Desire Me If You Can (Novel) - . ₊ Capítulo 42
Capítulo 42
O carro parou em frente a um grupo de pessoas que olhavam ao redor com curiosidade. As portas se abriram e Wilkins foi o primeiro a descer. Ao ver as pessoas paradas ali, desconcertadas, ele sorriu com uma expressão sem jeito e começou a falar:
— Ah, com licença. Hoje voltamos por um assunto importante. Temos algumas perguntas para vocês. Alguém viu um dos nossos companheiros ontem…?
Enquanto Wilkins continuava falando, os membros da equipe saíram do carro e se dispersaram para inspecionar os arredores. Quando Dane apareceu, de repente ouviu-se um burburinho de exclamações e gritos misturados.
— Ahhh! É ele!
— Dane, Dane Striker!
— Olha aqui! Dane, Dane!
— Um momento, por favor. Estamos em uma missão. Todos, por favor, mantenham a calma…
Wilkins levantou os braços, suplicando à multidão, mas o alvoroço não cessava. O som dos obturadores não parava e as pessoas se apressavam em pegar seus telefones celulares para tirar fotos ou gravar vídeos. Sem outra opção, o resto da equipe se espalhou em diferentes direções para começar as perguntas.
— Oh, ele vem vindo para cá!
Uma mãe e sua filha, ao verem que Dane se aproximava na direção delas, coraram instantaneamente e entrelaçaram as mãos. A alguns passos delas, Dane parou, fez um leve cumprimento e então falou:
— Sou Dane Striker. Estamos procurando por alguém…
— Sim, sim! Do que precisam? Diga-nos!
Num piscar de olhos, até os vizinhos do lado se aproximaram, olhando para ele com entusiasmo. Para a sua consternação, mesmo de longe, as pessoas corriam em direção a Dane, o que o fez colocar uma expressão de tédio. Já tinha prestado serviço suficiente ontem. Não tinha a menor intenção de se sacrificar mais do que o necessário. Por isso, Dane chamou Ezra imediatamente.
— Ei, Ezra! Tem gente aqui querendo falar!
— Hein? Ah, sim, sim.
Embora desconcertado, Ezra apressou-se a se aproximar e parou em frente a eles. De imediato, entre a multidão, surgiram suspiros de decepção e saudade.
— Para onde você vai? Espere!
— Espera, nós te contamos! Dane!
— Dane, olha para cá! Dane!
Enquanto as mulheres gritavam, olhando para as costas de Dane à medida que ele se afastava, Ezra começou a explicar, com um suor frio na testa:
— Bom, como eu disse antes, estamos procurando alguém. Ontem ele esteve aqui conosco, é mais alto que o Dane… Sim, e mais encorpado. Alguém viu um homem loiro de olhos roxos? Com certeza chamaria a atenção.
— Hein?
Felizmente, aqueles que até então estavam distraídos com Dane finalmente prestaram atenção em Ezra. Claro, não foi porque se interessavam pelo que ele dizia.
— Loiro de olhos roxos?
— Ah, sim, eu vi. Você também viu, não foi?
— Sim, claro. Era impossível não ver. Notei imediatamente.
Até aí, tudo ia bem. Justo quando Ezra começava a ter esperanças, veio outra pergunta.
— Mas aquele homem era um alfa dominante? Os olhos roxos são por causa disso, não é?
— Oh, então aquele aroma era feromônio! Os alfas dominantes sempre andam espalhando feromônios assim para não acumularem no corpo?
— Ah, por isso ele parece tão chamativo. Esse quartel de bombeiros está cheio de homens bonitos, quer dizer, impressionantes.
— Eu não vi, alguém tirou foto?
— Aqui, aqui.
— Claro que tirei uma, olha.
— Oh, isso é tão emocionante! Deus, este é o momento mais feliz do meu dia. Obrigada!
O som das risadas que estouravam por todas as partes fez com que Ezra sentisse sua mente nublar.
* * *
Escapando finalmente do barulho estridente, Dane soltou um suspiro cansado e olhou ao seu redor. Era um bairro tranquilo, sem nada de particularmente especial. Ao confirmar mais uma vez quão pacífico era o lugar, era difícil para ele imaginar que um sequestro pudesse acontecer ali. Coçando a nuca com irritação, pensou: “Para onde diabo se meteu esse desastre ambulante?”
“Maldito seja, maldito pedaço de lixo.”
Bem quando soltou outro palavrão, sentiu um olhar fixo nele. Ao se voltar por instinto, seus olhos se encontraram com os de uma menininha pequena. Dane franziu visivelmente o cenho e a encarou fixamente. Normalmente, isso faria qualquer um sair correndo, mas, por alguma razão, a menina ficou parado, com os punhos cerrados.
— Que diabos…?
Dane arqueou uma sobrancelha e desviou o olhar. Não tinha tempo para lidar com as provocações de um pirralho insignificante. Só queria acabar com essa situação incômoda e voltar para casa. Ele caminhava rápido quando, de repente, ouviu passos correndo atrás dele.
— Senhor, senhor! Espere, senhor! Tenho algo para relatar! Senhor!
Dane soltou um breve suspiro e parou, olhando para o céu. A menina o chamava aos gritos, como se a vida dependesse daquilo. Finalmente, não teve outra escolha senão dar a volta e caminhar em direção a ele com passos largos. Em apenas alguns passos, o homem alto postou-se diante da menina, que, surpreso, esticou o pescoço para olhar para cima. Dane o encarou, mantendo deliberadamente os olhos baixos, e abriu a boca:
— Então, o que você quer?
Seu tom deixava claro que estava incomodado. Parecia pensar que, como certamente tudo seria uma bobagem, não valia a pena prestar atenção. Além disso, embora a menina claramente se sentisse intimidado pela estatura imponente de Dane, surpreendentemente não saiu correndo chorando. Embora parecesse estar à beira de cair no choro.
— Er, senhor, o senhor é… bombeiro, não é?
A menina, tremendo de medo, gaguejou a pergunta. Dane o olhou com uma expressão cínica e respondeu:
— A menos que você esteja lendo errado, acho que sim.
Dane apontou com o polegar por cima do ombro para as costas de sua camiseta, onde se lia claramente “Corpo de Bombeiros”. A menina, depois de se virar para confirmar, olhou para ele de novo.
— Por favor, procure o meu amigo.
— Amigo?
Diante do pedido absurdo, Dane franziu o cenho e olhou para a menina com ceticismo.
— Esse cara também é um “alfa dominante”?
— Hein? O que é isso?
A pergunta o fez refletir sobre a situação em que se encontrava. Dane deixou a menina desconcertado, com os olhos bem abertos. Claro que não seria. Dane, lembrando-se disso com amargura, acenou com a mão negativamente.
— Não, não é nada. Então, o que você quer que eu faça?
— Meu amigo. Quero que encontre o meu amigo.
A essa altura, qualquer um teria se sentido sobrecarregado, mas a menina, firme e decidido, continuou com a sua “denúncia”.
— Meu amigo não aparece há alguns dias. Não foi à escola. Os pais dele são divorciados. Ele mora sozinho com o pai, mas quando fui procurá-lo, disseram que ele estava com sarampo e não podia sair. Mas é mentira. Meu amigo foi vacinado contra isso. A mãe dele o fez vacinar. Fomos juntos ao hospital nos vacinar quando ela ainda morava com eles.
Dane observou o rosto da menina em silêncio. Não parecia estar mentindo. Ao ver que Dane o escutava sem interromper, a menina, como se tivesse ganhado coragem, continuou falando:
— O pai dele às vezes bate nele. Diz que é porque ele não obedece, mas meu amigo é muito bom. É estranho ele tratá-lo assim. Meu pai nunca me bateu. Meu pai, quando chega do trabalho à noite, adora que eu corra para dar um beijo nele. Mas eu já tenho quase 10 anos. Aos 10 anos a gente já é grande, não é? Não deveria parar de fazer isso? Também não deveria comer os biscoitos que minha mãe faz. Os biscoitos com figuras de animais são muito gostosos, o senhor gosta de cachorros ou de gatos? Meu amigo tem um hamster…
— Espera, espera, um momento.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello