Desire Me If You Can (Novel) - . ₊ Capítulo 02
Capítulo 02
Deixando a mulher com a cabeça inclinada, Grayson Miller tirou a carteira do bolso interno do paletó. Extraiu várias notas de cem dólares e as deixou cair sobre a mesa antes de perguntar pela última vez:
— Não tem mais nada para me dizer?
Ela sorriu com um sorriso que parecia ensaiado e respondeu:
— Por hoje, é só isso.
Grayson deu meia-volta e saiu da loja sem fazer mais perguntas, com a sensação de ter perdido tempo outra vez.
Depois que o homem de mais de dois metros de altura desapareceu, a vidente ficou sozinha naquele pequeno espaço. Tirou uma carta do baralho, mas, ao vê-la, deixou escapar um suspiro trêmulo. Era a carta da Torre, com sua imagem de um raio atingindo uma estrutura alta.
— Algo terrível vai acontecer logo… — murmurou para si mesma. Olhou ao redor, sentindo que o ar havia se tornado frio e pesado. Esfregou os braços, onde a pele havia arrepiado, e levantou-se rapidamente do assento. Nesse momento, um cliente entrou no local, mas ela acenou com a mão e disse apressada:
— Hoje já terminei. Vá embora.
— Eh… então eu volto amanhã…? — balbuciou o cliente, desconcertado. Mas a vidente negou com a cabeça imediatamente.
— Não, não. Amanhã também não estarei aqui. Não vou mais seguir com este negócio.
— O quê? Não vai continuar? Espere um momento… — disse o cliente, ainda mais surpreso. Sem lhe dar mais atenção, a vidente o empurrou suavemente para a porta e começou a recolher suas coisas às pressas.
“Devo ir para longe, muito longe”, pensou, enquanto empacotava seus pertences. Enquanto o fazia, uma carta saltou de suas mãos e caiu no chão. Ao se abaixar para recolhê-la, soltou um grito abafado.
Era a carta do Diabo.
Com mãos trêmulas, ela a segurou e murmurou, olhando fixamente para a imagem:
— Isto é sinistro… muito sinistro.
Como se o céu quisesse confirmar suas palavras, um raio cruzou o céu limpo, seguido de um trovão sombrio.
* Parte 1: Aqui vem o cão «Here Comes The Dog» 1
Como sempre, quando a noite se aprofundava, o som das taças se chocando, a música suave e os suspiros embriagados preenchiam o ambiente. E, em algum momento, as pessoas na festa começaram a desaparecer de duas em duas. Era o resultado óbvio de uma festa com esse propósito. Os alfas dominantes, se não liberassem seus feromônios periodicamente, podiam sofrer danos cerebrais, desde simples perdas de memória até danos severos ou mesmo a loucura. Por isso, buscavam constantemente parceiros para transar, e era comum organizarem festas em turnos com esse objetivo compartilhado.
Nesta festa, também reunida para liberar feromônios, Grayson estava sentado no bar, bebendo um uísque misturado com algo mais. O gelo derretia formando gotas na borda do copo; seus dedos o acariciavam lentamente. Em ambos os lados, dois ômegas dominantes gêmeos, com rostos idênticos, sentaram-se demonstrando um interesse descarado.
— Ter que trabalhar todos os dias é algo alegre e triste ao mesmo tempo.
Com um suspiro, Grayson deixou escapar essas palavras, enquanto o homem sentado à sua direita piscou, desconcertado. O que estava à sua esquerda, compartilhando a bebida, tomou a iniciativa e respondeu com tom amável:
— O que você está dizendo, Grayson? Por acaso sente vontade de “trabalhar”?
Ao enfatizar a palavra “trabalhar”, moveu os dedos indicador e médio de ambas as mãos, como se estivesse marcando aspas. O outro homem, observando a situação, uniu-se à conversa com cautela:
— Não diga bobagens. Você não deve estar cansado de viver sem fazer nada, certo? Isso seria entediante demais.
— Vamos, Grayson Miller não seria assim, seria?
Os homens sentados em ambos os lados do bar trocaram comentários entre si, enquanto vigiavam a reação de Grayson. Ele soltou uma risada breve e exagerou na resposta:
— Por que eu seria assim? Não é que eu só viva sem fazer nada. Às vezes eu “trabalho”, de vez em quando.
Até certo ponto, era verdade. Não havia outro alfa dominante como Grayson que tivesse experimentado tantas profissões. Toda vez que se apaixonava, costumava imitar o trabalho dessa pessoa, fosse ele ou ela. No processo, descobria talentos ou habilidades que nem sabia que tinha, mas tudo ficava nisso: uma mera imitação. Na realidade, ele nunca tinha tido um emprego formal em toda a sua vida.
O problema era que essa aparente dedicação desaparecia assim que seus sentimentos pela outra pessoa esfriavam. Grayson costumava deixar tudo de lado sem a menor consideração, desaparecendo sem mais nem menos. Seus ex-parceiros, abandonados, ficavam sem forma de contatá-lo e, frequentemente, tinham que suportar as críticas e as consequências das ações dele, sofrendo as dificuldades que ele deixava para trás.
Suas más ações eram muito conhecidas e, no entanto, sempre surgiam novas vítimas. A razão residia em um de seus muitos talentos: sua habilidade excepcional para “fingir estar apaixonado”. Mesmo aqueles que, alertados pelos rumores, tentavam manter a guarda, não conseguiam resistir por mais de três dias. Grayson parecia ser capaz de ver através de seus corações, dizendo exatamente o que queriam ouvir e concedendo cada um de seus desejos. Atuava como se estivesse disposto a dar até a própria vida por eles, com uma sinceridade que parecia inabalável.
Por isso, inevitavelmente, acabavam pensando “Desta vez será diferente” ou “Comigo não será assim”. Mas não demoravam a perceber que tudo tinha sido uma ilusão, logo após ele os abandonar sem piedade.
[— Você não era o meu destino. Adeus].
… eram as palavras que acompanhavam sua despedida, como uma piada cruel. Por isso, muitos murmuravam: “Grayson Miller só gosta de fingir que está apaixonado”. De que outra forma ele poderia se afastar tão friamente de alguém que tanto havia amado? Não é como se as emoções tivessem um botão de ligar e desligar. No entanto, alguns insistem que Grayson se apaixona, sim, mas por um tempo curto demais.
Seja uma ilusão ou a verdade, o resultado é o mesmo. Grayson faz com que seu parceiro se apaixone perdidamente, para depois ir embora quando bem entende. Não importa o quão devastado o outro fique, porque, literalmente, isso já não é problema dele.
— Encontrou seu novo destino ou o quê?
O homem da direita perguntou com um sorriso de deboche, como se estivesse contando como um cachorro que ele criou tentava cruzar com outro no parque. Seu tom estava carregado de sarcasmo. O outro homem, sentado do outro lado, não quis ficar para trás e, enquanto acariciava o corpo de Grayson, perguntou:
— Então, em que você está trabalhando desta vez? Se for algo que o Grayson possa fazer, talvez no setor de serviços?
Piscou com um olhar travesso enquanto o olhava. O outro homem, não querendo ser menos, inclinou-se para ele e começou a acariciar a coxa de Grayson. Ou, mais precisamente, o seu grosso pau descansando sobre ela. Grayson achou divertido e esboçou um leve sorriso. As mãos que acariciavam seu braço e sua coxa eram atrevidas, mas ele permitiu, como se fosse a coisa mais natural do mundo, e finalmente falou:
— Terei que procurar algo, agora.
Diante disso, um dos gêmeos perguntou:
— Que tal um trabalho com uniforme? Seria sexy.
— Tipo um policial?
O outro gêmeo, sem perder o ritmo, acariciou o pau ereto de Grayson que se erguia sobre sua coxa. Já imaginava o quão emocionante seria ter aquilo dentro de si, e seu corpo respondeu com um estremecimento antecipado. As palavras para ganhar seu favor saíram sozinhas:
— E com uma arma tão grande quanto esta.
Grayson soltou uma risadinha diante do comentário.
— Você acha? Devo considerar?
Diferente do homem que estava visivelmente envergonhado, o outro reagiu rapidamente com uma adulação. Ao ver isso, o primeiro homem também se apressou em seguir o jogo.
— Com certeza ficaria bem em você. É que eu nunca imaginei que o Grayson faria algo assim. Grayson, você me prenderia primeiro? Oficial, devo me inclinar sobre o capô?
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna