The Hunter’s Gonna Lay Low (Novel) - ↫─☫ Episódio 94
𓆰𓆪Episódio 94𓆰𓆪: O Retorno
Um fragmento do mundo, um pedaço de um mundo que havia encontrado seu fim, mostrando um reflexo como de espelho daquele mundo destruído.
Mas os fragmentos não deveriam aparecer apenas nos sonhos de Yoon Ga-eul? Por que um pedaço do mundo passado saiu do mestre da masmorra reestruturada? Yoon Ga-eul colocou o fragmento no bolso da calça de pijama e gritou lá de cima.
— Ei, posso dar uma olhada mais de perto?
Uma masmorra cujo mestre morreu entra em um período estável até que um novo mestre a regenere, tornando fácil a coleta de recursos e a investigação. Então, dar uma olhada mais de perto não seria muito perigoso. Parecia que Lee Sayoung fez o mesmo julgamento, pois assentiu.
— Faça como quiser.
— Sim! Vou ter cuidado!
Yoon Ga-eul desapareceu de volta para dentro do golem. Cha Eui-jae observou em silêncio Lee Sayoung apoiado nele. Sayoung fitava as ruínas com o olhar vago. Logo, como se sentisse o olhar de Cha Eui-jae, ele virou a cabeça.
— O que foi?
— Nada… Você sabe o que Ga-eul estava segurando?
Já que os rankers compartilhavam informações sobre o apocalipse, Lee Sayoung também devia saber algo a respeito. Talvez ele soubesse mais sobre os fragmentos. Cha Eui-jae fingiu ignorância e perguntou, e Lee Sayoung estreitou os olhos.
— Ga-eul?
Ah, não. O jeito como ele repetiu a pergunta fez Cha Eui-jae perceber que havia cometido um erro. Enquanto Cha Eui-jae rangia os dentes secretamente, Lee Sayoung murmurou preguiçosamente.
— Eu nem sabia o rosto ou o nome daquela garota, mas você a chama pelo nome. Vocês parecem muito próximos. Não é?
— A gente não é próximo, droga. A gente não é próximo.
— Devo acreditar nisso?
— Sim. Eu sou mais próximo de você do que dela. Então cale a boca.
Cha Eui-jae estendeu a mão para cobrir os olhos de Lee Sayoung e o empurrou para trás. Ele resmungou emburrado enquanto era empurrado.
— Por que as pessoas se aglomeram em torno de você mesmo quando você está só parado…
— Enfim, você sabe o que era aquela coisa brilhante?
— Hã? Ah…
Cha Eui-jae sentiu a sensação de globos oculares se movendo sob as pálpebras que tocavam sua palma, como se ele revirasse os olhos. Fez cócegas, dando vontade a Cha Eui-jae de afastar a mão.
— Acho que já ouvi falar disso… Hã, não consigo lembrar.
— …
— Não sei, esse tipo de coisa.
Ele lembrava de cada mínima coisa e guardava rancor de cada uma delas, mas afirmava não se lembrar de algo tão importante? Independentemente da expressão incrédula de Cha Eui-jae, Lee Sayoung apenas deu de ombros. Seu rosto descarado sugeria que insistir mais seria inútil.
Cha Eui-jae apoiou o queixo e suspirou suavemente.
“Seria melhor perguntar diretamente à Ga-eul.”
— Como eu disse antes…
— Hm?
— Você não precisa saber de tudo.
Antes que ele percebesse, Lee Sayoung o fitava diretamente.
— Saber significa se responsabilizar por aquilo.
— …
— Fico me perguntando se você está pronto para isso, Hyung…
Cha Eui-jae, fitando a crosta negra nos lábios pálidos, perguntou de repente.
— E você?
— Hã?
— Você está pronto?
— Claro.
A resposta veio sem hesitação. Lee Sayoung abriu um sorriso largo, exibindo-se.
— Estou pronto há muito tempo… só esperando o dia de assumir a responsabilidade.
— …
Os dedos negros arranharam gentilmente sua palma e depois se afastaram. Cha Eui-jae inconscientemente cerrou a mão.
— Então, você pode… ser um pouco mais egoísta.
— …
Cha Eui-jae abriu a boca ligeiramente, depois a fechou. Qual era a fonte profunda daquela confiança insondável? Lee Sayoung bateu de leve na crosta em seus lábios, torcendo-os.
— Só não me toque desse jeito.
Está bem, então.
Um dia, ele beberia o sangue de Lee Sayoung e não mostraria reação alguma. Alguém tão profundamente desconfiado da humanidade quanto Lee Sayoung precisava ter seus maus hábitos arrancados por meio de medidas extremas.
Rangendo os dentes por dentro, Cha Eui-jae se levantou e saiu a passos largos. Em vez de discutir com aquele cara até a cabeça explodir, ele achou melhor verificar mais uma vez o estado de Jung Bin.
Jung Bin estava deitado sobre o tapete prateado, as mãos cuidadosamente cruzadas. Embora seu braço direito estivesse imobilizado com tala e enfaixado, o trabalho estava um tanto malfeito. Deitado de lado ao lado dele, como se estivesse na margem do Rio Han, Hong Ye-seong tirou os fones de ouvido sem fio e ergueu os olhos.
— Ah, Secretário Kim. Terminou a briga de casal?
— Estou segurando uma lança.
Cha Eui-jae empurrou a lança na direção de Hong Ye-seong, que tagarelava descaradamente.
— Quem estava flertando e implicando primeiro? Eu só estava tendo consideração.
— Droga, você é cego… Ah, certo.
Cha Eui-jae vasculhou seu inventário e sacou uma pedra mágica redonda. Hong Ye-seong, que avistou a pedra, ficou boquiaberto e então endireitou a postura. Ele se ajoelhou, estendendo as mãos.
— Uma pedra mágica!
— Vamos encerrar nosso acordo com isto. Não venha me procurar de madrugada de novo.
— E a sopa da ressaca?
— Peça para embalarem para viagem.
— Ah, eu queria experimentar.
Resmungando, Hong Ye-seong agitou as mãos como se apressasse. Justo quando Cha Eui-jae ia colocar a pedra mágica em suas mãos, ele a puxou de volta. Os olhos de Hong Ye-seong se arregalaram.
— O quê, o que é isso? Por que puxou de volta?
— Como eu ainda não te dei, não é puxar de volta. Enfim, me faça mais um favor.
— O que é?
Cha Eui-jae se agachou para ficar no nível dos olhos de Hong Ye-seong e sussurrou, cobrindo a boca com uma das mãos.
— Responda baixinho para que ninguém escute. Faça uma máscara para mim em troca da pedra mágica.
— Uma máscara?
— Sim. Uma que cubra o rosto inteiro, mude a voz, permita respirar confortavelmente e não atrapalhe a visão. Nada de design vistoso.
Cha Eui-jae listou os requisitos cuidadosamente, dobrando um dedo a cada um. Hong Ye-seong coçou a cabeça e disse sem rodeios.
— Isso é basicamente pedir uma máscara do J. Você vai se revelar?
— …Hã?
Seus olhos se encontraram. Os olhos límpidos de Hong Ye-seong cintilavam intensamente. Cha Eui-jae inconscientemente abriu um pouco a boca.
E-esse cara…
Hong Ye-seong piscou, inclinando a cabeça.
— Ah, espera. Isso é uma quebra do nosso contrato? Mas eu não fui atrás de propósito, só percebi. Isso não é quebra, né? Eu tentei tanto não me interessar.
Como ele sabia?
Naquele momento, um contrato rabiscado de qualquer jeito com pincéis embebidos em tinta relampejou em sua mente.
[Cláusula 1 do contrato entre Hong Ye-seong e Secretário Kim.]
[O excêntrico Hong Ye-seong não deverá ser curioso a respeito, nem investigar o Secretário Kim, a quem conheceu hoje. Ele não deverá tentar investigar seus antecedentes. Isso também se aplica a outros que ele por ventura venha a instruir a fazê-lo.]
Droga. O contrato foi feito inteiramente para impedir Hong Ye-seong de investigar seus antecedentes. Claro. Até algumas horas atrás, ele não esperava entrar em uma masmorra com Hong Ye-seong!
Hong Ye-seong era mais perspicaz do que ele imaginava, e tinha exibido suas habilidades demais. Cha Eui-jae cerrou o punho inconscientemente. Será que apagamento físico de memória funcionaria nesse cara?
Então, Hong Ye-seong se espreguiçou e respondeu.
— Bem, fazer uma máscara é fácil, então não se preocupe. Só me dê logo a pedra!
— Fácil?
— Quanto tempo você acha que vai levar? No máximo uma semana. Mando pelo Kkokko assim que ficar pronta.
Hong Ye-seong piscou e fez um sinal de positivo, adotando a mesma pose da foto no banner da Exposição de Artesãos. Isso incutiu uma estranha sensação de confiança.
Cha Eui-jae enfiou a pedra mágica nas mãos do melhor artesão do mundo. Hong Ye-seong guinchou como um macaco, eufórico. Depois de um tempo, ele gritou para Yoon Ga-eul.
— Ei! Estudante! Tem alguma pedra mágica aí? Um monstro tão forte deve ter umas boas!
— Pedras mágicas? Uh, como elas são?
— Geralmente redondas assim… Eh, eu mesmo vou lá procurar.
Hong Ye-seong correu em direção ao golem. Ele grudou nele como um sapo e começou a escalar. Observando suas costas inocentes, Cha Eui-jae sentiu uma vaga inquietação.
…Ele já não sabe de tudo a essa altura? Com uma expressão constrangida, Cha Eui-jae bagunçou o cabelo. Lee Sayoung, que havia se aproximado por trás, falou languidamente.
— Você não veio aqui com um propósito também?
— Hã? É.
Depois que a agitação diminuiu, o propósito de sua visita a este lugar voltou à mente: investigar a masmorra erodida. Este lugar se parecia tanto com a Fenda do Mar Ocidental quanto com o mundo que enfrentou o apocalipse. Certamente estaria relacionado a um deles.
Além disso, o mestre da masmorra reconstruída, que havia reagido ao título de Cha Eui-jae, possuía um fragmento do mundo que Yoon Ga-eul havia recuperado de seus sonhos.
De fato, parecia que a própria presença de Cha Eui-jae era o gatilho…
Justo quando Cha Eui-jae ia mergulhar mais fundo em seus pensamentos,
— Cocoricó!
— Uau!
Kkokko soltou um cocoricó alto e decolou do golem, batendo as asas. Yoon Ga-eul e Hong Ye-seong estavam pendurados, cada um em um dos pés de Kkokko.
O voo, que parecia perigosamente perto de terminar em queda, felizmente concluiu-se em segurança. Embora Hong Ye-seong tenha caído de cara no chão. Yoon Ga-eul, com o rosto corado, tirou o fragmento do bolso.
— Olha isto, o fragmento!
O caco branco tinha alguns fios de luz negra girando ao seu redor. Yoon Ga-eul explicou rapidamente,
— Esta é a primeira vez que encontro um fragmento fora de um sonho. Nenhuma outra masmorra erodida teve fragmentos aparecendo também. A diferença desta masmorra é…
Enquanto o olhar de Yoon Ga-eul percorria os arredores em ruínas, ele encontrou brevemente o de Cha Eui-jae antes de rapidamente se desviar como se tivesse se queimado. Ela parecia ter o mesmo pensamento.
A masmorra erodida, reestruturada em resposta a Cha Eui-jae, tinha um interior e monstros que lembravam uma paisagem apocalíptica.
No cerne de todas essas questões estava Cha Eui-jae.
Deveria ele compartilhar essa informação? Havia conexões demais entre o apocalipse e a Fenda do Mar Ocidental para ele lidar sozinho. Yoon Ga-eul murmurou de forma constrangida,
— Primeiro, vamos discutir isso lá fora, já que é perigoso aqui…
Cha Eui-jae assentiu levemente e acrescentou,
— E assim que sairmos, as autoridades provavelmente vão nos interrogar, então vamos alinhar nossas versões aqui. Conte a Jung Bin quando ele acordar.
— O que eu devo contar a ele?
Yoon Ga-eul perguntou, o rosto tenso. Cha Eui-jae puxou o capuz que havia escorregado fazia tempo e virou-se de costas para Yoon Ga-eul e Hong Ye-seong. Atrás dele, Lee Sayoung estava esperando.
Cha Eui-jae fitou Lee Sayoung em silêncio. Ele relembrou a primeira vez que se encontraram, o momento em que fizeram um contrato, cumprir o pedido de Lee Sayoung, visitar a Exposição de Artesãos juntos e a vez em que Lee Sayoung desabou. Ele também lembrou de segurar Lee Sayoung caído, impotente para fazer qualquer coisa.
Pensando bem, Lee Sayoung estivera presente em cada momento desde a Fenda do Mar Ocidental.
Cha Eui-jae agora sabia que, se Lee Sayoung o chamasse, ele viria imediatamente. E se Cha Eui-jae chamasse, Lee Sayoung também viria. Tempo suficiente havia se passado, e confiança suficiente havia sido construída. Para Cha Eui-jae, que havia perdido tudo e estava reconstruindo sua vida do zero, essa confiança era tão profunda quanto o oceano.
Saber que havia alguém esperando por ele era uma alegria que compreendia melhor do que ninguém, e ele não podia ignorá-la.
Cha Eui-jae deu um passo em direção a Lee Sayoung, mantendo contato visual, e disse,
— Diga a eles que J voltou.
Lee Sayoung sorriu como se estivesse esperando por isso.
* * *
↫。。⛧ Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna,Flower&Yuki