Desire Me If You Can (Novel) - . ₊ Capítulo 26
Capítulo 26
À medida que falava, a voz do chefe se elevava gradualmente, cada vez mais forte. Wilkins, embora desconcertado, tentou por todos os meios suavizar a situação.
— As provas de resistência são importantes. Se não estivermos bem preparados no campo, poderíamos colocar em risco as vidas dos demais membros da equipe…
— Por que você decide isso por conta própria? Deveria ter me informado primeiro! E se não confia nele, por que simplesmente não o leva? Poderia designar tarefas menores no campo! Mas, em vez disso, decide trazer Miller por conta própria e armar todo esse escândalo? Por acaso me vê como um fantoche? Hein?
As vozes que antes discutiam entre si já haviam se calado, e apenas a voz do chefe ressoava, clara e contundente. Wilkins não fez nada além de inclinar a cabeça e repetir uma e outra vez:
— Sinto muito.
O chefe, com o rosto enrubescido pela ira, olhou ao redor e, ao não ver Grayson, continuou com seu tom áspero:
— E então? Ainda não terminou? Quando começaram?
Diante da rajada de perguntas, Wilkins respondeu obedientemente:
— Faz umas três horas.
— O quê…!?
Para ser exato, eram três horas e cinquenta minutos. Mas todos guardaram silêncio, ansiosos, observando a reação do chefe. Como era de se esperar, este estourou em cólera e gritou:
— No máximo, deveria ter levado duas horas, e já se passaram três! E o que estão fazendo todos aqui? Encontrem Miller agora mesmo, rápido! Falarei com você mais tarde.
O chefe, dando ordens aos gritos, apontou o dedo para Wilkins enquanto rosnava. Wilkins não teve outra escolha senão assentir com um “Sim” e se virar para organizar rapidamente uma equipe.
— Eles podem estar voltando, então vamos subir no sentido contrário. E, por precaução, garantam que estão levando suprimentos de primeiros socorros…
Wilkins selecionou rapidamente alguns dos melhores e deu instruções precisas. Os funcionários, movendo-se com rapidez, prepararam o necessário e apressaram-se a subir a montanha. O sol logo se poria. Se não se apressassem…
— Eh, o quê…?
Alguém soltou uma exclamação de assombro, tão absurda que vários viraram a cabeça sem pensar. Quem o fez parou de repente e, logo após, ao perceber a aura suspeita que flutuava no ar, seguiu a direção dos olhares para, de novo, ficar paralisado. Ao final desses olhares, avançava o homem que tanto haviam esperado. Grayson Miller.
Seu lindo cabelo loiro, que antes brilhava com luz própria, agora estava coberto de terra e folhas, completamente empoeirado. Seu corpo estava repleto de arranhões e feridas abertas, sua roupa não tinha um único lugar intacto, e seu rosto inchado parecia o de alguém que havia levado uma surra. No dia seguinte, sem dúvida, estaria coberto de hematomas de todas as cores.
— Ei, chefe.
Ele levantou uma mão e saudou com um sorriso radiante, como se nada tivesse acontecido. Todos ficaram boquiabertos ao ver sua expressão despreocupada, exibindo os dentes brancos. Sob os olhares atônitos, Grayson caminhou com naturalidade até se colocar diante de Wilkins.
— Já estou de volta. O teste terminou? Como consegui completá-lo sem problemas, suponho que agora poderei me juntar à equipe de campo, não?
Embora não parecesse nem um pouco ileso, Grayson mantinha-se firme. Sua aparência deixava claro que estivera em uma briga, mas seu rosto insistia que tudo estava bem. Não acusou Dane de tê-lo golpeado, nem exigiu saber quem fora o instigador, nem armou nenhum escândalo.
O chefe, que estivera tenso pensando que Grayson poderia ameaçar retirar sua doação ou até processar toda a estação de bombeiros, piscou com uma expressão estúpida. Desde o primeiro dia em que Grayson apareceu para se juntar à equipe, nunca havia conseguido entender o que passava por sua mente.
Os demais também não entendiam. Juntar-se à equipe de campo? Sua pergunta, tão descabida, soava incrivelmente despreocupada. Era um homem claramente experiente, como podia parecer tão puro como uma criança? A palavra “puro” poderia morrer e ressuscitar cem mil vezes, e ainda assim não se aproximaria nem um milímetro de descrever aquele homem.
— Ah, eh… sim, claro.
Com uma expressão atônita, Wilkins assentiu e, logo atrás dele, Ezra, recuperando a compostura um pouco tarde, gritou:
— E o Dane?
Como se essas palavras fossem um sinal, de todos os lados surgiram exclamações de surpresa.
— É verdade, o que aconteceu com o Dane?
— Ele é mais rápido que você, como você chegou primeiro?
— Ei, você! O que fez com o Dane? Não tem como você ter chegado antes dele!
Nesse momento, enquanto todos gritavam como se estivessem prestes a avançar sobre alguém, de repente, alguém exclamou assombrado:
— Dane!
A princípio, o murmúrio geral o abafou e não se ouviu claramente. Mas outro, que por acaso ouviu, o descobriu e também gritou surpreso:
— Olhem todos! É o Dane, o Dane chegou!
— Dane?
— Onde? Onde ele está?
Aqueles que tardaram a entender a situação agitaram-se, olhando ao redor, e de repente pararam. Da direção por onde Grayson chegara, Dane caminhava em direção a eles; seus pés, exaustos, deslizavam lentamente como se cada passo lhe custasse esforço. Ao vê-lo, seus companheiros gritaram e correram em sua direção.
— Dane!
— Dane, você chegou!
— O que aconteceu? Estávamos preocupados! Você está ferido?
— Meu Deus, o que diabos aconteceu…?
Cercado pelas pessoas que falavam ao mesmo tempo, Dane simplesmente assentiu com a cabeça em silêncio. Parecia que não queria falar, mas ninguém parava. Foi o chefe quem finalmente colocou ordem no caos.
— Silêncio, todos! Voltem para os seus lugares!
Diante do grito forte do chefe, os funcionários recuaram rapidamente. Como se o Mar Vermelho tivesse se aberto, um caminho se formou diante de Dane, indo diretamente para o chefe. Com uma expressão de total desagrado, Dane caminhou até ele. O chefe o esquadrinhou de cima a baixo e então estalou a língua.
— O que diabos aconteceu com você?
O chefe suspirou, exasperado, como se lhe faltasse o ar. E não era para menos, pois Dane, assim como Grayson, não tinha um único canto do corpo ileso. Seu suave cabelo ruivo-dourado estava emaranhado e cheio de folhas secas e pequenos galhos, enquanto seu rosto, manchado de sujeira e feridas, mostrava sangue seco e cortes por toda parte. O uniforme rasgado e feito em farrapos era a gota d’água. O chefe, com uma dor de cabeça que parecia latejar nas têmporas, esfregou a testa e disse:
— Você arruinou esse rosto tão bonito… Reflita sobre isso.
E era verdade, pois, como bem diziam, Dane era o rosto da estação de bombeiros. Todo ano, sua imagem decorava uma página do calendário e, no ano em que apareceu na capa, os calendários esgotaram-se num instante, obrigando a reimpressões várias vezes. Não eram poucos os que visitavam a estação apenas para ver o rosto de Dane Striker. Inclusive, usavam sua imagem para arrecadar doações, o que resultava em uma ajuda considerável para a estação. Mas agora, vê-lo tão maltratado era dilacerante.
— Seu corpo não é só seu, entende? É de todos nós!
O chefe o repreendeu com severidade. Em seguida, continuou com uma série de comentários sobre como ele havia seguido as ordens de Wilkins e se arriscado desnecessariamente, como deveria ir à emergência para evitar que as cicatrizes arruinassem seu rosto, e muitas outras coisas. No entanto, a única coisa que realmente chegou aos ouvidos de Dane foram as últimas palavras:
— Vou te dar dois dias de licença remunerada. Descanse bem, entendeu?
Finalmente, Dane esboçou um sorriso e assentiu com a cabeça.
— Sim, obrigado.
— Espere um momento! De repente?
— Sério? Todos participamos do acidente, mas só o Dane recebe licença remunerada? Isso faz sentido?
— Isso é injusto! Onde fica a igualdade?
Como era de se esperar, os protestos explodiram imediatamente. No entanto, a determinação do chefe era inabalável.
— Vocês foram os que arrastaram o Dane para isso! O Dane é um individualista inveterado que só se preocupa com o próprio trabalho! Não é como se tratasse de sexo, dinheiro ou gatos! Não tem como o Dane ter se envolvido nesse desastre por vontade própria. Por acaso estou errado? E ainda têm a cara de pau de reclamar! Todos deveriam refletir!
Não havia nada incorreto em suas palavras, mas, de alguma maneira, Dane parecia ser o único a ter ganhado. Sentindo-se culpados sem razão, os outros ficaram calados, enquanto Dane jogou lenha na fogueira.
— Ele tem razão. Como sempre, o chefe sabe de tudo.
Com uma mão no peito e um sorriso que parecia de pura admiração, Dane deixou todos sem palavras. Enquanto os demais soltavam suspiros e maldições de incredulidade, ele lhes lançou um olhar fugaz, como quem diz: “Por acaso vocês têm direito de reclamar?”. E, claro, eles não tinham.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby, Othello&Belladonna