Late Bloomers (Novel) - ⋆。˚ ◉ Capítulo 91
Capítulo 91
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Cahaya tirou um malangso do bolso e o estendeu. Mesmo assim, Seowoon apenas empilhou em silêncio no tabuleiro os pratos em que a criança tinha comido.
Depois de absorver o cosmos de Cahaya também, a criança tinha caído imediatamente num sono profundo e agora estava deitada num dos lados da cama.
— Desculpa? Eu fui bruto demais?
Cahaya sorriu, admitindo que talvez tivesse ido longe demais. Ele puxou a mão de Seowoon e colocou dois pacotes de malangso nela. Seowoon nem olhou para eles e simplesmente os largou na mesa com um baque alto.
Até então, Seowoon tinha evitado fazer contato visual com Cahaya, mas agora se virou para encará-lo diretamente.
— Não, você está certo. Você está sempre certo……. Não precisa se desculpar.
Cahaya se conteve de forçar um sorriso. Seowoon suspirou baixinho, só o bastante para que Cahaya não ouvisse.
— Cahaya, você comeu?
— Ainda não.
— O que você ficou fazendo esse tempo todo sem comer?
— Tudo bem, eu não preciso comer.
— Mesmo assim, pede alguma coisa no serviço de quarto.
Seowoon suspirou alto ao se sentar no sofá.
“Que diabos a gente faz agora?”
Se aquela criança era uma das chaves para a destruição da Terra, que diabos ia acontecer?
Naquele momento, ele não tinha nenhuma pista. O Mensageiro irresponsável nunca mais tinha aparecido depois de soltar seus avisos sinistros.
Cahaya ficou de pé diante de Seowoon, que estava esparramado no sofá. A iluminação fraca dificultava que Seowoon lesse a expressão de Cahaya. Do incidente no avião ao mutante humano, tudo o que tinha acontecido em apenas um dia o havia drenado de toda a energia.
— Eu vou ficar de olho no moleque, então tenta dormir um pouco.
Mesmo assim, era improvável que o sono viesse com facilidade. Seowoon lançou o olhar na direção da criança que se parecia com os dois.
— Ele acabou assim porque comeu o nosso cosmos?
Seowoon perguntou, mas Cahaya olhou para a criança, aparentemente também sem certeza.
— Cahaya, a gente deveria pelo menos contar para o Han Donhee, né……?
— E se o Han Donhee tentar matar ele também?
Era um cenário plausível. No entanto, a criança não tinha morrido nem depois de ter o coração ou o estômago perfurados. Será que as pessoas do planeta dela conseguiam absorver o cosmos alheio e mudar de aparência também? Ou aquela criança era simplesmente especial?
“Eu não sei.”
Seowoon esfregou a testa com força antes de erguer os olhos.
— Ei.
Ele chamou Cahaya, que estava de pé diante dele.
— Por que você fez aquilo? Você me assustou pra caramba, sabia?
Os lábios rasgados de Cahaya se contraíram. Ele provavelmente achou que Seowoon estivesse se referindo ao beijo no avião.
Seowoon acrescentou rapidamente:
— Pelo menos avisa antes de fazer uma coisa dessas.
Cahaya arregalou os olhos, que pareciam conter incontáveis estrelas.
— Não, não foi isso que eu quis dizer — Seowoon disse às pressas para explicar de novo. — Eu quero dizer quando você tentou matar o moleque…… você simplesmente enfiou a mão nele do nada, claro que eu ia ficar chocado.
“Ah, é, eu exagerei um pouco mesmo naquela hora.”
Cahaya pensou, erguendo os cantos da boca num sorriso.
Se aquela criança fosse mesmo a chave para a destruição da Terra, eles definitivamente teriam que eliminá-la. Mas Seowoon não conseguia se livrar da sensação de que havia algo mais naquilo.
“Eu sou… o último sobrevivente. Você me mandou para cá… para eu continuar vivo.” [capítulo 89]
Era por causa do comentário da criança.
— Mas por que você veio ao meu quarto?
Justo naquele momento, Cahaya tinha aparecido bem quando o mutante humano também apareceu.
Cahaya claramente tinha algo a dizer, mas não respondeu de imediato, apenas encarando seus lábios inchados. Seowoon desviou o olhar, mordendo levemente os próprios lábios.
Cahaya abriu a boca uma vez antes de responder com um sorriso na voz.
— Acho que o meu instinto simplesmente entrou em ação?
— O quê?
— O meu instinto de guardião do Cha Seowoon.
Cahaya colocou os dois indicadores na cabeça e imitou um par de antenas. Seowoon soltou uma risada seca.
Ele meio que esperava que Cahaya trouxesse à tona o que tinha acontecido no avião. Ele se perguntava se Cahaya tinha desenvolvido algum sentimento por ele e, para ser sincero, tinha se permitido um pouco de esperança.
O Cahaya de agora era claramente diferente dos tempos de ensino médio. Mesmo que eles tivessem se beijado, era impossível que as coisas continuassem as mesmas. Mas Seowoon achava difícil perguntar sobre os verdadeiros sentimentos de Cahaya porque tinha nutrido um amor unilateral por tempo demais. Ele o conhecia bem demais para isso.
Pensando nas pessoas com quem Cahaya tinha namorado, nenhuma daquelas relações tinha terminado bem. Cahaya praticamente cortava contato com elas e as tratava como estranhas.
E se, por acaso, Cahaya o visse como mais que um amigo? E se a relação deles mudasse como a de outros casais?
Um dia, Cahaya poderia decidir dizer que aquilo não estava certo e fingir que nunca tinha acontecido.
“Cha Seowoon, vamos só voltar a ser amigos como antes?”
Ele era mesmo alguém capaz de dizer isso com facilidade. Se chegasse a esse ponto, Seowoon conseguiria suportar? Se preocupar com coisas que nem tinham acontecido ainda e ficar remoendo a relação deles provavelmente era um hábito antigo dele.
Seowoon olhou de relance para os lábios de Cahaya que ele tinha mordido e franziu um pouco a testa.
Ainda assim, aquela questão não era algo que podia simplesmente ser ignorado. Ele precisava arranjar desculpas para os membros da guilda Tacheon, para Uhm Jigeon e para Namgung Jun também.
Seowoon reuniu coragem e abriu os lábios ainda ardidos.
— Ei, no avião, você….
— No avião….
Cahaya falou quase ao mesmo tempo. Seowoon, surpreso por Cahaya ter trazido o assunto primeiro, cerrou levemente as mãos ansiosas. Cahaya também olhava para Seowoon com muita tensão.
— Você primeiro — Seowoon ofereceu.
— Não, você primeiro, Cha Seowoon.
— Tudo bem. Vai você.
— Eu falo depois de ouvir o que você tem a dizer.
Para quem visse de fora, eles poderiam parecer amigos incrivelmente atenciosos. Mas, se continuassem cedendo a vez um ao outro assim, não chegariam a lugar nenhum.
No fim, Seowoon soltou sua pergunta primeiro, sem nem tomar fôlego.
— Por que você me beijou?
Em vez de recuar, ele foi direto ao ponto.
Os lábios rasgados de Cahaya se contraíram de novo. Ele olhou de relance para o malangso largado desolado na mesa. As duas mensagens de “Eu gosto de você” que ele tinha escolhido com cuidado antes de vir para cá já tinham caído da mão de Seowoon havia tempo. Seowoon nem tinha olhado para elas, para começo de conversa.
Quando Cahaya permaneceu calado por muito tempo, Seowoon desviou o olhar frio como se dissesse: “Se você não quer falar, então não fala.”
— Desiste do Uhm Jigeon.
— ……O quê?
Os olhos de Seowoon se estreitaram bruscamente enquanto ele erguia os olhos para Cahaya de novo.
— Aquele babaca é um baita galinha. A personalidade dele é praticamente estragada. Ele provavelmente vai estar uma bagunça total amanhã.
Ele estava dizendo tanta besteira que, se Seowoon estivesse com o queixo apoiado na mão, ele poderia ter escorregado.
— Por que diabos a gente está falando do Uhm Jigeon agora? Do que você está mandando eu desistir?
— Você não lembra?
— Lembrar do quê?
— Do esquisitão que fez coisas estranhas com você lá no primeiro ano? Fui eu que dei um jeito nele.
“Esquisitão?”
Seowoon pensou consigo mesmo. Cahaya continuou.
— Você não lembra daquele veterano que te perseguia?
As pálpebras de Seowoon tremeram rapidamente. Quando Cahaya mencionou o perseguidor, um incidente lhe veio à mente.
Havia um veterano do mesmo clube que costumava lhe trazer presentes nos dias de clube. Na época, Seowoon só achava que ele era um veterano legal. Mas acabou se revelando que ele tinha um histórico de perseguir calouros várias vezes.
Ele também se lembrava do pai surtando quando encontrou camisinhas na caixa de correio do prédio.
Aquele veterano tinha o hábito de passar o braço em volta de Seowoon ou tocá-lo de forma inapropriada sempre que Cahaya não estava por perto. Era um pouco incômodo, mas Seowoon deixava para lá, achando que o veterano era só excessivamente afetuoso. Até que um dia Cahaya pegou o veterano em flagrante colocando uma camisinha na caixa de correio do prédio.
Quando Seowoon desceu para atender ao chamado, ficou chocado. Embora tivesse contado a Cahaya sobre o incidente da camisinha na caixa de correio, ele nunca esperou que Cahaya pegasse o culpado em flagrante.
Quando o pai dele revisou as imagens do circuito interno para descobrir quem tinha colocado a camisinha na caixa de correio, o suspeito era uma figura suspeita usando um boné puxado sobre o rosto. Seowoon ficou ainda mais chocado ao descobrir que era um veterano que ele conhecia. O veterano, pego por Cahaya, estava em lágrimas e confessou que tinha agido por afeição pelo calouro.
Mesmo que fosse por afeição, era indesculpável, e o veterano ainda negou ser gay. Além disso, ele tinha um cartão de morador do prédio, o que deixava claro que ele o tinha roubado de algum lugar.
Relembrando memórias tão desagradáveis, Seowoon se perguntou que relevância aquilo tinha agora.
— Eu lembro. Mas o que isso tem a ver com alguma coisa?
— O Uhm Jigeon é ainda pior que aquele esquisitão pervertido. E não é só isso. Não tem uma única pessoa normal entre os do mais alto escalão. Mas por que diabos ele iria te apresentar a eles? Se aqueles desgraçados começarem a filmar vídeos esquisitos e essas merdas, você acha que consegue lidar com isso?
Uma lâmpada pareceu se acender na cabeça de Seowoon.
Então Cahaya estava na verdade preocupado com a possibilidade de Seowoon acabar sendo apresentado a algum do mais alto escalão esquisito ou ter que lidar com o mentalmente desequilibrado Uhm Jigeon? Era por isso que Cahaya tinha tentado afastá-lo beijando-o na frente de todo mundo? Soava como se fosse isso que ele queria dizer.
“Então ele sugaria os lábios de alguém só por causa disso?”
Seowoon ficou pasmo.
— Seu desgraçado maluco! O que diabos você tem a ver com quem eu namoro?
— Você disse que ia adorar pra caralho ser apresentado a alguém do mais alto escalão. Mas tem algum são entre os que estavam no avião?
Seowoon estava prestes a argumentar que nunca tinha dito isso, mas fechou a boca. O momento em que Cahaya avançou para beijá-lo ainda estava vividamente nítido em sua mente.
— Então você quer ser apresentado a um Mansaengjong do mais alto escalão?
— É, quero pra caralho! Eu ia adorar ser apresen… mmph! [capítulo 86]
Seowoon tinha dito aquilo só para desabafar sua frustração, mas agora percebia que aquilo soou como se ele quisesse namorar Uhm Jigeon ou algum Mansaengjong do mais alto escalão.
— Por que você se importa com quem eu estou saindo? Por que diabos você está interferindo na minha vida amorosa? Cahaya, você perdeu o juízo?
Ele não conseguiu evitar de elevar a voz. Ele não fazia ideia de que Cahaya estava alimentando pensamentos tão absurdos enquanto Seowoon vivia preso à própria ilusão.
— Por quê? Porque eu sou o guardião do Cha Seowoon. Claro que eu vou interferir. Eu vou ficar de olho em você porque o seu julgamento sobre as pessoas é uma merda.
Parecia que os olhos de Cahaya ardiam de intensidade.
— Se você estiver por perto, as coisas que deveriam dar certo simplesmente não vão dar, tá? Sério, por que diabos eu deveria pedir a sua permissão para namorar alguém? Você é meu pai, por acaso?
— Você não precisa da minha permissão — Cahaya disse, o olhar intenso travado no de Seowoon —, só se forem mais fortes que eu.
A boca de Seowoon se abriu de incredulidade.
“Existe algum?!”
Cahaya pensou consigo mesmo, segurando um estalo frustrado da língua:
“Cha Seowoon, você não vê o quanto eu estou gritando com todo o meu ser que eu gosto de você? É porque você nem me considera dessa forma? É por isso que você consegue dizer com tanta facilidade que não pode ser você e eu?”
Na verdade, Cahaya tinha se torturado inúmeras vezes com a ideia de ir ao quarto de Seowoon. Ele queria transmitir pelo menos um fragmento dos seus sentimentos dessa vez, mas Seowoon não tinha o menor interesse romântico nele.
Vendo Seowoon reagir de forma tão feroz quando perguntou com quem ele estava saindo, Cahaya não conseguiu se forçar a confessar seus sentimentos.
Se a amizade deles desmoronasse, como ele voltaria a ser próximo de Seowoon? Se Seowoon decidisse se distanciar, ele trataria Cahaya como se ele nunca tivesse existido, exatamente como na frente da universidade no passado.
Cahaya admitia que o desaparecimento repentino de Seowoon e a falta de contato tinham lhe deixado um grande trauma.
“Então você está dizendo que os afetados pelos esporos vão sofrer com traumas pessoais ou com medo?” [capítulo 19]
Dizia-se que o mutante cogumelo do parque de diversões induzia alucinações relacionadas a traumas pessoais e medos, mas o que ele estava pensando naquela época?
Cahaya achava que as alucinações da época em que Seowoon se distanciou dele não podiam ser consideradas seu medo de verdade. Ele tinha deixado aquilo para lá, achando que os dois estavam tendo tipos diferentes de alucinação.
Mas agora ele percebia.
“Cha Seowoon, a ideia de você desaparecer da minha vida é mesmo o meu medo.”
E, para piorar as coisas, com aquele maldito mutante humano aparecendo, parecia que o gatilho da destruição tinha sido puxado.
Cahaya tinha ficado obcecado com a ideia de erradicar o último sobrevivente daquele planeta imediatamente, mas, já que ele tinha chegado em segurança à Terra, matá-lo seria simplesmente inútil.
Para impedir a destruição deste planeta, Cahaya precisava encontrar e matar primeiro os últimos sobreviventes de outros planetas. O motivo pelo qual ele ainda não tinha tentado isso era não ter coordenadas precisas.
Agora, parecia que a única opção era usar o mutante para encontrá-los.
— Mas por que você me beijou naquela vez?
Seowoon, que vinha fervendo de raiva, de repente se levantou do lugar. Cahaya soltou um suspiro leve.
— Eu já te disse. Para manter os esquisitos longe de você.
— Não, eu não estou falando de hoje, tá? Droga, você me beijou na minha casa, não beijou?! Eu não estava dormindo naquela hora!
Seowoon gritou alto o bastante para sentir uma sensação de alívio antes de finalmente olhar para Cahaya.
Cahaya, por outro lado, tinha congelado instantaneamente, como uma estátua.
· ⋆ · ─ ✦ ─ · ⋆ · Continua
☪ Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello