The Hound Behind The Mask (Novel) - ↫─Capítulo 05
↫─Capítulo 05
Mas aquele momento aconchegante de refeição em família para os dois parecia, pelo menos naquela noite, não ter conexão com o destino.
— …Você está atrasado.
Já passava das 10 horas. Era um horário que poderia ser chamado de lanche da madrugada, mas era tarde demais para realmente chamar de jantar.
Jaeha olhou para a comida disposta na mesa. Parte dela ele mesmo havia preparado.
Coisas como as panquecas finas no prato, ele mesmo havia cozinhado. Myeongsoon havia ajudado, mas parecia ocupado enrolando bolinhos de peixe para a travessa de peixe e dissera para ele cuidar disso.
— Bem, então, divirta-se, Sr. Lee.
Como ele o havia corrigido rapidamente antes que pudesse usar aquele título estranho como “cunhado” ou algo do tipo, a despedida final não pareceu estranha.
O problema era que três horas já haviam se passado desde que Myeongsoon saíra de casa após se despedir daquela forma.
— ……
Ele olhou fixamente para o telefone, perguntando-se se deveria ligar, mas a tecnologia da informação ainda não havia avançado tanto a ponto de permitir fazer uma ligação apenas com o olhar.
Como não podia ligar apenas olhando, tinha que usar as mãos, mas não conseguia nem tentar isso. Faltava-lhe coragem.
Decidiu que esperaria mais uns 30 minutos e então ligaria.
Ouviu a porta da frente chocalhar. Perguntando-se o que seria, caminhou em direção ao corredor que levava à entrada. Então, o som de alguém tateando para digitar a senha no teclado numérico se seguiu, e então a porta se abriu.
— …Diretor Jang?
No momento em que pensou que poderia ser ele e deu um passo mais perto,
o aroma de sal marinho misturou-se com um toque metálico. Antes que pudesse reconhecer totalmente, o desconforto fez sua testa franzir. Era inconfundivelmente o cheiro de sangue.
Jaeha arquejou em choque, mas nenhuma palavra saiu.
A camisa de Taegun estava encharcada. Sua gravata perfeitamente nodosa não estava em lugar nenhum; ele usava apenas o paletó do terno por cima da camisa.
A camisa social branca estava encharcada com manchas de sangue de uma origem desconhecida. Não era sangue seco e crostoso; parecia que algo ainda estava escorrendo. A camisa encharcada de sangue agarrava-se ao seu corpo, revelando o contorno de seu abdômen.
Jaeha murmurou, com o rosto atordoado.
— Que porra é essa…
— Não é tudo sangue meu.
Jang Taegun respondeu casualmente enquanto entrava pela entrada. Ele mudou para os chinelos de quarto e se aproximou de Jaeha, que estava parado ali sem reação.
— Sangue, sangue…
— Esta é a única parte que é minha.
Ele levantou a camisa levemente para mostrar o ferimento. Um corte corria diagonalmente pelo seu abdômen esculpido. Parecia ter pelo menos 12 centímetros de comprimento.
Jaeha arquejou. O sangramento parecia ter parado, mas o ferimento era tão longo que parecia precisar de pontos. Ele se preocupou que deixar aquilo daquele jeito pudesse levar a um choque por perda excessiva de sangue.
— Hospital… precisamos ir ao hospital…
Jaeha se virou e pegou as chaves do carro no console no final do corredor que levava à entrada. Em sua pressa, pegou as chaves do conversível em vez do sedã sem nem perceber.
Ele estava prestes a sair, pensando que deveria pelo menos ligar o motor, quando Taegun agarrou seu pulso e o parou.
Virando-se de surpresa, viu Taegun olhando totalmente perplexo.
— Onde você vai?
— Ao hospital…
— Onde está doendo?
— Não em mim, Diretor Jang…
— Esqueça isso. Venha para dentro. Você acabou de sair do trabalho e já vai sair de novo?
O tom prático de Taegun trouxe Jaeha de volta aos seus sentidos. Talvez o ferimento fosse longo, mas não profundo?
Enquanto pensava isso, Jang Taegun já havia passado por ele e entrado. Jaeha não teve escolha a não ser seguir.
Preocupado por ele estar andando por aí aparentemente bem, chamou por cima do ombro.
— Você deveria pelo menos desinfetar isso.
— É. Vá em frente.
Era o tom que dizia: “Então faça você”. Jaeha mordeu o lábio e tentou se lembrar de onde havia colocado o kit de primeiros socorros.
Myeongsoon definitivamente havia lhe dito onde estava quando se mudaram. Além de medicamentos de emergência, estava cheio de outras coisas, mas ele não havia olhado de perto.
Só agora Jaeha percebeu por que Myeongsoon lhe dissera a localização da caixa no primeiro dia. Ele devia saber que esse tipo de situação poderia acontecer.
“Não estou pensando direito…”
Ele raramente se sentia tão atordoado.
Durante seu mandato como diretor, fábricas na China haviam pegado fogo, protestos trabalhistas estouraram e os preços das ações despencaram por vários motivos.
Mesmo assim, ele nunca havia entrado em pânico. Ele simplesmente agia um pouco mais rápido para lidar com os problemas, sempre respondendo calmamente a tudo.
Esta era a primeira vez que ele ficava tão totalmente atordoado. Temendo que suas mãos pudessem tremer de forma embaraçosa, teve que fechar os punhos.
Ele sabia que o ferimento não era profundo, sabia que ele estava bem o suficiente para entrar andando, mas ainda assim não conseguia evitar o pânico.
Jaeha andou de um lado para o outro várias vezes antes de finalmente se lembrar de onde estava o kit de primeiros socorros.
Ele mal conseguiu voltar à sala com o kit, mas desta vez, Jang Taegun havia sumido. Perguntando-se o que havia acontecido, dirigiu-se ao quarto dele.
Jaeha hesitou antes de entrar no quarto, cuja porta estava entreaberta. Pensando bem, esta era a primeira vez que via o quarto dele desde o casamento.
Embora Myeongsoon não tivesse lhe mostrado o lugar, ele conscientemente mantivera distância do quarto dele. Mesmo quando ele não estava em casa.
— ……
Jaeha hesitou brevemente antes de dar um passo para dentro. Mesmo que o sangramento tivesse parado, sentia que não podia simplesmente deixar aquilo daquele jeito.
Lá dentro, apenas a iluminação embutida branca e quente no teto, perto da parede, estava acesa. Embora a luz fosse quente, o quarto, contendo apenas uma cama, uma luminária e um console, parecia um pouco mais desolado que o de Jaeha.
Seu closet, assim como o de Jaeha, era anexo ao quarto em vez de separado. Não havia guarda-roupa, nem televisão ou mesa.
Um longo armário de mogno estava ali, mas estava fechado, tornando impossível dizer o que havia dentro. Jaeha presumiu que devia ser um cofre.
— Ah…
Jaeha, que estava se movendo lentamente, parou abruptamente. Camisas e calças sociais estavam espalhadas aos seus pés.
Recolhendo-as e organizando-as, Jaeha olhou para cima.
Chuuu—.
O som de água caindo vinha da área do chuveiro. Jaeha congelou levemente.
Ele está ferido e está tomando banho? E se piorar…?
Jaeha, mordendo o lábio e andando de um lado para o outro, colocou as roupas de Taegun no cesto de roupa suja em frente ao banheiro da suíte e cuidadosamente colocou o kit de primeiros socorros na cama.
Se houvesse uma mesa, ele o teria colocado lá, mas sem nenhum lugar adequado, não teve escolha a não ser colocá-lo na cama sem dono.
Depois de fazer isso, sentiu-se atordoado, como se ele próprio estivesse deitado nu na cama de Taegun. Apenas colocar um kit de primeiros socorros sobre ela o fazia se sentir assim.
Ele se perguntou se deveria sair agora que havia trazido a caixa. Se Jang Taegun o visse esperando no quarto sem dono, poderia achar estranho.
Ele estava justamente ponderando se deveria esperá-lo na sala quando,
— Você tratou o ferimento?
Ele nem tinha ouvido a porta do banheiro se abrir, mas lá estava Jang Taegun, com uma toalha jogada sobre o cabelo molhado, vestindo apenas calças de moletom, encarando Jaeha.
Jaeha se pegou olhando fixamente, hipnotizado pelas gotas que caíam por sua linha do maxilar forte.
Se Taegun não tivesse apontado isso sem expressão, ele teria ficado parado ali olhando fixamente por mil anos, dez mil anos.
— Você está me observando com bastante atenção, hein. Pensei que não estivesse interessado em mim.
— …Não, não estou.
Jaeha voltou a si com um sobressalto e murmurou sua resposta. Ele queria negar a acusação de estar olhando fixamente com atenção. Por isso, não prestou atenção ao resto do que Taegun disse.
Mas, ao contrário de Jaeha, Jang Taegun parecia estar prestando atenção.
— O que não é? Que você não está interessado em mim?
— Ah, não é isso…
— Continue assim e você vai chorar. Eu entendi, então venha aqui.
Chorar? Jaeha não chorava desde sua lembrança mais remota, quando tinha dois ou três anos. Mesmo no funeral de sua mãe, ele havia derramado apenas uma única lágrima.
Mas ficar parado ali tolamente e protestar: “Eu nunca chorei”, teria sido estranho, então ele apenas manteve a boca fechada. Em seguida, posicionou-se ao lado de Taegun, que estava sentado na cama.
— Você sabe por onde começar?
Taegun, que havia secado o cabelo com uma toalha, casualmente a deixou cair no chão abaixo da cama. Jaeha a recolheu e a colocou no cesto de roupa suja.
Assistindo a isso, Taegun apoiou os braços atrás de si, inclinando-se para trás de forma relaxada, e perguntou. Jaeha hesitou, incapaz de responder.
Era porque sentia uma atmosfera sutil no comportamento lânguido, na expressão e no tom de Taegun. Mesmo que Taegun estivesse claramente perguntando como começar a tratar seus ferimentos, aquilo soava diferente aos ouvidos de Jaeha.
“…Seu bastardo.”
Jaeha repreendeu a si mesmo. Era ridículo nutrir sentimentos tão descabidos em relação a alguém ferido.
Ele não havia conhecido ninguém que despertasse o impulso de conquista, os desejos ou a luxúria de um Alfa antes, então não havia percebido — mas talvez ele fosse muito mais sem vergonha do que imaginava.
Mas Jaeha achava difícil ignorar a hora tardia, o quarto silencioso, a luz branca e pálida projetando sombras em seu rosto.
A luz, aparentemente incapaz de superar totalmente a ponte de seu nariz montanhoso, acomodava-se ali, projetando uma sombra em um dos lados de seu rosto.
Seu olhar era penetrante, evocando a sensação de um tigre em uma montanha coberta de neve olhando atentamente nesta direção.
Apesar de falhar em subir a ponte de seu nariz, la luz parecia destemida, fluindo pelo seu torso nu como seda, iluminando seus músculos firmemente delineados com precisão.
Sua clavícula, sólida como tubos de aço soldados; seus ombros largos; músculos esculpidos como se tivessem sido cinzelados no gesso um a um; e a maneira como olhava para ele — tudo aquilo fazia o fôlego de Jaeha travar.
Tendo nascido um Alfa, construir um corpo não era difícil. Sendo mulher ou homem, Alfas produzem hormônios que desenvolvem dramaticamente seus físicos.
O próprio Lee Jaeha tinha um corpo tecido de puro músculo, sem um grama de gordura excessiva. No entanto, o Alfa diante dele, Jang Taegun, parecia um pouco diferente.
Não era um corpo comprado com dinheiro, mas um forjado rolando pelo chão. Movia-se com uma flexibilidade capaz de rasgar os músculos de alguém e quebrar ossos para agarrar o que desejava.
Embora cicatrizes menores não fossem numerosas, várias profundas se destacavam. Um pensamento passageiro cruzou sua mente: o que teria acontecido com aqueles que infligiram tais ferimentos em Jang Taegun?
O homem riu baixo para Jaeha, que estava parado tolamente perdido em pensamentos.
— Você está babando. Há um tempão.
— …Eu não estava babando.
— Você babou outra coisa?
Jaeha virou-se abruptamente, sobressaltado ao perceber que o olhar de Taegun havia deslizado em direção à sua virilha enquanto falava. Ele ficou igualmente surpreso com sua própria reação invulgarmente intensa.
Jang Taegun observou Jaeha dessa forma, rindo baixo enquanto dizia:
— Parece exatamente como tirar vantagem de uma criança.
— Não é isso…
— Na verdade, eu sou mais novo que você, não sou?
“Não é, Jaeha?”, ele acrescentou, sua voz fazendo o rosto de Jaeha ficar vermelho brilhante. Ele não conseguia decifrar o significado por trás daquelas palavras.
Mas ele rapidamente voltou a si. Agora não era hora de ficar hipnotizado pela aparência ou pela aura de Jang Taegun.
A água morna parecia dilatar os vasos sanguíneos ao redor, fazendo com que sangue fresco escorresse do ferimento novamente.
— …Eu aprendi primeiros socorros básicos durante o meu serviço militar.
— Impressionante. Eu sou inútil nisso.
Taegun, com um sorriso ainda brincando nos cantos da boca, empurrou o kit de primeiros socorros em direção a Jaeha como quem diz: “Vá em frente, tente”.
Enquanto Jaeha abria a caixa, Taegun se levantou da cama e caminhou até o painel na parede, abrindo-o.
Acontece que era um armário de madeira com um frigobar. Dentro da gaveta deslizante havia uma garrafa de cristal cheia de um líquido âmbar, e a gaveta com dobradiças continha um balde de gelo perfeitamente dimensionado para o armário. Parecia um móvel feito sob medida, completo com uma mesa lateral dobrável.
Taegun olhou para Jaeha, ergueu o copo e piscou como se fizesse um brinde ao ar. Era um gesto perguntando se ele queria uma bebida.
Jaeha balançou a cabeça cautelosamente. Ele não havia esquecido o que haviam aprontado depois de beberem juntos antes do casamento.
Assistindo Taegun servir a bebida de uma garrafa de cristal em um copo baccarat, Jaeha falou.
— …Provavelmente é melhor o senhor não beber.
— Isso é desinfetar.
Taegun respondeu despreocupadamente, então prosseguiu esvaziando o copo. Jaeha franziu os lábios e o observou. Taegun riu baixo, ergueu o copo e aproximou-se da cama.
Seu riso parecia invulgarmente leve hoje. Antes de conhecê-lo, Jaeha sempre presumira que Taegun seria inexpressivo. No entanto, era Jaeha quem se pegava enrijecendo sua própria expressão e agindo friamente, o que o incomodava.
Mas Taegun parecia desinteressado no que Jaeha estava pensando, apenas inclinando-se para trás contra a cama.
— É estranho eu ser o único despido. Ou se apresse ou tire suas roupas também.
Sobressaltado com suas palavras, Jaeha olhou para o rosto dele. Por trás da habitual falta de expressão, um leve sorriso oscilava. Ele se perguntou se era uma piada.
As pessoas costumavam dizer que ele também não conseguia ler expressões, mas Jang Taegun era pior. Jaeha estava curioso sobre que pensamento havia motivado aquelas palavras, mas deliberadamente não perguntou.
Jaeha silenciosamente puxou o antisséptico e os cotonetes.
Eu fechei a boca, não querendo mostrar o quão perturbado estava me sentindo, mas suspeitava que minha expressão me entregaria. Já era embaraçoso o suficiente eu agir de forma tão diferente apenas perto de Jang Taegun.
Parte disso era que ele não tinha ideia de como agir perto de alguém de quem gostava. Ele sabia que sempre que ficava diante de Jang Taegun, ficava atordoado de forma incomum, como um ladrão pego em flagrante, mas não conseguia parar.
Enquanto isso, Taegun desembalou uma seringa descartável contendo uma ampola não identificada e a cravou direto na parte interna de seu próprio antebraço. Jaeha inicialmente se perguntou se seriam drogas.
Como se estivesse lendo a suspeita em seus olhos, Taegun falou.
— É antibiótico.
— …Entendi.
— Você acabou de pensar que eu era algum viciado drogado, não foi?
— Não…
Jaeha balançou a cabeça rapidamente. Ele não conseguia admitir que havia pensado aquilo de leve. Jang Taegun havia permanecido inexpressivo durante todo o questionamento, tornando impossível dizer se ele estava brincando ou falando sério desta vez.
Respirando fundo para evitar o pânico, ele mergulhou um cotonete no desinfetante e curvou-se. Taegun havia pegado seu copo e se sentado de volta na beira da cama, forçando-o a se abaixar também. A posição tornava difícil examinar a área do ferimento de perto e era desconfortável.
Eventualmente, ajoelhei-me para olhar o ferimento e, estranhamente, senti Taegun me encarando intensamente.
Perguntando-se o que seria, Jaeha ergueu o olhar para olhá-lo e percebeu que havia se posicionado entre as pernas do homem.
— Ah…
— Não é uma visão ruim.
Taegun estava com os olhos baixos. Por causa disso, sombras como uma cobertura eram projetadas por seus longos cílios. As pupilas escuras vislumbradas através deles permaneciam totalmente sombrias, sem distinção visível entre íris e pupila.
Seus olhos ligeiramente estreitados sugeriam que ele estava sorrindo. Não havia nenhum traço de seus lábios se curvando para cima, mas de alguma forma parecia um sorriso.
Ele levou o copo baccarat aos seus lábios elegantes, inclinou-o e engoliu o líquido âmbar que escorria em sua boca. Parecia que ele estava usando a visão de Jaeha ajoelhado entre suas pernas como acompanhamento.
Seu rosto corou de repente, mas agora ele realmente precisava desinfetar o ferimento. O sangue parecia estar escorrendo mais rápido.
Jaeha segurou o fôlego e tocou gentilmente o ferimento com a pinça com algodão. Mesmo que devesse doer, Taegun apenas olhava para Jaeha e bebericava sua bebida.
Jaeha achava aquele olhar insuportável. Como se percebesse isso, Taegun ofereceu-lhe um gole.
— Apenas um gole deve fazer bem.
Linguagem informal de novo.
Jaeha olhou para ele enquanto ele estendia o copo, então suspirou, pegou-o com a mão livre e virou-o de um gole só.
Julgando pelo aroma do líquido que entrou em sua boca, parecia ser um single malt. Tinha um gosto muito bom. A sensação de queimação se espalhando pelo seu esôfago era uma questão totalmente diferente.
O álcool pareceu aliviar um pouco sua tensão. O olhar dele parecia colado na área ao redor da bochecha de Jaeha, mas ele não verificou. Jaeha concentrou-se novamente na desinfecção. Felizmente, o ferimento não era tão profundo quanto temera.
Aliviado, murmurou sem perceber.
— Graças a Deus.
— Foi apenas um arranhão. Você queria brincar de hospital, está satisfeito?
Jaeha brevemente se perguntou se este Alfa o estava tratando como uma criança.
Os olhos aninhados sob longos cílios eram escuros como o mar noturno, tornando impossível adivinhar o que ele estava pensando. Era exatamente como o mar noturno — não entregando nada de si, apenas agitando ondas inquietas.
Ele se concentrou novamente no tratamento. Pensou que poderia precisar de pontos. Se eu não tivesse trazido o kit de primeiros socorros, ele poderia ter derramado o uísque que estava bebendo direto no ferimento. Como se aquilo fosse o fim do tratamento.
Pensar nisso me fez prestar uma atenção ainda mais cuidadosa. Eu queria dar a cura adequada a esse homem bestial que apenas lambia suas feridas e partia. Saber que era o meu próprio desejo egoísta me fazia sentir ainda mais dessa forma.
Eu queria fazer parar de doer. Concentrando-me tanto, esqueci o quão desajeitada era minha postura. Jaeha aplicou uma nova gaze sobre o ferimento, salpicou pó estíptico e envolveu a bandagem sobre ela.
Então, ao tentar desenrolar a bandagem, de repente percebeu sua postura: estava meio ajoelhado, com o corpo erguido, segurando o torso de Taegun bem perto.
— …Ah.
No momento em que percebeu isso, um suspiro bobo escapou dele. Podia sentir suas orelhas queimando em vermelho brilhante.
Seu corpo ficou quente. Ainda assim, ele não podia parar de envolver a bandagem. Se ele afastasse as mãos agora, a gaze pressionada contra o ferimento simplesmente cairia.
Jaeha tentou firmar suas mãos trêmulas enquanto envolvia a bandagem novamente. Um pequeno riso alcançou meus ouvidos.
— Quanto tempo você esperou?
— O que… do que o senhor está falando?
— Eu lhe pedi para jantarmos juntos, mas não vim. Você não esperou por mim?
Não. Eu esperei por muito tempo. Eu ansiei por isso mais do que por qualquer coisa. Mas Jaeha terminou o que estava fazendo sem dizer uma palavra.
Ele não podia dizer que havia esperado ansiosamente pelo Diretor Jang e que ficara preocupado quando ele não veio.
Ele já havia cometido erros tolos o suficiente. Embora fosse difícil revelar todos os seus sentimentos, também pensava que tal sinceridade poderia deixar Taegun desconfortável.
Ele já havia perdido pontos com o incidente de Jang Changsik. Jaeha genuinamente queria se dar bem com ele. Não era que ele queria que Jang o visse da mesma forma que ele se via; ele queria se estabelecer como o parceiro confiável de Jang.
Ele esperava que, com o passar do tempo, seus papéis naturalmente se encaixassem. Mas Jaeha não sabia como.
Ele havia recebido inúmeras lições, mas nenhuma o ensinara a agir em momentos como este.
— Parece que você não esperou.
— …….
— Meu estômago está revirando de decepção.
— Está doendo…?
Sobressaltado com as palavras, ele ergueu a cabeça e perguntou. Só então Jaeha viu o Alfa olhando para ele, sorrindo de leve.
De algum lugar, o aroma de loendro e sal marinho flutuou pelo ar. Jaeha nem percebeu que estava olhando fixamente para Taegun.
A fragrância ficou mais forte. Era o perfume de uma flor intensamente doce. O aroma de uma flor que floresce apenas nos penhascos estéreis à beira-mar, o perfume de uma flor que floresce apenas em saliências rochosas estéreis.
Jaeha lutou para clarear sua mente atordoada. A bandagem parecia quase terminada. Ele mal conseguiu quebrar o olhar persistente e terminou prendendo o gancho.
Então ele tentou se levantar. Se ao menos a tontura repentina não o tivesse atingido. O corpo de Jaeha inclinou-se para a frente. Aconteceu sem aviso.
— Ah…
— Oh.
O tom de Taegun continha um estranho toque de diversão para tal exclamação. O braço que agarrou a cintura de Jaeha era firme, e a velocidade com que se envolveu ao seu redor foi incrivelmente rápida.
Hã… Isso é estranho…
Jaeha pensou, com a mente enevoada. Seria o álcool? Mas a quantidade que havia engolido mal passava de um copo de shot, e sua tolerância não era tão ruim.
Algo parecia errado. Jaeha piscou os olhos dante da tontura.
Um calor inexplicável… Ficou quente, como uma flor desabrochando de uma parte de sua mente que sua consciência não havia registrado.
— Álamo-branco.
Taegun sussurrou no ouvido de Jaeha. As palavras inesperadas enviaram um calafrio pela sua espinha.
— Não, não é isso. Hmm, forsítia?
Porque aquele era o aroma dos feromônios de Jaeha.
De algum lugar, um perfume muito doce flutuou. O nome de uma flor que floresce mais vibrantemente apenas em lugares estéreis. Cheirava a mar. Ondas fracas podiam ser ouvidas. Era uma alucinação auditiva provocada pelo aroma espesso e penetrante de sal marinho.
Jaeha fechou os olhos tontos.
Seu corpo parecia estranho.
Ele se perguntou se seria o rut, mas mesmo durante o rut, ele nunca se sentira tão anormalmente quente, como uma febre fervendo dentro dele.
Jaeha balançou a cabeça atordoada. Queria erguer o torso caído, mas tudo o que conseguia fazer era agarrar-se ao ombro de Taegun como se o estivesse abraçando, tentando ao máximo não pressionar a bochecha contra aquele peito.
O homem sussurrou. Sua voz estava tingida de riso, como se aquela situação parecesse totalmente deliciosa para pelo menos uma pessoa.
— Por que você está se agarrando em mim?
— …….
Eu queria dizer que não era aquilo. Que eu estava apenas me sentindo tonto por um momento, que provavelmente deveria ir para o meu quarto descansar agora, que se ele estivesse sentindo dor deveria me chamar, e então eu deveria sair daquele quarto.
Uma sirene tocou em sua cabeça. O calor inundou Jaeha como uma onda gigante.
Por que tudo parece com ondas? Por que tudo parece com o mar?
Os olhos de Jang Taegun, escuros como tinta, não revelando nada; o aroma persistente de sal marinho; o loendro florescendo nos penhascos costeiros; e esse calor quebrando sobre ele como uma onda gigante.
Jaeha simplesmente afundou como se estivesse se afogando no mar. Eventualmente, sua bochecha tocou a firmeza do peito dele.
— Você fez isso da última vez também.
— …….
— Você sabe disso, não sabe?
O diretor faz o Alfa se mover.
Parecia que alguém estava sussurrando aquilo, mas era difícil dizer quem. Jaeha pensou que seus olhos estavam oscilando, corroídos pelo calor.
A razão acendeu uma luz vermelha de aviso. Os lábios de Jaeha tremeram.
— Eu, eu preciso ir agora…
Ele queria dizer que estava indo para o seu quarto. Queria se libertar do abraço, mas sua cintura parecia fraca, e ele continuava vacilando.
Como quem simplesmente puxa alguém para fora da água, Taegun envolveu os braços ao redor da cintura de Jaeha e o ergueu em seu colo.
— Jaeha.
— …Sim.
A resposta saiu obedientemente. Sem que ele mesmo percebesse. Jaeha nem sabia que sua testa estava pressionada contra a clavícula de Taegun, roçando nela.
O calor fervente não havia esfriado nem um pouco; borbulhava como lava. Seu baixo ventre parecia formigar. Ao mesmo tempo, parecia pesado.
Rut, parecia que o Rut havia chegado.
— Não, não é…
Jaeha murmurou como uma criança, incapaz de distinguir o sonho da realidade. Aquilo não era luxúria. A luxúria não o fazia ferver de calor a ponto de paralisar.
Mesmo quando se sentia preso em um pântano de possessividade, conquista e desejo por alguém, ele nunca carregara esse tipo de calor roedor e incômodo que o consumia.
Jang Taegun, que havia deslizado os braços por trás dos joelhos de Jaeha e o erguido em um abraço, falou.
— Quem te mandou entrar no cio no meu quarto?
A cada palavra que ele falava, uma vibração sussurrada irradiava de sua clavícula, onde a testa de Jaeha descansava.
Jaeha queria dizer que não era aquilo. Mesmo se ele fosse seu parceiro, de repente perder a cabeça devido ao rut e derramar feromônios era falta de educação.
Ele podia sentir o quarto se enchendo com o aroma de freixos. Eram os feromônios de Jaeha. Mas não era apenas o cheiro de freixo.
Um aroma doce, muito doce de osmanthus, o cheiro de sal marinho, e levemente misturado com a mistura explosiva da fragrância de freixo…
— Não…
Jaeha negou. Um aroma sutil de jasmim-de-inverno, de flores de jasmim, flutuou. Por causa de Sumin, que amava flores, ele havia memorizado a linguagem das flores do jasmim-de-inverno contra a sua vontade, e isso veio à mente.
“Sensual.”
— De jeito nenhum. Sua memória deve ser bem ruim, hein?
— ……
— Toda vez que eu meto meu pau em você, você goteja e encharca tudo, mas jura que não é.
E “Você é meu.” Não sei por que o significado daquela flor surgiu na minha cabeça do nada.
— Então quem mais além de Lee Jaeha seria aquele que está espremendo o seu buraco até estourar?
— Jang… Diretor Jang…
— Que se foda o diretor, Jaeha. O que “diretor” significa para o cara que vai socar o seu rabo?
A besta que estivera submersa sob o mar noturno riu. Suas íris e pupilas eram totalmente escuras, indistinguíveis. Jaeha evitou o olhar daquela besta.
Agora, apenas o aroma de jasmim-de-inverno preenchia o quarto.
“Você é meu.”
Mesmo que o próprio Jaeha fosse a fonte do perfume do jasmim-de-inverno, de alguma forma o protagonista no significado daquela flor não parecia ser ele. Lee Jaeha poderia ser de Jang Taegun, mas Jang Taegun nunca poderia ser de Lee Jaeha.
“Você é meu.”
Então para quem era destinado o significado daquela flor?
* * *
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna