Desire Me If You Can (Novel) - . ₊ Capítulo 87
Capítulo 87
— Você por acaso tem o mínimo de bom senso?
Assim que chegaram a um terreno baldio e isolado, onde não havia mais ninguém por perto, Dane imediatamente largou o braço de Grayson como se o estivesse arremessando para longe. Grayson, que havia se deixado arrastar obedientemente, cambaleou um pouco, mas logo recuperou o equilíbrio. Dane esperou que ele se pusesse ereto antes de abrir a boca. Mas, no instante em que ia falar, franziu o cenho.
Grayson o olhava de cima com um sorriso radiante, com as bochechas coradas de vermelho.
“O que você está pensando, seu moleque maluco?”
Grayson hesitou diante das palavras de Dane, que ele havia apenas resmungado em pensamento. A resposta veio após dois ou três segundos.
— O quê?
Foi apenas uma palavra, mas Dane rapidamente desandou a falar:
— Se tem alguém pendurado em uma parede, você tem que ajudar, não importa o motivo. Ninguém no mundo diria o que você disse. Podem até pensar, mas não diriam em voz alta.
Ele achou que tinha explicado da forma mais simples possível. No entanto, o que aconteceu a seguir foi inesperado. Ele já preparava uma réplica, imaginando que receberia de volta palavras como “Por quê?” ou “Quem se importa?”, mas Grayson abriu a boca:
— Ah…
O rubor sumiu de seu rosto, e os cantos de sua boca se curvaram para baixo. Ao ver aquela expressão que demonstrava claramente sua decepção, Dane naturalmente franziu o cenho.
— Que reação é essa?
Diante do tom ríspido, Grayson murchou os ombros e resmungou com uma voz desanimada:
— Só por isso…
— Só por isso?!
Dane o encarou, estupefato. Realmente não dava para se comunicar com esse cara. A culpa era sua por sequer tentar travar uma conversa com esse homem, para início de conversa. Dane aceitou prontamente o seu erro. De qualquer forma, ele tinha conseguido consertar as coisas. Estava satisfeito apenas com o fato de ter neutralizado a situação antes que algo mais problemático acontecesse, e fez menção de ir embora.
— Espera um pouco.
De repente, Grayson o chamou por trás. Virando-se com um semblante desagradável, Dane franziu o cenho e o encarou.
— É só isso?
— É.
Diante da resposta curta, Grayson ficou com cara de tacho, como se não pudesse acreditar, mas logo franziu o cenho.
— Você me arrastou até aqui só para dizer isso? Só?
Ele repetiu a mesma palavra várias vezes, subindo e descendo as mãos. Ao ver aquela reação, agora era Dane quem estava boquiaberto.
— O que diabos você estava esperando, seu bastardo maluco? O que mais eu e você estaríamos fazendo num lugar como este?
Com a repreensão ríspida, Grayson soltou um suspiro curto. Ao notar essa reação, algo que vinha espreitando de forma sinistra na mente de Dane de repente tomou forma. Logo, ele jogou o peso do corpo em uma das pernas, postou-se de forma torta e olhou para Grayson com uma expressão fechada.
— Não me diga que… você achou que eu ia fazer alguma coisa… daquele tipo com você aqui?
Os cantos da boca de Grayson se ergueram, e aquele maldito rubor retornou. “Porra, esse bastardo maluco!” Dane cerrou os punhos com força, descontou a raiva tremendo as mãos no ar, então as relaxou e disparou:
— Isso não vai acontecer. Como eu disse antes, aquilo foi um acidente e não vai se repetir, então tira isso da sua cabeça, entendeu?
Em seguida, acrescentou de forma sarcástica:
— Perder a memória é uma característica de vocês, Alfas Dominantes, não é? A sua cabeça sempre foi meio estranha de qualquer forma, então é bem possível, né?
Dane, que bateu na própria têmpora com o dedo indicador como quem quer tripudiar, arrependeu-se assim que se virou. Era realmente necessário falar tudo aquilo? Por causa de uma pontada inútil de culpa, Dane olhou de relance para trás e hesitou. Grayson estava acariciando o queixo com uma das mãos, como se estivesse perdido em pensamentos, encarando fixamente o vazio.
— O que você está fazendo? — Sentindo um pressentimento instintivo de perigo, ele perguntou sem perceber.
No instante em que Dane demonstrou interesse, os olhos de Grayson brilharam como se nada tivesse acontecido segundos atrás, e ele respondeu:
— Eu estava calculando o quanto mais de feromônios preciso acumular para perder a memória.
Dane já estava estupefato com aquela resposta, mas não parou por aí. Ignorando a reação de Dane, que piscava em total perplexidade, Grayson continuou, desta vez fingindo seriedade:
— Você praticamente esgotou meus feromônios da última vez, então vai levar um bom tempo para acumular o suficiente para eu perder a memória. O que eu faço? Isso é problemático.
— Há. — Dane soltou um suspiro curto e imediatamente se arrependeu. Que culpa ele deveria sentir por um cara daqueles? O estúpido era ele mesmo.
Ele se virou de costas soltando um xingamento, mas, de repente, uma dúvida surgiu. “Será que esse homem realmente não sabe o que são emoções?” Franzindo o cenho, ele se virou novamente. Assim que fez contato visual com Grayson, que continuava a olhá-lo, Dane manteve a expressão fechada e perguntou:
— Você já se sentiu triste, ou feliz, ou algo do tipo alguma vez?
Grayson apenas piscou e olhou para Dane, como se perguntasse o que era aquilo.
— Quero dizer…
Será que era assim que a professora Sullivan se sentia quando tentava ensinar à Helen Keller o que era a água?
Dane sentiu o desânimo tomar conta de si enquanto tentava explicar o significado do que havia dito. Como diabo esse cara interagia com as outras pessoas? Pensando por esse lado, ele logo compreendeu: todos os bastardos de Alfas Dominantes eram assim, então não deve ter sido difícil.
— Você sabe o que é o medo, não sabe?
Quando Dane apontou isso, Grayson inclinou a cabeça novamente. Dane sentiu o peito apertar de novo e perguntou:
— Como você se sentiu quando eu te fodi?
Desta vez, ele falou com convicção, relembrando como Grayson havia gritado de horror.
Mas, novamente, Grayson demonstrou uma reação completamente diferente. Ele soltou um suspiro inebriado, e o rubor subiu ao seu rosto mais uma vez.
— Foi bom.
Dane ficou tão desconcertado que ficou boquiaberto. Pela primeira vez, faltaram-lhe as palavras; ele balançou a cabeça violentamente e recuperou a compostura num estalo.
— Não, antes disso. Quando você estava tentando fugir. — Ele continuou desesperadamente a guiar a resposta que estava tentando arrancar. — Você disse que não queria ser estuprado. Não se lembra? Pense bem, o que você sentiu naquela hora?
“Lembra, lembra.” Agora ele estava até murmurando internamente com um senso de missão.
— Ah.
Será que ele tinha entendido desta vez? A expressão de Dane iluminou-se, mas, como era de se esperar, foi um mal-entendido. Grayson respondeu com o rosto ainda excitado:
— Eu não me lembro, foi bom demais depois.
— Seu bastardo de merda do caralho!
Dane acabou desferindo um chute violento contra a árvore ao seu lado, que ecoou com um baque forte. Será que era um erro crasso sequer tentar ensinar algo para esse cara? Como diabos os pais desse homem tinham criado esse moleque maluco? Estava ficando difícil saber se ele deveria admirar a grandeza dos pais ou amaldiçoá-los por criar o filho daquele jeito e jogá-lo no mundo, quando Grayson abriu a boca:
— O que eu senti naquela hora foi alegria ou felicidade, algo desse tipo?
Ao ver o rosto dele franzido em seriedade, Dane de repente sentiu uma onda de fúria. Lembrando-se de que até mesmo aquela feição ansiosa era apenas uma fachada, ele se sentiu como se tivesse colidido contra uma imensa muralha de pedra.
— É diferente, seu idiota! Isso é só prazer sexual. Ou dopamina explodindo por causa da liberação de feromônios!
Dane, que havia cuspido as palavras de forma bruta, massageou a testa latejante com uma das mãos. O que ele poderia usar para fazer aquele cara entender? Pensando até esse ponto, ele impulsivamente abriu a boca:
— Você…
Ele travou, prestes a perguntar como tinha sido quando ele ficou preso no porão. Achou que seria uma pergunta cruel demais, mesmo que Grayson Miller não fosse capaz de compreender o que de fato sentira a respeito daquilo.
— Haa.
Dane olhou para o céu e soltou um suspiro profundo. De repente, tudo pareceu fútil. Qual era o propósito de tudo aquilo?
— Certo, vamos parar por aqui — Dane murmurou com uma voz que havia perdido toda a energia e se virou.
Ele não deveria fazer algo tão sem sentido novamente. Era um erro gastar suas forças com os problemas dos outros, para começo de conversa.
— Dane…
Foi bem no momento em que Grayson chamou seu nome. Ele ia dizer alguma coisa, mas não teve tempo. Quase simultaneamente, o celular de Dane começou a tocar, e ele checou o aparelho sem dar ouvidos à voz de Grayson.
[ACT 5G 57%]
Sem nome
XXX-XXX-XXXX
Inclinando a cabeça diante do número desconhecido, ele logo apertou o botão para atender.
— Alô.
Ele respondeu brevemente, pensando em desligar de imediato se fosse chamada de spam, mas o silêncio retornou do outro lado da linha. “O quê? O que é isso?” Bem quando Dane, franzindo o cenho, estava prestes a desligar, a outra pessoa falou bem na hora:
— Hum, hum… Olá.
— Quem está falando?
Quando Dane perguntou de forma abrupta, ela engoliu em seco com nervosismo e perguntou com a voz trêmula:
— Hum, da última vez… hum, você disse que iria ao hospital comigo…?
Dane hesitou diante da voz fraca e carregada de ansiedade. Seus passos, que já haviam desacelerado, pararam completamente no lugar.
Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello