Desire Me If You Can (Novel) - . ₊ Capítulo 201
Capítulo 201
Diante do olhar que o fitava sem dizer nada, Dane perguntou de novo, como se quisesse confirmar. Só então Grayson, em vez de responder, assentiu de leve. Dane ficou olhando para ele por um momento e logo se virou, dizendo:
— Então isso está resolvido.
Era melhor deixar aquele assunto para trás rápido. Arrastá-lo só tornaria tudo mais complicado. Basta eu tomar cuidado daqui para frente, disse a si mesmo, e então colocou a Darling sobre a cama e se endireitou. Foi justamente nesse momento que a tralha em cima da cama, de que ele tinha se esquecido, chamou sua atenção.
— Ei, o que é aquilo?
— Hã, hein?
Diante da pergunta repentina de Dane, Grayson olhou obedientemente na direção que ele apontava. Lá estava a cama, coberta de todo tipo de objetos. Grayson soltou um breve “ah”, apagou de uma vez a expressão de antes e respondeu como se nada fosse:
— A minha cama.
— Eu sei. Estou perguntando que bagunça é essa.
Dane dobrou os dedos e deu um toquinho leve na cabeça de Grayson, como se batesse numa porta, e o repreendeu. Mesmo assim, Grayson só continuava sorrindo, todo bobo. Ao ver aquela expressão, Dane sentiu algo estranho. Talvez isso tenha transparecido em seu rosto, porque Grayson piscou.
— O que foi?
— Hum…
Dane coçou a nuca à toa e disse:
— Você sempre teve essa cara? Parece meio diferente de antes.
— Eu?
— É.
Diante da resposta de Dane, Grayson apalpou o próprio rosto com as mãos e inclinou a cabeça.
— Não sei. Por quê?
— Sei lá…
Como era difícil apontar exatamente, Dane deixou a frase no ar. Como posso explicar isso? Depois de pensar um pouco, ele simplesmente falou o que lhe veio à cabeça:
— Talvez seja porque você está sorrindo.
Diante daquelas palavras, Grayson teve uma reação inesperada. Ele parou, olhou para Dane lá embaixo e fez uma expressão confusa.
— Eu?
Era uma reação de quem realmente não tinha percebido. Dessa vez, foi Dane quem se surpreendeu com aquela reação. Esse cara não tinha se dado conta?
— Não tinha percebido?
Quando Dane perguntou, Grayson coçou a bochecha e assentiu. Diante daquela expressão ainda atônita, Dane se lembrou de mais uma coisa estranha.
…Pensando bem.
Antes, esse cara também não era muito diferente de agora. Pelo menos na superfície. Afinal, naquela época ele também vivia sorrindo o tempo todo. Mas, pensando um pouco mais a fundo, era completamente diferente. Naquela época, Grayson sabia que estava sorrindo. Mas agora…
O homem enorme diante dele esfregava a nuca, desconcertado. Diante da reação dele, claramente perdido por não fazer a menor ideia do que o próprio gesto significava, Dane acabou rindo.
— Ai.
Quando Dane ergueu a mão de propósito e beliscou a bochecha dele sem machucar, Grayson soltou uma exclamação curta, sem nenhuma emoção.
— Não faz drama.
Mesmo dando uma bronca, Dane tinha um sorriso no canto da boca. Então Grayson, que sorriu de volta para ele, segurou a mão que tinha ficado parada no ar e a levou à própria boca. Depois de beijar cada nó dos dedos, smack, smack, ele pressionou os lábios com força no quarto dedo.
Por algum motivo, o lugar tocado pelo calor de Grayson parecia formigar. A nuca esquentou à toa. Com aquela sensação estranha, Dane tentou puxar a mão, mas Grayson não soltou e, em vez disso, levou-a até a própria bochecha. Virou os lábios e deu um beijo, smack, também na palma, e só então abriu a boca:
— Eu só dividi os seus feromônios com o Darling.
Como ele continuava esfregando os lábios, a palma fazia cócegas. Prestando atenção na respiração que tocava a pele, Dane apontou:
— Pelo jeito, você ficou com a maior parte de longe, não?
Grayson deu uma risadinha. A respiração passou roçando entre os dedos.
— É um mal-entendido, não é nada disso.
Ao vê-lo baixar as sobrancelhas, fazendo cara de coitado, Dane ficou pasmo. E, com toda a ousadia, Grayson ainda acrescentou:
— A gente dividiu de forma muito justa. Ocupamos só o espaço exato de que precisávamos.
Ao dizer isso, ele parecia muito seguro de si. Como se não tivesse nada a temer. Diante daquela reação descarada, como a de uma criança que inventa uma mentira que qualquer um enxerga de longe e tem certeza de que nunca será descoberta, Dane quase caiu na gargalhada, mas se segurou e fez uma cara séria de propósito. Quando cruzou até os braços e o encarou, a postura de Grayson desmoronou na hora. Ao vê-lo sem conseguir encará-lo, esforçando-se para olhar para outro lado, Dane falou com convicção:
— Grayson Miller.
— Foi mal.
Assim que ouviu o próprio nome, ele se desculpou. Só lhe restava confessar a verdade.
— …É que você ainda não está totalmente curado.
No fim, Grayson revelou o segredo que vinha escondendo.
— Decidi não fazer nada com você por um tempo. Por isso precisava dos seus feromônios no lugar.
Diante daquelas palavras inesperadas, o pensamento de Dane parou por um instante.
— Não vai mais dormir comigo?
Ele só reagiu depois de dois ou três segundos de silêncio.
— Isso.
Grayson assentiu e disse:
— Além disso, você estava o tempo todo no hospital, e eu tinha que cuidar do Darling, então precisava voltar para casa. Por isso…
— Aquilo lá era o meu substituto?
Sem conseguir esperar mais, Dane o interrompeu. Grayson assentiu de bom grado e sorriu.
— Graças a isso, eu e Darling aguentamos firme, então foi ótimo.
Ótimo onde…
Dane ficou olhando para ele, pasmo. Nem sabia por onde começar a apontar os problemas. Não, para ser exato, será que devia elogiá-lo por ser tão atencioso? Mas ali também havia um problema.
— Que história é essa de não fazer até eu ficar curado?
Quando Dane perguntou, engolindo o “eu até já recebi alta”, Grayson respondeu com sinceridade mais uma vez:
— Naquele dia, você vomitou sangue.
O rosto de Grayson empalideceu. Como se tivesse revivido a lembrança daquele dia, sua voz tremia de leve.
— Não quero que você se machuque daquele jeito de novo… e também não quero que você sinta dor.
E também não deve querer ficar preocupado.
Só agora tudo fazia sentido. Naquele dia, Grayson tinha levado um susto enorme. Pensando bem, até voltar para casa, ele tinha ficado pálido como cera, sem voltar ao normal. E, depois disso, também não tinham feito nada além de beijos simples…
Ele tinha achado, simplesmente, que Grayson estava se contendo até ele ficar curado, mas havia um motivo mais profundo. Dane ficou sem saber o que fazer, mas logo uma outra voz soou lá do fundo.
Não é compreensível?
Pensando bem, Dane tinha escapado da morte por um triz várias vezes diante dele. Na verdade, o fato de estar vivo agora era, no mínimo, um milagre. Grayson, que tinha sofrido tanto com isso a ponto de chegar a se afastar de Dane, tinha visto Dane, bem diante dos seus olhos, vomitar sangue e desmaiar mais uma vez; era natural que ficasse em choque.
Será que eu não devia me preocupar com a possibilidade de ele fugir, e não eu?
Lembrando-se de Grayson, que tinha entrado correndo lívido havia pouco, Dane caiu em si com frieza. Se eu decidi aceitar esse cara, tenho que me conter com esse tipo de comportamento também. Quando uma pessoa se machuca repetidamente assim, o coração dela se desgasta. E então até os sentimentos que finalmente se instalaram no coração de Grayson acabariam desaparecendo por completo.
Isso não seria triste demais?
Dane ergueu a mão e parou no ar. Nem ele mesmo sabia se tinha querido tocar a bochecha de Grayson ou dar tapinhas no ombro dele. Depois de hesitar com a mão sem graça ali mesmo, levou-a até a nuca e, esfregando a nuca à toa, olhou para Grayson.
Grayson continuava de pé, olhando para ele lá de cima. A emoção parecia mais branda do que antes, mas o motivo de ele não conseguir abrir a boca com facilidade provavelmente era que ela ainda não tinha se apagado por completo. Devia significar que a imagem daquele dia não saía tão facilmente da cabeça dele. Depois de pensar até ali, Dane hesitou por um instante e, por fim, como quem toma uma decisão, abriu a boca:
— E se eu largar o trabalho de bombeiro?
— Hã?
Diante das palavras inesperadas, os olhos de Grayson se arregalaram.
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Continua
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello&Belladonna