Desire Me If You Can (Novel) - . ₊ Capítulo 47
Capítulo 47
— Ei!
Apenas desceu do carro, Grayson buscou Dane com o olhar e, ao vê-lo já ao longe, gritou em direção às suas costas. Estava a ponto de alcançá-lo para interrogá-lo sobre o significado daquela expressão quando Ezra o notou.
“O que há com ele?”
Seguindo o olhar de Grayson, Ezra alarmou-se instantaneamente. Em um piscar de olhos, sua mente foi inundada por pensamentos como se fosse um panorama. Era óbvio que Miller queria fazer algo com Dane. Até agora, tinha conseguido mantê-los separados, o que estava acontecendo? Será que ele tinha descoberto que foi Dane quem o deixou inconsciente durante o incêndio? Impossível! Não tinha demonstrado nenhum sinal disso. Então, por que agia assim? Não era momento para duvidar; o primeiro passo era detê-lo. Em apenas alguns segundos, Ezra processou tudo isso e correu para a frente, gritando:
— Miller, Miller! Espera um momento!
De repente, Ezra interpôs-se na frente de Grayson, que, surpreendido pela situação inesperada, parou seco. Com um sorriso forçado, Ezra começou a falar:
— Ei, você não poderia me ajudar com uma coisa? Tenho algo urgente para fazer.
— Por que eu? — Grayson apontou ao seu redor com irritação. — Tem um monte de gente disponível, peça a outro.
— Não, não! Tem que ser você!
Ezra agarrou-o com desespero, sentindo-se como uma cigarra presa a uma árvore velha. Sem saber mais o que dizer, começou a falar sem parar, soltando a primeira coisa que lhe vinha à mente:
— Você é o maior de todos nós. Sabe o quanto sofremos hoje por sua culpa? Bom, graças a você salvamos o menino, mas mesmo assim, não acha que tem um pouco de responsabilidade? Hein? Não? Que cara mau! Você não pode viver assim! Neste mundo, as pessoas devem se apoiar e se ajudar mutuamente, mas você… o que diabo está fazendo?
Grayson olhou com incredulidade para o homem adulto que se agarrava ao seu braço, resmungando como uma criança. Sua expressão dizia claramente: “O que diabo você está fazendo?”
— Me solta, eu te ajudo mais tarde, me solta.
— Nãooo!
— Er…
Grayson esteve a ponto de soltar um palavrão, mas já não fazia sentido. Dane já tinha desaparecido de sua vista.
— …Haa.
Grayson soltou um suspiro de exasperação e ficou parado no lugar. Ezra, ao ver que Dane tinha escapado sem problemas, relaxou o aperto. Grayson, irritado, passou a mão pelo cabelo e olhou para Ezra com uma expressão sombria. Ezra, assustado, recuou, e Grayson rosnou entre os dentes:
— Então, o que era que você precisava?
Seus olhos roxos brilhavam com uma luz inquietante. Ezra sentiu que um único erro em suas palavras poderia reduzir seus ossos a pó. Rapidamente recuou mais um pouco, sentindo a intensa hostilidade. Soltou uma risada sem jeito enquanto o suor frio corria por suas costas:
— Ah, isso… o que era mesmo?
Olhou ao seu redor, mas não havia nenhuma saída. Seus companheiros, inúteis como sempre, apenas o olhavam sem fazer nada. Sem outra opção, voltou a olhar para Grayson, que continuava observando-o com aquele olhar gélido. Com uma risada forçada, Ezra disse:
— Ah, esqueci! Há, há, ha!
— Ah…
No momento em que Grayson cerrou o puño, Ezra saiu correndo mais rápido do que nunca. Grayson, deixado sozinho, sacudiu a cabeça com incredulidade antes de soltar uma praga e chutar o pneu do caminhão de bombeiros.
* * *
— Enfim, vá com calma.
O paramédico que lhe entregou a pomada para passar no hematoma do peito de Dane repreendeu-o com suavidade. As marcas que tinha sofrido durante a briga com o pai de Santiago começaram a se fazer notar no caminho de volta, depois que tudo tinha terminado. Felizmente, não parecia haver nenhum osso quebrado, mas o roxo era bastante severo, o que provavelmente lhe causaria incômodo durante vários dias. Deram-lhe um creme para aliviar a dor e reduzir o inchaço, mas, quando saiu, os outros que tinham estado na missão já haviam ido embora.
“Com certeza foram para casa.”
Dane também queria ir direto descansar, mas estava coberto de poeira e sabia que não podia evitar tomar um banho antes. Se não o fizesse, Darling, que sempre se esfregava contra ele ao chegar em casa, poderia ser afetada negativamente.
Enfiou a pomada no bolso sem muito cuidado e dirigiu-se diretamente ao chuveiro.
* * *
Grayson estava sentado no banco do vestiário, olhando fixamente para o lado com irritação. Todos os outros já tinham terminado de tomar banho e tinham ido embora. Todos, exceto Grayson e mais uma pessoa.
Dane Striker.
Por sorte, Grayson tinha descoberto que Dane havia ido receber atendimento com o paramédico. E, até agora, não tinha aparecido. Grayson podia esperar todo o tempo que fosse necessário. Tempo era o que menos lhe faltava. Estava decidido a descobrir o que significava aquela expressão. Grayson esperou pacientemente que a porta se abrisse. Mas então…
O som leve da água correndo o fez parar e girar a cabeça. Segurou a respiração e esperou em silêncio, suas orelhas alertas captando o ruído. Alguém estava no chuveiro.
A pausa durou apenas um par de segundos. Rapidamente, entendeu a situação. O maldito Dane Striker tinha ido direto para o chuveiro. Por suposto, Grayson dirigiu-se para lá. Caminhou a passos largos, quase correndo, enquanto uma avalanche de perguntas inundava sua mente.
Dez passos, cinco passos, um passo.
Finalmente, abriu de golpe a porta do banheiro, e o som da água caindo atingiu seus ouvidos de imediato. O vapor quente elevava-se na única cabine ocupada, a mais afastada da entrada.
Grayson cruzou os braços e olhou fixamente para aquela cabine. Atrás da porta de vaivém, que apenas cobria do peito até as coxas, Dane Striker se enxaguava. Grayson esperou com paciência. Esperou até que aquele maldito corpo estivesse completamente limpo e pronto para sair.
Mas, para sua exasperação, Dane demorou uma eternidade. Tanto que Grayson começou a suspeitar se, talvez, Dane sabia que ele o estava esperando e fazia aquilo de propósito. Esfregou o xampu fornecido entre as mãos até fazer espuma, massageou o cabelo por um bom tempo e, uma vez terminado, começou a ensaboar o corpo todo. Grayson, irritado, checou o relógio de pulso uma e outra vez. Tinha vontade de abrir de golpe aquela ridícula porta de vaivém, agarrá-lo pelo pescoço e arrancá-lo de lá, mas, infelizmente, Dane estava completamente nu.
“Se ele não tem roupa de onde eu possa segurar, devo agarrá-lo pelo pescoço de qualquer jeito?”
Estava considerando aquilo seriamente quando, como se tivesse lido seus pensamentos, Dane fechou o registro da água.
Grayson endireitou-se, deixando de apoiar-se contra a parede, e observou-o sair. Dane, com sua estatura imponente, segurou a parte superior da porta de vaivém e a empurrou. Primeiro apareceram suas pernas longas, depois suas coxas firmes, e finalmente todo o seu corpo ficou à mostra. Pensando que estava sozinho, Dane não fez nenhum esforço para se cobrir, e Grayson observou-o enquanto ele se virava, exibindo toda a sua nudez.
— Ei, que diabo foi aquilo de antes…?
Finalmente tinha chegado o momento que tanto havia esperado. Grayson abriu a boca para soltar as palavras que vinha acumulando em sua mente, mas então, parou seco.
O vapor denso que escapava do box começou a se dissipar, revelando com clareza o peito largo de Dane. Ali, bem no centro de sua pele bronzeada, destacava-se um hematoma enorme e arroxeado, que se estendia de forma impressionante pelas costelas. A marca escura contrastava violentamente com o restante de seu corpo musculoso, evidenciando a força do impacto que ele havia recebido para protegê-lo lá no porão.
Grayson piscou, com os olhos roxos fixos naquela mancha escura. Pela primeira vez, o fluxo incessante de perguntas em sua mente foi interrompido por um silêncio absoluto. Dane, ao notar a presença repentina e o olhar estático do outro, franziu o cenho com profunda irritação e cruzou os braços, sem se importar com a própria nudez.
— O que você quer agora, Miller? Perdeu alguma coisa aqui? — desdenhou Dane, com a voz ecoando com eco nas paredes de azulejo.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello