Kiss The Stranger (Novel) - Capítulo 131
⚝ Capítulo 131
— … Cof, cof!
Com uma crise repentina de tosse, meu corpo inteiro estremeceu e eu acordei. Ao mesmo tempo, meu interior ardia e minha garganta doía tanto que eu não conseguia respirar. A tosse continuava vindo, e senti que morreria de agonia tentando contê-la. Lentamente, recuperei os sentidos após prender a respiração com a boca fechada, curvando-me para suprimir o espasmo.
Eu estava caído no mesmo lugar onde perdi a consciência. O brilho do luar que entrava pela janela continuava o mesmo, e o silêncio no quarto escuro não havia mudado. Se havia algo diferente, era apenas uma coisa: a silhueta do Príncipe Herdeiro caído no chão, assim como eu.
Tardiamente, lembrei-me de que ele havia me enforcado. E do fato de que eu havia desmaiado por asfixia. Achei que fosse morrer. A garganta inflamada confirmava que aquilo não foi um sonho.
O Príncipe Herdeiro soltou o meu pescoço? Não havia outra explicação.
Asgyle me encarava fixamente, como se tivesse perdido o juízo. Minha visão estava turva, então eu não conseguia ter certeza, mas à primeira vista parecia que ele estava em choque.
— Cof…
Quando me curvei novamente, tossindo, ele parou. Fiquei imóvel, com a respiração irregular. Por um tempo, apenas o som da minha respiração sofrida ecoava no quarto. Asgyle não dizia uma palavra, sequer se movia.
*Ha… ha…*
A tosse só parou depois que consegui acalmar minha respiração por um tempo. Quando o som da minha arfagem diminuiu, os arredores tornaram-se silenciosos como a morte. Até então, Asgyle permanecia imóvel, sentado no chão, encarando-me.
— … Diga algo.
Enquanto eu jazia ali, olhando-o vagamente, ele soltou uma exclamação curta, como se estivesse liberando um suspiro sufocado. Ele cobriu o rosto com ambas as mãos e permaneceu estático. Por alguma razão, achei que ele parecia muito confuso. Sem qualquer base lógica, apenas senti.
— … Agora, vá.
Depois de um tempo, ele abriu a boca. Como de costume, sua voz baixa tremeu levemente.
— Eu não vou mais impedir você… Você não precisa mais vir ao meu quarto. Não… nunca mais volte.
Asgyle levantou-se sem olhar para mim. O homem alto deu as costas e caminhou lentamente. Vi-o parado perto da cama, puxando a cordinha de chamada.
— Senhor, chamou?
O servo, que entrou apressado no quarto, curvou a cabeça e anunciou-se. Asgyle disse sem olhar na minha direção:
— Leve isso para o quarto do norte.
— Sim, meu senhor.
Sem dizer uma palavra, o servo agarrou meu braço e me ergueu. Cambaleei e percebi que estava sem roupas, mas não tive coragem de pedir nada.
— Espere um pouco… dê-me alguma coisa, por favor… por favor!
A ideia de ser arrastado nu pelo corredor era aterrorizante. Enquanto eu implorava em meio à vergonha, Asgyle subitamente virou-se para me olhar. Por um momento, tive medo de como ele reagiria por não conseguir enxergar direito, mas felizmente não durou muito.
Logo, Asgyle virou-se e caminhou em minha direção. O servo, que estava prestes a me arrastar para fora, parou abruptamente e curvou a cabeça. Asgyle aproximou-se sem dizer palavra, pegou algo e colocou sobre meus ombros. Pisquei perplexo com a ação inesperada e, em silêncio, envolvi o tecido em meu corpo para cobrir minha nudez. Eu não tinha certeza do que era, mas parecia ser o *bisht* que Asgyle costumava usar.
“Por que isso?”
Ele me olhou por um instante, enquanto eu estava envolto no tecido macio e de alta qualidade. Ele pareceu querer dizer algo, mas mal abriu a boca. Seu rosto, marcado pelas sombras do luar, parecia de alguma forma angustiado.
“Você ficará bem sem mim?”
De repente, uma pequena preocupação surgiu. Asgyle sofria de insônia severa.
“Você não conseguia dormir sem mim… ficará tudo bem agora?”
Mas isso não significava que eu pudesse perguntar ou dizer que ficaria. De acordo com a ordem do Príncipe Herdeiro, eu deveria sair daquele quarto e nunca mais retornar. E ele não tinha intenção de retirar a ordem.
Asgyle removeu a mão do meu corpo e virou-se. O servo me arrastou e instou-me a andar novamente. Segui-o descalço e olhei para trás uma última vez. Asgyle não olhou para mim. A última imagem que tive dele ao deixar o quarto do Príncipe Herdeiro foi a de suas costas voltadas para mim.
***
— … Cof, cof!
Acordei com mais uma crise de tosse, estremecendo todo o meu corpo. Enquanto estava deitado, pisquei por um momento tentando me situar. Tardiamente, recordei o fato de que, no dia anterior, o servo havia me levado para um quarto isolado e eu havia adormecido sozinho.
Olhei ao redor lentamente, mas não conseguia ver nada. Após piscar, esfregar as pálpebras e forçar a vista, finalmente me levantei. A razão de eu não enxergar nada não era apenas minha visão ruim. Vendo a luz fraca que filtrava, tateei os arredores. No dia anterior, cheguei tarde e não consegui ver o interior porque não enxergava direito. Estava claro que era apenas um espaço abandonado, a julgar pelo cheiro acre de poeira.
— Ah!
De repente, bati em algo e soltei um grito curto. Tateei para conferir a forma e parecia ser uma parede. Recostei-me na parede fria e dura e dei um passo em direção à luz. Após encontrar uma pequena fresta, estendi a mão e agarrei a maçaneta. Assim que puxei, a luz invadiu o lugar.
— …!
Sem perceber, franzi a testa e fechei os olhos. A luz brilhante era quase insuportável, então fui abrindo os olhos aos poucos até me acostumar. A janela era tão pequena que tudo o que eu via era o lado de fora.
Felizmente, o quarto que observei, confiando na luz solar que entrava pela janelinha, era pequeno e simples. Era um cômodo sem nada, exceto a cama onde eu estava deitado. Havia uma portinha de um lado e, quando a abri lentamente, vi um espaço estreito para lavagem e tarefas domésticas.
“Que lugar é esse?”
Fiquei surpreso ao encontrar um quarto assim em um palácio tão bonito. Até os quartos dos servos pareciam melhores que este. Sentindo como se estivesse sendo punido por algo, olhei para o tecido folgado. O que Asgyle havia enrolado em meu corpo no dia anterior era, como esperado, um bisht. O brasão real estava bordado com fios de ouro no manto, que é usado sobre a túnica que ele normalmente veste. Era algo que um ômega de baixo nível como eu jamais ousaria tocar.
Tracei cuidadosamente o padrão com as pontas dos dedos. Acariciei o bordado delicado e levei o tecido ao nariz. Respirei fundo e senti o aroma fraco que ainda persistia. Sentei-me no chão, encostado na parede, fechei os olhos e inalei o perfume residual. Eu tinha medo de consumir todo o aroma restante e de que o cheiro desaparecesse logo, então respirava em pequenas porções.
— Meu Deus, Yohan!
Abri os olhos com dificuldade ao ouvir a voz fraca. Ao despertar, percebi que estava enrolado no lençol, encolhido no chão enquanto dormia. Eu havia fechado os olhos tentando sentir o feromônio quase inexistente misturado ao cheiro de poeira quando ouvi o som novamente. Então, acordei completamente.
— Yohan, acalme-se! Abra os olhos!
A voz urgente, como se prendesse a respiração, soou familiar. Sem perceber, tentei me levantar rapidamente, mas caí de volta. Eu estava tonto e não conseguia abrir os olhos. Foi então que percebi que não comia direito há vários dias. Algo tocou meus lábios. Água fria fluía lentamente para minha boca. Mal movi o pescoço para receber a umidade. Após beber a água, senti um pouco de energia e abri os olhos novamente. O rosto de Steward me olhava.
“Isso é estranho, eu não disse a ele para seguir a discrição?”
Fiquei feliz em ver que ele estava seguro, mas ao mesmo tempo estava intrigado. Antes que eu pudesse perguntar, o Doutor falou primeiro:
— Trouxe um pouco de comida. Vamos comer e conversar um pouco. Tenho algo importante para dizer.
Eu tinha muitas perguntas, mas não queria dizer nada até ter comido alguma coisa. Comi calmamente o pão macio com a sopa quente que ele trouxe. Ele esperou pacientemente enquanto eu lutava para mastigar, já que não conseguia fazer nada rápido.
— Você comeu tudo? Um pão inteiro?
Balancei a cabeça quando ele perguntou ao ver que metade do pão ainda estava lá.
— Comi bastante, obrigado, Steward.
Tomei toda a sopa. Na verdade, como era difícil mastigar e digerir, a sopa era o mais fácil de ingerir. Sabendo como eu me sentia, Steward suspirou em vez de me forçar mais.
— Consegui a permissão do Príncipe Herdeiro.
— O quê? — perguntei, pego de surpresa. Ele respirou fundo e fez uma declaração bombástica:
— É a permissão para deixar o palácio. Yohan, você entende o que estou dizendo? Você pode ir para a América comigo!
N/R: “bisht” é um manto tradicional árabe, usado sobre a túnica, que funciona como um símbolo de prestígio, poder e nobreza. Não é uma roupa comum; é reservada para a realeza, autoridades ou ocasiões especiais (como casamentos).
Na história, o fato de Asgyle cobrir Yohan com seu próprio bisht é um gesto de proteção extrema e status, já que ele entregou ao Ômega sua peça de roupa mais valiosa e simbólica.
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Jor&Belladonna