Introducing My Manager (Novel) - ⋆⋅☆⋅⋆ Capítulo 12
— Se vai aprontar, apronta em silêncio! Quer largar a carreira? Como é que apronta de um jeito impossível de remediar!
Não havia jeito. Jihyun, que sempre aprontava discretamente, dessa vez fizera um estrago em grande escala. Um escândalo em que despejou cerveja na cabeça de um colega ator num bar, diante de todos.
— Quantas vezes eu mandei você ficar quieto! É tão difícil assim que apronta desse jeito?
Os relatos de testemunhas se multiplicavam e no fim saiu até uma notícia maliciosa. Era de um veículo já famoso por jornalismo sensacionalista, mas foi o suficiente para chamar a atenção do público. Surgiram conflitos entre os fãs de Jihyun e o resto, e todos os assuntos em alta se encheram do nome dele.
— Você acha que eu sou o cara que limpa a sua sujeira?
— Ora, é pra isso que serve a agência, não é? Senão, pra que eu tenho agência?
Jihyun, obviamente, não demonstrava o menor arrependimento. Nem sequer preocupação, a ponto de deixar até Eunho, ao lado, despreocupado. Até o diretor Byun, que estava furioso, pareceu perder as forças por um instante.
— Rapaz, você é um adulto, uma pessoa com discernimento… E vai e faz uma coisa dessas?
— Ora, eu ainda me segurei pra não quebrar a cabeça dele com o copo.
— Ei!
Gritando, o diretor Byun se jogou no sofá, cambaleando. Murmurou sozinho que assim não chegaria à velhice, que era por isso que estava perdendo cabelo. Quando Eunho já se preocupava seriamente com a pressão dele, a flecha se voltou justamente para ele.
— Empresário Kwak… O que você estava fazendo enquanto esse moleque aprontava?
— …Desculpe.
Eunho se desculpou sem se justificar. Era verdade que estava ao lado dele e que não conseguiu detê-lo. Ele também tinha explodido, então percebeu tarde demais o que ele ia fazer.
— Ora, por que está reclamando com ele se quem surtou fui eu?
Então, ao mesmo tempo, Jihyun, que estava calmo, interveio com irritação. Franziu o cenho nervoso e até apresentou uma justificativa que antes não havia dado.
— Aquele desgraçado falou o que não devia. E eu ainda me segurei.
— Eu sei, deve ter tido motivo. Por pior que seja sua personalidade, você não jogaria cerveja em alguém que não fez nada.
Ele não deu detalhes (nem perguntaram), mas o diretor Byun percebeu a situação de modo geral. Não era à toa: ele conhecia bem a reputação de Park Taesu e a personalidade de Jihyun.
— Mas não tem prova, prova.
Era esse o ponto pelo qual o diretor Byun se irritava. Ele entendia que ele aprontou porque havia motivo, mas se ia fazer isso, que pensasse um pouco nas consequências.
— Todo mundo ali viu você jogar cerveja no ator Park. Mas as grosserias que ele falou? No máximo as seis, não, cinco pessoas daquela mesa ouviram. Dessas, vocês dois falarem não adianta, seria tratado como desculpa. Você acha que os outros três vão ficar do seu lado?
— …
Dessa vez nem Jihyun conseguiu responder. Apenas ergueu as sobrancelhas e olhou para o diretor Byun. Ele estalou a língua e balançou a cabeça.
— Eles também devem estar com dor de cabeça. Principalmente aquele idol, o Shin Ichan, deve estar numa saia justa.
Todo artista precisa cuidar da imagem, mas era fato que o público é mais tolerante com atores do que com idols. Então, no caso de Ichan, ainda mais por ser novato, ele ficaria mais complicado que os outros.
— Todos vão querer se afastar ao máximo, como é que vão esclarecer? A não ser que a gente dê dinheiro e peça ajuda. Não, isso seria suborno.
Não dava para culpá-los. Numa situação parecida, Eunho também teria dito a Jihyun para não fazer nada. Para um artista, não há nada mais complicado do que se envolver em polêmica alheia.
— Você sabe quantas ligações eu recebi do PD Lee? Eu não tenho cara pra encarar a equipe do drama por sua causa…
O “PD Lee” era o diretor principal de “Testemunha”. Era uma pessoa competente e legal, mas devia estar com uma dor de cabeça enorme. Certamente demonstrou constrangimento ao diretor Byun e perguntou várias coisas.
— Ah, e o que a gente faz então.
Jihyun franziu bastante o cenho e respondeu com desdém. Não havia sinal de arrependimento; pelo contrário, parecia de saco cheio. Erguendo o queixo ostensivamente, Jihyun falou com um tom arrogante:
— O diretor mandou eu sair do drama?
— …
Não havia como responder “sim”. Porque a equipe de “Testemunha” jamais mencionaria a palavra “saída”. A maior parte do investimento que receberam veio graças a Jihyun; não teriam coragem de soltar o protagonista.
— Diretor, o senhor acha que eu sou burro a ponto de aprontar sem fazer essa conta?
Bom, ele parecia mesmo alguém que faria a conta e ainda assim não ligaria. O diretor Byun devia pensar o mesmo, porque olhava para Jihyun com cara azeda. Claro, Jihyun ergueu o canto da boca com um rosto excessivamente tranquilo.
— Eu não matei ninguém nem dirigi bêbado, qual o problema. Num mundo onde até quem comete crime volta depois de “refletir” viajando de férias.
Não era coisa que saísse da boca de um ator, mas era um fato evidente. De fato havia muitos artistas que voltavam à ativa depois de punições legais. Eunho não via aquilo com bons olhos, mas o que Jihyun queria dizer ficou claro.
— E se sair boato de briga, é óbvio quem sai perdendo.
Jihyun, o protagonista, e Park Taesu, cujo rosto nem aparece direito. Qual dos dois era mais importante era óbvio. Dizem que só se sabe medindo, mas há coisas que se sabem sem medir.
— Soltar uma notícia dizendo que foi porque o Park Taesu falou merda. Que eu aguentei, aguentei e explodi. E daí que não tem prova? Todo mundo sabe que isso é briga de rua mesmo.
As palavras ditas com voz suave eram diretas a ponto de serem cruéis. O diretor Byun, calado, soltou um suspiro com cara de quem desistiu.
— Moleque, aí você também vai levar hate.
— Levar hate não é nada.
Como se tanto fizesse, Jihyun deu uma risada de escárnio. Era uma atitude que ignorava completamente a preocupação do diretor Byun. Claro, isso não significava que ele não tivesse um plano.
— De todo modo eles vão gostar. Vai ser a chance de aumentar aquele reconhecimento minúsculo.
Também não estava errado. Mais importante que construir imagem é a repercussão. Só se constrói imagem quando se tem reconhecimento, e nada é mais incerto que um ator já esquecido. Nesse sentido, o lado de Park Taesu se esforçaria para transformar aquela crise em oportunidade.
— Ele falou o que falou, então não pode nem processar, e vai ficar nessa guerrinha de opinião pública. Se ficar chato o suficiente, quando “Testemunha” estrear já vai estar tudo esquecido.
Você não sabe como a imprensa é volúvel? Jihyun disse coisas passíveis de linchamento com toda naturalidade. Como já rodava havia muito tempo naquele meio, não piscava diante de uma polêmica dessas. E, de fato, na infância ele enfrentou problemas bem maiores.
— A gente não está no primeiro dia de negócio. O senhor não consegue resolver isso?
— …Haa.
Era um tom insolente, mas analisando ponto por ponto era tudo verdade. O céu não desabou, e não existe escândalo impossível de remediar. Não, pelo menos entre os que Jihyun causava, não.
— Diretor, acho que a gente precisa soltar um comunicado primeiro.
Nesse momento Eunho acrescentou com cautela. Ele apenas ficou quieto por causa da raiva do outro, mas numa hora dessas era preciso manter a calma. O diretor Byun também era profissional na área, e assim que ouviu Eunho suspirou e esfregou o rosto.
— Eu sei, é. Precisa remediar, para continuar comendo.
Provavelmente ele já vinha pensando em soluções. Como Jihyun disse, com tantos anos naquele ramo, não havia como não resolver algo daquele nível.
— Vou marcar uma entrevista com o Hot Star News, então hoje fica quieto. Ainda bem que não tem agenda…
Agitando a mão, o diretor Byun pegou o celular. Não esqueceu de checar no tablet sobre a mesa se havia notícias novas.
— Então vamos indo.
Eunho se despediu com educação e fez um sinal discreto com os olhos para Jihyun. Era para saírem logo, enquanto ele mandava sair, sem irritá-lo mais. Jihyun também não tinha mais vontade de discutir; levantou-se e seguiu Eunho em silêncio.
Eles foram ao apartamento de Jihyun no carro dirigido por Eunho. Como tinham ido à empresa cedo, ainda não era meio-dia. Jihyun leu o roteiro no banco de trás, como sempre, e Eunho também não puxou conversa.
Quando chegaram à garagem do prédio, Eunho desligou o motor e soltou o cinto. Era para descer junto, e vendo aquilo Jihyun hesitou e perguntou:
— …Você vai subir comigo?
Se ele fosse embora ele o seguraria, mas quando Eunho descia sem resistência, isso também era estranho. Ele franziu o cenho, e de algum modo parecia até inquieto.
— Você não comeu nada.
Eunho respondeu com naturalidade e apertou o botão para abrir a porta traseira. Como foram à empresa assim que acordaram, era impossível que ele tivesse comido algo. Não só Jihyun, mas Eunho também estava de estômago vazio o tempo todo.
— Vou comer alguma coisa e depois vou.
Não havia agenda, mas não sabia que compromisso poderia surgir à tarde. Podiam fazer a entrevista com o Hot Star News no mesmo dia, ou precisar falar com outro repórter. Se ele saísse e depois recebesse uma ligação do diretor Byun, seria um transtorno.
O que tem na geladeira? Eunho desceu primeiro pensando nisso. Já tinha deixado o básico, então bastava fazer uma sopa e um ovo cozido no vapor que ele comeria bem. Ele era exigente com comida, mas quando se tratava da comida feita por Eunho, não era exigente. Bom, também porque ele conhecia o paladar dele de cor.
— …
Jihyun seguiu Eunho em um silêncio estranho. Ficou quieto no elevador, quieto ao abrir a porta e entrar, e até enquanto Eunho lavava as mãos e preparava a comida ele ficou rondando por perto em silêncio.
— Ei, para de rondar e senta.
Por que ele está igual cachorro apertado? Com esse pensamento ele falou, e Jihyun sentou discretamente na bancada da cozinha. Continuava sem dizer nada, mas era muito melhor do que ficar rondando e olhando de canto.
Infelizmente, porém, Jihyun manteve uma atitude estranha até durante a refeição. Comia uma colherada e olhava para Eunho, parava no meio de pegar o ovo, ou se levantava para beber água e voltava a sentar.
Ele comer ali era tão estranho assim? Eles vinham se tratando com certa reserva ultimamente, mas não a ponto de aquilo causar espanto.
— Jihyun.
No fim Eunho teve de chamá-lo assim que terminou de comer. Ele estava limpando a mesa para tomar um café, e ainda assim Jihyun continuava só observando. Enquanto ele comia, ele o deixara em paz para não lhe causar indigestão, mas àquela altura era esquisito fingir que não via.
— Se tem algo a dizer, fala.
— …
Mesmo assim Jihyun não respondeu nada. Apenas mexeu os lábios como se fosse dizer algo e desviou o olhar devagar.
Então, dos lábios que se abriram lentamente, saiu uma voz cautelosa:
— …Me desculpa.
— O quê?
Diante daquele começo sem contexto, Eunho franziu os olhos. Não entendeu do que ele estava se desculpando. Como Eunho o encarava, só então Jihyun acrescentou com voz baixa:
— Por causa do Park Taesu.
Piscando, os olhares se cruzaram. Eunho, que ainda franzia o cenho, entendeu com atraso e relaxou a expressão.
— …A cerveja?
Ele achou que ele fosse se desculpar por outra coisa, mas era pelo que o diretor Byun tanto criticava. Talvez ele achasse que Eunho quis comer ali justamente para tocar no assunto.
— Por que isso agora…
— Eu sei que errei.
— …
— E sei que não devia ter feito.
Os olhos baixos eram dóceis demais. Ele, que respondia atravessado ao diretor Byun, agora ficava olhando de canto. E, no meio da cara abatida, abrir a boca com irritação era bem típico de Jihyun:
— Mas, ora, aquele desgraçado…
— Quem disse alguma coisa?
Eunho respondeu com tom desinteressado e colocou uma caneca diante dele. Era um café que Jihyun anunciava e, como recebiam patrocínio, havia pilhas no armário. Felizmente agradou ao paladar de Jihyun, então depois de refeições completas ele lhe preparava uma xícara.
— Eu também estava lá, pra que se justificar?
Por que ele fez aquilo… Disso, Eunho sabia perfeitamente. Por isso não lhe atribuiu culpa alguma depois de a mesa terminar em bagunça. E foi por isso também que pediu desculpas ao funcionário do bar e tentou consertar as coisas.
— Escândalo a gente remedia. Como você disse, é pra isso que serve a agência.
Era algo que faria o diretor Byun tremer de traição, mas ao menos daquela vez Eunho queria ficar do lado de Jihyun. Não queria culpar mais quem já sabia que errou e, acima de tudo, era duvidoso que ele tivesse errado tanto assim.
Ouvir aquele insulto e ter de aguentar não é demais? Ator também é gente e Jihyun também tem sentimentos. Entre as coisas que ele lhe pedira para não fazer não estava incluída essa paciência.
— Você fez bem, não aguentar esse tipo de coisa.
Ele sabia que, mesmo parecendo agir conforme o temperamento, ele aguentava o quanto podia. E que o motivo, na maior parte das vezes, era não colocar Eunho em apuros. A razão pela qual Eunho aturava todas as birras dele era saber que ele era a única pessoa com quem ele fazia manha.
— Se você não tivesse feito, eu teria falado alguma coisa. E…
Ele hesitou se dizia aquilo ou não. Temeu que, ao tocar no assunto, remexesse de novo numa ferida. Mas já que abriu a boca, decidiu dizer tudo o que queria.
— Não precisa se importar com o que aquele cara disse.
— …
Jihyun ergueu o olhar para Eunho com uma expressão sutil. Os olhos límpidos e transparentes estavam, por algum motivo, exaltados. Parecia esperar algo com ansiedade, e Eunho, estranhando, continuou com calma:
— Mania de limpeza não é defeito nenhum.
— …O quê?
Mas a reação foi estranhíssima. O sujeito que estava com um rosto sonhador de repente franziu os olhos. Ele inclinou a cabeça de lado e disse com voz aborrecida:
— Mania de limpeza?
Eunho, sentado na cadeira em diagonal, olhou de relance para Jihyun. Ele temia que ele tivesse ficado ofendido, mas Jihyun, depois de um longo silêncio, soltou uma risada seca.
— Que importa isso. Aquilo nem me deixou bravo.
Era um tom de indiferença. Como se o que Taesu dissera realmente não o tivesse afetado. Como se, até Eunho falar, ele tivesse esquecido completamente.
— É verdade que eu vou ao médico regularmente e que minha cabeça é problemática, qual o problema?
— Então por que você fez aquilo?
Dessa vez quem estranhou foi Eunho. Ele não tinha causado aquele escândalo por raiva do que Park Taesu dissera? Se ele não sentiu humilhação alguma, qual seria o motivo de tanta fúria?
— Ele…
Jihyun abriu a boca, mas não conseguiu dizer o motivo de imediato. Girou os olhos devagar e escolheu as palavras por um bom tempo. Aquela hesitação era parecida com a de Eunho pouco antes.
— Ele falou o que não devia… Chamando de doença mental e tal.
O final da frase saiu quase inaudível. Você não disse que não ficou bravo por isso? Antes que Eunho perguntasse, Jihyun estalou a língua e suspirou.
— Você é gay. E ouvir uma coisa dessas deve ser ruim, né.
— …
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Faby&Othello