Things That Deserve To Die (Novel) - ↫─Capítulo ⚝ 107
↫─Things That Deserve To Die ⚝ 107
— Você vai ficar bem?
Mesmo depois de chegar ao aeroporto, Wang Han continuou a expressar suas preocupações. Ele se preocupava com Ja-kyung ficando sozinho enquanto ele e Wang Lun partiam da Coreia. Ele temia que os capangas restantes do Presidente Kang pudessem representar uma ameaça à vida de Ja-kyung.
— O CEO Kang estará com ele.
Embora Wang Lun tentasse tranquilizá-lo, Wang Han não conseguia afastar suas preocupações. Ele instou repetidamente Ja-kyung a contatá-lo imediatamente se algo acontecesse. Wang Lun planejava resolver as coisas e voltar para aliviar a dor de seu coração partido.
— Certifique-se de me contatar assim que chegar à ilha.
Ja-kyung sorriu sem jeito. Os dois continuavam a brigar por causa da questão de ir para a ilha. Ja-kyung queria caçar, pescar e aproveitar a vida como ela era na natureza, mas a ilha que Kang Il-hyeon havia reservado era mais como um… destino de lua de mel. Ele quase jogou o tablet longe quando viu as pétalas vermelhas sobre a cama.
— Se cuidem e voltem em segurança.
Os dois irmãos se despediram com um abraço e passaram pelo portão. Ja-kyung ficou parado observando-os até que sumissem de vista, então se virou. Ele configurou a navegação para o bairro onde cresceu depois de encontrar seu carro no estacionamento.
***
Ja-kyung comprou uma garrafa de água em uma pequena loja de esquina no bairro. Uma mulher idosa com as costas curvadas estava sentada em um banco, preparando vegetais meticulosamente. Subir a estrada íngreme estava um pouco cansativo. Ele não percebeu quando veio com Kang Il-hyeon, mas caminhar sozinho aqui o lembrava de sua infância.
Quando chegou na metade do caminho, um portão de metal verde desgastado se abriu, e cinco jovens de aparência rude saíram todos de uma vez. A condição deles visivelmente não era boa. Eles cuspiram no chão e olharam brevemente para Ja-kyung enquanto passavam. Ignorando os olhares, Ja-kyung continuou sua caminhada, mas ouviu murmúrios vindos de trás.
Sob o sol escaldante do meio do verão, o suor escorria por sua testa. Quando estava na metade de sua garrafa de água, ele chegou ao lugar onde costumava morar, no ponto mais alto do bairro. O jardim de flores ainda estava bem cuidado, e a casa havia sido reformada, tornando-a quase irreconhecível. Uma mensagem chegou enquanto ele se refrescava na varanda e terminava o resto da água.
Era Kang Il-hyeon. Ja-kyung respondeu com sua localização e então caminhou em direção ao muro. Ao subir e sentar-se no muro, ele tinha uma visão panorâmica do centro de Seul. O cenário era bastante autêntico. Ele pensou que ficaria lindo assim que a escuridão caísse e as luzes da cidade iluminassem a noite.
Essas eram coisas que ele não havia desfrutado durante sua infância. Seu telefone tocou enquanto ele estava perdido em memórias nostálgicas. Suas sobrancelhas se franziram ao ver o identificador de chamadas exibindo “Meu Amor”. De alguma forma, ele mudava magicamente mesmo quando ele o salvava pelo nome.
— Por que você foi aí?
A voz dele era suave.
— Por nada especial. Vim passar o tempo.
— O que você está fazendo agora?
— Observando a cidade. O tempo está muito bom hoje.
Havia um riso contido ao final da frase. Ficou silencioso do outro lado da linha. Tinha caído? Ja-kyung verificou, mas não.
— Você está ouvindo?
— Sim. Eu estava apenas apreciando sua voz por um momento.
— Que pervertido.
O som de uma risada pôde ser ouvido.
— Acho que vou sair do trabalho em breve, devo ir aí?
Ja-kyung concordou prontamente, sem hesitação. Depois de falar ao telefone, ele desceu do muro enquanto observava o sol se pondo sobre as montanhas. Ele abriu a porta, mas não conseguiu encontrar nenhum rastro do passado. Toda vez que caminhava, o piso empenado rangia. Então o cansaço bateu, e ele se espreguiçou e deitou.
As flores desabrochando sob o muro chamaram sua atenção quando ele virou a cabeça. Uma brisa suave roçava seu cabelo sombreado de vez em quando.
***
Il-hyeon, que estava sentado no banco de trás do carro com um gesso no braço esquerdo, abriu a janela enquanto olhava para o frango e a cerveja ao seu lado. Quando Lee Ja-kyung disse que tinha ido à sua antiga casa, ele comprou frango com a intenção de beber cerveja enquanto observava a vista noturna, mas o cheiro estava mais forte do que o esperado.
Era desagradável para ele porque não gostava muito de comida frita. Ele se arrependeu de não ter colocado no porta-malas e, em vez disso, acendeu um cigarro. Um sorriso se espalhou por seus lábios conforme ele se aproximava do bairro. Tae-soo saiu do carro e lhe entregou o frango e a cerveja. Então, ele puxou uma arma.
Quando Il-hyeon o encarou fixamente, Tae-soo acrescentou:
— O bairro é bastante perigoso, então, por precaução, eu preparei isso.
Il-hyeon sorriu enquanto a enfiava em seu cinto.
— Eu venho buscá-lo mais tarde.
— Está tudo bem. Eu volto com o Lee Ja-kyung.
— Entendido.
Il-hyeon começou a subir o beco depois que Tae-soo partiu. As ladeiras eram íngremes, mal iluminadas e mais barulhentas à noite do que durante o dia. O som de brigas podia ser ouvido em todos os lugares, assim como sons de discussões e objetos quebrando.
Il-hyeon continuou a subir a colina cantarolando uma melodia, e uma sombra vinda de cima gradualmente se fundiu em uma só e moveu-se para cima. Havia cinco homens, e a fumaça de seus cigarros soprava em direção a Il-hyeon. Eles andavam gingando e cuspiam no chão o tempo todo. Um deles, estivesse bêbado ou sob efeito de drogas, não conseguia controlar o corpo e cambaleava.
— Ande direito, seu imbecil.
— Ei! Mas você tem certeza de que ele é rico mesmo?
— Não está vendo? Se ele dirige um carro caro e usa roupas caras neste bairro, o que mais ele poderia ser? É óbvio.
— Eu queria que ele tivesse muito dinheiro vivo na carteira.
— Vamos ao clube hoje e usar o cartão daquele desgraçado?
Eles riram entre si, aproveitando o momento. Os passos de Il-hyeon diminuíram. Ele tinha uma ideia aproximada de para onde eles estavam indo. Lee Ja-kyung parecia ter se tornado o alvo dos bandidos deste bairro. Ele os seguiu com um olhar interessado, e um deles olhou para trás.
Ele olhou para frente novamente, pois também havia informado seu companheiro. Mas eles não pararam por ali. Il-hyeon conseguia ouvir o murmúrio deles.
— Porra. Por que ele continua nos seguindo?
— Ele não está com o cara lá de cima?
— Você viu o rosto dele?
— Não. Está escuro, então não consigo ver.
— Ele é alto pra caramba.
— Não ligue. Ele é apenas um aleijado de braço.
Il-hyeon riu baixinho ao olhar para seu braço engessado. Assim que chegaram à casa mais alta, onde Lee Ja-kyung estava, eles espiaram para dentro pelo muro. Il-hyeon passou por eles, abriu o portão e entrou. Uma voz confusa é ouvida atrás. Que porra é essa. Eles estão juntos mesmo?
Assustado pelo som da porta se abrindo, Lee Ja-kyung, que estava deitado na varanda, sentou-se rapidamente, com os olhos arregalados de surpresa.
— Hã?
Il-hyeon ergueu a cerveja e o frango na mão.
— Um presente.
O olhar de Ja-kyung foi atraído para os homens parados em frente ao portão. Ele pensou que fosse algum funcionário trazido por Kang Il-hyeon, mas eles estavam vestidos de forma completamente diferente. Eles entraram em bando e, após uma inspeção mais próxima, eram os mesmos caras que Ja-kyung vira mais cedo naquele dia no beco. Il-hyeon afrouxou a gravata e colocou o frango e a cerveja na mesa. Seus olhos estavam cheios de curiosidade.
Ja-kyung, que entendeu a situação, perguntou:
— Por que você os trouxe?
A resposta foi inesperada.
— Eles não eram seus amigos?
— De onde você tirou isso?
— Eles parecem encrenqueiros.
Como se para confirmar suas palavras, os homens em frente ao portão puxaram suas facas. — Feche a porta! Parem eles! — gritaram. Ja-kyung levantou-se e tirou a carteira do bolso da calça. Ele se aproximou dos homens após retirar algum dinheiro vivo e o entregou.
— É o suficiente? Peguem e nunca mais voltem aqui.
Os homens embasbacados mudaram suas expressões para triunfantes, como se tivessem entendido mal que Ja-kyung havia dado o dinheiro por medo. Um deles sacou um canivete e o apontou para a garganta de Ja-kyung.
— Se não quiser morrer, entregue a carteira.
Ja-kyung olhou para a faca sob seu pescoço com uma expressão irritada e suspirou. Eles provavelmente tinham pouco mais de vinte anos, no máximo. Ja-kyung não conseguia entender por que eles arriscariam suas vidas por algo assim. Enquanto isso, Kang Il-hyeon estava encostado na mesa, fumando um cigarro e apreciando a cena com uma expressão deleitada.
— Querido. Precisa de ajuda?
Enquanto Ja-kyung o encarava furioso, Il-hyeon tirou algo do bolso. Ele pensou que fosse uma carteira, mas acabou sendo uma arma. Seus olhos se arregalaram. Il-hyeon raramente carregava uma arma por aí. Os homens que viram a arma também congelaram simultaneamente. O que é isso? É uma arma de verdade? Que porra! Não é um brinquedo!
Il-hyeon apontou a arma para eles.
— Em qual cabeça devo atirar primeiro?
Ja-kyung fez sinal para que ele resolvesse aquilo, mas ele não se moveu. A expressão de Kang Il-hyeon tornou-se gradualmente travessa. Ele levantou-se, segurando a arma contra a própria têmpora, contemplando em qual cabeça atirar primeiro, olhando para cada um deles com uma expressão calculista.
Ja-kyung franziu a testa em irritação.
— Não faça isso. São apenas garotos.
Il-hyeon riu de forma brincalhona.
— Se eles têm mais de vinte, não tem problema mesmo que morram.
Sem se dar ao trabalho de discutir tal absurdo, Il-hyeon mirou a arma e puxou o gatilho. Um tiro ecoou quando a bala atingiu a porta de ferro. Assustado, Ja-kyung virou-se. E se ele realmente atirasse? Il-hyeon tinha uma expressão de decepção no rosto.
— Merda. Eu errei.
Enquanto Il-hyeon tentava atirar novamente, os caras que bloqueavam o caminho gritaram e saíram correndo pelo portão. Ja-kyung olhou para fora e os viu descendo a colina em velocidade máxima. Ja-kyung franziu a testa, recolheu o dinheiro que eles haviam deixado cair e levantou-se.
Após retornar ao seu eu habitual, Il-hyeon jogou a arma de lado, pegou uma cerveja e a ofereceu a Ja-kyung. Ja-kyung a aceitou e encostou-se nele.
— Ah, de repente me sinto cansado por causa daqueles bastardos.
— Você é o pior entre eles. Mas tem um cheiro de gordura em algum lugar. — Olhando ao redor, Ja-kyung avistou o frango e foi rapidamente pegá-lo.
— Oh, é frango!
O corpo de Kang Il-hyeon inclinou-se para o lado como se estivesse prestes a desabar, e sua expressão tornou-se feroz.
— Você gosta mais do frango do que de mim? Devo renascer como um frango na próxima vida?
— Não faça cena. Estou com fome.
Depois de abrir a tampa, Ja-kyung fechou os olhos, sentiu o cheiro e sorriu amplamente. Seu estômago estava vazio porque ele não tinha comido nada durante a última refeição com seus irmãos durante o dia. Os olhos ferozes de Il-hyeon suavizaram-se diante da expressão de prazer de Ja-kyung.
Ja-kyung pegou uma coxa de frango primeiro e a estendeu para Il-hyeon.
— Coma isto.
Uma brisa fresca soprou de algum lugar para refrescar o calor da noite de meio de verão. Ele pegou a coxa que lhe foi oferecida para comer. O cheiro de óleo que ele não queria sentir antes havia mudado. Il-hyeon sorriu após dar uma mordida.
— Está delicioso?
Ele assentiu. Era uma noite onde nada poderia dar errado quando se estava com alguém de quem se gosta.
↫─☫ Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna