Things That Deserve To Die (Novel) - ↫─Capítulo ⚝ 103
↫─Things That Deserve To Die ⚝ 103
Os olhos de Ja-kyung se estreitaram enquanto ele se concentrava. Ele passou creme de barbear no rosto de Il-hyeon para fazer a barba por fazer em seu queixo, mas suas mãos tremiam muito porque ele nunca tinha usado uma navalha antes. Vendo aquilo, Il-hyeon riu.
— Você é implacável quando mata pessoas, mas por que está tremendo desse jeito?
Ja-kyung sentiu que parecia ser mais fácil matar pessoas do que lidar com palavras afiadas.
— Não fale. Fique quieto.
Ele se concentrou e raspou a barba de Il-hyeon, produzindo um som de arranhão enquanto o fazia. Ele nunca tinha achado que uma barba ficava legal em sua vida. A barba de Ja-kyung não crescia muito, então barbear-se era apenas ocasional, ao contrário de Wang Han e Wang Lun, cujas barbas tornavam-se grossas e selvagens em apenas um dia.
Mas, estranhamente, a barba combinava muito bem com Kang Il-hyeon. Fazia-o parecer um pouco mais decadente. Ja-kyung queria mantê-la, mas não queria que ele parecesse ainda mais doente, então decidiu raspá-la.
Ele estava focado enquanto encarava a bochecha dele quando ouviu uma batida. A comida havia chegado no momento em que Ja-kyung se virou. Depois de barbear, ele limpou o rosto de Il-hyeon com uma toalha morna. Il-hyeon havia perdido peso enquanto estava no hospital, o que tornou suas feições, já marcantes, ainda mais afiadas.
Ja-kyung abriu a mesa sobre a cama e ofereceu-lhe mingau depois de arrumar tudo. Por enquanto, ele só podia comer mingau. Ele posicionou os utensílios, mas Kang Il-hyeon apenas ficou olhando para eles. Mesmo quando Ja-kyung serviu água e o instou a comer logo, ele sequer se deu ao trabalho de pegar os talheres.
Il-hyeon perguntou com uma expressão digna de pena.
— Você não vai me dar na boca?
Ja-kyung olhou para ele com perplexidade. A mão esquerda está quebrada, mas a direita está boa. Tem sido assim há alguns dias. Hoje, Ja-kyung gesticulou firmemente com os olhos, apontando para a mão direita dele. Então Il-hyeon ergueu o queixo e respondeu com confiança.
— Eu sou canhoto.
Desde quando? Ja-kyung lembrava-se de Il-hyeon usando a mão direita para pegar uma colher, segurar uma caneta esferográfica e até para esfregar o pau! Antes que Ja-kyung pudesse perguntar onde ele queria chegar com aquilo, Il-hyeon empurrou a mesa para frente como se estivesse dando um ataque de pelanca e deitou-se na cama.
Ja-kyung olhou para ele sem acreditar. — Você levou um tiro na cabeça ou algo assim? Por que está agindo de forma tão estranha? — Ele queria gritar essas palavras, mas se conteve. Ja-kyung sentou-se na cama, suspirou e puxou a mesa de volta.
— Tudo bem, eu entendi. Eu te dou na boca.
Il-hyeon levanta-se e senta-se casualmente. Ja-kyung notou a bandagem branca enrolada por entre a bata de hospital aberta. A ferida estava cicatrizando rápido, mas ele teria que ficar no hospital por enquanto. Ele pegou uma colherada de mingau, soprou e a estendeu.
— Ah.
Assim que Il-hyeon abriu a boca, Ja-kyung empurrou a colher para dentro. Enquanto o mingau manchava seus lábios, Il-hyeon os lambeu de forma provocativa e o encarou intensamente. “Ah, eu quero comer outra coisa.” Ja-kyung fingiu não ouvir e pegou outra colherada de mingau. Il-hyeon o encarava como se estivesse mastigando o rosto de Ja-kyung em vez da comida em sua boca.
Vendo um sorriso travesso espalhar-se por seus lábios, Ja-kyung soltou um suspiro.
— Você é uma criança, ou o quê…
Apesar de resmungar, ele achou a cena engraçada e acabou rindo também. Ele acabou alimentando-o com todo o mingau e o fez escovar os dentes e lavar o rosto quando terminou de comer. Então, ele o beijou nos lábios como recompensa. O tempo passava rápido enquanto ele estava no hospital.
Park Tae-soo chegou no final da tarde. No primeiro dia em que Il-hyeon recuperou a consciência, ele sorriu até os cantos dos lábios subirem. Foi a expressão mais feliz que Ja-kyung já vira no rosto dele. Enquanto ele entrava uma vez por dia para relatar os negócios, Ja-kyung esperava do lado de fora até que ele terminasse.
Ao sentar-se, funcionários conhecidos passavam e o cumprimentavam. De acordo com o que ouvira, o funeral do Presidente Kang havia sido adiado, já que Il-hyeon ainda estava no hospital. Os executivos da empresa decidiram fazer o mesmo.
Eles também afirmaram que Kang Il-hyeon deveria comparecer ao tribunal para uma investigação minuciosa assim que se recuperasse. A opinião pública dominava com perguntas sobre se era necessário convocar alguém que quase morreu para interrogatório, e se era demais submetê-lo a isso em meio ao luto pelo pai.
Depois que Park Tae-soo foi embora, Ja-kyung entrou no quarto do hospital. O sol já estava se pondo do lado de fora da janela.
— Tae-soo está esperando lá embaixo. Vá para casa hoje.
Ja-kyung franziu a testa diante das palavras inesperadas.
— Por quê…?
— Você não pode continuar ficando aqui. Sua perna ainda não sarou completamente.
Ja-kyung apontou para a cama do acompanhante. Apesar de sua afirmação de que era melhor do que uma cama decente, Kang Il-hyeon insistiu que ele fosse para casa dormir. Parecia que ele estava sendo enxotado, o que deixou Ja-kyung chateado. Ele ficou ali sentado, fingindo que não mudaria de ideia facilmente.
Após Ja-kyung persistir obstinadamente, Kang Il-hyeon finalmente cedeu e contatou Tae-soo, dizendo-lhe para ir para casa primeiro hoje. Só então o rosto de Ja-kyung se iluminou.
— Então por que você não dorme comigo esta noite?
Il-hyeon deu tapinhas em sua cama. Não era particularmente larga, mas era o suficiente para duas pessoas. No entanto, Ja-kyung estava preocupado em tocar acidentalmente na ferida enquanto dormia. Il-hyeon moveu o corpo um pouco mais para o lado enquanto Ja-kyung hesitava. Havia espaço suficiente, e Ja-kyung subiu na cama. Então, ele colocou cautelosamente a mão no peito de Kang Il-hyeon.
— Dói?
— Não.
— Posso apenas me apoiar em você e dormir assim?
— Claro. Você pode subir e até me montar se quiser.
Ja-kyung franziu a testa ao entender o significado das palavras.
— É só isso que você tem na cabeça?
— Você deveria tentar ter um namorado como você. Não como eu, todo arrebentado e quebrado.
Ele estendeu a mão direita e acariciou suavemente o cabelo de Ja-kyung. Da cabeça, seu toque desceu pela nuca e tocou as costas. Tap, tap, sua mão grande confortava as costas de Ja-kyung. Ja-kyung sentiu suas pálpebras ficarem mais pesadas.
— Sabe, CEO Kang…
Ele o chamou com a voz tingida de sonolência.
— Sim.
Ja-kyung hesitou. Ainda assim, ele achou que seria mais confortável abordar o assunto e seguir em frente.
— Sinto muito…
— Pelo quê?
— Seu pai…
Ele parou de falar ali. Embora ele tenha morrido no hospital, foi Ja-kyung quem, em última instância, o matou.
— Ele morreu por causa de suas próprias ações, não por sua causa. Não pense assim.
A mão que estava acariciando suas costas deslizou para dentro de sua camisa e tocou sua pele nua. Ja-kyung tensionou. Il-hyeon enterrou o rosto na nuca dele e respirou fundo. A mão que acariciava seu corpo ficou mais firme. Suprimindo a luxúria avassaladora que surgia ferozmente, Il-hyeon recordou-se do falecido Presidente Kang.
Na verdade, tudo correu bem depois que o Presidente Kang morreu. Ele devia ser a escória da terra, pois sentia-se aliviado no fundo. Por outro lado, Il-hyeon fingia não notar os sentimentos de culpa de Ja-kyung. Se ele pudesse usar isso para mantê-lo cativo, ele também exploraria suas emoções. Nunca deixando-o partir.
Ele lutava para manter isso escondido porque tinha medo de que Ja-kyung ficasse infeliz se seus verdadeiros sentimentos fossem expostos. Ele fez contato visual, disfarçando seus desejos atrás de um sorriso bondoso.
— Pare de falar e vá dormir. Você parece com sono.
Ja-kyung, que estava forçando os olhos para ficarem abertos, assentiu com a cabeça, incapaz de suportar por mais tempo. Com medo de tocar acidentalmente em suas feridas em sua sonolência, ele virou o corpo e deitou-se no lado externo da cama. O hálito de Kang Il-hyeon roçou a nuca dele, seus lábios tocando brevemente antes de se separarem.
Uma voz baixa sussurrante foi ouvida.
Dizendo que gostava muito dele. Que estava apaixonado.
Aquelas observações chegaram claramente, mesmo no estado sonolento de Ja-kyung.
***
Kang Yoo-jung passou pelo quarto de Kang Il-hyeon pela manhã durante a visita aos pacientes e ficou sem palavras. As enfermeiras ao lado dela também pareciam perplexas. Depois de mandá-las embora, ela se aproximou e encontrou o olhar de Kang Il-hyeon assim que ele abriu os olhos. Ja-kyung estava enrolado como uma lagarta ao lado de seu corpo, agarrado a ele enquanto dormia.
Ela ficou sem palavras ao ver a mão de Lee Ja-kyung agarrando firmemente a bata de paciente de Kang Il-hyeon.
Kang Il-hyeon sussurrou para ela sair.
— Volte mais tarde. Ainda estou com sono.
Yoo-jung balançou a cabeça e estalou a língua ao notar que ele baixava a voz com medo de acordar Ja-kyung. Ela ficou surpresa a princípio por ele não ser Zhang Yi An, e depois ficou surpresa por ele ter tentado matar Kang Il-hyeon. O que a surpreendeu ainda mais foi o fato de Il-hyeon saber de tudo isso e, mesmo assim, aceitá-lo.
Ele também disse a Yoo-jung para não demonstrar nenhum sinal de desconforto. Em outras palavras, ele quis dizer para não deixar Ja-kyung sentir-se inquieto. Embora estivesse preocupada que ele tivesse se apaixonado perdidamente por ele, ela também estava feliz em saber que, apesar do fato de Ja-kyung ser um homem, Il-hyeon estava agora fazendo tudo o que as outras pessoas faziam.
Ela achava que ele passaria a vida inteira cortando os dedos das pessoas.
Mas quando viu com seus próprios olhos, ela simplesmente não conseguia se acostumar.
— Saia, rápido.
Il-hyeon franziu a testa enquanto Lee Ja-kyung se contorcia e se remexia. Yoo-jung suspirou e saiu, e o quarto mergulhou no silêncio. Il-hyeon virou-se para encarar Lee Ja-kyung, que dormia ao seu lado. Aquilo o entristecia toda vez que via Ja-kyung dormindo encolhido.
Ele puxou um cobertor e o cobriu até os ombros. Kang Yoo-jung lhe contara. Lee Ja-kyung sentou-se em frente à unidade de terapia intensiva todos os dias durante os dez dias em que ele esteve inconsciente. Ele não a ouviu, mesmo quando ela tentou impedi-lo, e esperou que ele acordasse com uma expressão de angústia no rosto.
Talvez fosse por causa da luz do sol entrando pela janela, mas suas pálpebras fechadas tremeram e se abriram, revelando seus olhos castanhos. Sua expressão atordoada de quem acabara de acordar era adorável. Se ele tivesse morrido, teria sido injusto não ver esse rosto, e ele teria ficado chateado com isso.
— Bom dia. Dormiu bem?
Ja-kyung acomodou-se cuidadosamente nos braços de Il-hyeon, que sorriu abertamente. “Só mais 30 minutos. Por favor, deixe-me dormir por apenas mais 30 minutos.” Sua voz murmurante estava cheia de sonolência. Il-hyeon inclinou o corpo o máximo possível em direção a Ja-kyung. Ele acariciou seu cabelo macio e Ja-kyung se aninhou mais profundamente, como se estivesse esperando por aquilo.
O gato selvagem agora havia se tornado um perfeito gato doméstico.
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna