Icing On The Cake (Novel) - Capítulo 04.4
4. Wolfie, The Bunny
—Por que você quer ver a minha bolsa de repente?
—Estou procurando uma coisa.
—Então você podia me falar. O que você está procurando?
Como se houvesse algo lá dentro que ele não devesse ver, Cheriot continuava puxando a bolsa com o rosto tenso. Por isso, a abertura da bolsa esportiva se alargou ainda mais.
—O ômega que a gente viu de dia.
—…O quê?
O olhar de Cheriot ficou feroz. Os cantos externos suaves de seus olhos se ergueram e suas sobrancelhas avermelhadas se torceram de desagrado.
—Por acaso você estava procurando aquele porta-copos?
—Estava.
—Você não disse que não tinha interesse?
—E não tenho. Não é por mim, é por você.
Embora Yurij não tenha continuado a explicação, Cheriot pareceu perceber o que suas palavras significavam. Seu cenho franzido se endureceu de forma sinistra e depois, apagando por completo a expressão, Cheriot arrancou a bolsa com força e disse:
—Tira essas ideias da cabeça. Não é aquele ômega que eu quero.
Yurij, ligeiramente surpreso pelo feromônio que se elevava ferozmente pela raiva, soltou a bolsa, e algo pesado lá dentro, sacudida no ar, caiu no chão com um baque seco. Ao dirigir o olhar por reflexo para a origem do som, viu um livro.
O título do livro que tinha caído aberto no chão era “Anna Kariênina”. Com certeza, quando saíram de casa, ele não tinha visto Cheriot colocar um livro daqueles, então Yurij olhou com perplexidade, e então Cheriot soltou um longo suspiro.
—Nada dá certo para mim.
Resmungando com a voz aborrecida, Cheriot jogou displicentemente sobre o sofá a bolsa que vinha tentando tomar e depois, agachando-se, estendeu o braço na direção do livro no chão. Cheriot, que cuidadosamente pegou o livro pela lombada com seus dedos longos, endireitou a postura, girou-o de um lado para o outro e depois o estendeu para Yurijj, que tinha ficado parado sem entender o que acontecia.
—Pega. É seu.
Dessa vez foi Yurij quem, olhando com olhos de quem não compreende, perguntou de novo.
—…O quê?
—Eu ia te dar mais cedo, lá no lago, mas como você caiu na água, não, não é culpa sua. Depois não surgiu uma situação para te dar, então fiquei com ele… enfim.
Como Yurij ficou plantado sem sequer pensar em receber, Cheriot voltou a lhe estender o livro.
—Como parecia que você gostava de livros… eu quis te dar de presente. No café por onde a gente passou de dia também vendem livros.
As sobrancelhas grossas e negras de Yurijj se torceram naquele instante. Um impacto pungente, como se tivesse levado um golpe na nuca, se espalhou e sua mente ficou em branco. Ele nem sequer tinha imaginado algo assim. Algo que ele nem tinha recebido de Alexei ou do pai, que sabiam que ele lia livros,
—Você aceita? Se não te incomodar.
Não imaginava que receberia algo assim daquele homem.
—Escolhi um livro de que eu gosto. Já que você estava lendo Tolstói. O conteúdo é meio longo e chato, mas até isso eu gostei. Espera. Será que você já leu?
De repente, um nó na garganta impediu Yurij de responder qualquer coisa. Como seu silêncio começou a se prolongar, o livro que Cheriot segurava tremeu de leve. O homem estava nervoso. Tremia como um novato chamando alguém para sair pela primeira vez, apesar de ter um rosto tão bonito.
Olhando para os olhos verdes que observavam o livro com ansiedade enquanto apertava os lábios com força, Yurij estendeu lentamente a mão. Como se não quisesse perder um único movimento, o rosto de Cheriot, com a cabeça baixa, ficou muito sério. Cheriot, sem sorrir e cauteloso, estava mais bonito do que nunca. Suas sobrancelhas avermelhadas, como se cada fio tivesse sido colocado com cuidado, se destacavam, e a sombra tênue que caía sobre suas bochechas por causa do nariz reto e da ponta elegante do nariz dava uma sensação escultural.
Mas uma escultura não o faria se sentir tão feliz assim. Só Cheriot, vivo, insuflava vitalidade no coração de Yurijj.
Com uma sensação de estar sonhando, Yurij recebeu o livro que Cheriot lhe oferecia. Ao sentir o peso considerável nas mãos, finalmente sentiu que era real. Sentindo o olhar de Cheriot, que não se afastava dele, Yurij segurou a contracapa do livro como quem manuseia algo precioso e depois abriu lentamente as primeiras páginas. Ao passar a capa dura e abrir a primeira página, apareceu esta frase:
[Todas as famílias felizes se parecem umas com as outras; mas cada família infeliz tem um motivo especial para se sentir desgraçada.]
…Ah.
Quando Yurij foi obrigado a acompanhar Cheriot e ouviu a história sobre os seguranças dele, tinha lembrado dessa frase. Era uma frase que ele tinha ouvido em algum lugar, mas cuja origem desconhece, algo que às vezes ruminava para não se tornar miserável de qualquer maneira enquanto vivia sua vida. Ele pensava que não era só ele que vivia assim, que no mundo devia haver inúmeras famílias infelizes.
Mas acontece que a frase, que ele achava ser um dito transmitido como provérbio, na verdade vinha de um livro.
Era fascinante.
E também lhe deu arrepios.
Não conseguia acreditar que tivesse encontrado ali, justamente, a frase que havia atravessado sua vida, e que fosse Cheriot quem a tivesse mostrado a ele.
Não conseguia acreditar que Cheriot tivesse lembrado que ele lia livros e tivesse ido deliberadamente a um café com livraria; tampouco conseguia acreditar naquele lado dele, que procurava uma oportunidade para lhe dar o presente, fracassava e agora estava nervoso como um novato.
«Nunca imaginei que na minha vida, que nem sequer tinha uma lamparina, apareceria uma luz chamada Cheriot, como o anjo que um dia chegou de repente à casa do sapateiro Simon[6].»
—Você não gostou? Esse livro tem um final não muito bom, mas mesmo assim é bem…
O homem que dizia que poderia seduzir qualquer um se quisesse estava, só por dar um livro de presente, extremamente nervoso e não parava de fazer perguntas. Yurij, que vinha acariciando o livro com cuidado, expirou lentamente e depois ergueu a cabeça para encontrar os olhos de Cheriot.
—Não li ainda.
Como era a primeira vez que sentia aquilo, Yurij não sabia que expressão estava fazendo. Mas sabia que sem dúvida teria um rosto diferente do habitual. Embora fosse uma noite escura, sentia que seus olhos se apertavam levemente porque seus globos oculares esfriavam. A força no canto de seus lábios, fortemente fechados, relaxou e sem perceber os cantos de sua boca se ergueram.
—Obrigado. Gostei muito.
Yurij sussurrou com sinceridade. A curva que se formou no canto de seus lábios ficou um pouco mais profunda, e também apareceram rugas suaves nos cantos dos olhos. Um brilho prateado se formou em suas pupilas azuis, antes calmas, e suas sobrancelhas negras e grossas se arquearam com beleza.
Seu rosto mudou, como um lago que brilha sob a luz da lua em uma noite tranquila.
Yurij fechou suavemente a capa do livro como quem manuseia um objeto muito importante. Como se temesse que o livro amassasse, seus olhos, que vinham sorrindo, ficaram
ligeiramente sérios. Inclinando a cabeça para olhar o livro, acariciou com cuidado o título com a ponta dos dedos. Sobre o título, impresso em relevo, tinha sido aplicada tinta dourada. Esfregando as letras douradas e confirmando mais uma vez que o livro em suas mãos era real, Yurij olhou de novo para Cheriot e sorriu.
Obrigado, ia dizer, um agradecimento que por mais que repetisse seria insuficiente, mas…
—Que droga, Yurij.
Cheriot o interrompeu.
—Eu claramente tentei me segurar. Fiz tudo o que pude pra me segurar.
Palavras incompreensíveis ressoaram em seus ouvidos. Uma sombra que caiu como uma tempestade cobriu Yurij por completo e o levou até Cheriot. O homem que se lançou como o destino abraçou Yurij com força contra o peito. Seguindo Cheriot, que baixava a cabeça e esfregava os lábios nos dele, Yurij também separou os lábios.
Soltando um no outro fôlegos que ficaram ásperos em um instante, os dois começaram a se saborear como se estivessem esperando por aquilo. Como se tivesse pegado fogo, o calor se espalhou quente por todos os lados.
Cheriot, que empurrou Yurij sobre o sofá, subiu em cima dele. Olhando para baixo, para Yurijj, que ainda segurava o livro mesmo tendo sido derrubado, Cheriot fez uma expressão de desespero, inclinou o tronco e voltou a beijá-lo. Enquanto Cheriot beijava com ansiedade, Yurij também introduziu a língua segurando-lhe as bochechas.
Os dois sabiam exatamente o que viria a seguir.
A mão de Cheriot se enfiou por baixo de sua roupa. Como o sol derretendo gelo, cada área que sua mão tocava começou a esquentar e derreter.
Era a primeira vez que ele se misturava com alguém porque desejava com tanto anseio.
Nunca antes tinha abraçado e beijado alguém com tanta ansiedade, nem tinha permitido que outro enfiasse a mão para lhe tirar a roupa. Para Yurij, que só tinha escolhido entre o pior e o menos pior, não tinha havido um dia em que tivesse escolhido seguindo um impulso interior como agora.
Talvez por isso, tudo ao seu redor lhe parecia estranho. Embora já tivesse beijado Cheriot uma vez no lago, longe de lhe parecer familiar, seu corpo tremia a ponto de doer respirar. Tinha feito sexo inúmeras vezes, mas estava tão loucamente tenso que ficava tonto, como se fosse sua primeira experiência. Ao misturar as línguas e separar os lábios por um instante para
expirar com dificuldade, Cheriot apertou o braço que sustentava suas costas e puxou Yurij de novo.
Os dedos que tinham se afastado por um instante de sua bochecha voltaram a envolver Cheriot. Sua pele, tão macia que era quase escorregadia, lhe parecia preciosa, e Yurij não conseguia apertar com força. Temia que, se agarrasse com força, aquela pessoa tão bonita pudesse se machucar.
Enquanto Yurij mal conseguia receber os beijos que não davam trégua, a mão que tinha entrado por baixo da camiseta empurrou habilmente a roupa para cima e acariciou a pele que ficou exposta. O abdômen pálido de Yurijj era lindamente marcado por músculos abdominais firmes que criavam sombras tênues, e sobre eles se estendiam veias azuladas quase invisíveis e cicatrizes.
Cheriot tocou com a ponta dos dedos uma cicatriz alongada em seu flanco esquerdo. Uma cicatriz com bordas irregulares como papel rasgado, preenchida com carne esbranquiçada, diferente da pele original de Yurijj, cujo surgimento ele nem sequer lembrava. Tinha parado de contar havia muito tempo como e onde tinha se machucado.
Desde que a mão tocou a cicatriz, a atenção de Yurijj também se voltou para lá. Talvez, se ele a tocasse por cima e passasse adiante, pudesse fingir ignorá-la, mas Cheriot continuou acariciando suavemente a cicatriz. Então, interrompendo o beijo, Yurij agarrou o queixo de Cheriot, franziu o cenho e o advertiu. Odiava que Cheriot visse aquela forma que sempre lhe parecera feia toda vez que se olhava no espelho.
—Para de tocar aí.
Resistindo à força da mão que segurava seu queixo, Cheriot baixou o olhar e observou seu abdômen. Quando seu olhar pousou descaradamente na cicatriz, Yurij ergueu ligeiramente o tronco e dobrou o ventre para que a cicatriz ficasse o mais escondida possível. Cheriot agarrou seu braço, que tentava cobri-la baixando de novo a roupa, e o pressionou contra o sofá. Com um braço, Cheriot segurou firme o pulso direito de Yurijj e subiu sobre a parte inferior de seu corpo como uma fera.
—Não posso tocar nela?
—Não.
—Por quê?
—Mesmo que você toque, eu não vou sentir nada, e eu não gosto.
Da visão de Yurijj, completamente deitado no sofá, só se via o rosto de Cheriot. Diante da figura que o olhava de cima com os olhos avermelhados pela febre, ficou sem palavras por um instante. Cheriot, piscando com seus cílios longos e sussurrando, era tão irreal quanto uma criatura de lenda que tinha vindo procurá-lo em segredo, exatamente como ele tinha pensado antes.
Aproveitando aquele breve momento, Cheriot baixou a cabeça e percorreu o tronco de Yurijj. Com a outra mão, que não segurava seu pulso, empurrou de uma vez a camiseta até acima do peito e depois, após observar atentamente as cicatrizes que cobriam seu tronco, inclinou a cintura. O rosto bonito que enchia sua vista desapareceu e em seu lugar a esplêndida cabeleira avermelhada balançou diante de seus olhos. Ao ver aquilo, Yurij recobrou tardiamente os sentidos e torceu o corpo, mas Cheriot foi mais rápido.
Com um contato suave como uma pluma que cai, uma massa úmida de carne tocou a cicatriz de seu flanco. Como uma fera que lambe um ferimento, Cheriot pôs a língua para fora e lambeu longamente a cicatriz branca. Enquanto surgia a ilusão de que um pequeno calor subia daquela área, danificada demais para já sentir qualquer coisa, Yurij, sem perceber, torceu a cintura e deixou escapar um gemido leve.
—Uhh, ah… ugh…
🍒。・゚♡゚・。🎂。・゚♡゚・。🍒
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna