Things That Deserve To Die (Novel) - ↫─Capítulo ⚝ 98
↫─Things That Deserve To Die ⚝ 98
A água da chuva jorrava pelas janelas quebradas. Ao ver as dezenas de marcas de tiros, Ja-kyung ficou sem palavras. O carro estava prestes a virar uma peneira. Kang Il-hyeon, que estava sentado ao seu lado, também exibia uma expressão diferente da habitual. Dois homens armados se aproximaram, parando um de cada lado do veículo e apontando as armas para eles.
Quando Ja-kyung tentou descer, Kang Il-hyeon agarrou seu braço primeiro.
— Espere aqui.
Ja-kyung mordeu o lábio.
— Mas…!
Il-hyeon repetiu.
— Não saia até que eu mande.
Diante da expressão determinada no rosto de Il-hyeon, Ja-kyung respondeu relutantemente que obedeceria.
Il-hyeon abriu a porta do carro e olhou para trás. Aqueles que os perseguiam desde o cinema estavam posicionados do lado de fora do local. Ele se virou e caminhou lentamente até o Presidente Kang. A água da chuva escorria por sua cabeça e rosto enquanto ele andava. O Presidente Kang jogou seu charuto no chão e cumprimentou o filho com uma expressão de sangue frio.
— Parece que interrompi seu momento de diversão.
Sua boca sorria, mas os olhos de Il-hyeon eram frios como gelo.
— Se você sabia, deveria ter vindo mais tarde.
— Acho que esta será uma conversa longa, então seria melhor se mudássemos de lugar, não?
Il-hyeon olhou para trás mais uma vez. Lee Ja-kyung podia ser visto observando daquela posição, de dentro do carro destruído. Ele cerrou os dentes com tanta força que sua mandíbula ficou rígida antes de se voltar novamente para o Presidente Kang.
— Por favor, deixe-o ir.
— Por quê.
— Deixe-o ir. Por favor.
De qualquer forma, se fossem pegos, um deles acabaria morto ou passaria o resto da vida na cadeia. Ele não achava que o Presidente Kang teria trazido tanta gente sem ter muita determinação. Il-hyeon pensou que o Presidente Kang não conseguiria se mover por estar assustado, mas Il-hyeon estava enganado. O velho raposo estava apenas esperando o filho mostrar uma brecha.
— Aquele cara também faz parte disso.
— É por isso que pedi um favor.
Os olhos enrugados do Presidente Kang se estreitaram e um sorriso estranho se formou em seus lábios.
— Bem. Você acha que ele quer ir embora?
— Eu vou falar com ele.
Houve silêncio entre eles. A chuva, que caía tão pesadamente que a visibilidade era quase nula, de repente diminuiu. A tensão no ar parecia ter baixado a temperatura. Il-hyeon esperou calmamente pela permissão do Presidente Kang.
Aquele breve momento pareceu especialmente longo. Após ver o Presidente Kang assentir, ele virou o corpo. Il-hyeon caminhou a passos largos até o banco do motorista e encarou Lee Ja-kyung. Ele tinha uma expressão tensa no rosto e emoções variadas nos olhos. Se não estivesse enganado, havia até um toque de afeto ali.
O dia foi realmente longo hoje. Il-hyeon recebeu uma confissão inesperada pela manhã, depois foi ao bairro onde Lee Ja-kyung viveu e até teve um encontro comum como todo mundo.
Não foi um dia ruim para um presente antes de morrer.
Ele olhou para Ja-kyung com carinho e estendeu a mão para acariciar sua bochecha. Ja-kyung nem se mexeu, apenas encarou Il-hyeon. Como se adivinhasse o que ele estava prestes a dizer.
— Acho que devemos nos separar aqui.
A pálpebra inferior de Ja-kyung tremeu.
— Vá e espere por mim. Eu voltarei quando terminar de falar com meu pai.
— Não, eu não quero.
— Eu voltarei logo.
— Eu disse que não quero.
Il-hyeon previu que a persuasão não seria fácil, mas Ja-kyung era mais teimoso do que ele pensava. Ja-kyung cerrou os lábios obstinadamente e até tentou abrir a porta do carro. Il-hyeon fechou a porta com mais força. Desta vez, ele falou com mais firmeza.
— Por favor.
Ja-kyung rangeu os dentes. Ele não conseguiu dizer nada porque viu o nervosismo nos olhos de Kang Il-hyeon pela primeira vez. Você, por quê? Por que faz esse tipo de expressão? Apenas sorria como faz normalmente, conte uma piada ou algo assim.
Outros poderiam pensar que um pai nunca mataria o próprio filho, mas o Presidente Kang já tinha feito isso antes. Ja-kyung fora quem recebera a ordem de matar e sabia melhor do que ninguém que, se Il-hyeon fosse levado, ele seria morto.
A mão que tocava seu rosto agora acariciava seu cabelo.
— Tchau.
Após uma breve despedida com um sorriso, ele se virou e foi até o Presidente Kang. Um homem chamado Chefe de Seção Kim usou um detector para escanear seu corpo. Encontraram um relógio com um rastreador, fizeram com que ele o desbloqueasse, jogaram-no no chão e dispararam vários tiros.
Um clarão brilhou na escuridão e o relógio foi estraçalhado. Il-hyeon permaneceu calmo, apesar de ter os pulsos amarrados atrás das costas com uma corda. Ja-kyung, que observava do banco do motorista, lembrou-se subitamente de algo. Ele abriu o painel e puxou um celular antigo enquanto o homem ao seu lado estava distraído.
Ja-kyung escondeu a mão sob o volante, arrancou a parte traseira do telefone, extraiu um pequeno chip e o colocou na boca. Gulp. Ele o engoliu, mas os pequenos pedaços ficaram alojados em sua garganta e não desciam. Então ele chamou o homem que guardava o carro.
— Ei. — O homem se aproxima a cerca de dois passos de distância. O rosto do homem chegou mais perto enquanto Ja-kyung sussurrava de forma inaudível. Ja-kyung então agarrou a cabeça do homem e cortou seu pescoço com uma faca em um instante, depois baixou-o rapidamente e removeu a arma. Durante o alvoroço repentino, armas e luzes foram todas direcionadas para Ja-kyung. Ele pôde ver o sangue fugindo do rosto de Kang Il-hyeon enquanto este olhava para trás.
Ja-kyung ficou de pé sob a chuva torrencial e apontou firmemente sua arma para o Presidente Kang.
— Você não pode ir!
O grito ecoou pela estrada vazia.
— Leve-me com você. Ou podemos morrer juntos aqui mesmo!
O subordinado do Presidente Kang, que estava atrás de Il-hyeon, recebeu instruções e esmagou a cabeça dele com um taco bem no momento em que Il-hyeon estava prestes a se aproximar de Ja-kyung com o rosto furioso. Kang Il-hyeon desabou no chão. O Presidente Kang pressionou sua bengala contra as costas dele enquanto ele gemia e tentava se levantar. O sangue que jorrava de sua cabeça misturou-se com a chuva, tornando a estrada vermelha.
Ja-kyung assistiu à cena enquanto rangia os dentes. O dedo no gatilho tremeu. O Presidente Kang riu como um demônio. Ele parecia semelhante a Kang Il-hyeon, mas ao mesmo tempo tão diferente.
— Se você insiste, eu te levo.
Os subordinados do Presidente Kang cercaram Ja-kyung assim que ele deu as ordens. Ele largou a arma obedientemente, e eles amarraram seus braços atrás das costas e cobriram sua cabeça com algo. Tudo ficou escuro. E logo seguiu-se um golpe forte na cabeça.
Suas pernas cederam e ele perdeu a consciência. Isso foi uma coisa boa? Foi a coisa certa a se fazer? Não importa o quanto pensasse, ele não sabia a resposta. Mas ele não podia deixar Kang Il-hyeon morrer sozinho.
***
Wang Lun, que estava sentado no banco de trás, olhou pela janela e sentiu-se deprimido ao pensar em seu amante traidor que o havia abandonado. As feridas em seu coração não cicatrizam facilmente, não importa aonde ele vá ou quão bela seja a paisagem. Além disso, Wang Han, que estava sentado ao seu lado, estava inquieto segurando o telefone enquanto se deslocavam para a hospedagem.
— É meio estranho.
Wang Lun perguntou com um rosto indiferente.
— O quê.
— Acho que algo aconteceu com Wei.
Wang Lun suspirou baixinho diante disso. Se algo aconteceu com Wei, deve ter sido uma coluna quebrada ou um quadril aleijado. Ele não podia dizer nada porque os subordinados de Kang Il-hyeon estavam na frente dele. Mesmo assim, outro carro de segurança os seguia de perto. Il-hyeon parecia ter se apaixonado perdidamente por Lee Ja-kyung, a julgar pelo fato de ele estar acompanhado por um médico em sua jornada.
— Os dois devem estar se divertindo muito a esta hora.
— Acho que sim.
— Hyung, esse é o seu problema. Você acha que ele ainda tem dez anos.
— Mas…
— E você não se importa com este segundo irmão de coração partido.
Quando Wang Lun expressou secretamente seu desapontamento, Wang Han sorriu sem jeito. Ele não estava escolhendo favoritos, mas não podia deixar de se preocupar com Ja-kyung. Ele era muito mais velho que ele, e talvez fosse mais porque ele sempre cuidou dele.
Ainda assim, algo parece estranho.
— Acho que ele nunca ficou tanto tempo sem ligar…
Uma ligação de fato chegou, mas foi recebida pelo subordinado sentado no banco da frente. Ele falou de maneira muito educada. Ele devolveu o telefone rapidamente. Wang Han ficou aliviado ao saber que a outra pessoa era o Secretário Park. Quanto mais ele falava, mais solene sua expressão se tornava.
Após desligar o telefone, seu rosto estava pálido.
— Qual é o problema.
— Sobre o Wei… Disseram que ele foi sequestrado.
— Quem o Wei sequestrou?
— Não é isso! Ele foi sequestrado!
— Não brinque.
— Estou falando sério. O pai de Kang Il-hyeon o levou.
Porra! Wang Lun, que estava sentado imóvel, saltou e bateu a cabeça no teto do carro. Seria normal se Lee Ja-kyung sequestrasse alguém, mas ele não era do tipo que se deixava sequestrar. Isso significava que Ja-kyung estava em perigo real. Antes mesmo de o funcionário à frente perguntar o que iam fazer, os dois instaram para que dessem meia-volta rapidamente.
Depois de falar com Park Tae-soo, o funcionário deu ré no carro e Wang Han tentou contatar Ja-kyung novamente. Apenas informava que o telefone estava desligado. Ja-kyung tinha um pequeno rastreador anexado ao seu telefone de trabalho, por precaução. Ele o fez para que Ja-kyung pudesse engoli-lo caso necessário, mas ele teria que ir para a Coreia para verificar.
Por favor, esteja seguro. Até chegarmos lá, por favor.
***
Estava muito escuro. Ja-kyung acordou apenas com a escuridão diante dos olhos. Um pano úmido grudava em seu rosto a cada respiração e depois se soltava. Mesmo que tentasse mover as mãos, estava contido, pois estava amarrado atrás das costas. O pano foi então removido de sua cabeça. Uma luz brilhante inundou sua visão.
Ele respirou fundo e examinou os arredores. Um lugar desconhecido, pessoas desconhecidas. Ja-kyung tinha certeza de que estava dentro de um prédio, mas um dos lados estava completamente aberto.
Dois homens estavam parados na frente dele, olhando para Ja-kyung de forma estranha e rindo entre si. Um deles movia os quadris enquanto fingia segurar o próprio pau, enquanto o homem à frente, fumando um cigarro, sorria para o que ele estava fazendo.
Ja-kyung rangeu os dentes ao perceber que estavam zombando dele.
— Onde está Kang Il-hyeon?
Um dos homens aproximou-se e deu um peteleco no cigarro que fumava contra o rosto de Ja-kyung.
— Seu bastardo atrevido. O CEO Kang é seu amigo?
— Eu perguntei onde ele está, bastardo!
O homem caminhou até ele e deu um sorriso sarcástico enquanto levava a mão à fivela da calça.
— Você quer chupar? Eu posso te contar se você chupar bem.
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna