Ex Sponsor (Novel) - ↫─Capítulo 107
107
Tomado por um impulso de raiva, Cheongyeon quis retrucar aos gritos, perguntar por que ele falava daquele jeito.
Mas o teor da ligação com o hyung o incomodava, e era difícil abrir a boca.
Não era que ele tivesse dito que não comeria no sentido de rebeldia que Doheon imaginava, mas ele não queria ficar ali justificando uma por uma as suas intenções. E também não parecia que Doheon acreditaria.
Quando ergueu os olhos e fitou Doheon, várias emoções se cruzaram e seu peito se agitou.
Sentia gratidão porque ele vinha dando apoio à sua família até então sem jamais deixar transparecer nada, mas ao mesmo tempo raiva por ele não ter contado antes, e também constrangimento.
Dentre tudo isso, o que espetava Cheongyeon com mais agudeza era a vergonha. Seu rosto ardia a ponto de ser humilhante até puxar assunto primeiro.
Pensando bem, o que Doheon dizia também não estava errado. Naquele momento, o certo era ele se curvar, nem que fosse à força, e agradar o humor dele. Todas as circunstâncias gritavam para Cheongyeon que ele tinha de se render diante de Doheon.
Cheongyeon pegou os talheres e começou a comer. Mas, naquela situação e naquele clima, não havia como a comida descer direito.
Para piorar, ele ainda nem tinha decidido em que direção conduzir a conversa ao encontrar Doheon naquele dia.
No carro, a caminho do restaurante, tinha certeza de que havia pensado bastante, mas, por causa da ligação do hyung, esqueceu completamente até no que tinha pensado. Naquele momento, sua cabeça estava literalmente em branco.
Se a refeição acabasse daquele jeito, ele teria que entrar no quarto do hotel e se deitar de novo com Doheon…
Mesmo no meio disso tudo, era certo dormir com ele?
Não, para começar, seria sequer possível ele recusar Doheon?
“Nesse caso, por que você está aqui agora?”
“Você disse que não me aguentava e foi embora, mas dormiu comigo. A troco de quê você acha que eu estou te tocando agora?”
As palavras que Doheon dissera na semana anterior lhe revolviam todos os nervos a ponto de dar náusea.
“Não existe nada que dinheiro não compre.”
Quão ridículo ele devia ter parecido aos olhos dele, tentando lhe dar lição de que existiam coisas no mundo que o dinheiro não comprava.
Cheongyeon relembrou o que acontecera havia apenas alguns dias e engoliu um suspiro.
No fim, ele estava ali sentado de novo diante de Doheon por causa de dinheiro. Tendo ido a um lugar aonde não queria ir e enfiando à força na boca uma comida que não queria comer.
Pensando de forma realista, o justo seria ser grato a Doheon, que mesmo depois do divórcio continuava, em silêncio, ajudando com o custo de vida, mas, pelo contrário, sua vergonha mais bem guardada tinha sido escavada até ficar em farrapos, e ele não tinha coragem de encará-lo.
E ficava indignado com o tio e o hyung, que até então vinham recebendo dinheiro de Doheon como se fosse a coisa mais natural, sem lhe dizer uma palavra sequer.
Conforme o tempo passava, sua garganta se apertava como se estivesse entupida e era difícil engolir a comida. Cheongyeon a custo engoliu o que tinha na boca e depois pousou os talheres.
— Não consigo comer mais.
Como não conseguia colocar força na garganta, saiu um som sem energia.
Cheongyeon limpou a boca com o guardanapo e bebeu água. Seu estômago estava um caos, a ponto de lhe faltar o ar.
Doheon, que observava Cheongyeon sofrendo, era da mais completa indiferença. Ele também pousou os talheres e inclinou o queixo de lado.
— A conversa da última vez ficou pela metade?
— …
— Esvazie o prato à sua frente.
Ou ainda estava com raiva por causa da bebida, ou achou que ele estava fazendo bravata sem cabimento; a reação de Doheon era só fria.
Ele nunca fora carinhoso, é verdade, mas ainda assim nunca o tinha obrigado à força a comer quando ele dizia que não conseguia. Diante daquele tom gélido, seu corpo, de algum jeito, congelou sozinho.
Cheongyeon ficou remexendo o inocente guardanapo e desviou o olhar. E, sem alternativa, pegou os talheres e recomeçou a empurrar a comida goela abaixo.
A indigestão já tinha subido e seu estômago estava embrulhado. Mastigar qualquer coisa era, em si, um suplício.
— …
— …
No fim, sem sequer ter conseguido dizer as palavras que tanto o preocupavam, a refeição prosseguiu num clima esquisito em que nenhuma palavra era trocada.
Nesse meio-tempo, o celular de Cheongyeon, no bolso, vibrou fracamente. O som zumbido da vibração se enfiou pelas frestas do silêncio.
Cheongyeon conferiu a palavra “hyung” que aparecia na tela sem nenhuma noção de hora e franziu a testa.
— O celular.
A voz de Doheon soou de repente. Cheongyeon ergueu a cabeça e olhou para ele.
— Deixe desligado até amanhã.
— Pode deixar.
Diante da reação de Doheon, que parecia incomodado, Cheongyeon respondeu docilmente.
De qualquer forma, era o que ele pretendia fazer. Justamente sua agenda estava vazia até o dia seguinte, então nem precisava trocar mensagens com o empresário.
Cheongyeon desligou o celular e voltou a pegar os talheres. Por um tempo, apenas o som dos talheres se chocando ressoou de forma árida dentro da sala.
Quantos minutos terão se passado assim? Fazia tempo que ele não mantinha um silêncio tão longo estando junto de Doheon.
Cheongyeon espiou de esguelha o humor de Doheon. Parecia que aquela refeição não era lá muito agradável para ele também.
— …
Ficar prestando atenção em como estava o humor dele era como voltar aos tempos de antes do divórcio.
Ele não achava que Doheon tomaria a iniciativa de dizer qualquer coisa, mas, ao ver diante de si um homem que não fazia a menor menção ao que acontecera, foi tomado pela impaciência.
Ele pretendia mesmo dormir com ele naquele dia? Depois de tudo aquilo, como conseguia ficar tão tranquilo?
Para Cheongyeon, aquele instante sentado à frente dele custava a parecer real.
Quanto mais sua cabeça se emaranhava, mais os movimentos com os talheres iam naturalmente ficando lentos.
— E o próximo trabalho.
— Hã? Ah.
Diante da pergunta que veio de repente, Cheongyeon pousou os talheres e piscou.
— …Ainda estou pensando.
A análise do próximo trabalho estava com o cronograma adiado. Ele tinha soltado a bravata de que ia acabar com a relação de patrocínio e largar a atuação, então também não estava em condição de encarar outra gravação de forma ativa.
Só que Doheon não permitiu a rescisão do contrato, além de ter mencionado até a carreira das pessoas ao seu redor, e naquele dia ele ainda descobrira que o hyung vinha tirando dele o custo de vida como se fosse a coisa mais natural, então a posição de Cheongyeon ficara ainda mais delicada.
Chegava a lhe surgir uma dúvida fundamental sobre se aquilo era coisa que se resolvesse ajoelhando e implorando a Doheon. A julgar pela atitude glacial dele naquele momento, parecia que não daria em nada.
— Já pensou em algum anúncio que queira gravar?
— Isso também ainda não.
Cheongyeon respondeu a duras penas. Sua cabeça estava completamente tomada pela voz do hyung, e ele não conseguia de jeito nenhum se concentrar naquela conversa.
— Diretor.
No fim, quando a refeição estava chegando ao fim, foi Cheongyeon quem falou primeiro.
— Eu soube pelo meu hyung.
— Do quê.
— A mensalidade. Que você vinha bancando.
Cheongyeon encarou Doheon, engolindo a vergonha.
— Ouvi dizer que não é só a mensalidade, você dava também o custo de vida. Desde a época do casamento e mesmo depois do divórcio, sem parar.
— Ah.
Doheon moveu o queixo sem dar muita importância. Era uma reação como se ele tivesse se lembrado de uma coisinha à toa que havia esquecido.
— Por que não me contou? Agora não somos mais casados, somos estranhos.
— Se eu tivesse te dito antes, não haveria nada de bom nisso para você.
— Então mais razão ainda para me contar.
— Por quê?
— Por acaso o seu hobby é ser algum anjo da filantropia? Não é assunto seu, é meu, é assunto da minha família, então claro que eu tinha que saber. Você pretendia não me contar até o fim?
— É justamente ouvindo por acaso um belo dia, como agora, que você vai perceber, não é?
Perceber? O quê?
Cheongyeon pensou, erguendo os olhos.
— Que estar grudado ao meu lado é mais confortável do que qualquer outro lugar.
— …
Até onde iria o egoísmo desse homem? Nem dava para imaginar, e tudo escureceu diante dos olhos de Cheongyeon.
Ao mesmo tempo, a raiva que ele mal tinha conseguido reprimir subiu de supetão.
— Confortável? Ao seu lado é confortável? Não, agora eu estou com tanta vergonha que só quero morrer.
— Claro que sim. Uma criatura que me odiava tanto que saiu sem receber um centavo de pensão.
— E mesmo sabendo disso! Você não me contou?
Também dessa vez, Doheon não considerou minimamente a posição dele.
Cheongyeon detestava que Doheon sempre achasse que podia se intrometer à vontade nos assuntos dele e julgasse ter todo o direito de fazê-lo. Por que ele tentava se infiltrar até mesmo naquela história de família tão sórdida, sem deixar nada de fora?
— Por que você sempre, sempre pensa e age do jeito que bem entende? A minha vontade ou o meu humor não têm a menor importância? Para você os meus sentimentos são tão insignificantes que nem valem o esforço de pensar ou perguntar…! Urgh.
Talvez por ter se exaltado, seu estômago se revirou de repente e veio uma ânsia de vômito. Ao mesmo tempo em que sentia toda a comida que enfiara à força refluir, seu peito se apertou.
— Yoo Cheongyeon?
Quando Cheongyeon tapou a boca e engoliu algumas golfadas de ar, Doheon se levantou às pressas.
— Haa…
— Foi por isso que eu disse para você não beber.
— Você acha mesmo que eu estou assim por causa da bebida?
Cheongyeon gritou com estridência. E ele tinha bebido dias atrás, então por que aquela ladainha de bebida.
— Vem aqui. Deixe eu ver se você está com febre.
Doheon, que num instante já estava perto de Cheongyeon, estendeu o braço. Quando sua mão enorme tocou sua testa, Cheongyeon estremeceu e recuou o corpo.
Diante dos feromônios de alfa que sentia com uma nitidez incômoda, seus ombros se encolheram.
— Chega. Eu já estou bem.
Ao ver Cheongyeon esquivando-se dele, Doheon fechou a boca que ia dizer algo.
— Acho que me exaltei um pouco e o estômago se assustou.
— Não precisa ir ao hospital?
— Não precisa.
Assim que saiu a palavra hospital, Cheongyeon se horrorizou. Já era um lugar aonde ele não queria ir de qualquer jeito, mas junto com Doheon era ainda mais recusado.
Toda vez que ia ao hospital com ele, mais do que receber tratamento ou proteção, tinha sempre a sensação de ser abandonado. Cheongyeon tinha muito medo disso.
Doheon conferia a cor do rosto de Cheongyeon com um olhar desconfiado. Parecia achar que a afirmação de que estava bem era mentira.
Com medo de que ele o arrastasse à força para o hospital como antes, Cheongyeon se levantou com uma expressão dura. E mudou de assunto às pressas.
— Se já terminou de comer, vamos para o hotel. De qualquer forma, foi por causa disso que a gente veio.
Cheongyeon, que se esforçou para ajeitar a respiração acelerada, fitou Doheon fingindo naturalidade.
Depois de alguns segundos sem dizer nada, Doheon tirou o celular e ligou para algum lugar.
Ele deu a instrução ao telefone com o olhar fixo em Cheongyeon.
— Deixe o carro esperando lá embaixo. Vamos para o hotel.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna