Desire Me If You Can (Novel) - . ₊ Capítulo 09
Capítulo 09
Koi apertou rapidamente os botões de seu telefone.
Na realidade, em momentos como este, Ashley só compartilhava as notícias com Koi. Porque sabia que Koi as espalharia imediatamente para toda a família. Como Ashley havia previsto, Koi também desta vez apressou-se em fazer ligações para compartilhar a novidade.
— … Não atende. Estará em um julgamento? O Grayson quer ser bombeiro! Encontrou alguém novo e está fazendo algo bom, não é genial? Mantenha-se saudável e venha nos visitar de vez em quando. Te amo.
Depois de deixar uma mensagem de voz no telefone de seu primeiro filho, que era uma cópia de Ashley, ligou para sua primeira filha (e terceira na ordem cronológica), Stacy.
— O quê? Bombeiro? Grayson? Aquele tonto?
Mas assim que ouviu a notícia, Stacy caiu na risada. Koi piscou, desconcertado. Ao não receber a reação que esperava, terminou a conversa rapidamente e desligou após dizer: “Te amo”.
E então a próxima ligação.
Esta lhe causou um pouco de hesitação porque era Chase. Não fazia muito tempo desde que haviam resolvido seus conflitos com Chase. Embora “resolver” fosse apenas uma forma de dizer, não era uma reconciliação completa. Apenas enviavam mensagens de vez em quando, e suas conversas eram incômodas e breves. Ainda assim, Koi estava grato pelo pouco que tinham.
— Uf.
Antes de ligar para Chase, Koi respirou fundo para se acalmar e primeiro verificou a hora na costa oeste.
“Está bem, agora é um bom momento.”
Assentiu para si mesmo, armou-se de coragem e pressionou os botões do telefone. Com as orelhas alerta, esperou, e quando a chamada foi atendida e ouviu uma voz, quase gritou de emoção.
— Ei, olá, Chase. Sou eu. Como você está?
Mas, apesar de sua alegria inicial, Koi apenas recebeu uma resposta seca do outro lado.
— O que você quer?
— Eh…
Koi fechou os olhos com força e depois os abriu, tentando encontrar as palavras.
— Bem, o Grayson quer ser bombeiro. Então o Ashley vai ajudá-lo a conseguir o emprego…
Embora lhe tenha custado trabalho dizer isso, do outro lado não houve reação. Diante do silêncio inquietante, Koi falou com cuidado.
— Eh, Chase…
Antes que pudesse terminar a frase, Chase soltou um palavrão e uma resposta fria.
— O que diabos aquele idiota está tramando agora?
— O quê?
Koi, surpreso, perguntou, mas Chase já havia desligado. Koi ficou boquiaberto olhando para o telefone, mas nada mudou. Frustrado pela ligação que terminou tão abruptamente, suspirou.
Com certeza Chase contaria ao seu parceiro Joshua sobre isso. Afinal, Joshua e seus filhos eram o mais importante para ele.
“Está bem.”
Logo, um sorriso apareceu no rosto de Koi. Que sorte a dele que seu filho, assim como ele, tivesse encontrado alguém único para toda a vida. Na verdade, de todos os seus filhos, Chase era o que mais o preocupava. Mas o surpreendente era que foi Chase quem encontrou seu parceiro primeiro. E então, um por um, os outros filhos também encontraram seu amor e agora levam vidas estáveis. Todos, exceto Grayson.
Que ironia, não? Grayson, que passou a vida toda procurando seu único destino, era o único que continuava sozinho.
“Tomara que ele também encontre alguém logo.”
Koi fez uma breve oração e depois acrescentou em silêncio: mesmo que não encontre essa pessoa, seria maravilhoso se Grayson, ao ajudar outros nesta nova etapa, pudesse aprender sobre a “humanidade”. Embora não tivesse nascido com isso, sempre se pode aprender. Não foi um processo fácil, mas, no final, ele também aprendeu o que é a “sociabilidade”, não?
Com isso em mente, procedeu a ligar para o restante de seus filhos. As reações foram variadas, mas ele estava seguro de que todos sentiam o mesmo que ele. Que desejavam que Grayson encontrasse seu destino logo.
“Afinal, nossos filhos são todos anjos. Embora um pouco incomuns”, pensou Koi, ignorando a ideia que se seguiu, sem se dar conta das nuvens escuras que se aproximavam, em contraste com seu ensolarado estado de espírito.
*
“O filho bastardo dos Miller está vindo.”
A notícia se espalhou por todo o corpo de bombeiros em meio dia. Naturalmente, a reação não foi nada positiva. E como poderia ser? Todos ali haviam se tornado bombeiros após um processo rigoroso e cheio de dificuldades, após reflexões sérias e profundas. No entanto, alguém entrava na organização de repente, sem sequer passar pelo teste físico mais básico, graças ao poder de sua família e fora do período de contratação. Com certeza não tinha nem senso de dever, nem de missão. Apenas achava interessante, ou talvez visse como um simples passatempo. E se a realidade não coincidisse com sua imaginação, fugiria sem pensar duas vezes. Embora fosse um trabalho perigoso, onde arriscavam suas vidas, serviam com orgulho à comunidade. Quem gostaria de ver sua sagrada profissão manchada pelos caprichos de um filhinho de papai?
Por isso, os funcionários na sala de treinamento tinham olhares carregados de ressentimento. Se alguém cruzasse seus caminhos, não deixariam passar. Sob esses olhares inquietantes, o chefe do corpo de bombeiros continuou falando, com um suor frio escorrendo pelas costas.
— Bem, já que é assim, vamos aceitar. Não será mais de um ano, não é? Pensem nisso como um serviço à comunidade. Miller também é um cidadão, e um que paga impostos exorbitantes, certo?
Acrescentou essas últimas palavras como quem busca aprovação, mas a resposta foi fria.
— Não é um serviço à comunidade, ele só quer que sejamos seus companheiros de brincadeira. Somos gente ocupada. Atendemos casos de emergência. Sério que quer que façamos parte disso?
Um deles levantou a mão para fazer uma pergunta, mas seu tom era claramente sarcástico. O chefe sabia disso, mas conteve sua raiva e respondeu com calma.
— Pensem nele como um novo bombeiro voluntário. Ou até como um trabalhador de meio período, algo leve.
Claro, ninguém engoliu essa desculpa. Ser bombeiro, seja oficial ou voluntário, não era um trabalho que pudesse ser levado levemente. As cenas de incêndios eram lugares onde a vida pendia por um fio, e eles, inclusive os voluntários, haviam passado por treinamentos rigorosos e carregavam um profundo sentido de responsabilidade. Diante do silêncio gélido que não se dissipava, o chefe da estação forçou um sorriso incômodo e mudou rapidamente de assunto.
— Bem, bem, decidimos organizar uma festa de boas-vindas para quando Miller chegar. Todos, vamos beber e conviver um pouco, certo? Comendo e bebendo, com certeza ficarão amigos rápido. Ah, embora os alfas dominantes não fiquem bêbados… mas se nos esforçarmos, com certeza conseguiremos, haha! Certifiquem-se de vir todos, entendido?! Todos!
Festa de boas-vindas? Ninguém mostrou entusiasmo, mas o chefe, após insistir mais uma vez, deu-lhes o nome do bar onde costumavam ir e saiu apressadamente, como se estivesse fugindo.
Quando a porta se fechou, um ar incômodo preencheu a sala. Após um momento de silêncio, como se estivessem medindo as palavras, alguém não se conteve e explodiu.
— Isso faz sentido? Entrar sem um processo formal, sem sequer um teste físico?
O homem sentado no banco de supino levantou-se de um salto, furioso. Logo, explodiram queixas por todos os lados.
— Isso não faz sentido! Não é justo, vai contra a equidade!
— Esse convencido, com certeza nem passou no exame para ser bombeiro.
— Todo mundo deveria passar pelo mesmo processo, não é justo. Como era de se esperar de uma família de advogados desprezíveis.
— Já são três gerações, maldito seja o escritório Miller!
— Mesmo que o Miller chegue a ser presidente, não pode fazer o que quiser, isso aqui são os Estados Unidos!
— Miller não é presidente, é só um advogado!
— Um senador, com o escritório Miller dando suporte, é só isso!
As queixas transbordaram, mas pouco a pouco se apagaram, até que o silêncio voltou a dominar a sala. Sim, isso eram os Estados Unidos. Um país onde tudo é possível se você tiver dinheiro. E se, além disso, você for advogado, e não qualquer advogado, mas parte do escritório Miller, considerado o mais prestigioso da América do Norte por três gerações, que limites poderiam detê-lo? Mais ainda, agora que a família Miller também entrava na política, era como se os Estados Unidos inteiros estivessem na palma de sua mão.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna