Ex Sponsor (Novel) - ↫─Capítulo 102
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Era autoritário a um ponto difícil de acreditar que fosse o modo de tratar alguém com quem um dia dividiu a própria cama.
— Você é louco.
Depois de um longo tempo, Cheongyeon murmurou como se falasse consigo mesmo. As mãos e os pés esfriaram, e ao mesmo tempo o estômago embrulhou.
Não conseguia de jeito nenhum entender por que Doheon, que durante todo o casamento nunca lhe dera a mínima atenção, agora se obcecava por ele a ponto de recorrer a métodos tão baixos, e isso só o sufocava.
Quem seria, afinal, aquele homem chamado Moon Doheon que ele achava conhecer? Por que exatamente ele tinha ficado tão encantado, a ponto de rondar por perto só para receber mais um olhar dele?
Queria ser reconhecido por Doheon, ser amado por ele e dar de volta um amor ainda maior. Como seu traço era recessivo, queria compensar as próprias faltas nem que fosse com esforço.
Não fazia mal se Doheon o tivesse acolhido por culpa em relação ao pai. Houve até momentos em que achou bom que ele sentisse pena dele.
Para que ninguém apontasse o dedo pelas costas dizendo que ele era um alfa enfeitiçado por um ômega recessivo, queria se tornar alguém à altura de Doheon, mesmo que os sacrifícios que fazia nunca fossem retribuídos.
Mas para onde teriam escorrido todos aqueles sentimentos e esforços? Será que o Moon Doheon que ele amara com tanto ardor era mesmo a mesma pessoa que o Moon Doheon parado ali na sua frente?
Era triste constatar que conseguia se decepcionar tanto assim com alguém ao lado de quem um dia quis estar nem que fosse entregando tudo de si.
— Você disse da outra vez. Que nunca deixou de me querer bem.
Cheongyeon abriu a boca sem conseguir esconder a voz trêmula.
— Se é assim que você trata alguém de quem um dia gostou, então você é um lixo de verdade.
A lembrança de Doheon dizendo com o rosto indiferente que nunca deixara de querer bem a ele chegava a ser detestável.
— Nunca pensou que é justamente porque gosto de você que estou pegando leve até agora?
— Pegando leve? Isso? E eu ainda deveria me sentir honrado?
Cheongyeon soltou uma risada seca.
Diante disso, o olhar insistente de Doheon o percorreu da cabeça aos pés.
— A roupa que você veste, o lugar onde mora, as pessoas que encontra, as coisas que usa, o trabalho que faz, até o que você come. Como não percebe que me importo com cada detalhe porque gosto de você?
Doheon falou como se estivesse frustrado. Mas o afeto de que ele falava não tocava Cheongyeon nem um pouco.
— Descobri que o senhor diretor é mais anormal do que eu imaginava e que só não suporta a ideia de me entregar a outra pessoa.
Cheongyeon zombou num tom bastante mordaz.
— Eu achava que a gente já tinha visto o fundo do poço um do outro, mas parece que não.
Doheon baixou os olhos para o contrato sobre a mesa e cobriu com o polegar, pressionando devagar, a impressão digital que Cheongyeon havia marcado com vinho.
Depois de um breve silêncio, Doheon falou:
— Digamos que ainda restava o abismo.
— …
Se até agora tinham visto o fundo do poço um do outro, Doheon dizia que agora era a vez de verem o abismo.
No fim das contas, significava que ele não tinha a menor intenção de interromper aquele contrato absurdo.
Era um aviso de que, mesmo divorciados, iria levar até o fim aquela relação anormal: encontrá-lo mesmo com risco de gravidez, deitar-se com ele contra a sua vontade e pagar o preço por isso. Usando as pessoas ao redor como pretexto.
A conclusão de Doheon era simples, como se nem fosse preciso considerar o quanto ele se feria naquele processo.
O rosto de Cheongyeon empalideceu. Sentia nojo e, ao mesmo tempo, um vazio em algum lugar.
Sem conseguir esconder a expressão embargada, Cheongyeon mexeu os lábios.
— Eu amei o senhor de verdade… E agora me arrependo demais do que senti.
— É só me amar de novo.
Doheon deu um passo na direção de Cheongyeon.
— É só voltar. Eu estou te dando uma chance.
Ele falava como se tudo aquilo fosse simples. Diante daquele tom em que ameaça e pesar se misturavam de um jeito estranho, Cheongyeon fitou fixamente as pupilas negras dele.
Doheon sempre soltara com muita facilidade aquele “volte”.
— Como se nada tivesse acontecido?
— Isso. Como se nada tivesse acontecido.
— …
Como ele conseguia ficar tão tranquilo? Com tudo tão embaralhado assim. Ele parecia acreditar que bastava Cheongyeon voltar para que os sentimentos complicados e os problemas que enfrentavam agora se resolvessem sozinhos.
— Isso é mentira.
Mas a verdade não era essa. Mesmo que voltasse, como é que passaria a ser como se nada tivesse acontecido?
— Basta você voltar e vira verdade. Por que isso seria mentira?
— Porque, mesmo que eu voltasse para o senhor, meu coração não seria o mesmo de antes. Porque eu não amo o senhor como amava naquela época. Por que não entende que nunca mais vai poder ser como era?
— É por isso que eu vou pagar o preço equivalente.
— …
Diante da palavra “preço”, ele ficou momentaneamente sem resposta.
— Esse é um problema que nenhum preço em dinheiro consegue desfazer.
— Errado.
— Diretor.
— Não existe nada que dinheiro não compre.
A voz de Doheon era tão firme quanto a determinação de Cheongyeon. Os dois estavam frente a frente, mas os sentidos se desencontravam por completo, como se falassem olhando para lugares diferentes.
Vendo Doheon erguer o queixo com arrogância, olhá-lo de cima e dizer que não existia nada que dinheiro não comprasse, como se aquilo fosse uma verdade universal, Cheongyeon se lembrou do que ouvira vagamente certa vez sobre a infância dele.
“Infelizmente, o problema seguinte era a minha mãe. Ela desapareceu assim que me entregou ao meu pai. Na época eu não sabia, mas ela deve ter recebido uma quantia razoável para sumir.”
Pensando bem, o presidente do Grupo JT havia, de certo modo, comprado Doheon da própria mãe dele. Como a mãe que o pusera no mundo pegou o dinheiro e abandonou o filho de um dia para o outro, talvez o dinheiro fosse, para Doheon, algum valor absoluto que estava acima de sentimentos abstratos ou de confiança.
Abordando por esse ângulo, dava para entender Doheon, mas, por outro lado, também não dava.
— Existem coisas no mundo que nem dinheiro compra. Muito mais do que o senhor imagina.
Alguém precisava lhe contar isso, pensou Cheongyeon.
— Nesse caso, por que você está aqui agora?
Doheon rebateu, como se, pelo contrário, fosse Cheongyeon quem estivesse enganado. Dando mais um passo à frente, ele estendeu a mão, segurou o queixo de Cheongyeon e o obrigou a erguer o rosto.
— Você disse que não me aguentava e foi embora, mas dormiu comigo. Por que razão você acha que eu estou te tocando agora?
Com uma expressão de repulsa, Cheongyeon afastou a mão dele com um tapa. O coração batia rápido demais, de um jeito quase agourento, e o estômago se revirou.
Os feromônios de Doheon, que por um tempo não o incomodavam, voltaram a lhe revirar os nervos de forma insuportável.
— O senhor…
Toc, toc.
Justo quando Cheongyeon finalmente abriu a boca, soou uma batida na porta. Os olhares dos dois, até então voltados um para o outro, foram para a porta.
— Diretor. Com licença, vou entrar um instante.
Primeiro veio a voz do secretário Shim e, alguns segundos depois, a porta se abriu. Ao ver que ele entrava na sala com uma pasta de documentos na mão, Cheongyeon deu um passo para trás, afastando-se de Doheon.
— Pela próxima agenda, o senhor precisa sair em cinco minutos. E esta é a parte que o senhor deve revisar antecipadamente.
Ao ver Doheon pegar os documentos, Cheongyeon engoliu um suspiro. Não estava mais com ânimo de conversar e, além disso, Doheon parecia sem tempo.
Nem sentiu nada de novo diante de Doheon, que se pôs a ler os documentos sem uma palavra de licença, mesmo com a conversa entre eles inacabada. Ele sempre tinha sido esse tipo de homem.
Percebendo que ficar ali só machucaria mais os próprios sentimentos, Cheongyeon decidiu sair da sala.
— Leve-o para casa e volte.
Quando Cheongyeon se virou, só então Doheon deu uma ordem ao secretário Shim com um gesto de queixo. O secretário Shim imediatamente baixou a cabeça e respondeu:
— Entendido.
— Não precisa. Eu vou sozinho.
Cheongyeon recusou e foi rápido em direção à porta. Doheon largou os documentos e segurou Cheongyeon, que tentava sair da sala.
— Escute o que eu digo.
— Não posso nem ir para casa do jeito que eu quiser?
Afastando a mão dele com pressa, Cheongyeon elevou a voz. Como se aquele gesto o desagradasse, o olhar de Doheon se contraiu de leve.
— Esqueceu? Você agora é ator. E se as pessoas te reconhecerem na rua?
— E daí se me reconhecerem? Não é como se fossem grudar em mim e me encher o saco. Isso lá é grande coisa?
Era ridículo o jeito como ele agia, como se ir para casa sozinho fosse alguma catástrofe.
— É porque existe essa possibilidade que eu estou dizendo para não ir sozinho.
— …
— Daqui em diante, tome cuidado e ande sempre com alguém.
Ele já colocava gente atrás dele antes mesmo de começar a atuar, e agora usava a desculpa de ator conhecido como se antes não fosse assim. Parecia que queria controlá-lo do primeiro ao último detalhe, e isso o irritava.
Dissesse ele o que dissesse, Cheongyeon não queria mais conversar com ele naquele dia. Ignorou a última fala e girou a maçaneta; então o secretário Shim, perspicaz, se adiantou depressa.
— Senhor Cheongyeon. Se sair agora, é horário de almoço, e o transporte público vai estar cheio.
— …Só sai da frente, por favor. Será que não dá para me deixarem sozinho um pouco?
— E se o senhor sair da sala do diretor nesse estado, é fácil virar assunto na boca das pessoas. Mesmo que seja pelo seu próprio bem, permita que eu o leve.
Ao contrário do estado de espírito de Cheongyeon, em que fervilhavam todo tipo de sentimentos negativos em relação a Doheon, o secretário Shim o convenceu num tom infinitamente suave e calmo.
Ouvindo com atenção o que ele dizia, o processo de voltar sozinho para o apartamento de repente lhe pareceu penoso e cansativo demais. Era também um caminho com o qual ainda não estava familiarizado.
— …
Durante a conversa com Doheon, toda a força tinha se esvaído do corpo, e ele queria simplesmente se largar ali no chão.
Ao constatar que a própria mão que segurava a maçaneta tremia sem parar, Cheongyeon cerrou o punho com força.
Tanto as emoções quanto o estado do corpo estavam um caos. Mas, diante dele, era a última pessoa a quem queria mostrar lágrimas.
O que Cheongyeon queria era um descanso que lhe permitisse arejar os pensamentos confusos, nem que fosse por um instante.
O secretário Shim esperou com paciência aquele longo silêncio.
Quando Cheongyeon enfim assentiu devagar, o secretário Shim abriu a porta da sala, dizendo que o acompanharia até o primeiro andar.
Doheon, que observava as costas de Cheongyeon seguindo docilmente o secretário Shim, teve os lábios contraídos de forma nítida desta vez.
Ele apertou os dentes a ponto de os músculos da mandíbula saltarem e, então, ajustou o nó da gravata obsessivamente, deixando-o perfeitamente reto.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna