Desire Me If You Can (Novel) - . ₊ Capítulo 93
Capítulo 93
Um silêncio constrangedor se instalou entre eles. Dane encarava Grayson como se não conseguisse acreditar no que ouvia, enquanto Grayson o fitava com um semblante radiante, os olhos brilhando de expectativa, feito uma criança à espera de um doce.
“O que se passa na cachola desse bastardo…”
Dane sentiu-se tão estupefato que sua visão chegou a turvar.
— O que diabos você… Esquece.
Ele interrompeu a própria fala, balançou a cabeça e fez menção de se virar novamente. Não pretendia gastar suas energias com alguém totalmente desprovido de razão. Ele já tinha problemas demais para resolver naquele exato momento.
Naturalmente, Grayson não bateria em retirada com tanta facilidade.
— Pense bem a respeito.
Grayson, que alcançou Dane rapidamente dando dois pulinhos, deu continuidade:
— Só estou te pedindo três meses. Se depois disso você ainda não tiver mudado de ideia, eu caio fora sem reclamar. Posso até pedir as contas no corpo de bombeiros.
Quando Dane estacou, ele acrescentou como se estivesse aguardando justamente por aquela brecha:
— Eu sumo da sua frente de uma vez por todas.
Dane fixou os olhos na feição de Grayson sem pronunciar uma palavra. Se o irmão dele era um vigarista e ele próprio era um sujeito que falseava a realidade à menor oportunidade, como poderia depositar algum voto de confiança ali? Grayson, farejando o olhar de suspeita, sondou as intenções de Dane com um sorriso ladino.
— Não é uma proposta tentadora? Você pode se livrar de mim para sempre sacrificando apenas três meses de uma longa vida.
“E como você vai saber quanto tempo de vida me resta?”
Dane ponderou, mas foi incapaz de negar que seu coração balançou de leve. Aquela não era a primeira vez que recebia uma oferta nesses moldes. Ele sempre adotara uma postura irredutível e jamais capitulara diante de propostas semelhantes no passado, porém…
Bem naquele instante, seu olhar cruzou com a figura do Darling acomodado nos fundos da ambulância. Ao girar a cabeça, deparou-se com Grayson bem ali, com o rosto ainda impregnado de fuligem e os fios loiros chamuscados em falhas desalinhadas.
Haa, Dane liberou um suspiro profundo e finalmente abriu os lábios:
— Você vai sumir mesmo da minha frente?
— Sim.
— E vai pedir as contas do corpo de bombeiros também?
— Mas é claro.
Grayson rebateu os questionamentos de Dane no mesmo segundo. Ainda restava um resquício de desconfiança, mas Dane viu-se sem alternativas. Ele não tinha nada a perder ali, tinha? O veredito já estava selado de qualquer forma.
— Se isso te satisfaz, que seja.
Dane finalmente bateu o martelo. Ele estendeu a mão direita na direção de Grayson e determinou:
— Três meses a partir de agora. Nem um dia a mais.
Grayson acoplou sua mão à de Dane com uma fisionomia iluminada. A intenção de Dane era aplicar um aperto sutil e romper o contato rapidamente, mas Grayson puxou seu braço de forma abrupta. Apanhado de surpresa, Dane foi tragado para perto e Grayson o enlaçou em um abraço, sussurrando:
— Agora você é meu namorado.
— Ei…
Ao experimentar o sopro daquela respiração quente rente à sua orelha, Dane protestou:
— Não vá esquecer que você estipulou “três meses em caráter de teste”.
— Com certeza, eu tô ligado.
Grayson apertou Dane com ainda mais vigor em mais um abraço. Dane sentiu-se momentaneamente desconcertado diante daquele aperto forte que chegava a dificultar a respiração, mas, por sorte, Grayson logo o libertou. À medida que Dane recuava a passos rápidos, Grayson tomou a palavra como se estivesse de prontidão:
— E então, o que você vai fazer a partir de agora? Como seu namorado, eu preciso estar a par dos detalhes.
Dane cerrou o cenho diante daquela postura de quem cruzava a linha de imediato sem o menor pudor, mas o pacto já estava selado. Ele massageou a testa com uma das mãos e respondeu:
— Primeiro, preciso encaminhar o Darling para uma clínica veterinária. Depois, tenho que dar um jeito de encontrar um teto…
— Vamos para a minha casa.
Grayson sugeriu de pronto, antes mesmo que o outro concluísse o raciocínio. Quando Dane interrompeu os movimentos e lhe lançou um olhar de soslaio, Grayson esmiuçou:
— Não vai te custar um único centavo se alojar na minha residência. Além do mais, é super confortável. São nove cômodos disponíveis, então você pode se apropriar do quarto que bem entender. Dá para usufruir do spa para descontrair após o expediente, tomar um drink apreciando o pôr do sol da sacada dos aposentos… Tem também uma adega subterrânea no subsolo e, se a piscina externa estiver muito gélida, é só aquecer a interna e curtir a área coberta…
Ele despejou a lista de vantagens como se estivesse com o roteiro decorado. Nem o corretor de imóveis mais astuto saberia elencar os atributos com tamanha riqueza de detalhes. Dane limitava-se a escutar com uma feição vazia. Grayson logo se deu conta de que o companheiro ignorava seu discurso e recalibrou a estratégia:
— O Darling também vai adorar o ambiente. Tem um aposento que recebe bastante luminosidade solar. O Darling é fissurado em escalar o arranhador e ficar se banhando no sol, não é?
Como já era de se prever, as pupilas de Dane recuperaram o foco imediatamente. Bastou o nome do Darling ecoar pelos lábios de Grayson para que Dane travasse de forma automatizada. Obviamente, Grayson jogava com essa vantagem. O olhar de Dane vacilava toda vez que a menção ao Darling vinha à tona. Era uma oscilação efêmera, mas Grayson não deixava passar batido. Toda a sua atenção encontrava-se canalizada em Dane.
Portanto, aquilo também integrava o arsenal de artimanhas de Grayson. Ele tinha a plena certeza de que Dane balançaria se o Darling fosse colocado em pauta. E seu palpite mostrou-se certeiro. Fitando Dane de cima, que imergia em uma ponderação séria pela primeira vez, Grayson aguardou em silêncio. Sabia que pressionar demais naquele estágio surtiria o efeito oposto. Faltava muito pouco para ele ceder. Grayson só precisava aguardar o tempo certo.
“O Darling.”
Dane perdeu-se em reflexões com o semblante compenetrado. Custava a crer que Grayson Miller nutrisse um zelo genuíno por seu precioso felino. Também era difícil digerir que ele houvesse colocado a própria vida em risco exclusivamente em prol do gatinho. No entanto, sentia-se encurralado em um dilema pelo simples fato de não conseguir repelir a oferta com facilidade quando aquele homem trazia o Darling para a equação.
“Não, isso não está certo.”
— Não, não precisa — Dane blindou o coração e manifestou sua recusa. — Eu me encarrego de solucionar a questão da moradia, então não precisa se estressar com isso. Agradeço a gentileza, mas vou passar.
As últimas palavras foram proferidas por pura formalidade, mas Dane tentava ser o mais polido possível dentro de suas limitações. Ele já vinha travando uma batalha interna para conter a irritação que aquela conjuntura lhe despertava. Grayson, captando a real atmosfera, apontou de imediato o obstáculo prático:
— Mas você está sem um teto para se abrigar agora, não está? Então, pelo menos até você estruturar um local definitivo, poderia ficar alojado lá em casa…
— Do que você está falando, seu idiota? O que não falta por aí é motel.
Dane finalmente perdeu as estribeiras e disparou as palavras com crueza. Só porque havia concordado em compactuar com aquele teste de três meses não significava que ele aceitaria ser controlado. Ele era um indivíduo que idolatrava a liberdade acima de qualquer nuance e não alimentava a menor intenção de se curvar a alguém que nem sequer figurava como seu namorado legítimo, mas sim como alguém perante o qual estava apenas “quitando uma dívida”.
— Vai levar anos para erguer a sua casa do zero, você vai passar esse tempo todo peregrinando de motel em motel?
Grayson tentou persuadi-lo como se aquela ideia beirasse o absurdo, mas Dane não arredou o pé.
— O nosso vínculo só vai durar três meses, então dá no mesmo de qualquer forma, não dá?
Grayson estacou diante daquela colocação. Ele demonstrou uma leve surpresa, mas logo em seguida abriu um sorriso.
— Poxa, você me pegou de surpresa agora.
“Esse bastardo, ele já tinha arquitetado o plano desde o início.”
Dane franziu o cenho de forma evidente. Aquele era um homem que se aproveitaria de qualquer brecha de fragilidade se a guarda fosse baixada por um milésimo de segundo. Ele vinha instrumentalizando o fato de Dane estar desestabilizado pela catástrofe diante de seus olhos para costurar uma proposta descabida como se não fosse nada demais.
A rejeição de Dane foi transmitida a Grayson sem rodeios. Não que justificativas de curto alcance — como o fato de que aquilo economizaria fundos ao longo dos três meses ou que o futuro após esse período era uma incógnita — não tivessem cruzado a mente de Grayson. Contudo, ele colocou de lado todo aquele falatório maçante e acrescentou casualmente:
— É só me dar um toque se precisar de um suporte, Dane. Estou sempre à disposição.
Embora não conseguisse extirpar a desconfiança diante daquela facilidade com que o outro recuou, Dane deslocou-se para resgatar o felino. No exato instante em que acomodou o Darling nos braços com o máximo de zelo, a voz de Grayson ecoou em suas costas:
— A partir de amanhã, nossos encontros passam a ser na condição de namorados, Dane.
Dane paralisou por um breve momento e girou o corpo. Grayson ostentava um sorriso radiante e acenou, virando-se em seguida para correr na direção dos demais companheiros que se ocupavam com os trabalhos de rescaldo. Deixado sozinho, Dane permaneceu estático ali por um longo tempo, tomado por um forte pressentimento de que problemas estavam por vir.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello