Ex Sponsor (Novel) - ↫─Capítulo 106
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— Não, tudo bem. Eu sei onde é, vou sozinho.
Era um restaurante que ele costumava frequentar com Doheon antes do divórcio, então Cheongyeon já estava acostumado. Todas as mesas ficavam divididas em salas privativas, de modo que a estrutura interna era ampla e complicada, mas, como sempre comiam na mesma sala toda vez que iam juntos, não precisava que um funcionário o acompanhasse.
Cheongyeon caminhou pelo corredor sem conseguir organizar as emoções complicadas. Os passos eram pesados e pastosos, como se alguém lhe segurasse os tornozelos por baixo.
Assim que entrasse na sala, o plano era primeiro observar como o clima ia se desenrolar. Se ele não parecesse de mau humor, ia implorar fingindo dar o máximo de pena possível…
— Ué?
Cheongyeon, que avançava lentamente sob a iluminação suave do restaurante, sentiu o celular vibrar e parou.
O remetente que ele conferiu sem pensar era uma pessoa inesperada.
—Hyung
Por que o hyung, do nada?
Assustado, Cheongyeon ficou paralisado segurando o celular. Ficou em dúvida se atendia na hora ou se ligava de volta depois de ver Doheon .
Como ainda não tinha explicado direito à família nem o divórcio com Doheon nem o fato de ter começado a trabalhar como ator, só de ver a palavra “hyung” já lhe deu dor de cabeça.
Mas então percebeu que faltava pouco para o aniversário de morte do tio. Provavelmente tinha ligado por causa disso. Por mais ocupados que estivessem, na data eles sempre se reuniam em família.
Em vez de desligar, Cheongyeon apertou o botão de atender.
— Hyung, quanto tempo.
—Pois é, Cheongyeon. Tem passado bem?
Assim que cumprimentou meio sem graça, a voz do hyung, que não ouvia fazia tempo, atravessou sua orelha.
— Eu tenho passado bem. Mas é que eu estou na rua agora. Se não for algo urgente, posso ligar depois?
—Ah, é? Bom, eu também não liguei para falar demorado. Liguei só para você saber que já está chegando o aniversário de morte do tio.
— Eu sei. Vou arranjar um tempo e passar em casa. E você… está indo bem nos estudos?
—Eu sempre me esforço. E vou bem na mesma medida. Nem precisa perguntar, você sabe.
— Verdade. Você sempre vai bem.
Mesmo diante daquele autoelogio repentino, Cheongyeon concordou como quem já estava acostumado.
Desde pequeno, o hyung era realmente bom em tudo. Era um aluno perfeito, a ponto de as pessoas ao redor exaltarem que ele tinha talento em tudo que tocava, fosse esporte, fosse estudo.
—Você, Cheongyeon, é só cuidar bem da sua própria vida. E não fique aprontando por aí à toa e preocupando o tio. Entendeu?
— E quando foi que eu pedi alguma coisa a você e ao tio? Vou me virar bem para ninguém se preocupar. Enfim, a gente se fala depois.
—Ah, é verdade. Ouvi dizer que a mensalidade da faculdade vai subir a partir do próximo semestre.
Quando Cheongyeon fez menção de desligar, o hyung puxou às pressas um assunto novo.
— Mensalidade? Da faculdade em que você estuda?
—É. Não é um valor alto, mas, como é medicina, é caríssima mesmo, então acaba pesando.
Ouvindo aquilo, a impressão era esquisita de algum jeito. Cheongyeon fechou a boca por um instante e ficou pensando. Por que ele estava dizendo aquilo para ele?
— …E daí? Por que você está me falando isso?
—Desde hoje de manhã, estranhamente, eu não consigo falar com o secretário Shim Jeonghyeok. Parece que ele está muito ocupado, então liguei para você.
Quanto mais ouvia, mais confusas ficavam aquelas palavras. Por que cargas d’água o hyung entrava em contato com o secretário Shim?
Cheongyeon empurrou para longe, com esforço, o mau pressentimento e ajeitou a voz o mais calmamente possível.
— Então, por que exatamente você está falando comigo sobre a sua mensalidade de medicina, não. E por qual motivo você entra em contato com o secretário Shim? Fale direito.
—Você não sabia? Aquele secretário é quem manda a minha mensalidade e a minha mesada.
— O quê?
O tom de voz de Cheongyeon subiu por si só. De tão chocado, seu raciocínio parou por um tempo.
— Hyung, você ficou louco? Espera aí, agora…
Mensalidade e ainda por cima mesada. O secretário Shim? Para o hyung?
Era tudo novidade para ele.
— Você sabe que eu me divorciei do Moon Doheon, né?
Ainda que não tivesse se divorciado, o fato de o hyung estar recebendo dinheiro do secretário Shim, ou seja, de Doheon , era igualmente algo de chocar.
Sem conseguir largar a esperança inútil de que talvez ele estivesse dizendo aquela bobagem por não saber da notícia do divórcio, Cheongyeon perguntava sem ordem nenhuma.
—Sei, sim. Que você se divorciou. Ouvi dizer que você voltou a atuar também. Fiquei sabendo.
Mas aquela voz tranquila despedaçou por completo a expectativa de Cheongyeon.
—Eu e o tio, claro, fomos contra, mas, como ele disse que ia continuar dando apoio à nossa família, bom. Tanto o tio quanto eu deixamos passar, no espírito de que o que é bom é bom. E eu já vivo atolado só com a manutenção das notas.
— …
—Mas você não sabia disso até agora? Eu achava que você tinha falado com eles por conta própria e que era por isso que eles mandavam a mensalidade e a mesada religiosamente havia anos.
O hyung continuava despejando o assunto sem parar, mas nada mais chegava aos ouvidos de Cheongyeon.
Quer dizer que, mesmo sabendo que ele tinha se divorciado, continuavam recebendo de Doheon o custo de vida e a mensalidade até agora?
Por quê? Sem me dizer nada, com que cara?
E, além disso, isso vinha acontecendo desde antes do divórcio? Era a primeira vez que ouvia.
Não era à toa que, mesmo sendo impossível que não soubessem que ele tinha começado a trabalhar como ator, não davam um telefonema sequer. Será que não davam nem um “como vai” trivial esse tempo todo porque, fizesse ele o que fizesse, no momento havia algo a receber e por isso tanto fazia?
Pensar que havia uma situação dessas. Diante do choque inesperado, sua cabeça latejava, como se alguém de repente tivesse lhe dado uma pancada.
Com que ideia na cabeça Doheon continuava, mesmo depois do divórcio…
— Senhor? Está procurando alguma coisa em especial?
Um funcionário do restaurante se aproximou, olhando com estranheza para Cheongyeon, que estava parado no mesmo lugar sem se mexer.
— Ah. Não. Eu já ia entrar.
Cheongyeon, que estivera por um momento fora de si, se sobressaltou e balançou a cabeça. E desligou o telefone sem nem se despedir do hyung.
— …Se precisar de algo, é só me dizer.
O funcionário, que fez uma reverência e se virou para ir embora, estacou de repente, talvez por ter reconhecido o rosto de Cheongyeon, mas logo passou por ele em silêncio e desapareceu.
Sem conseguir apagar a perturbação, Cheongyeon parou diante da sala. Ao pensar que Doheon estaria sentado lá dentro, o calor lhe subiu ao rosto sozinho.
Pensar que a sua família vinha exigindo custo de vida de Doheon esse tempo todo. Ele até se perguntava se teriam mesmo tão pouca vergonha na cara, mas, tratando-se do tio e do hyung, de algum jeito lhe parecia possível. Afinal, mesmo quando ele disse que ia se casar com Doheon , eles pediram apoio material às claras.
Como Doheon o veria durante todo esse tempo? Por que não lhe contou? Por pena? Ou será que não disse nada porque achava que ele não seria diferente deles?
Cheongyeon ficou parado diante da sala e agarrou a maçaneta. Mesmo sabendo que não devia, queria dar meia-volta e fugir dali.
Mas, se fugisse ali, isso só acrescentaria mais um ato sem-vergonha à lista. Por ora, encontrar Doheon naquele dia era inevitável.
— Huu…
Cheongyeon esfregou o rosto com as mãos secas, passou a mão pelo cabelo e abriu a porta.
Ao som do clique, Doheon , que tinha chegado antes e tomava chá, virou a cabeça e conferiu Cheongyeon.
A postura reta e o caimento do terno perfeitamente ajustado ao corpo, a gravata que envolvia o pescoço e o colarinho de forma impecável, os lábios fechados, as pupilas em que não havia emoção alguma.
E aquele rosto asseado e belo que sempre tinha sido veneno para ele.
Assim que viu Doheon , o ar lhe faltou de imediato.
— …
Como Cheongyeon ficou parado por alguns segundos sem se mexer, ele pousou a xícara com ar de estranheza.
— O que foi? Senta.
Diante da voz grave de Doheon , Cheongyeon assentiu sem jeito e se sentou do outro lado da mesa.
— Já pedi antes a comida de sempre.
— …Sim.
Pouco depois de Cheongyeon se sentar, um funcionário entrou e levou o casaco dele. E logo trouxe os pratos com a entrada.
Ele já estava sem apetite, e ver a comida diante dele fez sua testa franzir sozinha.
Sem nem dirigir o olhar à comida, Cheongyeon pegou o copo e só bebeu água.
— Ouvi dizer que você bebeu de novo.
— …
— Eu tinha dito para não beber por um tempo.
Cheongyeon não conseguiu pensar em nada para responder e baixou a cabeça.
Por mais que pensasse por um bom tempo, sua mente só ia se emaranhando com pensamentos complicados. Não fazia a menor ideia de por onde devia começar a falar.
— Agora nem falar comigo você quer?
Foi Doheon quem tomou a palavra de novo. Cheongyeon baixou ainda mais o olhar e negou levemente com a cabeça.
— Não. Não é isso.
Sua garganta estava embargada e a voz não saía direito. Olhando a comida servida com esmero, em vez de estalar os lábios de apetite, Cheongyeon mordeu o lábio inferior. Não tinha nem encostado nela ainda, e seu estômago já estava pesado.
— Diretor, é que hoje eu estou passando mal. Acho que não preciso comer.
— Mesmo sem vontade, coma.
Ele parecia ter julgado que a atitude diferente do habitual de Cheongyeon vinha do resíduo emocional não resolvido da última conversa.
— Hoje eu realmente não estou com clima de comer…
— Se não está com clima de comer. Eu é que tenho que me ajustar ao seu clima?
— …
— Devia ser o contrário.
Doheon falou como se o lembrasse de que, pelo contrário, quem tinha de se curvar para não contrariar seu humor era Cheongyeon.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna