The Hunter’s Gonna Lay Low (Novel) - ↫─☫ Episódio 99
𓆰𓆪 Episódio 99𓆰𓆪: Gatilho
— J voltou, não foi?
A afirmação abrupta fez o caçador tossir inesperadamente. Embora a sobrevivência de J fosse bem conhecida, seu retorno direto era um fato conhecido apenas por poucos dentro da Diretoria de Gestão de Despertos. Além disso, a notícia tinha acabado de chegar…
Notando o olhar cético, Song Jo-heon suspirou suavemente para efeito.
— Um camarada que lutou ao nosso lado voltou das portas da morte. Como eu não iria correr para cá? Devo estar ficando velho. Haha.
— Haha…
O caçador riu sem alma, olhando de relance para Song Jo-heon enquanto pegava o copo de papel que havia caído.
“Onde diabos ele ouviu isso?”
Apesar do olhar desconfiado, Song Jo-heon continuou sorrindo tranquilamente. Bateu a bengala no chão uma vez.
— Boa postura… como um talento da Diretoria. Mas não fique tão desconfiado.
— Como?
— Já ouvi tudo. Sim, vindo de uma pessoa que você também conhece.
Song Jo-heon piscou de forma brincalhona. As rugas ao redor dos seus olhos se dobraram de forma agradável. Ao mesmo tempo, a pressão sutil que ele vinha exercendo desde que entrou diminuiu ligeiramente. O caçador forçou um sorriso, enxugando uma gota de suor frio na têmpora.
Despertos que emergiram dentro de meio ano desde o Dia da Fenda agora eram categorizados como Despertos precoces ou Despertos de primeira geração. Eles foram os primeiros a descobrir suas habilidades e lutar contra monstros na linha de frente e atacar masmorras num período de caos e desinformação.
Onze anos haviam se passado desde então, e a maioria dos Despertos de primeira geração estava morta ou ferida demais para continuar suas atividades, exceto por alguns poucos selecionados.
O homem parecido com um tigre observava o caçador com um sorriso gentil. Sua voz baixa e rouca sussurrou suavemente.
— Não ouvi os detalhes… mas quero ouvir mais.
Song Jo-heon era um desses raros indivíduos. Ele fundou a primeira guilda da Coreia, Samra, que ainda administra com tranquilidade, e apesar de sua meia-idade, seu ranking crescente o tornava um exemplo entre os caçadores.
Song Jo-heon esfregou o cabo da bengala com o polegar.
— Isso mesmo. Me conte tudo devagar. Não precisa se preocupar.
O caçador de repente se perguntou por que havia duvidado dele. Song Jo-heon não deu entrevistas sobre J em documentários? Se não pudesse confiar em alguém como Song Jo-heon, em quem poderia confiar? O caçador se endireitou e assentiu devagar, deixando de lado o copo de papel.
— Sim, entendido. O que gostaria de saber?
— Hmm.
Com a suspeita sumida de seus olhos, Song Jo-heon assentiu satisfeito.
— Quero saber mais sobre o retorno de J…
Seu olhar afiado se voltou para o monitor.
— Ele realmente disse isso pessoalmente? Alguém realmente o viu vivo?
— Sim, segundo o Líder de Equipe Jung Bin. Mas nem ele o encontrou diretamente; ele ouviu de Hong Ye-seong. Parece que Hong Ye-seong foi quem se encontrou com ele…
— Onde está Jung Bin agora?
— Se recuperando na Guilda Seowon.
— Posso me encontrar com Hong Ye-seong em particular?
— Isso seria um pouco difí…
Antes que o caçador pudesse terminar a frase, Song Jo-heon esfregou a bengala de novo. Os olhos do caçador ficaram vidrados. Enquanto engolia em seco e abria a boca de novo,
— É possível…
BANG—!!
— Ah!
Uma explosão alta rasgou pelo alto-falante. Gritando instintivamente, o foco do caçador voltou. Ele checou rapidamente o monitor.
Tudo estava como antes, exceto por uma tela. Era a sala de interrogatório onde Lee Sayoung estava sendo mantido.
Ele havia chutado a mesa de metal para o canto da sala e agora dobrava as pernas com calma. O centro da mesa estava amassado. O caçador segurou a cabeça.
— Bem quando pensei que ia ficar quieto por uma vez…
Song Jo-heon estalou a língua.
— O Lee Sayoung está no ataque de novo. Você tem um trabalho difícil.
O caçador, ainda segurando a cabeça, se levantou com um rosto sombrio e pegou uma máscara de gás.
— Desculpe, Caçador Song Jo-heon. Tenho que ir.
— Vá. É melhor parar antes que piore.
— Sim, sim. Obrigado pela compreensão!
Curvando a cabeça rapidamente, o caçador saiu correndo da sala de monitoramento. Sozinho, Song Jo-heon empurrou a cadeira para o lado com a bengala e ficou de pé diante do monitor. Segurando o cabo da bengala com força, ele encarou a tela sem nenhum traço de sorriso.
Lee Sayoung estava de volta na cadeira de metal, cruzando as pernas de novo. Inclinando-se um pouco para frente, ele olhou para cima. Seus olhos violetas fixaram diretamente na CCTV, como se estivesse atravessando até Song Jo-heon na sala de monitoramento. Seus lábios se curvaram suavemente. Lee Sayoung articulou silenciosamente.
— Não do jeito que você quer.
Os lábios de Song Jo-heon se torceram ferozmente.
— Seu moleque…
Eles se encararam por um longo momento. Eventualmente, o monitor mostrou o caçador, que havia saído correndo, irrompendo na sala de interrogatório de Lee Sayoung, ofegante. Ele voltou o olhar para o caçador como se nunca tivesse olhado para a CCTV. Observando isso, Song Jo-heon tirou o celular. Um breve tom de discagem terminou quando alguém atendeu.
— Aqui é Song Jo-heon.
Seu rosto estava tão frio quanto sempre esteve, sem nenhum dos sorrisos de antes.
— Vamos nos encontrar o quanto antes.
O homem deu uma última olhada nos monitores antes de sair da sala sem hesitação. O som de seus passos foi desaparecendo.
***
A rua escura estava iluminada apenas pelas luzes de poste tremeluzentes. Não era um beco movimentado para começar, mas hoje estava especialmente silencioso.
Cha Eui-jae aumentou um pouco mais o volume da TV e reproduziu um vídeo ASMR de cortar cebolinha no celular, colocando-o no balcão. Os pequenos sons preenchiam a loja, tornando tudo um pouco mais suportável.
Depois de um tempo, Cha Eui-jae tirou as luvas de borracha molhadas e as pendurou num clipe, olhando de relance para a porta pelo canto do olho. Já fazia alguns dias desde que Seo Min-gi havia visitado, e ainda não havia notícia daqueles que haviam entrado na masmorra erodida com ele.
É compreensível que Jung Bin não saiba sua identidade, e que Hong Ye-seong esteja ocupado e não venha com frequência, mas tem algo a coletar dele. Cha Eui-jae encarou o teto.
“Ele disse que levaria uma semana para fazer, mas que mentira…”
“Quanto tempo você acha que vai levar? Uma semana, no máximo. Vou mandar para o Kkokko assim que estiver pronto.”
O que ele estava esperando era uma máscara.
Qual era o sentido de anunciar o retorno de J se a Diretoria não tinha intenção de revelar isso, e ele não podia começar a agir sozinho sem a máscara? Cha Eui-jae rangeu os dentes enquanto tirava o avental.
“E por que o Lee Sayoung também não entra em contato comigo?”
Será que a Diretoria estava o segurando e não liberava, ou será que outra coisa havia surgido? Cha Eui-jae suspirou enquanto desamarrava as tiras bem apertadas do avental.
Ele também estava curioso sobre o conteúdo do fragmento que Yoon Ga-eul havia encontrado, mas ela também não tinha aparecido. Embora ele soubesse qual escola ela frequentava, era uma escola feminina, então visitar estava fora de questão.
Naquele momento,
Cha Eui-jae de repente olhou para cima. Ele sentiu uma presença familiar na porta. Sem pensar mais, correu da cozinha, pelo corredor, até a porta, e a empurrou sem hesitar.
— Ei, você…!
Mas o beco continuava tão vazio como sempre. Cha Eui-jae olhou ao redor, depois para baixo. Ele se perguntou por que não tinha notado antes — havia um grande vulto negro perto da porta, lembrando a caixa em que Kkokko estivera da vez anterior.
Era Lee Sayoung.
Usando uma máscara de gás e um casaco preto, Lee Sayoung estava agachado perto da porta, parecendo bem lastimável. Cha Eui-jae ficou sem palavras, olhando para o céu, depois de volta para Lee Sayoung, que continuava imóvel.
Saindo cuidadosamente da loja, o ar noturno gelado tocou seu rosto e cabelo. Cha Eui-jae encarou o cabelo cacheado e a cabeça de Lee Sayoung, então se agachou ao lado dele.
— …
— …
Em algum lugar, um gafanhoto cantava. Ainda fazia frio, mas já havia gafanhotos. Cha Eui-jae revirou os olhos e olhou de esguelha para Lee Sayoung. Ele permaneceu em silêncio. O céu noturno, em vez de lua e estrelas, redemoinhava com buracos negros, e uma formiga gorda rastejava entre as rachaduras dos blocos da calçada.
Quando eles iriam tirar aquilo? Uma faixa levemente desgastada de “Parabéns pelo Despertar” balançava suavemente com a brisa. Cha Eui-jae, absorvendo os arredores familiares e comuns, murmurou.
— Por que você está sentado aí desse jeito?
— Só.
A resposta veio surpreendentemente rápido, dado o silêncio anterior. Só, uma ova. Cha Eui-jae se levantou com um grunhido. Ficou de pé diante de Lee Sayoung e bateu com a ponta do tênis nas botas negras dele. Lee Sayoung levantou a cabeça devagar.
Cha Eui-jae, com uma mão ainda no bolso do avental, estendeu a outra.
— Levante-se. Suas articulações do joelho vão ceder.
— …
As lentes da máscara de gás fitaram a mão. Cicatrizes finas na palma firme brilharam com uma corrente dourada fraca. Cha Eui-jae balançou a mão uma vez.
— Segure logo. Preciso fechar a loja.
Apesar disso, Lee Sayoung continuou sentado, chegando até a se acomodar mais no chão. Não ia se levantar? Quando Cha Eui-jae estava prestes a retirar a mão, uma luva de couro fria a segurou com firmeza. Antes que Cha Eui-jae pudesse se preparar, a mão negra o puxou para frente com força.
Cha Eui-jae perdeu o equilíbrio e tropeçou para frente, seus olhos se arregalando. A porta de ferro se aproximava rapidamente.
“Esse cara está retribuindo bondade com hostilidade?”
Antes que a indignação chegasse à sua cabeça, e antes que ele pudesse se apoiar com a mão que havia colocado no bolso, algo agarrou firmemente sua cintura e o puxou de volta. No momento seguinte,
— …
Cha Eui-jae se viu firmemente abraçado num peito sólido, agora familiar.
↫。。⛧ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna,Flower&Yuki