Icing On The Cake (Novel) - Capítulo 03.19
3. Cherry and Smoke
Sobre as pupilas azuis de Yurij se sobrepôs um azul profundo. A água azul-céu do lago se estendia diante deles como um mar, ondulando. O lago que encontraram no meio do bosque deserto parecia um oásis escondido por fadas.
E Cheriot era como o dono daquele oásis.
Cheriot, que tinha deixado a mochila sobre a relva, tirou sem hesitar sua camiseta e a arremessou. Ao desaparecer a camiseta cinza-claro de manga curta que cobria seu torso, ficou descoberto um torso deslumbrantemente firme. A pele de Cheriot, refletindo a luz do sol, tinha um tom marfim, e cada vez que se movia, seus músculos bem definidos se contraíam com vivacidade.
Assim que tirou a parte de cima, Cheriot se atirou ao lago. Yurij não teve tempo de detê-lo. Deixando suas sandálias no lugar, mergulhou de uma vez na água, com uma frescura que fazia com que quem visse se sentindo renovado. Mergulhou por completo, até que não se via seu cabelo.
Yurij, que tinha ficado parado no bosque sob a sombra das árvores, olhava o lago como se perseguisse a imagem residual de Cheriot, que tinha desaparecido num instante. Todo o ocorrido desde sua chegada era tão fugaz que parecia estar sonhando por um momento. Com Cheriot, que tagarelava ruidosamente ao seu lado, desaparecido, o bosque estava sereno até a solidão. Embora não fosse completamente silencioso porque se ouvia o canto dos pássaros e o som do vento roçando os galhos, sentia com força que tinha ficado sozinho.
Com o cenho pálido franzido, ergueu a mão e passou os dedos pelo cabelo. Depois de passar os dedos sem sentido pelo cabelo várias vezes, logo desviou o olhar e observou o café que segurava na outra mão. Por ter corrido ao ritmo de Cheriot, o café se derramou na metade e o conteúdo estava nessa medida.
— …
Em vez de levar aos lábios o café que tinha comprado porque queria beber, Yurij desviou o olhar e olhou para a frente. Embora tivessem passado vários segundos, Cheriot não saía do lago. Por muito que procurasse na água a esplêndida cabeleira avermelhada, não a via. Yurij, que estava na sombra, deu um passo em direção à margem.
“Terá morrido?”
Diante do sinistro pensamento que lhe cruzou de repente, Yurij franziu o cenho. Surgiu a preocupação de que talvez, por ter se atirado ao lago sem aquecer, tivesse uma câimbra e estivesse forcejando ou lhe tivesse dado um ataque cardíaco. Embora fosse um esportista experiente em exercícios físicos, inquietava-o não vê-lo.
Yurij, que tinha hesitado, no final deu mais um passo. Uma vez que começou a andar, seu corpo se moveu com naturalidade. Ao sair do bosque sombreado pelas árvores e chegar à margem onde havia seixos, Yurij dirigiu o olhar para as sandálias abandonadas sem dono e depois abriu a boca lentamente.
— Cheriot?
O som se expandiu no ar. Não houve resposta.
— Cheriot.
Yurij chamou de novo. Desta vez com a voz um pouco mais alta. Ainda reinava o silêncio e da água não subia nada. Franziu o cenho, apertou os lábios e exalou um longo suspiro misturado com impaciência.
“Não faz sentido que depois de salvar-lhe a vida ele se afogue nadando.”
A irritação e a ansiedade se misturaram e logo se transformaram numa profunda preocupação. Embora pensasse que era impossível, ao imaginar que talvez Cheriot estivesse ali embaixo esperando ajuda, ficou nervoso. Yurij, que nunca tinha entrado na água por vontade própria, após uma breve deliberação se dirigiu à margem. Desamarrou rapidamente os cadarços de suas botas de combate pretas que lhe cobriam os tornozelos, tirou-as, tirou também a parte superior preta e depois meteu um pé na água do lago.
A água que tocou a ponta de seus dedos estava mais fria do que pensava. Um arrepio subiu por sua espinha dorsal e se estendeu pela pele. Ignorando a temperatura da água tão fria que lhe gelava o coração, Yurij caminhou lentamente para dentro. O lago, contra o esperado, tinha ondas fortes. Ao sair da terra firme familiar e adentrar a água, manter o equilíbrio era mais difícil do que pensava. Não importava o quão forte fosse normalmente.
— Cheriot, pare de brincar e saia.
Quando a água lhe chegava por cima dos joelhos, Yurij chamou de novo Cheriot. Sua voz grave ressoando no ar lhe parecia estranha, como se fazia muito que não chamava alguém assim.
Mas Cheriot continuava sem sair. Já não lhe restava mais que se convencer de que realmente tinha acontecido algo, e Yurij apertou os molares e adentrou mais no lago em busca de Cheriot. Não podia nadar, então não poderia resgatá-lo, mas tinha a intenção de se aproximar o suficiente para ver o que ocorria debaixo d’água.
A água que lhe molhava as coxas já lhe chegava perto da cintura. Como o lago, de grande tamanho, fluía como um rio, sua profundidade era tal que se afogar não seria estranho, e por instinto lhe embargou certo medo. Era a ansiedade diante de um ambiente desconhecido que não podia controlar. Com o menor erro aqui, poderia perder o pé e cair na água. Se isso acontecesse, longe de resgatar Cheriot, talvez ele também morresse.
Ciente de que não era uma decisão racional, Yurij inspirou profundamente e, ao expirar, agachou o corpo. No instante em que todo seu corpo se submergiu, um frio arrepiante o cobriu. Enquanto observava dentro dos limites que seus pés tocavam o fundo, Yurij descobriu uns olhos verdes que o olhavam de baixo. O homem, que subia bracejando a água com seus longos braços estendidos com frescor, pôs expressão de grande surpresa ao ver o rosto de Yurij.
Felizmente, Cheriot estava vivo.
Como para fazer com que sua preocupação por se estava morto fosse ridícula, Cheriot parecia muito confortável e livre mesmo debaixo d’água. Ao ver Cheriot nadando para ele com despreocupação, Yurij ficou atônito por um instante e ao mesmo tempo sentiu um grande alívio. Por isso, a tensão que tinha invadido todo seu corpo se dissipou. A planta de seu pé, que pisava o fundo escorregadio de seixos, de repente pisou no vazio e perdeu o equilíbrio.
Sem tempo para recuperar a postura, Yurij caiu na água. A fria água do lago entrou por seus lábios separados e sua garganta se moveu ao engolir. Abriu a boca de novo para respirar, mas a água não saía, só entrava a jorros. Seus braços forcejando para agarrar algo só batiam na água sem conseguir segurar nada.
A água que entrava em seus pulmões lhe provocou pânico. Sabia que não se assustar em nenhuma situação era a forma de sobreviver, mas o acidente que enfrentou sem estar preparado o fez perder a calma.
Suas pálidas bochechas se tingiram de uma palidez ainda maior. O medo de que pudesse morrer assim o embargou. Embora pensasse que, como já tinha vivido o suficiente, podia morrer a qualquer momento, agora não queria morrer.
“Que alguém me salve, por favor.”
No instante em que esse pensamento cruzou por sua mente, uma força enorme segurou sua cintura. Suas mãos, que agitavam o vácuo atordoadamente, agarraram com urgência quem se aproximava. Um corpo firme e quente abraçou Yurij com força e depois subiu à superfície.
— …Agh, ugh…!, ah, ah…!
Assim que saiu da água, Yurij tossiu com violência. Uma mão quente acariciou sua bochecha, que ofegava cuspindo água atordoadamente, com suavidade e firmeza.
— Yuri, não acontece nada. Shhh… Respire.
A voz de Cheriot que ressoava em seus ouvidos, diferente do habitual, era serena. Seguindo aquele tom que o acalmava com calma, Yurij ofegou com o peito e aspirou ar uma e outra vez. Como seus olhos, onde tinha entrado água, estavam irritados e não podia abri-los bem, Cheriot os esfregou carinhosamente com o polegar.
— Você se assustou? Está bem. Estou te segurando.
Graças ao contato da mão que lhe limpava a água dos olhos, Yurij encontrou maior estabilidade. Seu corpo ofegante, segurado firmemente por Cheriot, já não se afundava. Mesmo assim, talvez pelo medo de antes, Yurij esqueceu de soltar os ombros de Cheriot, que agarrava com força. Cheriot, sem dizer nada, seguiu repetindo-lhe que estava bem.
— Está tudo bem, Yuri.
O sussurro apaziguador o acalmou aos poucos. Finalmente, ao recobrar o sentido, Yurij abriu lentamente os olhos que tinha franzido e observou a situação. Cheriot segurava sua cintura e glúteos. Ao sentir a sensação dura e suave sob a planta de seus pés, se sobressaltou e se estremeceu, e Cheriot o tranquilizou.
— Continue pisando.
Cheriot mantinha o equilíbrio enquanto fazia Yurij se apoiar em suas coxas. Com um braço o abraçava pela cintura e com o outro braçava na água para que ambos pudessem se manter à tona. Como pisava nas coxas de Cheriot, Yurij podia sentir vividamente que sensação tinha seu corpo. O corpo de Cheriot era forte e firme o suficiente para sustentá-lo sem perder o equilíbrio.
— …
Yurij não disse nada por um momento e só recuperou o fôlego. Como tinha engolido muita água, sentia náuseas e seu peito se revolvia.
A pele de Cheriot, que estava muito perto, era tão cálida que dava arrepios, mais que agradável. Os músculos das coxas que seguravam a planta de seus pés eram duros como pedra, e o peito que tocava era escorregadio. A sensação da mão que rodeava sua cintura também era estranha. Os dedos que acariciavam a zona da coluna vertebral, afundada, provocavam-lhe formigamento e sua cabeça se enchia de calor.
— Já se acalmou um pouco?
Cheriot, ao confirmar que Yurij recuperava o fôlego, perguntou com suavidade. Olhando fixamente os olhos verdes que o observavam de baixo, Yurij separou os lábios.
— …Sim.
Cheriot molhado era perigosamente bonito. O cabelo vermelho-dourado colado em sua testa e bochechas fazia com que sua pele se visse ainda mais branca, e suas feições, já de si nítidas, tinham sombras como uma escultura. Quando suas pupilas verdes sob as pálpebras molhadas o olhavam fixamente com preocupação, pareceu-lhe que suas entranhas se revolviam e sofreria um espasmo. Embora tivesse cuspido toda a água engolida, vinham-lhe náuseas e estava tonto.
— Se você não sabe nadar, por que entrou na água, bobo?
Como se fosse para tranquilizá-lo, Cheriot lhe deu uma puxadinha de orelha. Embora se visse de imediato que não o dizia a sério, ao ouvir essas palavras de Cheriot, que não conhecia a ansiedade que ele tinha sofrido durante vários minutos, Yurij sentiu-se de repente agravado.
— Por você…
Moveu os lábios e depois calou de novo. Porque sua voz tinha tremido de maneira estranha. Sentia que sua garganta se fechava pela tensão, como quando criança falava pela primeira vez com um ômega.
— Eu? Eu fiz algo errado?
Mas Cheriot, como instando-o a falar, inclinou a cabeça e pressionou sua resposta. Sentia com excessiva vividez como a mão que rodeava sua cintura apertava. Estava tonto. Pelos olhos verdes que não se apartavam dele, resultava-lhe difícil pensar em outra coisa.
— Você ficou muito tempo.
— Hã?
— Na água… ficou tempo demais.
Yurij continuou com grande dificuldade. Cada vez que soltava uma palavra sentia que se afogava, por isso inalava várias vezes. No momento em que finalmente terminou de falar, Cheriot abriu os olhos de par em par.
— Você entrou por mim?
Cheriot, com o olhar fixo nele, perguntou em voz baixa. Enquanto observava o alfa que o olhava fixamente sem piscar, Yurij pensou que gostava que ele o olhasse.
“Isso é muito melhor do que quando estava sozinho no bosque.”
— Sim.
Embora falasse demais, ainda era melhor deixá-lo tagarelando ao seu lado do que desfrutar de um silêncio absoluto. O entorno de Yurij sempre era silencioso, então aquele silêncio lhe era tediosamente familiar. Yurij preferia ouvir a voz de Cheriot antes do canto dos pássaros.
— Pensei que você tivesse se afogado.
Assim que terminou de dizer essas palavras, que sem perceber tinha soltado como um suspiro cheio de sinceridade, a mão que estava em sua bochecha segurou seu rosto. Sentia com clareza como os dedos longos e grossos exerciam força.
Naquele momento o soube.
Quando o braço que segurava sua cintura se tensionou e a coxa na qual se apoiava também fez força, não podia deixar de saber o que Cheriot faria.
Os olhos verdes, escurecidos pela água, estavam cheios de ardor. Ao ver o rosto que se aproximava, com o olhar fixo unicamente nele, Yurij intuíu o que aconteceria em seguida. Passou por sua mente a ideia de que devia impedir, mas seu corpo não se moveu. Se o empurrasse assim, cairia na água.
Sim.
Porque cairia na água.
Ao mesmo tempo que pensava isso, seus lábios se encontraram. Cheriot engoliu os lábios de Yurij, que exalavam um pequeno suspiro. Por causa da umidade, os lábios que se tinham tocado com urgência escorregaram um momento, aterrissando em sua bochecha, e dali, lambendo a bochecha, voltaram aos lábios.
Enquanto Yurij exalava uma respiração tensa por seus lábios perfeitamente unidos, a respiração de Cheriot se tornou áspera. Os dedos que seguravam sua cintura se dobraram e arranharam suas costas. Não sabia o que estimulava Cheriot, mas Yurij sentia com todo seu corpo que estava muito excitado. Ao reconhecê-lo, seu corpo ficou ainda mais rígido. Fazia tanto tempo que alguém o desejava tão descaradamente assim…
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna