Salt Society (Novel) - — Capítulo 79
↫─Capítulo 79
Gi-hyeon observava silenciosamente pela janela do carro.
A estrada rural, mal iluminada por postes de luz, estava desolada e em um breu total. Talvez fosse um pequeno consolo que, por ser verão, os arredores ainda fossem minimamente discerníveis, mesmo com a aproximação das 21h.
Apoiando o queixo na mão, com o cotovelo encostado na moldura da janela, Gi-hyeon observou o GPS traçar uma linha silenciosa e reta antes de finalmente falar.
— A gente podia ter feito em casa. Pra que esse trabalho todo?
— …
Yeon-oh não respondeu à pergunta sobre por que precisavam de um novo local. Quando Gi-hyeon se ofereceu para dormir com ele, Yeon-oh concordou instantaneamente, e Gi-hyeon só queria acabar com isso o mais rápido possível. Yeon-oh apenas o encarou antes de declarar:
— …Aqui não dá.
Embora Yeon-oh não tivesse memória disso, esse não seria o primeiro encontro sexual deles. Portanto, Gi-hyeon não conseguia entender a insistência teimosa de Yeon-oh em mudar de local, mas não se deu ao trabalho de discutir. Gi-hyeon tinha exatamente um motivo para dormir com Jo Yeon-oh: forçá-lo a aceitar o fim deles. Deixar o bastardo ter exatamente o que ele queria parecia ser a única maneira de erradicar quaisquer arrependimentos persistentes.
Consequentemente, quando Yeon-oh sugeriu ir ao hotel mais próximo, Gi-hyeon levantou-se sem uma palavra de reclamação. Observando-o, Yeon-oh começou a fazer uma mala para Gi-hyeon. Mesmo enquanto ele embalava roupas íntimas e outros itens de primeira necessidade, Gi-hyeon não ofereceu resistência.
O “hotel mais próximo” acabou sendo um estabelecimento quatro estrelas em Mokpo, com vista para o oceano perto do polo de indústria pesada. Sem ver lógica em dirigir até lá, Gi-hyeon seguiu silenciosamente Yeon-oh, que carregava a bolsa de viagem para fora do apartamento.
O hotel estava assustadoramente silencioso.
Por ser um destino turístico voltado para famílias, o saguão estava completamente deserto, embora ainda não fossem bem 22h. Virando as costas para Yeon-oh enquanto ele fazia o check-in, Gi-hyeon olhou fixamente para os padrões de mármore que decoravam a parede do saguão.
— Sobe na frente — murmurou Yeon-oh de repente contra as costas de Gi-hyeon. Ele estendeu um cartão-chave.
— Vai fumar? — perguntou Gi-hyeon, estendendo a mão para o plástico.
Yeon-oh prendeu de repente o cartão com força entre o polegar e o indicador, como se relutante em entregá-lo, e ergueu uma única sobrancelha.
— Você acha que eu ia fumar com uma pessoa grávida do lado? Parei faz tempo. Não fala besteira.
Agora que pensava nisso, ele não tinha visto Yeon-oh fumar uma única vez desde que chegou ao campo. Bem, talvez apenas uma vez. No dia em que Yeon-oh o rastreou inesperadamente, Gi-hyeon sentiu o cheiro fraco de tabaco no hospital. Mas tinha sido só aquela vez; ele não sentiu cheiro de fumaça nem viu o bastardo acender um cigarro desde então.
Estalando a língua diante da contemplação silenciosa de Gi-hyeon, Yeon-oh girou nos calcanhares e seguiu em direção à entrada. Gi-hyeon entrou em um elevador que acabara de chegar ao térreo. A ausência de um sistema de segurança com cartão para selecionar os andares sugeria que o hotel era bastante antigo. Relembrando brevemente as férias de infância com a família antes de sua mãe falecer, Gi-hyeon pressionou o botão do andar impresso no cartão.
Durante a alta temporada de verão, encontrar uma vaga de última hora deveria ser impossível, tornando a palavra “Suíte” impressa no cartão-chave um tanto surpreendente. Por outro lado, não havia chance alguma de um herdeiro chaebol mimado como Yeon-oh se contentar com um quarto padrão.
Sentindo uma onda de leve exaustão, Gi-hyeon entrou na suíte e foi direto para o banheiro.
Ele olhou distraidamente para a banheira por um momento antes de balançar a cabeça e girar o registro do chuveiro. Após terminar seu banho, percebeu que um roupão era sua única opção de roupa. Ele não fazia ideia do que Yeon-oh tinha colocado na bolsa de viagem, mas ela tinha ficado no carro de qualquer maneira.
Secando o cabelo com a toalha, Gi-hyeon abriu o guarda-roupa e vestiu um dos roupões fornecidos. Assim que ele apertava a faixa ao redor da cintura, a fechadura eletrônica soou.
Gi-hyeon virou-se.
Sob a luz com sensor de movimento perto da entrada, Yeon-oh o encarava silenciosamente, segurando uma sacola de papel de uma farmácia.
— O que você comprou? — perguntou Gi-hyeon, genuinamente curioso sobre aonde ele tinha ido àquela hora.
Sem dizer uma palavra, Yeon-oh passou por ele, depositando a sacola de papel e a bolsa de viagem na mesa. Ele agarrou a gola de sua camiseta, balançando-a para se abanar. Quando Gi-hyeon sugeriu baixar o ar-condicionado se ele estivesse com calor, Yeon-oh não respondeu; simplesmente passou por ele e desapareceu no banheiro.
Jogando sua toalha úmida descuidadamente sobre a mesa, Gi-hyeon retirou-se para o quarto e deitou-se no colchão. Ele sentia-se profunda e inexplicavelmente exausto, apesar de não ter feito absolutamente nada. O som fraco da água respingando no banheiro o embalou; ele piscou algumas vezes antes de deixar suas pálpebras pesadas se fecharem.
Parecia que apenas alguns segundos tinham se passado quando o choque repentino de umidade fria contra seu tornozelo o despertou violentamente. Uma de suas pernas foi erguida no ar. Em pé ao lado da cama, Yeon-oh estava massageando lenta e metodicamente o tornozelo de Gi-hyeon com o polegar. Reagindo à pressão lenta e deliberada contra o osso do tornozelo, Gi-hyeon deu um pulo, fazendo com que a frente de seu roupão se abrisse. O receio de estar totalmente exposto passou por sua mente. Assim que ele se abaixou para puxar as pontas do tecido com força sobre a parte interna das coxas, Yeon-oh falou:
— Não cobre. Deixa assim.
— O quê? — perguntou Gi-hyeon, sem compreender o comando.
Mas Yeon-oh simplesmente continuou esfregando o osso do tornozelo em círculos lentos, até passar a usar as duas mãos para massagear firmemente o tendão de Aquiles de Gi-hyeon com os polegares.
— Ah…
Considerando como seus pés estavam inchando ultimamente, a massagem profunda foi tão incrivelmente aliviadora que um gemido ofegante escapou involuntariamente. Envergonhado, Gi-hyeon lançou um olhar de soslaio para Yeon-oh.
Com uma toalha na cabeça, exatamente como Gi-hyeon antes, Yeon-oh tinha a franja molhada caindo pesada sobre a testa. Era uma cena doméstica à qual Gi-hyeon tinha se acostumado nos últimos dias. No entanto, observar uma única gota de água deslizar pelo dorso do nariz de Yeon-oh e pingar em seu peito evocou uma sensação bizarra e contorcida nas entranhas de Gi-hyeon.
A frente do roupão de Yeon-oh estava completamente, desavergonhadamente aberta. A iluminação ambiente e suave do quarto de hotel não conseguia iluminar todos os detalhes, lançando sombras profundas que destacavam agressivamente os contornos afiados da musculatura de seu tronco. Observando aquela gota d’água perdida respingar contra o peito largo de Yeon-oh, Gi-hyeon mordeu o lábio, sentindo-se subitamente com muita sede.
— Primeiro… me solta.
Apesar do pedido, Jo Yeon-oh — um homem que nunca respeitou limite nenhum na vida — manteve um aperto firme no tornozelo, as mãos subindo lentamente para massagear as panturrilhas.
— Eu disse pra parar.
— Isso é exatamente o que viemos aqui fazer. Nós dois — rebateu Yeon-oh, sua voz caindo para um registro pesado e rouco. Gi-hyeon fechou a boca imediatamente. Não era mentira.
Yeon-oh continuou massageando suavemente suas panturrilhas, a pressão gentil contra suas pernas ligeiramente inchadas parecendo tão deliciosamente boa que Gi-hyeon teve que segurar outro gemido. No entanto, interpretar isso como um prelúdio sexual parecia inerentemente bizarro. O tornozelo que Yeon-oh estava embalando era o lesionado, e o toque era tão terno e saturado de consideração que parecia menos uma preliminar e mais uma fisioterapia. A percepção de que essa era a única maneira que Yeon-oh conseguia suportar tocá-lo drenou toda a energia de Gi-hyeon.
— Se você só queria me fazer uma massagem, poderíamos ter feito isso em casa.
— Claro, querido. Se você está tão desesperado por isso, é só pedir. — Ignorando completamente o argumento de Gi-hyeon, o aperto de Yeon-oh no tornozelo tornou-se vicioso de repente enquanto ele puxava agressivamente Gi-hyeon para frente.
— Ugh, o que você está fazendo?
Gi-hyeon foi arrastado violentamente pelo colchão, e o roupão subiu além das coxas, expondo-o completamente.
Enquanto Gi-hyeon se esforçava para puxar o tecido para baixo, Yeon-oh soltou o tornozelo sem cerimônia, arrancando a toalha de sua cabeça e jogando-a no chão. Como ele soltou a perna sem aviso, o calcanhar de Gi-hyeon bateu contra o colchão, as molas rangendo com um baque surdo. Ainda tonto com a turbulência repentina, Gi-hyeon ofegou quando um joelho se impôs firmemente entre suas coxas abertas.
— Ei, espera…
— Fui comprar camisinhas. Não tinham o meu tamanho.
Sem conseguir processar a declaração imediatamente, Gi-hyeon piscou confuso antes de perguntar:
— …Nós precisamos disso?
O rosto de Yeon-oh contorceu-se violentamente com a pergunta.
Murmurando uma sequência viciosa de palavrões, ele disparou, irritadíssimo:
— Seu cérebro pifou de vez? Você é estudado, como diabos você não sabe que precisamos de contracepção?
Contracepção servia literalmente para evitar a gravidez — já que ele já estava grávido, isso não deveria ser totalmente irrelevante?
Além disso, Gi-hyeon nunca teve o luxo de exigir camisinhas durante seus encontros anteriores. Ele tinha entrado em pânico brevemente sobre isso durante as primeiras rodadas, mas acabou se resignando. Dizer a um Jo Yeon-oh completamente perturbado e louco de desejo para usar camisinha teria sido um desperdício espetacular de fôlego, de qualquer maneira.
Incapaz de articular esse histórico confuso, Gi-hyeon fechou a boca, apenas olhando para o homem que pairava entre suas pernas. Soltando um suspiro pesado, Yeon-oh cobriu o rosto com as mãos, murmurando outro palavrão.
— …Com que tipo de filho da puta de merda você foi se meter pra…
É, esse filho da puta de merda é você. Sem se abalar, Gi-hyeon estudou inexpressivamente os padrões do papel de parede no teto. O papel de parede cor de marfim devolvia o olhar. De repente, a borda do colchão afundou pesadamente quando Yeon-oh saiu da cama completamente.
— Foda-se. Preciso beber antes…
— Bebida não deixa o pau mole?
Foi um murmúrio totalmente reflexivo. No exército ou na sala de descanso do hospital, junte dois caras e a conversa obscena de vestiário era garantida; disfunção erétil induzida por álcool era um tópico totalmente padrão. Gi-hyeon nunca tinha participado ativamente dessas conversas grosseiras, nem nunca tinha tentado ficar de pau duro e transar depois de beber, então ele estava genuinamente apenas curioso.
Mas aquela curiosidade inocente aparentemente desencadeou algo explosivo dentro de Yeon-oh.
— …Aquele bastardo ficou bêbado antes de foder você?
— O quê?
Gi-hyeon não fazia ideia de quem diabos “aquele bastardo” deveria ser, mas o ciúme intenso irradiado por Yeon-oh em relação a esse amante fantasma era inconfundível. É claro, Yeon-oh era do tipo que perdia a cabeça por qualquer coisa envolvendo Gi-hyeon, mas a maneira como ele olhava — olhos ardendo com a densidade sufocante de piche fervente em um caldeirão de ferro fundido — era inteiramente diferente.
— Por que você se importa? Aquele cara e eu… somos basicamente estranhos agora.
Assim como somos basicamente estranhos agora, Gi-hyeon murmurou internamente, tentando finalmente juntar as pontas de seu roupão escancarado. Yeon-oh agarrou seu pulso.
— Gi-hyeon, eu disse para deixar estar. Você vai tirar de qualquer jeito.
— Uh…?
— Fazer com roupa é seu fetiche ou algo assim?
Enfiando o joelho de volta entre as coxas de Gi-hyeon, Yeon-oh desamarrou casualmente a faixa de seu próprio roupão. Gi-hyeon só pôde olhar inexpressivamente enquanto o tecido caía dos ombros de Yeon-oh, deixando seu peito largo completamente nu. A faixa solta pendeu por um instante sobre o eixo latejante de seu pau totalmente ereto antes de escorregar com um suave shhh.
— Você… — Gi-hyeon ficou boquiaberto em puro choque. Ele genuinamente não acreditava que um Jo Yeon-oh sóbrio fosse fisicamente capaz de ter uma ereção por ele.
— …Para de olhar pro pau dos outros e me diz qual é o seu fetiche — exigiu Yeon-oh, largando a mão para se cobrir e bloquear a linha de visão de Gi-hyeon.
Gi-hyeon estava perplexo. A mão não só falhou em esconder a ereção massiva, como a parte que sobressaía além de seus dedos pulsava agressivamente. Gi-hyeon olhou fixamente para a glande avermelhada e ingurgitada, grossa e inchada como uma maçã verde. Como se sentisse seu olhar, o pau pulsou violentamente de novo.
Yeon-oh estendeu a mão e tapou os olhos de Gi-hyeon.
— Eu disse pra parar de olhar. Você é surpreendentemente tarado, não é?
Uma risada incrédula escapou de Gi-hyeon. Soltando um suspiro, ele estava prestes a afastar a mão de Yeon-oh quando Yeon-oh se moveu primeiro, desamarrando rapidamente a faixa do roupão de Gi-hyeon.
— …
Gi-hyeon prendeu a respiração involuntariamente. Com sua visão completamente bloqueada, a sensação do tecido deslizando lentamente por seus ombros, bíceps, abdômen e parte interna das coxas era dolorosamente vívida. Ele podia sentir os músculos na parte interna de suas coxas contraindo involuntariamente.
— …Você é exatamente igual — provocou Yeon-oh suavemente.
Quando algo roçou levemente contra seu pau, Gi-hyeon estremeceu violentamente. A tensão em seu baixo-ventre disparou, o sangue correndo para baixo tão rapidamente que ele podia praticamente sentir as veias saltando.
— Por que você é tão lisinho aqui embaixo? — Yeon-oh passou a palma da mão pelo baixo-ventre de Gi-hyeon em um tom de genuíno encantamento.
Mortificado, Gi-hyeon afastou a mão que lhe tapava os olhos e franziu a testa. O polegar que provocava implacavelmente sua pele era invasivo demais.
— …Você se depilou? — O sussurro baixo e rouco parecia estar escavando algo profundamente dentro dele.
Gi-hyeon engoliu um gemido suave e balançou a cabeça.
— Começou a cair depois que meu gênero secundário se manifestou. O que eu deveria fazer a respeito? Não é como se eu soubesse que isso ia acontecer.
Parecia uma desculpa patética.
Mesmo para seus próprios olhos, a paisagem completamente sem pelos onde seus pelos pubianos ralos costumavam ficar parecia bizarra e embaraçosa. No exército, os banheiros comunitários significavam que os raros caras com alopecia púbica frequentemente se tornavam alvos de provocações cruéis. Gi-hyeon sempre achou que zombar de uma condição genética natural era infantil, mas agora que ele estava inteiramente sem pelos, a humilhação profunda era inegavelmente real. Ele queria desesperadamente esclarecer que não tinha se depilado intencionalmente, mas uma gota úmida e repentina respingou contra sua coxa.
— Mas o quê…
Olhando para baixo para investigar, ele avistou uma gota viscosa e perfeitamente límpida se acumulando em sua pele como uma gota d’água. Traçando a trajetória para cima, Gi-hyeon viu-se olhando diretamente para o pau de Yeon-oh, a fenda praticamente babando com um líquido pré-ejaculatório espesso.
— Porra… — rosnou Yeon-oh.
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna