Desire Me If You Can (Novel) - . ₊ Capítulo 200
Capítulo 200
Do outro lado, ouviu-se alguém prender a respiração, num arquejo. Contendo o riso, Dane continuou:
[— Pensa bem. Aonde eu iria primeiro depois de receber alta.]
Depois de uma breve pausa, Grayson respondeu:
[— Ver o Darling?]
[— Bom, algo assim.]
Diante da resposta de Dane, Grayson arquejou de novo e disparou depressa:
[— E-estou indo agora! Estou indo agora, então me espera! Não vai a lugar nenhum, me espera, ouviu?]
Logo após o grito desesperado, a ligação simplesmente caiu. Dane olhou para o celular silencioso, deu um sorrisinho e o enfiou de volta no bolso de trás da calça. Ao imaginar Grayson desesperado, um riso escapou pelos cantos de sua boca.
Basta eu sentar na cama e esperar, não é? Com as provas do lado. Quando ele entrar correndo, eu o agarro e dou uma lição nele. Será que as algemas ainda estão naquele mesmo lugar? Da próxima vez, também não seria má ideia comprar um cavalete. E aí, com o chicote, a bunda dele…
Dane escancarou a porta sem hesitar. A cena que viria a seguir já estava desenhada em sua mente. Os objetos que ele tinha levado depois de impregnar à vontade com feromônios deviam ter vestígios de todo tipo de safadeza. E deviam estar espalhados de qualquer jeito por todo o quarto…
— Ué.
Naquele instante, Dane deixou escapar uma breve exclamação. Diante dele havia uma cena completamente diferente do que imaginara. Não, talvez, de certa forma, fosse parecida. Afinal, aqueles objetos estavam amontoados em cima da cama.
Mas o que é isso…
Atordoado, Dane entrou no quarto. O ambiente estava tomado pelo cheiro dos feromônios de Grayson. Claro que o cheiro tinha impregnado, já que era o quarto dele, pensou, enquanto se aproximava devagar da cama. Um passo, depois outro. Por fim, parou à beira da cama e olhou fixamente para cima dela.
Os objetos espalhados sobre a cama eram familiares até para Dane. Eram justamente as coisas que Grayson tinha levado depois de impregnar com feromônios, dizendo que eram para Darling. Várias roupas, incluindo o roupão absurdamente grande, além de lençóis, toalhas e afins, estavam estendidos sobre o colchão, e a enorme foca de pelúcia estava num ponto um pouco afastado do centro. As almofadas e os travesseiros também estavam todos juntinhos, bem amontoados. Ao ver os objetos dispostos em círculo, deixando no centro um espaço vazio suspeitamente grande e comprido, Dane ficou sem palavras por um momento.
Era óbvio quem tinha ficado deitado ali. Não era difícil imaginar Grayson dormindo feliz, com as roupas e os objetos impregnados com os feromônios de Dane estendidos embaixo dele e empilhados ao redor.
Pelo menos ele teve um pouco de consciência, pois parecia que o Darling também tinha ficado naquela mesma cama. Os pelos de gato espalhados por todo lado eram a prova disso. Mesmo agora, Darling dormia deitado em cima do roupão fofinho. Dane, que observava a cena em silêncio, logo ficou pasmo. Ele já tinha ouvido dizer que alfas ou ômegas com o cio se aproximando ficavam mais calmos ao sentir o cheiro dos feromônios do parceiro, mas nunca imaginou que Grayson faria algo assim.
— Haa.
Depois de soltar um breve suspiro, Dane voltou o olhar para Darling de repente. Para não assustar o gato, que não enxergava, ele levou a mão devagarinho para perto do rosto dele e liberou um pouco de feromônio. Darling, que estava deitado respirando num ritmo regular, logo reagiu, erguendo as orelhas. Quando ele fez um carinho de leve no gato, que levantou a cabeça com um miau, Darling se levantou como se estivesse só esperando por isso e se espreguiçou todo. Quando ele pegou com delicadeza no colo o gato, que farejava procurando a direção onde Dane estava, Darling logo esfregou a cabeça nele e se grudou.
— Desculpa, Darling. Por te fazer esperar tanto.
Como se tivesse entendido o pedido de desculpas de Dane, o gato esticou o corpo e lambeu o rosto dele. Deixando aquela língua áspera agir à vontade, Dane, com o gato no colo, olhou fixamente para a cama vazia. O que restava era isto. O que ele devia fazer?
Na verdade, nem ele mesmo sabia que sentimento devia ter naquele momento. Parecia constrangimento, parecia espanto, parecia pena, parecia vontade de rir de tão absurdo, e, além disso, um turbilhão de outros sentimentos complexos o deixava confuso, e ele não conseguia chegar a uma resposta tão fácil. Se dependesse da vontade dele, queria tirar tudo dali, mas desistiu porque achou que Grayson ficaria decepcionado de novo.
É, igual àquela vez.
Dane fitou uma das paredes. O expositor estava exatamente como da última vez em que o vira. Na prateleira onde só havia uma lata solitária, ela continuava ali, sozinha. Só que agora restava apenas a casca.
Parado ali, Dane fitou o expositor — mais precisamente, a lata vazia em cima dele. Sem um único grão de poeira, a lata vazia chegava a brilhar, como se fosse polida todos os dias.
Tudo isso por um lixo daqueles…
Quando sentiu uma pontada em um canto do peito, de repente ouviu o ronco do motor de um carro. Com certeza era Grayson voltando. Com a gata no colo, Dane ficou ali parado, esperando que ele subisse.
Ouviu-se um rangido agudo, e logo em seguida o som da porta da frente se abrindo e fechando. Ele vinha correndo com tanta pressa que os passos ecoavam pela casa inteira. E, contrariando o tamanho enorme da casa, num instante Grayson escancarou a porta do quarto e gritou:
— Dane!
Dane olhou espantado para o rosto dele, que tinha parado lívido, ofegante. Por que essa cara? Sem se importar com a reação confusa de Dane, Grayson ficou parado ali, respirando pesadamente, e logo em seguida disparou para dentro do quarto.
— …!
Quando Dane se deu conta, Grayson já o tinha abraçado com força. Surpreso com aquela reação intensa, Dane ficou paralisado por um instante. Quando ia perguntar o que tinha acontecido, Grayson abriu a boca primeiro:
— Que alívio, que alívio… que alívio, que alívio mesmo…
— Grayson.
Ao vê-lo repetir sempre a mesma coisa, Dane deu tapinhas nas costas dele com uma das mãos, como quem diz para se acalmar.
— O que foi? Aconteceu alguma coisa? Por que você está assim?
Quando Dane perguntou várias vezes seguidas, Grayson soltou um suspiro trêmulo, haaa. Dane esperou a resposta em silêncio, e então ele respondeu com a voz tão trêmula quanto a respiração:
— É que você… sumiu…
Quando Dane parou, ele continuou:
— Achei que você… tinha ido de novo para algum lugar que eu não conheço e que alguma coisa tinha acontecido.
Diante daquelas palavras inesperadas, Dane ficou sem fala. O medo de Grayson era nitidamente perceptível através dos corpos colados. O corpo enorme tremia sem parar. A respiração ofegante, cheia de medo, ficava presa na boca. Depois de ficar assim por um momento, Dane esfregou as costas de Grayson, como quem diz que estava tudo bem. Em sua mente, uma lembrança esquecida voltou à tona. Os fogos de artifício que não paravam de estourar e o homem que chorava convulsivamente sob aquela luz deslumbrante.
〈Algo que dói tanto, algo tão horrível assim, não pode ser amor.〉
Ao se lembrar de como ele estava naquele dia, um canto de seu peito latejou.
Como eu pude esquecer o medo desse homem, aquele pavor?
Pensando assim, deu vontade de dar um bom tapa em si mesmo. Mesmo tendo visto Grayson sofrer tanto, ele tinha feito uma brincadeira dessas assim, tão facilmente.
— Grayson, chega. Pronto.
Ele segurou os ombros de Grayson de propósito e afastou o corpo dele, mas logo se arrependeu. Os olhos de Grayson já estavam vermelhos, injetados. Na mesma hora, a culpa se espalhou por todo o seu peito.
— Desculpa.
Ele se desculpou com a voz rouca.
— Desculpa, não vou fazer isso de novo.
Embora tivesse falado com sinceridade, a expressão de Grayson não se desfazia. Diante daqueles olhos trêmulos, que pareciam ainda não acreditar que Dane estava de verdade bem ali, na frente dele, Dane prometeu mais uma vez:
— Eu só fiz uma brincadeirinha. Não vou mais fazer isso. Não vou mais sumir para lugar nenhum sem te avisar e não vou mais arriscar a vida indo a lugares perigosos.
— …
— Hum?
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Continua
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello&Belladonna