The Hound Behind The Mask (Novel) - ↫─Capítulo 06
↫─Capítulo 06
Foi apenas quando despertou completamente que percebeu que já passava do meio-dia. Jaeha, com olhos vagos, encarava a luz do sol da tarde que atravessava o tecido da cortina, em vez das cortinas blackout, sentindo-se levemente confuso.
— Que horas são, afinal…
As coxas latejavam, doloridas. No peito esquerdo, havia até marcas de dentes. Ao notar o estado do próprio corpo, soltou uma risada incrédula e levantou o tronco lentamente.
Sentiu que algo estava errado, mas logo percebeu que o lugar onde acordara era o seu próprio quarto, onde não entrava há anos. Até antes de ser arrastado para o banheiro por Jang Taegun naquela manhã, ele estava no quarto dele, mas enquanto piscava os olhos sonolentos tentando entender o motivo da mudança, surgiu o pensamento repentino de que a cama de Taegun poderia ter se tornado inutilizável.
Assim que essa suposição lhe ocorreu, o rosto de Jaeha avermelhou. Não havia ninguém no quarto, nem sobre a cama, mas Jaeha pensou que, de alguma forma, seria difícil encarar o rosto de Taegun novamente.
Mesmo assim, ele não poderia deixar de procurar alguém que dormia ao seu lado e que agora havia desaparecido, então Jaeha se levantou lentamente.
— Ah, ugh…
Embora sair da cama fosse uma tarefa extremamente difícil. Suas pernas tremiam e a pélvis, que estivera aberta, doía a cada passo com algo que ia muito além de uma simples dor muscular.
Sendo um alfa com pouca flexibilidade e um quadril estreito, deveria ter sido difícil receber o membro de Taegun; tendo passado a noite toda fazendo aquilo, e não apenas uma ou duas vezes, não era para menos. Jaeha balançou a cabeça negativamente e dirigiu-se ao closet anexo ao quarto.
Como tinha enviado todas as suas coisas para Pyeongchang-dong antes da separação, ele achou que não teria roupas para vestir, mas, inesperadamente, havia peças que serviam em seu tamanho.
Sem energia para procurar roupas íntimas, Jaeha apenas vestiu uma calça confortável de ficar em casa e uma camiseta de manga comprida de algodão macio, passando a mão na testa para afastar a franja.
Talvez estivesse na hora de cortar o cabelo, pois os fios desgrenhados pinicavam seus olhos, causando coceira. Jaeha saiu do quarto, esforçando-se para caminhar devagar. Assim que chegou à sala, viu Taegun, sem camisa e vestindo apenas uma calça de moletom preta, fazendo flexões.
Ele não usava as duas mãos, mas apoiava apenas uma no chão e, ao completar um certo número, trocava de mão. Jaeha ficou um pouco exausto só de olhar.
Ele mesmo não ficava atrás de ninguém em termos de resistência física, mas parecia que Jang Taegun estava em outro nível. Como se sentisse a presença de Jaeha, Taegun levantou-se, pegou uma toalha que estava jogada de qualquer jeito no chão para limpar o suor e caminhou até ele.
— Vamos comer.
Apesar de dizer para comer, sua atitude foi apenas dar um beijo na bochecha de Jaeha. O calor e o feromônio fraco emanados pelo alfa que acabara de se exercitar pareciam se depositar sobre a pele de Jaeha.
Ele não conseguia afastar o pensamento de que Taegun havia deixado seu feromônio ali de propósito. Jaeha perguntou, um pouco confuso:
— Por que o feromônio…
— É para marcar território. Vou tomar um banho, sente-se, vamos comer.
Dito isso, passou por ele e entrou no banheiro do primeiro andar. Jaeha olhou para suas costas enquanto se afastava, massageou a nuca levemente corada e dirigiu-se à cozinha.
Na cozinha, a comida já estava pronta, só faltava montar a mesa. Havia sopa de algas com filé de linguado, tempero de plantas bangpung, carne bovina cozida com molho de soja e enguia grelhada.
Jaeha tentou ignorar a parte inferior do corpo que tremia um pouco, colocou os acompanhamentos nas tigelas sobre a ilha da cozinha e, ao tentar servir a sopa, hesitou. Como iria esfriar, seria melhor transferir depois que Taegun saísse. O mesmo valia para o arroz.
Ficou ali sentado, sem nada para fazer, encarando a cadeira diante da mesa de jantar. Pensando bem, que dia era hoje? Desde que fora trazido após o funeral, passara mais de um dia inteiro apenas na cama, então seu senso de tempo estava nublado.
Estando sozinho, seus pensamentos se multiplicaram. Principalmente sobre Kim Ranhee. O objetivo de transformá-lo em ômega era óbvio. Ela provavelmente queria colocar Lee Jaeho na primeira posição da sucessão empresarial. Ainda assim, dopar sua comida por anos com substâncias que alteravam o fenótipo para ômega… era terrível.
Se perguntasse a Taegun, ele contaria os detalhes, mas Jaeha não queria saber mais nada.
Na verdade, Lee Jaeha nascera como alfa e crescera como alfa, desfrutando naturalmente das peculiaridades da classe dominante, mas sua personalidade não era do tipo que se apegava a isso.
Mesmo quando foi sequestrado anos atrás, o fato de ter se arriscado a ser estuprado para ficar em silêncio conforme o treinamento, era parte dessa mesma personalidade.
O que poderia quebrar o espírito de Lee Jaeha não era uma mudança de identidade. As pessoas se machucam por aquilo que valorizam. Para Lee Jaeha, o fato de ser um alfa dominante não importava.
Não havia motivo para ficar deprimido com o que já tinha acontecido. Como nem tinha ido ao hospital para um exame, ele não sabia exatamente qual era seu estado. Portanto, não havia necessidade de se preocupar antecipadamente.
No entanto, ele não era um bobo que deixaria a ofensa passar em branco. Lee Jaeha ficou sentado em silêncio, ponderando sobre que tipo de punição deveria aplicar a Kim Ranhee.
Ela era atualmente a esposa de Lee Ikhyung e a mãe biológica de Lee Jaeho, que fora registrado como irmão mais novo de Lee Jaeha. Lee Ikhyung não tinha nada a ver com isso, mas Lee Jaeho era um pouco complicado.
Era evidente que Lee Jaeho não sabia o que Kim Ranhee tinha feito. Se soubesse, dada a sua personalidade, não teria como esconder. Talvez ele tenha descoberto mais tarde, mas na época em que tudo aconteceu, ele não sabia.
Embora se diga que até mesmo a ignorância é um pecado, Jaeha não queria usar um critério tão rigoroso com Lee Jaeho.
Por isso, o dilema era como tratar Kim Ranhee. Sendo a mãe biológica de seu irmão, ele não sabia exatamente até que ponto deveria destruí-la.
Isso talvez fosse ainda mais infeliz para ela. O golpe desferido após uma deliberação cuidadosa, sem estar sob o efeito da raiva, é sempre mais pesado. Quando Lee Jaeha estava imerso nesses pensamentos, algo frio tocou sua nuca. Eram lábios.
— Ah…
— Pedi para você ficar parado e você preparou a comida novamente. Onde, afinal, você quer que eu te sirva?
— Não servi o arroz e a sopa. Taegun, por favor, traga-os.
— Só isso? Diga mais. O que quer que eu faça?
Taegun, com um sorriso de canto de boca, segurou o queixo de Jaeha, que se virara para ele, e abaixou a cabeça. Antes mesmo de os lábios se tocarem, Taegun, com a língua levemente para fora, empurrou um pedaço de carne fria entre os lábios de Jaeha.
— Mmm…
Um gemido escapou de seus lábios involuntariamente. Seu peito formigava. Pensando que aquilo já era um reflexo automático, ele suspirou apenas em pensamento.
Taegun desceu uma das mãos e massageou as nádegas de Jaeha.
— Precisamos comprar um colchão. Se jogarmos aquele fora, ninguém nem vai querer pegar como sucata.
— Ficou tão sujo assim?
— Sim. Você gozou por dentro. Se eu tivesse penetrado um ômega, teria quantidade suficiente para engravidar. Está frustrado?
Taegun perguntou com uma voz grave. Jaeha, que piscava os olhos confuso com o leve cheiro de mar que emanava dele, perguntou:
— Frustrado com o quê?
Com a pergunta de Jaeha, Taegun soltou uma risada curta. Como era um riso que dobrava até os cantos dos olhos, Jaeha percebeu que ele estava se divertindo. O que era tão divertido? Ele ficou curioso, mas como o que era bom para Taegun era bom para si mesmo, Jaeha sorriu levemente acompanhando-o.
— Já que vamos jogar fora de qualquer jeito, não quer fazer mais uma vez antes de sair?
— Não aguento mais.
Ao ver Jaeha responder com uma firmeza rara, Taegun estalou a língua em desapontamento, encostou o membro já ereto nas costas de Jaeha, esfregou-o suavemente e passou pela mesa de jantar em direção ao fogão onde a panela estava.
Como o seu próprio corpo também reagira, Jaeha, sentindo-se um pouco embaraçado, levantou-se e pegou os talheres. Taegun, que se virou ao ouvir o som enquanto servia a sopa, estalou a língua.
— Deixe que o criado faça isso. Você não me dá tempo de cuidar de você.
— Quem fez a comida?
— A criada, estava muito ocupada. Eu queria ter feito pessoalmente, mas mandei aquele idiota do Myeongsun preparar o arroz e só fiquei dando ordens ao lado. Por quê? Quer comer algo que eu mesmo fiz?
Jaeha, que estava ouvindo Taegun enquanto se apoiava na mesa após colocar os talheres, soltou uma risada. Achou engraçado que ele dissesse que a criada faria, mas Myeongsun tinha preparado a comida.
Assim que ele riu, Taegun, que se virou para não perder a chance, deixou as tigelas de sopa sobre a mesa e se aproximou de Jaeha, colando os lábios nos dele. Preso de repente entre a mesa e Jang Taegun, Jaeha não teve escolha a não ser apoiar-se nos ombros dele. Taegun não apenas o pressionou, como, para piorar, usou as duas mãos para se apoiar na mesa atrás de Jaeha, deixando-o sem qualquer possibilidade de movimento.
— Mm, mmm…
A língua insistia em explorar sua boca. Toda vez que a ponta firme raspava o céu da boca, os músculos das coxas de Jaeha se retesavam, temendo que aquilo fosse um pedido para abrir as pernas. Entre tentar acalmar os músculos que insistiam em ficar tensos e aguentar Jang Taegun, que explorava sua boca como se o perseguisse, gemidos escapavam involuntariamente.
Jang Taegun, mantendo os lábios colados como se quisesse apenas deixar Jaeha respirar, recolheu a língua e soltou um suspiro curto.
— Ha, deveria ter chupado mais lá atrás. Já sinto tanta saudade do gosto do seu fluido que acho que nem vou conseguir comer.
— Sério, Jang Taegun.
Jaeha chamou seu nome em voz baixa. Taegun, ainda com os lábios colados, levantou o canto da boca. Isso pôde ser sentido através do contato dos lábios. Quando ele riu, Jaeha não teve escolha a não ser rir também.
Depois de afastar os lábios, Taegun puxou a cintura dele, colando o baixo ventre aos seus quadris, e com a outra mão afastou a franja de Jaeha. Ele sentiu que deveria ter vestido roupas íntimas, o que o deixou inquieto. Com o corpo colado, o membro pesado de Taegun encostava exatamente sobre o membro de Jaeha, que vestia apenas a calça fina de ficar em casa.
No entanto, o gesto de afastar seu cabelo era apenas carinhoso. Entre os dedos longos e cheios de cicatrizes, os cabelos castanhos de Jaeha roçavam.
— Onde você corta o cabelo?
— Ah, costumo ir a um lugar fixo. Desde que trabalhava na sede, continuo frequentando o lugar que o chefe da secretaria me recomendou na época. …E você, Taegun?
Jaeha também estava curioso sobre ele. O comprimento do cabelo de Taegun era irregular. Quando se conheceram, era um pouco curto.
No casamento, ele usava o cabelo arrumado, com a franja para trás, o que deixava em evidência as sobrancelhas grossas e a arcada superciliar firme, fazendo com que ele não parecesse apenas “bem arrumado”, mas que, à primeira vista, ele só pudesse pertencer àquele submundo.
No funeral de Jang Changsik, o cabelo atrás estava comprido o suficiente para cobrir a nuca, e a testa revelada pelo cabelo para trás dava um aspecto refrescante e bonito. Não parecia tão rude quanto antes e, apesar de comprido, o cabelo estava bem cuidado. Ainda assim, a atmosfera afiada não podia ser escondida.
Se fosse para descrever, se o Jang Taegun do casamento era como uma lâmina de machado pesada, o Jang Taegun do funeral era como uma espada longa, forjada milhares de vezes por um mestre e resfriada em água de poço gelada.
Como não passara muito tempo desde o funeral, o cabelo de Taegun estava bastante comprido. Mesmo durante o sexo, seu cabelo muitas vezes cobria a virilha, causando cócegas.
— O Myeongho corta o meu.
— O nome do barbeiro é Myeongho?
Ao perguntar confuso, Jang Taegun, com os olhos levemente semicerrados por um motivo desconhecido, beijou vários pontos do rosto de Jaeha, respondendo fielmente à sua pergunta.
— Aquele sujeito que ficava guardando o lugar onde o Sr. Changsik vivia quando o Sr. Lee Jaeha morava lá. O nome dele é Kim Myeongho. Dizem que ele era barbeiro militar.
Jaeha, não sabendo se deveria se surpreender com o jeito que ele se referia à casa do avô como “a casa do Changsik” ou com o fato de que o homem que guardava a garagem do anexo com cara de poucos amigos era um ex-barbeiro militar, calou-se e apenas balançou a cabeça.
Então, impulsivamente, perguntou:
— Então… da próxima vez, podemos cortar no lugar onde eu vou?
Às palavras de Jaeha, os olhos de Taegun, que estavam sonolentos, ficaram levemente mais nítidos. Jang Taegun abraçou Jaeha e esfregou o quadril, que já estava colado, mais uma vez.
— Ótimo, porra. Tão ótimo que eu gozei de novo.
Com isso, Jaeha olhou para baixo sem querer. Sem precisar confirmar visualmente, a área ao redor de seu membro, que não vestia roupas íntimas, começou a ficar úmida. O fluido tinha se transferido devido ao contato das partes dianteiras, já que Taegun havia ejaculado.
Jaeha ficou com uma expressão atônita. Taegun, com uma expressão indiferente, continuou a falar, fingindo-se de coitado.
— Você não vai me abandonar por ser um idiota com ejaculação precoce e tardia, né? Só tente me abandonar, e eu toco fogo na casa dos seus pais e me mato.
— Por que eu abandonaria você, Taegun?
Respondendo perplexo, Jaeha não conseguiu evitar a risada. Ele não conseguia entender em que momento exatamente ele tinha ejaculado.
Então, algo passou por sua mente e ele falou:
— Por acaso… você se segurou porque eu disse que não aguentava mais?
Taegun abraçou Jaeha, enterrou o rosto na nuca dele e, inalando o feromônio de Jaeha, respondeu:
— Mmm, também. Como você disse que não podia, eu me masturbei mentalmente e acabei indo rápido.
Jaeha não entendeu o que aquilo significava. Como alguém poderia se masturbar mentalmente? No que, afinal, ele tinha pensado? Jaeha ia perguntar em que ele pensou, mas se calou.
Apenas segurou o pulso dele e dirigiu-se ao banheiro. Parecia que só poderiam comer depois que ambos tomassem banho. No final, após o ato durante o banho, a sopa que ele tinha servido com tanto cuidado esfriou completamente, não restando outra alternativa senão aquecê-la novamente.
Sentados lado a lado, comeram o café da manhã somente após o horário do almoço. Mesmo durante a refeição, Jang Taegun esticou o pé por baixo da mesa e cutucou a virilha de Jaeha, quase fazendo-o engasgar.
Após a refeição, como dias atrás, escovaram os dentes lado a lado e decidiram sair. Ambos planejavam cortar o cabelo e comprar o colchão.
Pensando que não tinha roupas para sair, a campainha tocou. Em vez de Taegun, que fazia algo no quarto, Jaeha olhou pelo interfone e abriu a porta. Era Myeongsun.
Taegun, que apareceu logo atrás, disse com uma expressão indiferente:
— Abrir a porta assim sozinho sem a sua esposa por perto… é assim que você quer viver? Se alguém perceber que você é lindo, te levar e sumir, eu vou matar o sujeito e acabar na cadeia. Você tem coragem de me visitar na prisão?
— …O que você está dizendo?
Jaeha respondeu perplexo enquanto a porta de entrada se abria e Myeongsun entrava.
— Como vai, hyung, cunhado.
O título estranho e familiar de anos atrás estava de volta. Jaeha não teve escolha a não ser rir. Taegun fez um sinal com a mão para Myeongsun, que entrava carregando três grandes malas.
— Vá embora, rápido. Que falta de noção vir à casa de recém-casados, que inferno.
— Sim, vou apenas deixar isso e ir. Cunhado, estas são as coisas que peguei em Pyeongchang-dong. Por favor, verifique e, se algo estiver faltando, fale comigo ou com Jeonggil.
— Obrigado pelo trabalho, Myeongsun.
Jaeha, que fora até a entrada cumprimentar Myeongsun pelo esforço, sorriu levemente, mas foi puxado pela cintura por Jang Taegun, que o abraçou por trás e reclamou:
— Eu disse para ir embora.
— Sim, já vou agora.
Myeongsun, com um rosto dócil, cumprimentou-o repetidamente e saiu. Após a porta se fechar, Jaeha perguntou a Taegun, que ainda o abraçava:
— Ele se esforçou, podíamos ter oferecido um chá…
— Chá o quê. Park Myeongsun só bebe soju. E além disso, você mostrou sua pele nua para o Myeongsun agora há pouco.
— Minha pele nua?
Ele não tinha se despido, então ficou parado sem entender, até que o olhar de Taegun desceu e pousou nos pés descalços de Jaeha, que calçava apenas chinelos de casa.
Jaeha não conseguiu mais se segurar e riu alto. Ouviu Taegun dizer, indiferente: “Do que está rindo?”, mas não conseguiu conter o riso que explodiu.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna