Ex Sponsor (Novel) - ↫─Capítulo 105
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— Pode até ser. Mas a forma de dizer é meio esquisita. O senhor Cheongyeon é uma pessoa, e ficar falando em ter ou não ter…
— É exatamente isso que eu estou dizendo, agora!
Diante da resposta que a empregada acertou por acaso, Cheongyeon manifestou uma concordância veemente.
— Sério, ele não me dava a mínima quando a gente era casado, e agora eu não entendo por que está agindo desse jeito. Sinceramente, a senhora também admite, né? Que o Moon Doheon anda estranho.
Cheongyeon a encarava fixamente, de um jeito quase constrangedor, como quem pedia que ela concordasse logo com ele. Sem conseguir resistir à pressão, a empregada mexeu os lábios algumas vezes, como se procurasse o que dizer.
— Agora que você falou, ele parece meio peculiar mesmo… É que o diretor, desde pequeno, sempre foi uma pessoa que só conheceu estudo e trabalho.
Não era um fato lá muito surpreendente. Doheon tinha sido um intruso que, num certo dia do ano em que completou dez anos, apareceu sem aviso na família dona do Grupo JT. Para ser aceito como um membro da casa, ele devia ter precisado, de algum jeito, ter suas capacidades reconhecidas.
No fim das contas, o fato de Doheon , de origem bastarda, ter se tornado o herdeiro era a prova de quão incansável tinha sido seu esforço.
— Se a senhora o vê desde pequeno, então trabalhou bastante tempo na casa do presidente. Mas por que não continuou na casa principal e saiu junto quando o Moon Doheon se casou?
— Porque ele disse que aumentaria meu salário.
— …
— Hohoho…
Diante da resposta concisa e sem rodeios, Cheongyeon ficou por um instante sem palavras.
Mas logo assentiu com a cabeça, conformado.
— Bom, é verdade. O salário anual é importante.
— Pois é.
Ficar assim, batendo papo com a empregada, dava a estranha sensação de ter voltado a antes do divórcio. Pensar que até o ambiente onde morava e as pessoas ao seu redor ainda eram preenchidos por gente de Doheon. Havia algo de amargo nisso.
Com uma expressão cheia de preocupação, Cheongyeon remexia a tigela de sopa.
— Então o Moon Doheon tinha esse gênio desde pequeno…
Era lamentável e, por outro lado, também lhe pareceu bem a cara de Doheon .
— Nossa. Como assim, esse gênio? Eu disse aquilo no sentido de que é admirável. Não sei se posso dizer uma coisa dessas, mas o ambiente em que o diretor cresceu não é comum, então, mesmo que haja coisas que sufoquem o senhor, o que eu quero dizer é que o senhor deveria tentar resolver com uma boa conversa.
A empregada tentou convencer Cheongyeon com suavidade.
Não era como se ele não tivesse tentado o método que ela sugeria. Mas, longe de resolver bem com uma conversa, o que voltava era só uma chantagem antissocial de destruir a carreira de todo mundo ao seu redor.
— E se eu me esforçar do meu jeito e mesmo assim ele me ignorar por completo?
— Hum… Aí é preciso agradá-lo melhor. Bem melhor.
— Não, mas de que jeito eu ia agradar o Moon Doheon?
Cheongyeon balançou a cabeça, como se aquilo fosse um absurdo.
Mas a empregada, que tinha idade para ser mãe de Cheongyeon, exibiu um sorriso tranquilo, como se aquilo não fosse de todo impossível.
— Com pessoas como o diretor, que parecem duras por fora, não dá para tentar tratá-las exatamente do mesmo jeito. Se ficar batendo de frente, o senhor é que vai acabar quebrando.
— Por que a senhora garante que eu é que vou quebrar? O Moon Doheon também pode quebrar.
Ele tentou rebater, tomado de indignação, mas, como a empregada dizia, Cheongyeon já não só tinha quebrado como estava caído no chão, virando farelo.
Desde o começo, era impossível para ele enfrentar Doheon e vencer. Mas não era como se ele quisesse aquilo. Foi uma escolha que fez porque não havia outra saída além de bater de frente.
— Ei, francamente. Não é quem vai quebrar que importa. O que eu quero dizer é: mesmo que existam pontos em que vocês não se entendam e isso o sufoque e o irrite, é preciso falar tudo, do começo ao fim.
Aquilo, sim, era uma bobagem sem cabimento. Tomado por uma emoção súbita, Cheongyeon franziu a testa e rebateu:
— Como é que uma pessoa vai falar tudo, do começo ao fim? Se ele mesmo não fala nada! E ele vive só trabalhando fora e chega em casa, então quando, como e de que jeito eu vou falar? A senhora já viu o Moon Doheon parar em casa?
— Hum. Isso também é verdade.
— Viu só.
— De qualquer forma, quem tem sede é que cava o poço, então quem está precisando é que tem que dar um jeito de falar para o outro arranjar um tempo.
Francamente, precisando! Quem?
Diante daquelas palavras que acertaram em cheio, o peito de Cheongyeon inchou. Mas quem punha sobre a palma da mão e manipulava ao seu bel-prazer a vida dele como ator, e até a equipe, era Doheon , então ele não podia rebater.
Para um pequeno cidadão como ele enfrentar, Doheon era uma montanha grande demais.
— Ah, sei lá. Como é que se agarra uma pessoa e se fala cada coisinha…
— Mas dizem que briga de casal é como cortar água com faca.
— Como assim briga de casal, se nós nos divorciamos.
— Ops. É que já virou hábito para mim.
A empregada, constrangida, deu tapinhas na própria boca com a palma da mão.
— Faz um tempão que a gente se separou.
— É que as coisas do senhor continuam na casa e os dois continuam se encontrando, então eu me esqueço. Deve ser a idade.
— …
— Ai. Na verdade, eu ainda não me acostumei a ouvir o senhor falando mal do diretor. Antes o senhor só dizia coisas tão bonitas.
Talvez lamentando aquela relação que tinha azedado daquele jeito, ela soltou um suspiro quase inaudível.
Cheongyeon repassou na cabeça o tipo de coisa que costumava dizer na frente da empregada no passado. Pensando bem, naquela época seu amor não correspondido estava tão profundo que ele nem cogitava dizer algo ruim. Fizesse ele o que fizesse, era só alegria.
Por mais indiferente que Doheon fosse, ele tinha absoluta certeza de que um dia, ao menos uma vez, ele olharia para ele. Era uma expectativa irreal, quase de conto de fadas.
E o Doheon de agora devia querer que ele voltasse àquela época. Afinal, para ele, devia ser conveniente um Yoo Cheongyeon que abanava o rabo e recebia bem qualquer coisa que ele fizesse.
— Pois é. Antes eu vivia ocupado perguntando à senhora todos os detalhes da agenda do Doheon e do que ele gostava.
Cheongyeon murmurou com amargura.
— Enfim. A senhora deve estar ocupada com os afazeres da casa, então daqui em diante não precisa vir até aqui. E trouxe acompanhamentos demais. Eu nem tenho tempo de comer tudo isso.
Cheongyeon falou olhando para a variedade de acompanhamentos, excessiva para ele comer sozinho.
— Eu não tenho escolha a não ser fazer o que o diretor manda. E, de qualquer forma, ultimamente ele quase não come em casa e fica fora, então não há muito o que preparar e eu ando até com bastante tempo livre…
— Não. Como se estivesse fazendo protesto. Por que ele de repente parou de comer em casa, se comia tão bem. Se é assim, era melhor montar um lar com o trabalho.
Diante das reclamações que Cheongyeon despejava sem parar, a empregada, para quem ficar só ouvindo parecia difícil, pigarreou e revirou os olhos.
— Sobre as refeições, não é que ele parou de repente. Desde antes de se casar, ele já não costumava comer direito em casa.
— Quê?
Cheongyeon inclinou a cabeça, como quem não entendia do que ela falava. Durante todo o tempo em que viveu com Doheon , tinham comido cafés da manhã fartos a ponto de a mesa quase quebrar as pernas, então ele achava que ele apreciava esse tipo de refeição.
— Então o que ele comia antes disso?
— Sei lá. De manhã ele comia leve, mais torrada ou fruta, e no jantar, se não tivesse compromisso com o presidente, acho que ele também não comia lá muito bem.
— Nossa.
— Depois que ele se casou, como havia alguém morando com ele, parece que ele começou a se importar um pouco mais e a caprichar.
— E eu achando que ele tinha um espírito de quem morre se não tomar café da manhã…
Não era isso? O jantar, tudo bem, ele era ocupado e havia muitos dias em que não podiam comer juntos, mas, como ele fazia questão de comer o café da manhã religiosamente, feito um banquete, ele achou que Doheon gostava muito de comida.
Cheongyeon, que durante três anos tinha acordado de madrugada e enfiado o café da manhã goela abaixo, a ponto de ter indigestão, só para se ajustar a Doheon , sentiu de repente que todo aquele seu esforço do passado tinha sido em vão.
— Que arrepio. Até agora eu achava que aquilo era gosto do Moon Doheon .
— Meu Deus, de jeito nenhum. Como o diretor fazia questão de pedir que se servisse sopa e uma variedade de acompanhamentos, eu achava que era o senhor Cheongyeon quem gostava.
Para alguém que tinha cozinhado com tanto carinho todo aquele tempo, ele não teve coragem de dizer que comia aquilo e passava mal todo dia. Sem querer, Cheongyeon concordou com veemência.
— Claro que eu gosto!
— Nossa. Já está tão tarde. E eu ainda tenho que lavar a louça.
— Ah… Pode deixar a louça aí. Eu arrumo.
— Já que vim até aqui, tenho que deixar tudo organizado antes de ir. Terminou de comer?
Retrucando num tom de quem não admitia o contrário, a empregada se levantou. Quando Cheongyeon assentiu, ela guardou na geladeira os acompanhamentos que tinha servido e levou os pratos vazios para a pia.
Cheongyeon observava as costas da empregada, que se movia atarefada bem à sua frente, e ruminava a conversa de pouco antes. Não sabia dizer o motivo, mas, por vários ângulos, estava com o coração inquieto.
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O tempo correu direitinho e, sem que percebesse, já era sexta-feira. E Cheongyeon ainda estava sem conseguir tomar uma decisão sobre o que fazer e como agir dali em diante com Doheon .
Na verdade, seria mais exato dizer que ele tinha perdido a vontade de lutar.
Afinal, não era um oponente que ele pudesse ousar enfrentar ou contrariar.
Ou fazia como Kim Jihan dizia, sugando o que pudesse e se comportando como a língua dentro da boca dele até que ele se cansasse, ou fazia como a empregada dizia, tentando conversar de novo e resolver da melhor forma possível. Ou então, senão, se ajoelhava e implorava para que ele parasse, por favor.
Por mais que virasse a cabeça, parecia haver apenas aquelas três opções. O último método era algo que o próprio Cheongyeon tinha bolado nos últimos dias, e, no fundo, achava que era um método até bom.
Incomodava-o o fato de que nunca tinha se rebaixado tanto assim diante de Doheon , mas, pelo contrário, justamente por isso, subia nele uma estranha confiança de que talvez aquele método funcionasse.
Cheongyeon respirou fundo ao entrar no restaurante onde tinha combinado de encontrar Doheon .
Um funcionário que aguardava na entrada se aproximou sorrindo, como se o esperasse, e o cumprimentou.
— Seja bem-vindo. Vou conduzi-lo diretamente para dentro.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna