eles estavam dizendo que não iam aceitar. Diferente de Seowoon, que não entendia o porquê, a família estava calma.
— É nosso próprio jeito de tentar não repetir nossos erros, então por favor não se ofenda.
— Nunca mais queremos voltar àquele tempo.
Ele conseguiu perceber instintivamente. Esse era um domínio extremamente privado. Não as várias especulações e boatos que cercavam a família de Yijin, mas a verdade em si — a história mais secreta que só eles saberiam. O tio mais velho de Yijin, que tinha se perdido em memórias antigas, acrescentou à história.
— Já faz bem mais de dez anos. Naquela época, você não conseguia ligar a TV sem ver o Seon-i.
— Ah, é verdade. O pai que não conseguíamos ver em casa estava nas notícias todo dia.
— Estava. Ainda me lembro vividamente. Nos dias em que o Seon-i não podia voltar para casa por causa da investigação dos promotores, eu fazia o Jinny sentar e ligar as notícias primeiro…
Era diferente. Toda família tem memórias antigas de que relembram, mas o peso, a dimensão disso era diferente. Era só natural que um Seowoon assustado fechasse a boca por conta própria. Ele estava surpreso, sim, mas também ficou quieto porque ele também sabia sobre esse incidente. Não podia não saber. Houve um tempo em que todo canal que você mudava na TV ficava tagarelando sobre o Presidente Ahn Ui-seon. Claro, não eram boas notícias.
— Não pensamos nisso como uma perda, mas parece que o Jinny não sente o mesmo.
— Pelo contrário, ele acha que sofremos uma perda enorme por causa dele.
— É isso que estou dizendo. Dinheiro não é o que importa…
— Mas ele está mudando, pouco a pouco, não está?
— Sim, sim! Embora ele realmente tenha… ido numa… viagem de negócios….
Nesse ponto, o olhar de todos se concentrou em Seowoon. Era só imaginação sua, ou todos pareciam genuinamente arrependidos por ele?
Nem me fale, Seowoon respondeu só na cabeça. Ele realmente foi embora, aquele cara. Como sabiam, uma crise de divórcio tinha pairado no primeiro dia da lua de mel deles, mas de alguma forma tinham chegado até o presente. A viagem de negócios de longo prazo tinha começado menos de uma semana depois de voltarem da lua de mel. Se contasse a lua de mel como o quinto encontro deles, supunha que tinham se visto pelo menos dez vezes antes dele partir. Seria mentira dizer que estava bem com isso, mas era uma viagem que tinha sido agendada antes mesmo dele conhecer Yijin, então ele tinha decidido deixar passar.
Yijin estava viajando por fronteiras em sua viagem de negócios, e Seowoon estava vivendo sua própria vida diária. Sozinho, mas não sozinho, uma vida que tinha se tornado um pouco mais barulhenta do que antes. E no centro dela estava Yijin.
[Bom dia. Espero que esteja bem.]
[Vou agora trabalhar brevemente por 1 hora e 20 minutos, depois completar meu treino matinal e ir para o local da reunião.]
[A reunião está programada para durar aproximadamente 4 horas, e dependendo das circunstâncias….]
Aquele cara não podia ser um santo também. Como ele sabia que Seowoon estava pensando nele, mandando uma mensagem no momento perfeito? Talvez porque soubesse dos planos noturnos de Seowoon, foi um pouco mais cedo que o de costume. No dia anterior à viagem de negócios de longo prazo de Yijin, Seowoon tinha lhe dito para só mandar uma mensagem antes de dormir já que ele estaria ocupado, e desde então, ele tinha mandado esses relatórios de sobrevivência sincronizados com o horário coreano ao longo de toda a viagem.
Era por isso que ele não conseguia se fazer odiá-lo. Sentindo um humor autodepreciativo o invadir, Seowoon percorreu as mensagens antigas de Yijin. Estavam definitivamente muito mais concisas agora comparadas ao começo. No começo, estavam praticamente no nível de um relatório formal. Na verdade, ele achou que estaria tudo bem se fossem encurtadas ainda mais.
— Seowoon?
— Ah, me desculpe.
A capacidade humana de se adaptar era uma coisa assustadora. Mesmo pensando que poderia ser mais curto, quando uma mensagem realmente chegava, ele se pegava lendo cada linha. Já vinha fazendo isso por um mês, então tinha se tornado um hábito, se você pudesse chamar assim.
— Será que…
— De jeito nenhum…?
— Jinny…?
Era isso realmente algo para ficar tão surpreso assim? —…Sim, isso mesmo. Recebi uma mensagem do Yijin….— Embora intrigado, ele contou a eles a verdade simples, e todos ergueram a cabeça como suricatos. Até pareceram um tanto comovidos. Mesmo com a mesa repleta de comida, todos estavam olhando só para Seowoon. Ele sabia o que estavam curiosos, mas parecia difícil fornecer o episódio cor-de-rosa de recém-casados que eles queriam. A mensagem de Yijin estava densamente empacotada com sua agenda diária.
[Peço desculpas por não poder estar com você hoje.]
Veio com um pedido de desculpas, considerado por Seowoon estar sozinho. Estava mais próximo de um relatório de sobrevivência do que uma simples verificação. Ainda assim, a reação foi tremenda.
— Ai meu Deus, como isso pode ser!
— Ele está se comunicando com o Jinny pessoalmente!
— Estão trocando mensagens fora do trabalho!
Era isso realmente um grande negócio assim? Qualquer um pensaria que ele tinha recebido uma carta de amor escrita a sangue. Seowoon ficou um pouco pasmo com a reação dramática da família.
— Ele está tendo uma conversa com o Jinny!
— Ele pode ter uma conversa com o Jinny!
— Ele está escutando o que o Jinny tem a dizer!
— …Bem, claro….
Não era como se estivessem zombando dele, mas quanto mais ele escutava, mais estavam declarando o óbvio. Bem quando Seowoon estava prestes a ficar ligeiramente irritado, a tia de Yijin falou com um rosto sem sorriso.
— O que quer dizer com —claro—? Você conseguiu onde nós falhamos. Por que isso seria uma questão de curso natural?
Falhado, ela tinha dito. A nuance da palavra —falha— não era algo facilmente esquecido, e embora tivesse ouvido só uma vez, sua presença era distinta.
— Não conseguimos fazer essa coisa —claro—, então tivemos que fazer um longo desvio. Tivemos que pagar um preço alto em dinheiro e honra. Também ganhamos um estigma que nunca podemos apagar.
Depois de falha, agora veio estigma. Sua surpresa foi breve; conforme as palavras negativas vinham uma após a outra, uma memória vagamente surgiu, conectando-se à conversa anterior deles. O primeiro chaebol a ser destituído da posição de presidente, a queda do Grupo XX que tinha levado toda uma subsidiária à ruína. Comparado à sua glória atual, tudo era passado, mas parecia que não era o caso para eles. Dessa vez, o tio de Yijin falou.
— Mesmo assim, não podemos voltar no tempo. Provavelmente será assim no futuro também.
— ……
— É triste, mas quem podemos culpar? Fomos nós que perdemos a oportunidade. É por isso que somos ainda mais gratos a você, Seowoon, e achamos você incrível.
Desde a reunião formal das famílias até agora, a família de Yijin tinha mostrado favor incondicional a Seowoon. Nem tinham se oposto ao casamento entre duas pessoas com diferenças objetivamente tão grandes. Seowoon perguntou cautelosamente.
— Incrível?
— É incrível. Você reconheceu o Jinny por quem ele é.
A mãe de Yijin foi quem respondeu, mas ninguém refutou. Parecia que todos pensavam o mesmo.
— Você entendeu que tipo de pessoa o Jinny é. Você contemplou e pensou e conversou com ele. Nós não conseguimos fazer isso. Naquela época, éramos gananciosos demais, e ninguém escutava a criança. Estávamos apenas ocupados.
O que ele devia dizer numa situação assim? Diante de uma história ao mesmo tempo leve e pesada, Seowoon não conseguiu dizer uma palavra. Não conseguia avaliar se tinha permissão para cruzar essa linha, e se sim, até onde estava bem.
— Ainda assim, pensar que ele realmente foi numa viagem de negócios…. É exatamente como quando éramos jovens, não é?
— Tentamos detê-lo de alguma forma…
— Tudo que ele viu crescendo fomos nós…
— Sentimos muito por você, Seowoon.
Felizmente, a conversa pesada não durou muito. Conforme o tópico voltou para onde estava, Seowoon, que tinha estado escutando quieto, finalmente abriu a boca.
— Está tudo bem. Coisas assim podem acontecer. Não é como se ele tivesse feito de propósito….
Ele entende o Jinny…! Diante da resposta de Seowoon, que não foi só tolerante mas benevolente, os olhos da família ficaram vermelhos. Depois dessas palavras, Seowoon, que tinha ficado perdido em pensamentos por um momento, murmurou inconscientemente seus verdadeiros sentimentos.
— …Mas não vai ter uma segunda vez.
—C-Certo!—, —Claro!—, —Ele absolutamente deveria…!— os membros da família de Yijin exclamaram, fazendo alvoroço enquanto olhavam furtivamente para Seowoon. —A-Alguém, ligue para o Jinny agora mesmo…!— Em meio à comoção não indesejada, alguém parecia ter gritado exatamente isso. —…Em vez disso… deveríamos fazer os dois conversarem diretamente….— Os sussurros silenciosos da família logo foram colocados em ação.
—Sinto falta dele, do nosso Jinny.—
—Vou esquecer como é o rosto do Jinny.—
Era esse um rosto que se podia esquecer? Seowoon, que tinha planejado viver do poder daquele rosto pelo resto da vida, era o único confuso.
—Seria bom se pudéssemos ao menos ouvir a voz dele….—
—Quando ligamos, ele está ocupado demais perguntando o que queremos….—
—Ou é só direto para falar de negócios….—
Então estão me pedindo para ser a ponte, não estão? Seowoon era estranhamente rápido para captar. Bem, não devia ser tão difícil. Não era um dia qualquer, era o aniversário de sua tia; ele duvidava que Yijin recusasse a ligação. Estimulado pelo encorajamento fervoroso deles, Seowoon compôs uma mensagem para enviar a Yijin.
[Se você não estiver muito ocupado, quer conversar um pouco?]
[Chamada de vídeo.]
Ele nunca tinha ligado por vídeo antes, mas já que estava com a família toda agora, uma chamada de vídeo parecia melhor. Na verdade, Seowoon não tinha falado com Yijin no telefone nem uma vez enquanto ele estava fora em sua viagem de negócios. Não era de propósito; era graças aos relatórios de prova-de-vida perfeitos e escritos de Yijin que tornavam ligar desnecessário.
Talvez fosse por isso. Quando a ligação de fato veio sob o nome de Yijin, ele se pegou um pouco surpreso. Os três caracteres do nome na tela do celular pareciam estranhamente estranhos. Tinha passado tanto tempo que parecia estranho sem motivo. Seowoon discretamente limpou a garganta e, em meio aos aplausos de todos, atendeu a ligação.
— Seowoon-ssi.
A ligação conectou sem um único chiado de estática. Como sempre, Yijin estava de camisa social. O rosto familiar que não via há um mês preencheu a tela, olhando para Seowoon. Uma sensação estranha, uma mistura do estranho e do familiar, o invadiu.
— Está tudo bem?
Fazia tempo desde que tinha ouvido sua voz também. Talvez fosse por isso. Parecia estranho. Os olhos inabaláveis que nunca souberam como desviar, a fala educada que parecia tirada de um livro didático, o rosto tão bonito agora quanto era quando ele viu pela primeira vez — tudo era o mesmo, mas o coração de Seowoon sozinho estava disparando, fazendo-o limpar a garganta desnecessariamente.
Ele achou que podia sentir um toque de menta. A família, que estava observando Seowoon com atenção total um momento atrás, agora estava prendendo a respiração, criando um pandemônio silencioso entre eles. Era óbvio. Ele sabia agora. Estavam claramente planejando uma surpresa.
…Eu não vi. Não vi nada. Seowoon mudou o olhar de volta para o celular. Para reiterar, o esquisito que ele conhecia era melhor do que os esquisitos que não conhecia bem.
— Seowoon-ssi?
Certo. Esse bastardo. Ele conseguia ver o maldito bastardo que tinha ido embora numa viagem de negócios longa menos de um mês depois de se casarem. E ainda assim, Seowoon tinha ficado bem. Foi o resultado esperado. O mundo não desmorona tão facilmente, afinal. Seowoon tinha vivido sua própria vida. E ainda assim….
Não estou parecendo… um pouco feliz de vê-lo? Quando seus olhos finalmente se encontraram, ele sentiu a tensão em seus ombros, que tinha estado apertada o tempo todo, começar a se soltar. Droga, de quem é esse marido? Ele é ridiculamente bonito. Foi uma colaboração da satisfação instintiva daquele rosto abençoado e da estabilidade emocional do esquisito que ele conhecia.
Embora não tivessem visto os rostos um do outro desde a lua de mel, ele ainda era seu marido, e era bom vê-lo depois de tanto tempo. Hmm, ou talvez não. Na verdade, ele podia estar muito feliz de vê-lo.
—…Olá, marido.—
Finalmente, Seowoon sorriu. Foi o primeiro reencontro deles em um mês.
Apesar do reencontro há tanto esperado, Seowoon estava ocupado. Estava nervoso, mas também com fome, então tinha que comer. Tentar reagir enquanto isso, e até responder perguntas, estava fazendo sua cabeça girar.
— Seowoon-ssi.
Além disso, Seowoon não estava sozinho. Bem quando ele aproveitou uma pausa na conversa para provar o caranguejo marinado que estava desejando, agora aquele cara estava fazendo alvoroço. Ele levantou a cabeça para ver o rosto de Yijin. O celular, apoiado num ângulo contra um copo d’água, estava preenchido com a imagem de Yijin. Ele já tinha cumprimentado a família e desejado feliz aniversário à sua tia, mas por algum motivo, a chamada não tinha terminado. Talvez porque tivesse atendido no meio da refeição, ele não estava certo de quando devia desligar. (A surpresa tinha falhado porque Yijin reconheceu a cozinha de sua família ao fundo atrás de Seowoon. A família ficou muito decepcionada.)
— O ângulo está errado.
—De novo?—
— Acredito que o celular escorregou. Poderia arrumá-lo de novo, por favor?
Essa mesa de jantar de mármore não prestava. Talvez porque não tivesse uma capa no celular, ele continuava escorregando sozinho por conta própria. Seowoon resmungou mas usou os dedos da mão que não segurava caranguejo para ajustar a posição do celular. O rosto de Yijin apareceu um pouco mais reto. Seowoon imediatamente pegou uma perna de caranguejo e perguntou.
—Melhor assim?—
— A tela está inclinada para a esquerda. Por favor, gire trinta graus para a direita.
Quanto é trinta graus? Seowoon inclinou o celular de novo.
—Assim?—
— Você virou demais. Por favor, volte para a esquerda. Cerca de dez graus deve ser suficiente.
—Dez graus… é isso!—
— Não. De volta para a direita.
—Direita….—
— Ainda não é suficiente.
—……—
— Por favor, gire um pouco mais….
—Para. Eu tenho que comer meu caranguejo, então ajusta você mesmo, Yijin-ssi.—
As interrupções constantes estavam arruinando seu apetite. Claro, era só uma sensação. Guang, sem nem esperar a resposta de Yijin, Seowoon deu uma mordida enorme na carne rechonchuda de caranguejo. Nossa, delicioso. Muito delicioso! Caranguejo marinado com soja normalmente tinha ao menos um leve gosto de peixe, mas esse não tinha gosto de peixe nenhum, só sabor. E o caranguejo marinado apimentado estava igualmente bom. As mãos de Seowoon se moviam mais rápido enquanto desmontava o caranguejo.
— Imonim. Está aí?
A voz de Yijin veio de bem na frente de Seowoon. Já que sua alma tinha sido roubada pelo caranguejo, seu rosto estava enterrado na tigela de arroz e não podia ser visto de qualquer forma. Ouvir sua voz fazia parecer que estavam juntos. Mas quem era Imonim? Antes que sua curiosidade pudesse se formar, uma resposta veio de trás dele. Era a funcionária que morava na casa da família de Yijin e cuidava da casa.
—Sim, Diretor. Estou aqui.—
— Quando ele for embora, por favor, embale um pouco de caranguejo marinado com soja e apimentado para ele. Ele come melhor o tipo com soja, então eu agradeceria se você pudesse embalar principalmente aquele.
Gack! Assustado, Seowoon engasgou com o caranguejo. Certamente a pessoa que —come melhor o tipo com soja— era….
—Ai meu Deus, Seowoon. Você está bem?—
—Estou bem, cof!—
— Seowoon-ssi, você está bem? Alguém traga água para ele, por favor.
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna