Icing On The Cake (Novel) - Capítulo 04.7
4. Wolfie, The Bunny
Um prazer tão intenso que por um momento sua vista girou se acumulou em seu ventre. A dor ardente e pungente continuava, mas a sensação que ele acabara de sentir era tão avassaladora que compensava. Yurij arregalou muito os olhos e convulsionou tremendo. Seu corpo reagiu por conta própria, sem a mínima relação com sua vontade. Mesmo que quisesse parar de tremer, a sensação como de vibração que se espalhava da parte inferior o dominava e ele não conseguia recobrar os sentidos.
—Yurij… você vai ter que aguentar mais um pouco.
Cheriot, acariciando de cima a baixo as costas de Yurijj, que estava de bruços sobre seu peito, sussurrou assim. Enquanto tentava erguer o corpo de qualquer jeito e apoiar a mão no sofá, Cheriot se levantou abraçando-o. Ao ver Yurij, que arregalou os olhos surpreso, Cheriot sorriu de maneira estranha e depois o deitou no sofá como no começo. Nesse momento, ao sentir o peso de Cheriot, o pênis penetrou até algum lugar bem fundo.
—Ah, ugh…!
De boca e olhos muito abertos, Yurij ergueu a cintura para cima. Era uma sensação como se um raio caísse do alto da cabeça, um prazer intenso. —Huuu, haa. —Os gemidos fluíram inutilmente entre seus lábios entreabertos. Uma sensação de que algo estava errado e um prazer que ele nunca tinha sentido antes se misturaram e destroçaram sua mente.
Já não conseguia pensar em nada.
Cheriot, olhando para baixo com olhos enegrecidos para Yurijj, que torcia a cintura jogando a cabeça para trás, tirou de uma vez o pênis que vinha empurrando até o fundo. A sensação de que as entranhas saíam junto e de que seu ventre se abria de par em par o invadiu. Ao desaparecer Cheriot, que o tinha enchido até sufocá-lo, Yurij olhou para cima com olhos que mal focavam.
Cheriot sorriu satisfeito olhando para o alfa estendido sob ele com as pernas abertas. O homem forte que parecia não se quebrar diante de nenhuma ameaça jazia em uma posição lasciva que quem o conhecia normalmente jamais poderia imaginar.
Sua pele pálida, em contraste com o cabelo preto desarrumado, brilhava com um suor perolado e, acima da calça que o cobria até as coxas, o períneo e as nádegas abaixo do pênis estavam avermelhados por receber uma penetração vigorosa. Até seus olhos azuis, ligeiramente desfocados pela excitação, Cheriot devorou com o olhar sem omitir nada e soltou um suspiro como o de uma fera sendo saciada.
Então, quem sentiu uma estranha pena foi Yurij. O estado de ser abandonado no meio do caminho, depois de desaparecer a sensação de plenitude em seu ventre, o deixou ansioso. Sem sequer saber o que queria, Yurij olhou para cima, para Cheriot, com um rosto suplicante.
—Mmm, eu sei.
Como se soubesse de tudo, Cheriot sussurrou e inclinou a cintura. Depois, agarrou com força a parte inferior da roupa de Yurijj que lhe cobria as coxas e pegou seus tornozelos brancos, afundados como luas crescentes. Puxando as pernas longas com as duas mãos para colocá-las sobre os ombros, Cheriot voltou a se aproximar e, esfregando seu sexo entre as nádegas abertas, empurrou-o para dentro.
—Aqui, o que o Yurij quer.
Como tinha engolido algo incrivelmente grande, o buraco, que não se fechava por completo, recebeu Cheriot muito mais facilmente do que antes. Yurij, de cenho franzido, se concentrou na sensação de que o duro pedaço de carne que se introduzia, preenchia abrindo as macias paredes internas. O fato de duas pessoas com corpos separados poderem se conectar assim como um só… não podia ser mais espantoso do que agora.
Ao se dar conta, Yurij gostou intoleravelmente de estar conectado com Cheriot como agora. Não havia espaço para pensamentos como que não era típico de um alfa ou que não era o papel que originalmente lhe cabia. Só sentia um êxtase arrepiante pelo calor corporal de uma pessoa viva e pelos gestos de um corpo que o desejava.
Esquecendo até a dor, quando Yurij torceu a cintura tentando recebê-lo mais, Cheriot, que tinha parado por um instante, franziu o cenho e soltou um —merda—, uma blasfêmia. Como se liberasse a emoção que o transbordava, Cheriot virou a cabeça e cravou os dentes no tornozelo de Yurijj. Deixou uma marca em forma de meia-lua no tendão de Aquiles.
—Ha, huh.
Até a dor da mordida começou a ser um estímulo, e Yurij, franzindo as sobrancelhas grossas, emitiu um gemido. Cheriot, esfregando a bochecha contra o tornozelo de Yurijj, retomou o movimento dos quadris.
Como Yurij sustentava o corpo de maneira mais estável, Cheriot empurrou para dentro numa velocidade incomparável à de antes. —Huumm, ugh, huu. —Soltando gemidos que saíam sozinhos junto com a respiração, Yurij se sacudiu sem controle. Sua pele nua se esfregava com força contra o tecido do sofá, e agora suas costas ardiam mais do que a parte inferior.
—Ha, haah, hahg, ugh…!
Cheriot, que de joelhos segurava as pernas de Yurijj, sem perceber tinha inclinado o tronco e se aproximava cada vez mais. Ao receber Cheriot com o corpo meio dobrado, Yurij se acostumou à sensação de seu pênis entrando e saindo, golpeando as profundezas internas. Só as sensações que Cheriot lhe dava eram nítidas.
—Huu, ah, hng, ah, Cheriot…!
O prazer misturado com dor se acumulou aos poucos no baixo-ventre de Yurijj. Toda vez que o longo pênis entrava esfregando com força as paredes internas e a ponta romba da glande saía raspando o interior como um gancho, ele sentia um arrepio. Não sabia se esse era o sentimento original de ser penetrado, se outras pessoas também sentiam assim, ou mesmo se esse era um prazer que os humanos deveriam sentir.
—Huuu, uhm, uhn, ugh, hah.
Agora Cheriot quase esmagava Yurij, sobrepondo seu corpo. Toda vez que penetrava, ao aplicar seu peso, ressoava o som da respiração entrecortada. Ele parecia afundar cada vez mais dentro do sofá.
—Haa, haah, ha, uhn, hng…!
Sem saber quanto tempo tinha passado, os dois se enroscaram como um só corpo. Embora os gemidos saíssem sem parar e ele sentisse como se lhe espremessem os pulmões, desejava que não terminasse. Como se seu corpo tivesse derretido e só restassem as sensações que Cheriot lhe dava, não conseguia pensar em nada. Em sua visão embaralhada pelo tronco que se sacudia sem controle, só via o cabelo ruivo-dourado de Cheriot e seus olhos estranhamente apertados.
Sentiu que o tempo, que parecia parado, enfim fluía depois de notar que os movimentos de Cheriot começaram a ficar mais violentos do que até então. Devido às penetrações cada vez mais rápidas ao se aproximar do clímax, o buraco ficou muito quente.
Como se tivesse uma leve queimadura, ao sentir que o interior estava especialmente quente, Yurij sem perceber baixou a mão para baixo, onde ele e Cheriot estavam conectados. Seus dedos pálidos, que deslizaram de cima do ventre para baixo, passaram por seu próprio pênis, que agora se movia sozinho sem precisar que o tocassem, e acariciaram o períneo.
O buraco, inchado e ardente pela fricção, estava muito mais quente do que quando ele o tocou pela primeira vez ao introduzir o dedo, e nesse estado estava engolindo o membro de Cheriot. Diante do movimento do membro que entrava e saía na junção, Yurij abriu ligeiramente os lábios e soltou um gemido ardente, —haah—, sem querer.
Ele realmente estava engolindo por completo. Cheriot estava dentro dele.
Ao pensar isso enquanto tocava a parte que estava em contato direto, subiu-lhe um arrepio tão intenso que latejou dentro do alto de sua cabeça. Ao mesmo tempo, o prazer que já tinha chegado ao limite se misturou com o arrepio, e Yurij apertou com força sua parte inferior em um instante inesperado e jogou a cabeça para trás.
—Ah, ahh… hah, hn, ha, ah…!
Um clímax intenso irrompeu de uma vez como se ele fosse atropelado por um carro. No instante em que Cheriot afundava a ponta do pênis até o limite, um líquido esbranquiçado se espalhou da ponta do pênis de Yurijj, que se estremeceu sozinho. O fluido turvo que jorrou como um jato era abundante por ter sido retido por tanto tempo. O clímax se prolongou sem fim.
Como estava dobrado ao meio, o sêmen de Yurijj respingou em seu próprio rosto, pescoço e peito de maneira pegajosa. E Cheriot, que captou aquela cena com os olhos, cerrou o maxilar e empurrou a cintura mais uma vez até o fundo. Cheriot, que tinha colado sua parte inferior com tanta força que os testículos pressionavam as nádegas, soltou um fôlego áspero —ha— e depois enterrou a testa no peito de Yurijj.
—Ha, ha, ha…
A respiração agitada que ele expelia se acumulou na cova da clavícula de Yurijj. O sêmen de Cheriot que tinha escorrido para dentro também se acumulou em algum lugar profundo do ventre. O sêmen de um alfa em rut era mais abundante que o normal. Junto com o sêmen que ele sentia no abdômen, tão pesado que era incômodo, se espalhou pelo ar um feromônio espesso. Talvez por ser logo depois do orgasmo, ou talvez por ser sexo durante o rut, sentia-se como se o feromônio grudasse de maneira viscosa sobre a pele.
Todo o seu corpo se tingiu com o que Cheriot tinha deixado. Feromônios, sêmen no ventre, o suor dos dois misturado, a respiração, o calor ardente que emanava de seus corpos. Provavelmente era por tudo isso que, apesar de ter chegado ao clímax, a consciência não voltava. O peito largo de Yurijj, que jazia estendido, inflava e desinflava repetidamente, e Cheriot manteve a testa enterrada nesse peito pulsante por vários minutos. Não trocavam palavras em particular, mas se sentia com intensidade que ambos estavam satisfeitos. Quando o suor começava a secar, Yurij sentiu sede. Embora durante o rut o desejo sexual precedesse a fome para alfas e ômegas, ele nunca tinha gemido a ponto de ficar com a garganta tão seca. Sentindo a sede tardiamente, Yurij fez um som —mm— e ergueu o tronco, momento em que Cheriot também levantou a cabeça.
Seus lindos olhos verdes tinham um tom lânguido. O olhar felino, como o de um gato que comeu até se fartar, piscou com indiferença. Normalmente ele parecia um cachorro grande,
mas depois do sexo Cheriot parecia uma fera felina fascinante. Ao encontrar aquele olhar, Yurij sentiu um forte vínculo com o homem que o estava esmagando. Era como se algo invisível os conectasse.
Tinham acabado de presenciar o momento mais íntimo um do outro. Suas partes inferiores continuavam unidas e ele mesmo tinha sido visto ofegando de maneira patética. Ao voltar um pouco a lucidez, uma leve vergonha surgiu com atraso. Não era exatamente incômodo, mas ele pensou que provavelmente tinha sido ridículo.
—Estou… com sede.
Pensando que não podia ficar assim, Yurij separou os lábios. No entanto, sua voz não saiu como de costume e só escapou um leve som metálico, então, depois de pigarrear várias vezes, enfim conseguiu vocalizar.
Ao sussurrar com a voz seca e rachada, Cheriot estendeu uma mão na direção de seu rosto. Com o polegar, limpou suavemente o sêmen que tinha respingado na pálpebra de Yurijj. Então Yurij se deu conta tardiamente do próprio estado. Ao ejacular, o sêmen tinha respingado por todos os lados.
—Eu te dou cinco minutos.
Enquanto Yurij, em silêncio, corava aturdido a partir da nuca, Cheriot disse algo incompreensível. Ao olhá-lo com olhos perplexos, Cheriot se levantou e finalmente o soltou. Talvez por ter mantido aquela posição mais tempo do que o imaginado, ao endireitar a cintura e esticar as pernas, os músculos formigaram.
—Não… entendo o que você quer dizer.
Ao se sentar apoiando os braços no encosto do sofá, sua cintura estava terrivelmente dolorida. Era estranho sentir aquela dor surda sem ter levado uma surra. Como nunca tinha maltratado o corpo com algo como sexo, bem quando tentava se levantar devagar apoiando os pés no chão, de repente as pernas perderam toda a força e ele voltou a desabar numa sensação de vazio.
«O que está acontecendo?»
Enquanto olhava para suas coxas com olhos confusos, uma sombra pairou sobre sua cabeça. Ao erguer o olhar lentamente, Cheriot lhe estendia a mão. Ao ver que Yurij ainda mantinha uma expressão de incompreensão, Cheriot lhe explicou a razão do fenômeno.
—É porque você perdeu a força nas pernas.
Yurij compreendeu tardiamente que os ômegas que antes reclamavam pedindo apoio não
diziam aquilo simplesmente por quererem contato físico. Era porque, ao afrouxar a cintura, custava-lhes levantar.
Mas mesmo não tendo feito sexo o dia todo como daquela vez, a cintura ceder assim…
—Segura a minha mão.
Cheriot o puxou enquanto Yurij se debatia para entender o que lhe acontecia. Seguindo a força do puxão, Yurij conseguiu se levantar a muito custo e, depois de firmar as plantas dos pés, finalmente recuperou o equilíbrio. Segurando-lhe o pulso, Cheriot foi na frente até a cozinha. A cada passo que Yurij dava seguindo-o, a cintura ressoava de dor e uma pontada subia de trás. Não só doía o traseiro, como também as costas.
Ao chegar enfim à cozinha, antes de ir até a pia para se servir de água da torneira num copo, percebeu que precisava de um momento para se recompor. Apoiando os cotovelos na mesa, descarregou o peso no tronco, soltou um suspiro baixo e, passando a mão pelo cabelo, disse a Cheriot:
🍒。・゚♡゚・。🎂。・゚♡゚・。🍒
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna