Undignified Heart (Novel) - Capítulo 04
⁺˚⋆。°✩ Capítulo 04
Estava escurecendo, então Dojin decidiu abandonar o favor e voltar para casa primeiro. Numa estrada sem um único poste de luz decente, a visibilidade seria difícil assim que escurecesse.
— Então, vamos para a residência por enquanto. Não sei o quão gravemente você está machucado, então devíamos chamar um médico também. Tem um de plantão, certo?
— …Não quero. Não vou.
— Como?
— Aonde você ia? Você estava indo a algum lugar antes de me encontrar.
— Bem…
Dojin hesitou. Tudo tinha acontecido tão de repente que ele havia esquecido a gravidade da situação, mas agora que voltara a si, aquela não era hora de enrolar. No fim das contas, aquilo não era um caso de a pessoa que ele deveria proteger fugindo?
Quem diabos estava de vigia que não conseguia nem ficar de olho num garoto doente do ensino médio? Eles pareciam tão intimidadores.
De qualquer forma, se fossem uma equipe de segurança minimamente normal, já teriam percebido que o garoto sumira a esta altura. Prolongar isso por mais tempo só colocaria todos em apuros. É claro, o procedimento correto era levá-lo de volta.
— Eu estava a caminho do mercadinho. Estava fazendo um favor.
— Então vamos ao mercadinho e depois voltamos.
— Eu adoraria, mas todos vão ficar preocupados. Está ficando tarde, então que tal voltarmos? Podemos mandar alguém comprar o que você quiser amanhã.
O rapaz não respondeu a Dojin por um tempo. Sentindo o peito pressionado contra suas costas subir e descer, Dojin esperou pela resposta. Um batimento cardíaco instável pulsava de onde eles se tocavam.
— …Não há ninguém que se preocupe comigo.
O rapaz sussurrou, quebrando o silêncio. Não era a atitude espinhosa ou cortante que ele havia demonstrado até então, mas uma voz tão seca e sem emoção que era quebradiça.
— São todos pessoas que trabalham por dinheiro, iguaizinhas a você, e meus desejos não são da conta deles. É uma contradição pessoas que nem sabem o meu nome se preocuparem comigo. Eu sou só um objeto.
Dojin congelou diante da explicação inesperadamente contundente. Eram palavras tristes demais para vir de um estudante do ensino médio quatro ou cinco anos mais novo que ele.
O rapaz parecia estar levando uma vida melhor do que qualquer um poderia desejar, mas cada um tem seus próprios parâmetros. As circunstâncias que levaram o jovem garoto a pensar daquela forma pesaram em sua mente. Podia ser o que chamavam de angústia adolescente, ou ele podia ser genuinamente infeliz.
Mas…
Os assuntos pessoais do rapaz não eram da sua conta. Se de qualquer forma eles tinham que voltar, era melhor para ambos se apressarem. As roupas dele estavam molhadas, e poderia ser perigoso assim que escurecesse.
Era digno de pena que ele tivesse chegado a pensar daquela forma, mas no fim das contas, ele estava fazendo birra. Várias pessoas teriam que se responsabilizar por essa aventura passageira.
Por mais bonito que ele fosse, seu rosto não conseguia persuadir Dojin. Ele queria durar três meses sem causar mais problemas. Um momento de hesitação poderia levar o dinheiro da mensalidade de Doyeon a virar fumaça.
— Desculpe. Eu não tinha me dado conta disso. Mas você ainda tem que voltar.
— Me põe no chão.
— Como?
— Eu disse, me põe no chão. Vou andar com as minhas próprias pernas.
Com os sentimentos feridos pela recusa de Dojin, o rapaz empurrou os ombros que estava segurando e sussurrou em voz baixa.
Fazer birra não vai te levar a lugar nenhum. Seus sentimentos estão feridos, não os meus. Dojin não entrou em pânico e rapidamente soltou os braços que apoiavam o rapaz. E…
No momento em que seus pés tocaram o chão, o rapaz começou a correr antes que Dojin pudesse agarrá-lo. Ao som dos passos apressados, ele ergueu a cabeça bruscamente e viu o rapaz correndo na direção do mercadinho.
— Sa Yoon-nim!
Uau, isso é loucura.
Dessa vez, Dojin imediatamente saiu no encalço enquanto o rapaz corria sem olhar uma única vez para trás. O repentino jogo de pega-pega só terminou quando Dojin finalmente o alcançou e agarrou o ombro do rapaz. A essa altura, eles estavam perto o suficiente para ver o mercadinho mais adiante.
Ele estava bem sem fôlego. O peito de Dojin arfava enquanto ele apertava o aperto na mão que havia detido o rapaz. Era um ato desrespeitoso, mas ele não podia deixá-lo fugir de novo. Se o soltasse agora, não havia como saber para onde ele dispararia.
— Por favor, vamos voltar. As coisas só vão piorar se demorarmos. Não há postes de luz, então logo ficará escuro demais para enxergar. As estradas do interior são perigosas à noite.
Era uma pena que não tivessem ido até o mercadinho, mas Dojin queria voltar o quanto antes. Sua súplica pareceu funcionar, pois o rapaz parou de se debater e se virou. Ele parecia menos cansado que Dojin, o que fazia alguém se perguntar se ele era mesmo um garoto doente. Mas sua expressão estava longe de ser boa.
— …Eu.
Uma tristeza que beirava o desespero turvou os olhos do rapaz. O rapaz, com a cabeça pateticamente baixa, murmurou baixinho.
— Preciso de permissão só para sair aqui?
Embora estivesse falando com Dojin, não era muito diferente de um monólogo.
— Se era para ser assim, eu preferia que eles simplesmente me deixassem morrer…
O sussurro que se seguiu foi algo que Dojin não teria ouvido se sua audição não fosse boa. Ele vinha tentando ao máximo ignorar os murmúrios do rapaz, mas aquela frase era difícil de ignorar. A palavra “morte” tocou uma corda no coração de Dojin.
Para Dojin, a vida era uma luta. Começando por ele mesmo, que lutava para sobreviver de algum jeito, cada dia foi precioso para sua mãe e seu pai, que tinham vontade de viver. Mas aquele garoto, tão jovem, exibia uma expressão de quem tinha desistido da vida.
Para descartar aquilo como o que as pessoas chamavam de “síndrome do oitavo ano”, a expressão do rapaz era vazia demais. Um momento atrás, quando estava fugindo, ele estava animado o suficiente, mas depois de ser pego por Dojin, ele se encheu de resignação.
Qual é o problema de dar uma passada de alguns minutos no mercadinho que ele ficaria tão desapontado?
Depois de ouvir algo assim, tornou-se difícil ignorar o rapaz como ele havia feito antes. Seu rosto estava tão sombrio que Dojin temeu que ele pudesse realmente cometer suicídio se o arrastasse de volta, então, no fim das contas, para evitar um desastre maior, Dojin cedeu.
— …Hmm. Sa Yoon-nim?
Ele chamou o rapaz com cautela, mas não houve resposta. Ele apenas ficou parado ali com olhos mortos. Era um contraste gritante com sua própria irmã, cujos dias eram alegres e cheios de energia. Percebendo que estava ficando cada vez mais preocupado, Dojin o chamou de forma mais gentil, como faria com a irmã.
— Eu estava errado. Já que viemos até aqui, vamos dar uma olhada no mercadinho antes de voltar. O Sa Yoon-nim corre tão rápido que chegamos ao nosso destino num piscar de olhos.
Ele não sabia das circunstâncias, mas conseguia perceber que aquela questão trivial era importante para o rapaz. Enquanto Dojin falava da forma mais gentil possível, o rapaz o encarou.
— Um minuto atrás, você estava implorando para eu voltar.
Esse pirralho. Ele está fazendo drama mesmo quando estou dando o que ele quer.
Mas seu olhar afiado e desafiador era melhor do que seus olhos vazios e mortos. Garotos dessa idade, como Doyeon, ficavam bem melhor correndo por aí e aprontando. Um canto de sua mente ficou pesado, sabendo que sua decisão não era racional, mas ele decidiu considerá-la como tendo evitado um incidente potencialmente maior.
— Mudei de ideia porque o Sa Yoon-nim ficou tão chateado.
— Quando fiquei?
— Bom, vamos dar uma olhada no mercadinho?
Em vez de responder a cada réplica de Yoonyoung, Dojin redirecionou sua atenção. Ele rapidamente se virou e começou a caminhar a passos largos em direção ao mercadinho, e o rapaz começou a segui-lo lentamente ao seu lado. Um olhar furtivo revelou que o rapaz, talvez sem estar acostumado a conseguir o que queria, tinha uma expressão desajeitadamente rígida.
Um silêncio pairou entre eles por um tempo. Dojin se perguntou o que dizer. A coisa certa a fazer seria passar o tempo em silêncio, como faria com qualquer outra pessoa, mas depois do que acabara de acontecer, ele não quis fazer isso.
— …Posso perguntar seu nome? Já que vamos ao mercadinho juntos.
Já que o pior já havia acontecido, Dojin decidiu ao menos cair nas boas graças de seu empregador. Ele não era seu empregador direto, mas aquilo poderia servir de desculpa, dizendo que fizera a escolha a pedido de seu superior. Embora, de acordo com as regras do ramo, falar com a pessoa sob proteção não fosse de forma alguma uma boa escolha…
— …Young.
— Como?
— Sa Yoonyoung.
O nome era tão bonito quanto seu dono. Ao contrário de sua personalidade afiada, era arredondado e fofo, e o sobrenome Sa era incomum, o que soava legal. Era um nome memorável.
— É um nome bem raro. É bonito, não é?
Era um elogio sincero, mas Yoonyoung rebateu friamente.
— Você está dizendo isso só para ser gentil?
— Não, eu realmente achei isso.
— Não gosto muito de ser chamado de bonito. Não é um elogio para um Alfa.
Yoonyoung era verdadeiramente diferente de sua aparência. Ele não conseguia sentir seus Feromônios, mas havia naturalmente presumido que ele fosse um Ômega. A resposta de que ele era um Alfa tornava aquela suposição sem sentido. Mas, pensando bem, não era particularmente surpreendente. O gênero secundário não era um fator que determinava a aparência física.
— Você achou que eu fosse um Ômega no momento em que me viu, não achou? Foi por isso que ficou me encarando daquele jeito.
Como se já tivesse passado por aquilo muitas vezes, Yoonyoung disparou outro comentário para ele. Dojin se sentiu constrangido com o tom cansado em sua voz. Não era como se ele pudesse mentir e dizer que não, já que era exatamente o que ele estivera pensando até um momento atrás.
— Desculpe. Você é tão bonito… Vou ser honesto, foi isso que pensei.
— Tanto faz. Todo mundo é igual.
— Mas pessoas como eu, que pensam assim, é que estão erradas. É preconceito, não é?
Yoonyoung fechou a boca diante das palavras de Dojin.
— Não dê a mínima para o que pessoas insensíveis dizem. As palavras dos outros não podem ter efeito nenhum sobre você, Sa Yoon-nim.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Bella donna&Faby&Othello