Desire Me If You Can (Novel) - . ₊ Capítulo 106
Capítulo 106
Koi, que o observava com os olhos brilhando, abriu a boca como se estivesse esperando Dane pousar a xícara.
— Como você conheceu meu filho? No trabalho? O Grayson está se adaptando bem? Há quanto tempo estão namorando? Quando começaram a morar juntos…?
Será que Grayson Miller só herdou a casca de Ashley Miller?
Dane, inadvertidamente, olhou para Koi com uma expressão de desgosto. Ao notar a reação flagrante, Koi pareceu surpreso e sem jeito, esboçando um sorriso sem graça.
— Desculpe, eu não consigo me conter quando o assunto são meus filhos…
“É o que parece.”
Dane pensou distraidamente. Alguns pais têm um interesse excessivo pela vida dos filhos.
Pensando por esse lado, ele de repente franziu a testa. “Desde quando fiquei tão generoso?”
Normalmente, ele já teria se irritado e se levantado da cadeira, mas não apenas continuava ali sentado, como também demonstrava compreensão com tamanha benevolência. Seria essa tolerância mais um reflexo do vínculo por compartilharem a mesma característica?
Com a mente confusa, Dane pigarreou e mudou de assunto rapidamente.
— Eu sei que o Sr. Miller mora no Leste, mas como veio parar aqui? Aconteceu alguma coisa?
— Ah, o Ash disse que vinha dar uma olhada para ver se o Grayson estava se adaptando bem, então vim com ele. Eu só consigo ver os meninos quando estou com o Ash…
Uma sombra cobriu o rosto de Koi à medida que sua voz sumia. Enquanto Dane hesitava diante daquela atmosfera sombria — vinda de alguém que, até segundos atrás, exibia um sorriso radiante —, um bipe curto ecoou de seu bolso traseiro.
Dane tirou o celular, verificou a mensagem e, sem querer, soltou um suspiro.
[Grayson: Meu amado Dane.]
Assim que bateu o olho na primeira frase, ele preferiu não ler o resto. Passou os olhos por cima de forma desleixada, guardou o aparelho de volta no bolso, virou a cabeça e encarou Koi. Dane estendeu a palma da mão para cima, deu de ombros, ergueu uma das mãos e logo a largou sobre a coxa. Coçou a nuca com a outra mão e começou a falar com um ar contrariado.
— Foi o Grayson. Ele envia tantas dessas por dia… Nem pensa em quem está recebendo.
Percebendo tardiamente que havia reclamado do filho para o próprio pai, ele sorriu sem jeito. Mas a reação de Koi, como esperado, foi bem diferente da de uma pessoa comum.
— O Grayson? Aquele menino manda mensagens? E muitas?
Dane assentiu, meio atordoado, diante de Koi, que perguntava repetidamente com uma feição espantada.
— Sim, a ponto de ser um pouco difícil de lidar…
— Meu Deus, puxa vida! Eu não fazia ideia.
Koi juntou as mãos como se fizesse uma prece e piscou os olhos, visivelmente comovido.
— Para ser sincero, eu estava um pouco preocupado sobre como ele agiria com o parceiro. Fiquei pensando se ele seria muito frio, mas que alívio.
Quando Dane estacou ao ouvir a palavra “frio”, Koi acrescentou um absurdo ainda maior:
— O Grayson é de poucas palavras, sabe?
“De quem você está falando…?”
Era evidente que se tratava de outra pessoa que por acaso tinha o mesmo nome do Grayson Miller que Dane conhecia. Quem sabe, como dizia o teórico da conspiração do corpo de bombeiros, alienígenas tivessem sequestrado terráqueos, copiado suas aparências e passado a agir como eles, sendo aquela criatura um desses ETs usando a casca do filho dele…
“O que há de errado com a minha cabeça?”
Dane piscou os vezes seguidas para recuperar o bom senso. Ele estava fraquejando a todo momento por culpa daquele maldito vínculo ou seja lá o que fosse.
“Não, volte ao seu normal.”
Obviamente, resistir ao instinto exigia um esforço considerável. E Dane detestava se esforçar por coisas enfadonhas. Por causa disso, sua escolha já estava tomada.
— Bom, eu já vou indo, estou cansado…
Quando ele fez menção de recolher suas coisas, Koi arregalou os olhos, sobressaltado.
— Ah, me desculpe. Eu me exaltei porque não tenho onde saber sobre os meninos, não é? O que eu fui fazer, prendendo você aqui sabendo que está exausto? Como você compartilha da mesma característica e é o namorado do Grayson, acabei ficando emotivo demais…
Ao vê-lo se desculpar daquela maneira, sem saber o que fazer, o coração de Dane amoleceu novamente. Não eram raros os casos em que a postura externa de alguém diferia totalmente daquela apresentada aos pais. Na verdade, a maioria era assim. Naturalmente, eles teriam curiosidade sobre o comportamento dos filhos longe de casa.
Além disso, por mais inacreditável que parecesse, Grayson mantinha uma aura taciturna com a família…
Dane acabou optando por permanecer no lugar. Pegou sua caneca e comentou:
— Ainda sobrou café, então vou terminar de beber antes de ir.
— Sério? Que alívio!
Koi alegrou-se e mudou de semblante em um instante. Ele empurrou deliberadamente a bandeja com petiscos na direção de Dane e prosseguiu:
— Eu queria conversar um pouco mais com o Dane, mesmo que não fosse sobre o Grayson. Faz tempo que não encontro alguém com a mesma característica. Ah, o caçula também compartilha da nossa característica! Se contarmos com a Bliss, são três com a mesma característica ao meu redor. Vou te apresentar à Bliss da próxima vez, ele vai ficar super feliz.
De repente, Dane se lembrou de que a família Miller tinha seis filhos. Se o caçula compartilhava da mesma característica, significava que era um ômega dominante. Nesse caso, um único ômega dominante em meio a cinco alfas dominantes…
Talvez por ter deixado transparecer uma expressão de horror sem perceber, Koi deu um sorriso sem graça.
— Pois é, passamos por algumas dificuldades. Por isso tenho tanta curiosidade em saber como os meninos estão…
Dane fixou os olhos no rosto de Koi.
— O senhor é muito apegado aos seus filhos.
Koi sorriu de forma amarga diante do tom pausado de Dane.
— Não tenho como não me preocupar. Afinal, meus filhos são… especiais. Mas eu apenas escolhi acreditar que eles são capazes de fazer o que as outras pessoas fazem, e fico esperando.
E murmurou, como se falasse consigo mesmo:
— Se eu não acreditar neles e não aguentar firme, quem vai acreditar nos meus filhos?
Uma ponta de melancolia pareceu brotar nos olhos de Koi. Dane apenas manteve a caneca estendida no ar, observando-o em silêncio.
Ashley encarava Grayson sem pronunciar uma única palavra. Inúmeros pensamentos cruzavam por trás de sua fisionomia gélida. Grayson aguardava a reação com um sorriso de orelha a orelha, como sempre, divertindo-se como nunca.
Após um silêncio sufocante, Ashley finalmente se pronunciou.
— Como você pode ter certeza de que isso é realmente uma “emoção”?
Se algo assim fosse viável, só poderia ser considerado um milagre. Até então, Ashley havia trabalhado incansavelmente para fazê-lo “aprender” as emoções. Não importava o que fizesse, o rapaz era incapaz de senti-las. Sendo assim, a única alternativa era aprender os sentidos de forma mecânica.
Contudo, independentemente de seus esforços, o jovem demonstrava sempre a mesma reação. Mesmo diante de tudo isso, sua curiosidade era tão avassaladora que ele não suportava ficar sem respostas. Ashley mal conseguira ensiná-lo a conter-se diante dessa curiosidade, mas Grayson provavelmente passaria o resto da vida sem conseguir saciar sua sede por sentimentos.
Uma curiosidade que ele jamais decifrará, mas que também nunca será preenchida.
Mas ele aprendeu o que significa o “medo”? Como?
Evidentemente, era impossível acreditar. Era perfeitamente natural que não confiasse em Grayson, dado o histórico de mentiras que ele contava a Ashley desde o nascimento. Mas Grayson foi ainda mais longe.
— Sim, e eu também sei o que é o amor.
Ele encarou Ashley com uma feição surpreendentemente arrogante, como se estivesse orgulhoso daquilo. Ao notar a expressão do filho, Ashley cerrou os olhos lentamente. Era óbvio que se tratava de uma atuação. Uma encenação moldada para a situação, exatamente como havia sido instruído a fazer até então.
Mas como ele saberia que precisava adotar justamente essa expressão ao proferir tais palavras?
Ashley esmagou impiedosamente a esperança que tentava despontar em seu peito. Quantas vezes já não havia sido ludibriado por Grayson dessa mesma forma? Seria ele apenas um pai tolo, cegado pelo próprio filho no fim das contas? Tomado por um sentimento de autodepreciação, Ashley questionou:
— Como conseguiu?
— Eu aprendi.
Grayson respondeu de imediato, sem hesitar. Em seguida, estufou o peito e declarou com convicção:
— Com o Dane.
Ashley silenciou-se mais uma vez. Dane Striker. O homem que Grayson apresentou como parceiro teria lhe ensinado as emoções? Como esse sujeito conseguia demonstrar tamanha certeza, sabendo que logo adiante teria um colapso jurando ser o amor de sua vida para depois admitir que estava errado?
— Desta vez é real.
Grayson afirmou, mas aquelas também eram palavras que Ashley ouvia desde que o filho nascera. Ele achou melhor não desperdiçar mais tempo com o rapaz.
— É mesmo? Então eu posso testar isso, não posso?
Diferente da postura confiante que mantinha até o momento, Grayson hesitou. Os olhos de Ashley se estreitaram. “Eu já sabia.”
— Se o que você diz é verdade, nada vai mudar mesmo se eu for confirmar com o Dane Striker, certo? Ou…
Ashley indagou, utilizando um tom ainda mais lento que o habitual:
— Você mentiu de novo desta vez?
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello