Introducing My Manager (Novel) - ⋆⋅☆⋅⋆ Capítulo 04
Quando ele disse que voltaria como empresário, Jihyun tomou uma decisão: fazer tudo ao contrário. Uma resolução que abrangia todo o passado. Exatamente como aquela frase que ele, como empresário, um dia lhe aconselhou: se não tem confiança de fazer bem, é melhor ficar parado.
Como sentia que não podia mostrar fraqueza, ignorou a duras penas o peso no estômago que sentia desde a manhã. Não disse nada no carro, e no hospital apenas seguiu Kwak Eunho, comportado.
— Chegamos, pode subir.
Mas depois de aguentar o dia inteiro, a conclusão que veio foi cruel de novo. Ele viria buscá-lo amanhã de qualquer forma, mas o fato de ter que deixá-lo ir assim lhe deu ânsia. A náusea que ele segurou o tempo todo escapou no instante em que viu suas costas se afastando.
— ……Ugh.
Ele lhe passou uma sacola plástica com naturalidade, mas para Jihyun toda aquela situação era uma humilhação. Se mandassem fingir estar doente ele fingiria, mas quando estava doente de verdade, mostrar isso feria seu orgulho. Mesmo sabendo que ele não o olharia de forma estranha, não conseguia evitar se achar patético.
E se ele se enjoasse? De um cara que não tinha nada em perfeito estado, de um ator dificílimo de cuidar até dar nojo. Se ele também era humano, era impossível que não pensasse que era um saco.
Era uma sensação parecida com a que sentia quando ele passava creme nas suas mãos depois de ele lavá-las até a pele rachar. A atenção derramada sobre ele era doce a ponto de arder, e às vezes surgia a angústia de se perguntar até quando duraria. Quando não aguentava essa psicologia sórdida e explodia, a atitude que Kwak Eunho mostrava lhe dava uma sede ardente.
Você ainda está bravo comigo. Então por que é tão bom pra mim, confundindo as pessoas? E se eu perder a noção de novo e passar dos limites? Se for traçar uma linha, traça direito; se não, aceita tudo sem limites.
— …Mesmo sem ser empresário, a gente é amigo.
Talvez fosse a frase que ele mais quisera ouvir. Porque ele sempre insistia até cansar que ele não era seu empresário, e sim seu amigo. Como ele queria ser amigo dele e não ator, aquela era claramente a melhor resposta que Eunho podia dar.
— Se um amigo se machuca, é claro que eu me preocupo.
— …
Mas, surpreendentemente, o sentimento que ele teve naquele momento foi desagrado. Porque o motivo de ele se importar com ele era “apenas” ser amigo. Seu humor caiu a ponto de ele colocar um “apenas” antes da relação que um dia desejou desesperadamente.
Ele mesmo dizia que amigos são vários. Então ele demonstraria essa atenção também se outro amigo adoecesse? Sendo gentil como se fosse dar tudo de si, e depois endurecendo a expressão com firmeza quando ele se agarrava à barra da calça dele.
— Você esqueceu, mas eu sou gay.
Era verdade que ele havia se esquecido do fato de ele ser gay. Não por ter esquecido, mas porque achava que não era algo que precisasse ser levado em conta. Fosse ele gay ou não, o fato de ele ser Kwak Eunho não mudava.
— Você conseguiria dormir na mesma casa que um homem?
Ele sabia que era uma desculpa absurda. Estava óbvio que ele dissera qualquer coisa para assustá-lo e se livrar dele, que insistia para que ficasse.
Era um cara que não parecia ter um grama de libido. Alguém que ficava impassível diante de qualquer cena de sexo na TV não iria se importar agora com estar na mesma casa que outra pessoa. Então que motivo havia para não poder dormir ali, só por gostar de homens?
Jihyun remoeu, a noite inteira, cada palavra dele. Até tomar mais um banho por se sentir estranho, e desta vez vestir roupas confortáveis em vez do roupão e sentar no sofá. Sem pensar em tomar sonífero, sem pensar em dormir, deixou a madrugada clarear em vão.
— Eunho.
Mas de tanto pensar e repensar, ele começou a ficar irritado. Repassou todos os homens com quem ele tinha contato, pensou de novo no pretexto pelo qual ele desistiu do outro, imaginou uns dois motivos pelos quais alguém rejeitaria Kwak Eunho. E então, de dentro do peito apertado, surgiu uma revolta.
— A pessoa de quem você gosta é homem?
Eu também sou homem.
Você disse que não podia dormir na mesma casa porque eu sou homem.
Você, Kwak Eunho, que me vê como homem, de que cara você está gostando afinal?
— Você disse que não ia perguntar isso.
Sinceramente, as palavras que ele disse com tom firme mal chegaram aos seus ouvidos. Qualquer um veria que ainda havia muito sentimento ali, mas se a pessoa não gostava de Kwak Eunho, não havia chance de se concretizar. Conhecendo o jeito de Kwak Eunho, ele nem pensaria em demonstrar afeto, então claramente era uma relação que nem começaria.
Então, sendo assim,
— Então…….
Não pode gostar de mim, então?
O pensamento acertou o alvo em cheio e deixou sua cabeça dormente, como se tivessem jogado água gelada nele. Assim que percebeu o que estava prestes a dizer, sua expressão endureceu.
— …….
Ainda bem que não disse em voz alta. Se Kwak Eunho tivesse ouvido, teria o xingado sem hesitar, mandando-o parar de falar loucura. Poderia até tê-lo olhado como se olha alguém impossível de conviver, mandando parar de falar besteira.
— ……Então, vai dormir ou vai comer?
Felizmente Eunho não parecia disposto a continuar naquele assunto. Desde sempre, sempre que o assunto da pessoa de quem gostava aparecia, era assim. Até então aquela atitude o irritava, mas naquele dia ele achou aquilo um alívio.
Deixou Kwak Eunho e subiu ao segundo andar, e deitado na cama remoeu por muito tempo a conversa com ele. Achava que conseguiria dormir profundamente só pelo fato de ele estar em casa, mas ao contrário sua cabeça ficou completamente confusa.
— …Gostar de mim…
Sinceramente, era uma hipótese que deveria lhe causar repulsa. Alguém gostar dele sempre fora algo trabalhoso e incômodo para Jihyun. Ainda mais se a pessoa fosse outro homem. Não tinha interesse algum em homens, pelo contrário, chegava a ser aversão. Não que gostasse de mulheres, mas isso era simplesmente porque não gostava muito de pessoas em geral.
Mas a hipótese que passou por um instante excluiu todos esses motivos e o fez alimentar uma saudade vã. Mesmo alegando que enlouquecera por um momento, precisou conter de novo a revolta que subia.
— Atores homens da minha idade…
Falando de atores da mesma faixa etária, só havia gente lixo. Feios, ruins de atuação, ou com personalidade péssima. Às vezes havia atores que tinham tudo, mas a maioria estava com alguém ou não tinha contato com eles.
Ou seja, entre eles não havia ninguém de quem Kwak Eunho pudesse gostar. Se ele gostasse de mulheres, tudo bem, mas pensar que a pessoa era um homem o enfurecia.
— Nunca vi ninguém mais bonito do que você.
Ele dizia isso. Não tinha dito que, entre os atores, ele era o melhor? Então por quê? Por que não gosta de mim e gosta de outro cara?
Mesmo sabendo que era uma ganância infantil, não conseguia se livrar dela. Quanto mais pensava, mais coisas o irritavam.
— Já faz tempo que eu desisti…
Se desistiu, por que faz essa cara? Por que não pôde lhe contar durante todo esse tempo em que gostou? Que porra faltava em você, Kwak Eunho, pra desistir da pessoa com essa atitude sem confiança?
— …
A insatisfação que se estendeu até pouco antes de dormir acabou de novo na hipótese “não seria melhor gostar de mim?”. Era um desejo meio nas nuvens, mas de todo modo não era uma imaginação ruim. Claro, como sabia que não aconteceria, no fim só restou o vazio.
— Sinceramente, se ele tivesse me procurado enquanto eu descansava, teria sido só um incômodo.
Quando ele disse aquilo sobre Shin Ichan, dois sentimentos se chocaram dentro dele. Enquanto a voz sem interesse o tranquilizava, a palavra “incômodo” o fez estremecer também.
— Você vai encontrar com ele?
— Ora, se ele chamar, eu encontro…
Era uma atitude de quem não fazia questão. Não parecia haver saudade, nem interesse. O sujeito, que não mostrava sequer uma curiosidade mínima, respondeu sem esforço, como se tanto fizesse.
— Já sei mais ou menos do que ele quer falar, pra quê.
Como teria sido se ele não tivesse ficado na mesma sala que esse sujeito indiferente? Se ele não tivesse sentado ao lado dele e puxado conversa, se não tivesse feito birra à toa nem mostrado sua fraqueza diante dele. Não, se ele não tivesse ido àquele telão no dia do seu aniversário de vinte e dois anos.
— …Você também tem uma personalidade péssima.
Muitos andaram ao redor dele, mas o único que ficou ao seu lado foi ele. Então talvez ele devesse se satisfazer apenas com o fato de ele demonstrar aquele tanto de atenção. Se preocupar porque é amigo, ficar ao lado porque é empresário, olhá-lo com aquele olhar reto nesta situação.
— Não se force de jeito nenhum.
Mostrar-se doente era detestável, mas toda vez que ele examinava seu braço machucado, seu coração vacilava. A mão que enrolava a bandagem e deslizava sobre o machucado era algo que fazia sua garganta coçar.
— Se doer nem que seja um pouco, é só errar a cena. Entendeu?
— …
Se o machucado não sarasse, será que ele continuaria como empresário? Sendo um cara que, mesmo sem parecer, tem muito apego, talvez não conseguisse dar as costas com frieza. Assim como voltou para gravar o “AME”, talvez ficasse ao seu lado nem que fosse por compaixão. Mesmo que esse fim, apesar de não sair como ele queria.
— Kwon Minhyuk, seu filho da puta, hoje eu te mato!
Se machucar durante cenas de ação já era algo comum na vida de ator. Não que ele tivesse espírito de sacrifício; é que aguentar a dor era melhor do que regravar. Era um hábito que Kwak Eunho detestava profundamente, mas também era algo difícil de corrigir.
— Corta!
Mas ele não vai se justificar. Dessa vez ele se forçou de propósito. Porque não conseguia deixar de pensar que, se demorasse mais a sarar, seria melhor. Torcer o pulso foi um acidente, mas aguentar a dor foi mesmo uma ação pensando em Kwak Eunho.
— Você é louco.
Ele não esquece o momento em que ele falou baixinho. A expressão era mais gélida que nunca, mas o tom com que mastigava os palavrões estava carregado de emoção. Quando aquela voz baixa ressoava alta, apesar do constrangimento, seu ânimo parecia subir.
— Eu não te disse pra não aguentar? Onde é que você deixa a cabeça? Faz quanto tempo que machucou o braço e já joga o corpo assim!
Era um sujeito frio. Não, mais precisamente, morno. Em termos de temperatura era sempre parecido, e ele gostava dos momentos em que faíscas saltavam naqueles olhos pretos. Gostava do fato de que o motivo pelo qual aquele sujeito sempre prudente agia sem pensar era ele.
Se não houvesse câmera, ele teria continuado recebendo aquela raiva ali mesmo. Como se sentia recompensado pelos dias estranhos que passaram, não queria detê-lo. Só que, como Kwak Eunho, cheio de senso de responsabilidade, poderia se assustar, ele cortou a conversa no momento certo. Ter sido filmado, bom, ele tinha confiança de conseguir remediar, então tudo bem.
— Fica parado um pouco.
Kwak Eunho, com mãos tão grandes quanto a altura, mas com pontas de dedos delicadas. Ele retirou com cuidado um grampo que ele nem sabia que estava ali e riu de leve, suavizando a voz. O olhar carinhoso, contrastando com o rosto seco, combinava bem com a voz risonha.
— Ia guardar isso pra quê?
O rosto que se aproximou o deixou estranhamente consciente. A distância reduzida de repente foi suficiente para enrijecer sua nuca. A parte que encostou nele ardia, e quando os olhares se cruzaram por acaso sua garganta se apertou.
— ……Nem sabia que tava aí.
Seria uma sensação de crise? Sentiu como se caísse em algum lugar. Era uma sensação um pouco diferente de ansiedade, e ele não fazia ideia de porque se sentia assim. Mesmo olhando as costas dele indo em direção ao stylist, seu peito revirava como se ainda estivesse com indigestão.
Mesmo depois de a gravação terminar e ir à confraternização, o peito virado não deu sinal de melhora. Quando os olhares se cruzavam vinha uma sede, e ele ficava olhando de esguelha para a cerveja, levando olhares repreensivos à toa. Achou que ele não deixaria de jeito nenhum, mas Eunho, depois de sair um instante, chegou a lhe servir cerveja pessoalmente.
— Sobe. Amanhã eu venho te buscar.
— …….
Ele foi à confraternização justamente para não deixá-lo ir. O tempo cruel enfim chegou à hora de encerrar o dia. Mesmo sabendo que deveria deixá-lo ir quieto, o que saiu da sua boca foi isto:
— …Sobe um instante e faz o par comigo.
— Par?
Kwak Eunho provavelmente também sabia. O quanto aquele pedido era absurdo. E que não fazia sentido inventar aquela desculpa depois de tanto tempo ensaiando sozinho.
— …Que parte não está saindo?
Ou seja… O problema é que você sempre aceita. Se ele cede fingindo relutância, com uma cara de quem vai suspirar a qualquer momento, é claro que ele continua desejando.
Tomou banho num nervosismo inexplicável e, coisa rara, até se preocupou com a roupa antes de ir para a sala. Sair só de roupão como sempre lhe daria uma sensação de desproteção. Kwak Eunho nem ligaria, mas ele sentia que precisava de alguma barreira. Não uma barreira contra Eunho, mas contra si mesmo.
— Então, onde é que eu tenho que olhar.
Abriu o roteiro em qualquer página e estendeu para Kwak Eunho de qualquer jeito. Como já sabia todas as falas de cor, tanto fazia a cena que aparecesse. Quando essa cena acabar, que desculpa dou depois? Pensando nessas coisas, de repente Kwak Eunho estava sentado ao seu lado.
— Começa quando estiver pronto.
Sentar lado a lado não era novidade. Revisar o roteiro com ele também não era uma situação especial. Então por que ele estava tão nervoso?
— ……Você não vai mesmo falar comigo?
Para esconder seu estado instável, mergulhou de propósito ainda mais no papel. Declamou as falas com toda dedicação, arrastou o final das frases e até fez manha. Enquanto pensava que era uma cena de amor terrivelmente brega, Kwak Eunho mostrou uma atuação ainda mais impressionante.
— Você só fala isso. Você não pensa que eu fico preocupada?
Kwak Eunho é péssimo de atuação. Não só ruim, mas espetacularmente ruim. Ver aquela voz boa saindo com uma entonação dura fazia escapar risadinhas, mesmo não sendo uma situação engraçada. E ainda por cima ele lia tudo com atenção, sem demonstrar vergonha.
Se tivesse estreado como ator, será que não pegaria personagens sem fala, só de pose imponente? Talvez ficasse famoso primeiro pelo rosto e depois ficasse ainda mais famoso pela polêmica sobre atuação. Ou não, sendo um sujeito bom em tudo, talvez sua habilidade melhorasse muito com prática.
— Desculpa mesmo. Não vou mais te preocupar.
— …Sério?
— É, sério.
— Pode prometer?
— Quer promessa de dedinho?
Os dois trocaram falas e entrelaçaram os dedinhos amigavelmente. Jihyun tinha achado aquilo meio brega, mas seu pensamento mudou assim que sorriu com os olhos. Por mais brega que fosse a cena, se atuassem bem tudo parecia aceitável.
— Confia no oppa?
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Faby&Othello