Desire Me If You Can (Novel) - . ₊ Capítulo 116
Capítulo 116
Assim que Dane se virou para ele com uma expressão amarrada, Deandre perguntou surpreso:
— O que você está fazendo? Vai fazer o Miller trabalhar? Está falando sério?
Deandre olhava alternadamente para Grayson e Dane com uma cara de total incredulidade. Dane o respondeu em seu tom irritado de sempre:
— Esse bastardo precisa fazer alguma coisa, não podemos deixá-lo só olhando. Eu ensinei ele a jogar água, então ele consegue fazer isso.
— Ensinou? Você? O Miller?
Deandre perguntou de novo, espantado. Dane respondeu sem hesitação:
— É.
Meu Deus, o que está acontecendo? O cara que sempre diz “que saco” se deu ao trabalho de ensinar o próprio Miller? Sério? Vendo-o de olhos arregalados, Dane acrescentou como se fosse óbvio:
— O trabalho precisa ser feito logo para podermos ir embora e descansar, seu idiota.
— Ah.
Essa era uma resposta plausível. Toda vez que esse cara saía para uma chamada, ele sempre reclamava com uma cara de saco cheio. Dane Striker era o homem mais preguiçoso que ele conhecia, que só gostava de vagabundear e não fazer nada. Na verdade, ele era um completo vadio.
…Ainda assim, não fazia sentido que ele tomasse a iniciativa de fazer algo tão incômodo por conta própria só para largar o trabalho mais cedo.
Conforme a resistência de Deandre diminuía, Dane gesticulou com o queixo, impaciente, e ordenou:
— Vá fazer o seu trabalho, não perca tempo enrolando por aí.
— …Tá bom.
Ele não queria, mas não tinha mais o que dizer. Dane, desviando os olhos das costas daquele que se afastava, olhou de relance para Grayson. Grayson exibia seu sorriso característico como se nada tivesse acontecido. Dane falou sem rodeios:
— Quantas vezes eu tenho que te falar para tirar essa cara?
Não era hora de segurá-lo e conversar sobre isso ou aquilo. Os sons do fogo ardendo e os gritos de seus colegas misturavam-se de forma barulhenta ao redor. Dane disse rapidamente a Grayson o que fazer e então vestiu seu equipamento. Ele estava se preparando para entrar. Grayson seguiu suas instruções, ergueu a mangueira e moveu-se para jogar água. Assim que ele se posicionou, Dane imediatamente ligou a água. Um forte jato de água desabou sobre as chamas, criando um arco-íris enevoado.
— Bom trabalho, continue assim.
Dane deu um tapinha de leve no ombro de Grayson e terminou de se preparar para entrar junto com Ezra.
— Tem gente lá dentro?
Wilkins assentiu à pergunta de Ezra.
— Todos já evacuaram. Vocês devem ir primeiro e…
O olhar de Dane, que o escutava junto com Ezra, de repente foi atraído por um homem. Wilkins seguiu a direção do seu olhar e disse: — Ah.
— É o dono da casa. Ele disse que chegou do trabalho, viu o incêndio e ligou para relatar.
— Parece que ele mora sozinho.
Wilkins assentiu às palavras de Ezra.
— Ele é divorciado. A esposa saiu de casa.
O homem estava parado ali com o olhar vago, encarando a casa em chamas. A esposa foi embora e agora ele estava prestes a perder todos os seus bens, então não era de se espantar que estivesse fora de si. Dane até sentia que podia compreendê-lo até certo ponto. Talvez fosse pelo sentimento de identificação por ter perdido sua própria casa em um incêndio.
Deixando-os para trás para focar novamente nas palavras de Wilkins, Deandre juntou-se aos seus colegas atarefados. Assim que ele chegou, um deles perguntou como se estivesse esperando por aquilo:
— O que está acontecendo?
Era sobre o Grayson. Deandre olhou de relance na direção de onde tinha vindo e disse:
— Não sei, o Dane deve ter ensinado ele de qualquer jeito. Acho que ele pensou que seria útil se ele fizesse alguma coisa…
— Seria útil, mas será que esse bastardo vai fazer direito?
Outro cara se manifestou com insatisfação. Logo, comentários começaram a surgir de todos os lados.
— Quem confiaria no Miller? Eles confiam no Dane.
— Já seria um alívio se ele não causasse um acidente.
— De qualquer forma, vamos dar uma checada de tempos em tempos. Está todo mundo ocupado, mas…
— É isso aí, precisamos ir e resolver na hora se acharmos que tem algo errado, por menor que seja.
Os bombeiros, após trocarem um toque de mãos, começaram a se mover às pressas para cumprir suas tarefas designadas. E Dane e Ezra entraram no fogo.
O interior da casa já estava quase todo transformado em cinzas. O espaço estava encharcado pela água que caía sobre a estrutura em chamas e havia desabado, quase não deixando espaço livre. Pisando nos escombros e olhando ao redor, Dane examinou o interior da casa, passando por paredes e móveis caídos. Como já tinha ouvido, não havia sinal de ninguém. Enquanto balançava a mangueira do extintor que carregava no ombro de um lado para o outro para apagar as brasas restantes, ele continuava a ouvir os sons do fogo consumindo e das coisas desabando.
— Parece que está quase acabando.
Ezra, que saía de outro cômodo, disse:
— Será que a denúncia demorou? Como pôde queimar tão completamente…
Ele descobriu depois do trabalho, então é por isso, pode-se pensar, mas ainda restavam dúvidas. Se não havia ninguém em casa, como o fogo começou?
— Parece que o incêndio começou aqui.
Ezra disse ao entrar em um espaço que estava particularmente enegrecido e carbonizado. No que parecia ser a brinquedoteca de uma criança, restavam apenas bonecas já queimadas e uma cama infantil em uma forma mal reconhecível. Como sempre, ele estava apagando o fogo visível e olhando ao redor por ali.
— …?
Dane, que havia se virado em direção à cama, travou. Ele sentiu algo estranho. Debaixo da cama, havia algo que não deveria estar ali…
— Dane?
Ezra gritou surpreso ao ver Dane se agachar imediatamente. Logo, quando Ezra viu o que Dane havia encontrado debaixo da cama, ele perdeu o fôlego e ficou pálido. Uma criança sem vida estava ali, carbonizada.
Dane, que havia retirado a criança às pressas, congelou em choque por um momento. O resto da pele estava coberto de hematomas e marcas de sangue. Não dava para encontrar nenhuma parte da pele que não estivesse ferida.
— O-O que é tudo isso?
Ezra também murmurou com a voz trêmula. Estava claro para qualquer um que aqueles ferimentos de forma alguma tinham sido causados pelo incêndio. Dane não perdeu mais tempo e correu para fora às pressas com a criança nos braços.
“Esses bastardos acham que eu sou idiota?”
Grayson conteve a irritação crescente e focou apenas em jogar a água. Os outros caras vinham olhando de relance para ele constantemente desde mais cedo. Ele conhecia bem o significado daqueles olhares. Estavam vigiando-o ansiosos, preocupados de que Grayson pudesse cometer um erro. Grayson estava apenas indignado com esse fato.
“Tudo o que eu tenho que fazer é jogar água, o que tem de tão difícil nisso?”
Além do mais, ele estava bem focado agora. Ele queria que Dane pensasse que ele era útil quando voltasse. Se possível, ele gostaria de um beijo também…
Foi bem quando ele estava erguendo levemente os cantos dos lábios. De repente, ouviu uma agitação. Ele logo descobriu o motivo. Dane tinha saído correndo às pressas lá de dentro. Com uma criança pequena nos braços.
— Oxigênio, deem oxigênio para ele!
— Dane, por aqui! Deite ele aqui, rápido!
— Preparem a RCP, rápido…!
Os paramédicos corriam de um lado para o outro com urgência, mas a agitação não durou muito. Eles realizaram a massagem cardíaca de emergência e forneceram oxigênio, mas já era tarde demais. Todos sabiam desse fato. Um silêncio pesado caiu sobre o lugar. Ezra colocou a mão no ombro de Dane, que apenas encarava o nada com o olhar fixo.
— Já era tarde demais quando o vimos pela primeira vez, você sabia disso.
Dane olhou para ele de volta, atordoado, e então voltou o olhar para a criança. Ele tardiamente tirou o capacete e cobriu o rosto com uma das mãos, com os ombros caídos, sem forças. O rosto da criança, visível entre seus dedos, estava queimado e enegrecido em alguns pontos. Não se sentia nenhuma vitalidade naquele corpo inerte. Quão aterrorizado ele deve ter ficado naquele fogo quente? Quanta dor ele sofreu enquanto esperava desesperadamente por ajuda? Quanta, quanta dor.
Em seguida, uma fúria avassaladora surgiu dentro dele. Dane imediatamente virou a cabeça e olhou na direção onde o homem que diziam ser o dono estava parado. Ele ainda estava lá. Mesmo com toda aquela agitação acontecendo, ele apenas continuava ali parado com o olhar vago, piscando como se aquilo fosse problema de outra pessoa.
— Dane, Dane?
— Ei, onde você vai?
As pessoas gritavam surpresas de vários lados ao vê-lo se mover de repente como se estivesse correndo. Grayson também parou de jogar água e seguiu o olhar de Dane. E no momento seguinte.
Com um baque alto, Dane desferiu um soco no homem.
— Foi você?
Deixando para trás os bombeiros assustados, Dane gritou com o homem que havia caído no chão:
— Você matou ele, seu bastardo!
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello