Desire Me If You Can (Novel) - . ₊ Capítulo 97
Capítulo 97
— Haaaaaaaah…
Dane jogou os braços para trás, apoiando-os no encosto da cadeira, e soltou um longo suspiro em direção ao teto. Seus olhos estavam vazios, vagando sem rumo pelo ar. Como as coisas tinham chegado àquele ponto? Ele tentou rastrear a causa, mas, no fim das contas, só existia uma conclusão possível.
“Por que diabos eu tive que me meter na vida dos outros?”
Se não tivesse demonstrado aquela sutil pontada de compaixão lá atrás, se não tivesse acompanhado Sabrina até o hospital, teria respondido imediatamente quando o problema começou. E, talvez, sua casa não tivesse sido completamente reduzida a cinzas, Darling não teria corrido risco de morte e, para completar, sua gloriosa vida noturna não teria sido tão severamente arruinada.
Mas agora, remoer arrependimentos não mudaria absolutamente nada. No interior do clube, onde a música eletrônica ensurdecedora transbordava de todas as direções, Dane encarou o teto, estatelado em sua cadeira, e abriu a boca:
— Como é que você sempre consegue brotar do chão e estragar tudo…?
Diante das palavras que fluíram como um lamento sôfrego, Grayson olhou para ele de cima e abriu um sorriso ladino:
— Você realmente achou que eu não fosse prever que você faria isso?
Dane limitou-se a rolar as pupilas de soslaio para encará-lo, antes de voltar a fitar o teto.
Ele já tinha perdido a conta de quantas vezes aquela exata cena havia se repetido. Após o fracasso miserável daquele primeiro dia, Dane estipulou uma nova data e rumou para um clube totalmente diferente, checando os retrovisores de forma obsessiva para garantir que nenhum veículo o estivesse rastreando. Mas não importava o quanto tentasse, Grayson surgia sem falta como um fantasma, fazia a pessoa que ele finalmente tinha pescado bater em retirada, enfiava o Dane atônito no banco do carona e o escoltava direto para o motel ao som da maldita música *Boobs Boobs*, sumindo logo em seguida.
Depois, e depois mais uma vez, o mesmo ciclo se repetia em um looping infernal. Ir ao clube, Grayson aparece, o parceiro foge, escutar *Boobs Boobs* no carro, retornar ao motel. Ir ao clube, Grayson surge, o sujeito corre, pau, carro, motel. Clube, Grayson, fuga, *Boobs*, carro, motel. Clube, Grayson, debandada, *Boobs Boobs*…
“Porra, para com isso!”
Dane sentia uma vontade avassaladora de arrancar os próprios cabelos. Ele estava começando a dar crédito às teorias da conspiração que aquele colega do quartel vivia tagarelando, tipo: “O FBI está monitorando a população através do 5G”. Caso contrário, como aquele maldito conseguia aparecer com um timing tão cirúrgico em absolutamente todas as ocasiões?
Hoje, para variar, Dane acabou jogando a toalha porque Grayson brotou repentinamente antes mesmo que ele pudesse esboçar qualquer movimento.
— Como você consegue ficar na minha cola o dia inteiro…?
“Haaaah”, Grayson respondeu prontamente à indagação proferida entre um suspiro profundo e um lamento:
— O poder do amor, é claro.
— Eu já mandei você parar de falar merda.
Dane rebateu com um tom de voz que ainda transbordava pura exaustão e, em seguida, ergueu a cabeça. Permanecendo com o corpo largado na cadeira e apenas o pescoço elevado, ele direcionou seu olhar totalmente desfocado para Grayson e disparou:
— A gente não pode simplesmente encerrar esse acordo limitando a dinâmica a tocar nos meus peitos?
Diante daquela oferta desesperada de rendição, Grayson abriu um sorriso intensamente radiante e retrucou:
— Obviamente não. Se nós somos namorados, eu já posso tocar nos seus peitos por gravidade, então por que eu aceitaria um acordo que só traz prejuízo para mim?
E, como se estivesse demonstrando seu ponto na prática, ele pressionou com força o peito robusto de Dane com a ponta dos dedos. Logo em seguida, suas bochechas ganharam uma tonalidade carmim, como se estivesse subitamente envergonhado, e ele murmurou de forma manhosa:
— Pouso na lua.
Dane encontrava-se tão desprovido de energia que não reuniu forças sequer para praguejar ou desferir um soco diante daquele tom de voz que parecia vir acompanhado de um coraçãozinho na pronúncia. Ele apenas o fitou com um olhar vítreo.
“Esse bastardo está definitivamente me deixando mais burro.”
Dane cuspiu um xingamento mental tomado pela irritação, impulsionou o tronco para a frente e inclinou o corpo. Ele vasculhou os bolsos, extraiu um cigarro e acionou o isqueiro repetidas vezes antes de finalmente ver a brasa acender. Três meses… era um intervalo de tempo absurdamente longo. Três semanas teriam sido mais do que suficientes. Não, três dias. Três horas…
Mais uma vez, ele recalculou arrependimentos estéreis mentalmente, antes de tragar a fumaça com nervosismo e expeli-la de uma só vez com um sopro ruidoso.
— Qual é a porra do seu problema?
Diante da indagação ríspida de Dane, Grayson tombou a cabeça para o lado, exibindo uma feição genuinamente intrigada:
— Problema? O que você quer dizer com isso?
— Você não acha bizarro ficar me caçando desse jeito? Mesmo que a gente esteja testando um namoro, cada um deveria preservar a sua respectiva vida privada. Que sentido faz você simplesmente viver em função de perseguir uma única pessoa?
Quando Dane despejou aquele sermão de forma abrupta, Grayson fechou a boca pela primeira vez desde que a noite começara. Será que ele finalmente tinha assimilado a gravidade de suas ações? Dane nutriu uma sutil ponta de expectativa, mas, como era de se esperar, ele estava redondamente enganado. Os cantos dos lábios de Grayson elevaram-se devagar e suas órbitas alongadas se estreitaram. Ele abriu a boca direcionando a fala a um Dane que havia congelado na postura:
— Eu já imaginava que não seria uma tarefa fácil.
Dane sentiu-se momentaneamente desconcertado diante daquela postura inesperadamente serena. Aquele semblante ligeiramente amargurado era fruto de uma encenação barata ou traduzia um sentimento genuíno? Naturalmente, Dane era incapaz de decifrar. No fim das contas, não lhe restou alternativa senão expelir mais um longo suspiro, misturado à fumaça do cigarro.
“Será que é isso que as pessoas chamam de carma?”
Ele se viu confuso diante de uma conjuntura que o forçava a reavaliar a trajetória de vida que havia adotado até ali. Até então, ele havia rejeitado de forma gélida e implacável cada indivíduo que se aproximara dele munido de sentimentos sinceros. Às vezes colhia ressentimento, outras vezes escutava pragas que tangenciavam a pura maldição, mas ele simplesmente ignorava tudo. Será que estava quitando os juros de suas pendências passadas agora?
Dane esfregou o rosto com uma das mãos e, por fim, quebrou o silêncio:
— …Tudo bem.
Ele prosseguiu adotando um tom de voz resignado e visivelmente rendido:
— Eu vou suspender as minhas idas ao clube por um tempo. Satisfeito?
— É sério? — Grayson inquiriu, manifestando um tom de voz consideravelmente mais entusiasmado do que o anterior.
Dane sentiu-se humilhado pela capitulação, mas não visualizava outra rota de fuga. Como ele conseguiria caçar um único pardal com um espantalho vivo agitando os braços bem ao seu lado daquele jeito? Ele só precisava resistir firmemente pelo prazo de três meses. Após o decurso desse intervalo, estaria finalmente em total liberdade.
— Eu dirijo.
Grayson estendeu a palma da mão como se aquele desfecho fosse a coisa mais natural do mundo. Era o sinal de que demandava as chaves do automóvel. Embora Dane sequer tivesse desfrutado de margem de tempo para consumir álcool naquela noite, ele vasculhou o bolso da calça de forma reflexiva, extraiu o chaveiro e o entregou ao outro. Ah… ele se deu conta da burrice que havia cometido um milésimo de segundo atrasado, mas as chaves já repousavam sob o domínio de Grayson. No fim das contas, restou-lhe apenas abandonar o estabelecimento e ocupar o assento do carona, exatamente como nos dias anteriores. E, como de praxe, ele rumou em direção ao motel escutando a sinfonia de *Boobs Boobs* ecoar pelo veículo.
— Você porventura já não está saturado dessa rotina de residir em um motel? — Grayson indagou no exato instante em que estacionou o automóvel e lhe estendeu as chaves de volta.
Em vez de verbalizar uma resposta, Dane arrancou o chaveiro de suas mãos e girou o corpo. Será que o próximo passo da investida daquele sujeito seria tentar arrastá-lo para dentro de sua própria mansão?
“Mas nem se o inferno congelar.”
Dane adentrou a estrutura do edifício sem proferir uma única palavra. Grayson, que invariavelmente era deixado para trás no isolamento do pátio, permaneceu à espera de que a silhueta de Dane despontasse no segundo pavimento. Conforme suas previsões, o outro logo surgiu no campo de visão, cruzando o corredor externo, ultrapassando uma série de portas até estancar diante dos aposentos onde estava hospedado. Somente após obter a confirmação visual de que Dane havia adentrado o quarto e trancado a porta, Grayson girou o corpo e sacou o aparelho celular do bolso.
Enquanto aguardava a chegada do automóvel de aplicativo que havia acionado, como fazia todas as noites, ele sepultou as mãos nos bolsos da calça e começou a cantarolar um assobio frouxo. Grayson figurava como a única alma de pé no perímetro daquele amplo estacionamento, oferecendo o rosto à brisa fresca da madrugada. Ele caminhava a passos lentos, vagando sem rumo fixo pelas delimitações do pátio. Um passo, depois mais outro. Como se estivesse totalmente desprovido de um propósito, ou como se o tempo de espera se desenhasse longo demais para ser suportado em total imobilidade.
Devagar, reduzindo o ritmo da caminhada de forma deliberada, uma sombra oscilou sorrateiramente às suas costas.
E então.
*Thwack!Alguém desferiu um golpe violento contra a sua retaguarda. O estalo do impacto estrondoso ecoou por todo o perímetro silencioso do estacionamento, sucedido imediatamente pelo som de uma respiração tensa e arfante vinda do agressor. Grayson tombou o corpo para a frente sob o efeito do impacto, mas, no mesmo milésimo de segundo, girou a estrutura do tronco e estendeu a perna em um chute em arco na direção do indivíduo.
— Ugh!
O homem, colhido em cheio na região da cabeça pelo contragolpe, cambaleou para trás de forma brusca. Graças a isso, o taco de beisebol que ele empunhava e havia desferido contra o outro escorregou de suas mãos, colidindo inutilmente contra o solo, e foi prontamente confiscado pelos dedos de Grayson.
— Ora, ora.
Grayson abriu um sorriso ladino, elevando os cantos dos lábios. Sombras sinistras e ameaçadoras projetavam-se sobre a sua fisionomia, minimamente iluminada pelas luzes difusas dos postes do motel.
— Agora isso se enquadra como legítima defesa.
E, sem hesitar por um único segundo, ele passou a desferir golpes impiedosos e sucessivos com o taco de beisebol contra a estrutura do homem.
— Miller! O que diabo aconteceu com você? Que ferimento é esse aí?
Ezra inquiriu tomado pelo sobressalto no exato instante em que Grayson removeu a camisa do uniforme, expondo a região das costas no vestiário. Havia um hematoma de proporções severas ali, exibindo uma coloração misturada entre o roxo e o avermelhado. Os demais companheiros de farda manifestaram o mesmo nível de perplexidade. Alvo dos olhares magnetizados de todos os presentes, Grayson replicou com total descompromisso:
— Eu bati de frente com um assaltante. O infeliz tentou rachar a minha cabeça com um taco de beisebol.
As pupilas de todos os homens se arregalaram em puro choque diante daquela justificativa proferida em tom casual.
— Um assaltante? Em que setor?
— Por qual carga d’água você iria trombar com um assaltante do nada?
As indagações que se sucederam traduziam uma pulga atrás da orelha coletiva compartilhada por todos ali. Afinal de contas, dinheiro compra segurança. Grayson Miller, o segundo herdeiro da linhagem da incrivelmente abastada e poderosa família Miller, logicamente residia em uma mansão guarnecida por forte aparato de segurança privada. As vestes que exibia no corpo, o automóvel que conduzia e até mesmo os estabelecimentos gastronômicos que frequentava figuravam nitidamente como ambientes de alto padrão, locais onde cidadãos comuns mal conseguiam cruzar a calçada. Sendo assim, em que quadrante do mapa ele teria conseguido a proeza de trombar com um assaltante armado com um taco de beisebol?
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello