Desire Me If You Can (Novel) - . ₊ Capítulo 68
Capítulo 68
Moleque maluco desgraçado.
Dane sentou-se de braços cruzados e pernas bem abertas, balançando uma delas como um louco. À sua frente, Grayson Miller estava sentado com os olhos brilhando e as pernas perfeitamente juntas, encarando-o.
Após toda aquela confusão, Dane teve que esmurrar a parede várias vezes para conseguir se acalmar. Fazia apenas uns dez minutos que ele finalmente havia recuperado um pouco do controle, recolhendo as mãos que agora estavam todas inchadas e cobertas de ferimentos.
— Haa.
Dane fechou os olhos, respirou fundo e os abriu lentamente. “Aquele negócio com certeza é um controle remoto falso.” Grayson também estaria em perigo ali dentro, e ele definitivamente não era o tipo de pessoa que arriscaria a própria vida por uma idiotice daquelas.
“Se eu aguentar firme por alguns dias, ele vai se cansar disso e desistir por conta própria.”
Mesmo que não desista, alguma brecha vai surgir enquanto morarmos juntos. Até lá, darei um jeito de escapar daqui de qualquer maneira. Para fazer isso acontecer, não há outra alternativa a não ser ganhar tempo por enquanto.
Mas havia algo que eu precisava saber antes disso.
— O que você quer tanto a ponto de chegar a esse extremo? Está fazendo essa palhaçada toda só para descobrir qual é o meu traço?
— Não.
Inesperadamente, Grayson negou a suposição de Dane. Dane franziu o cenho como se perguntasse o que era então, e ele sorriu, dizendo:
— Eu quero transar com você.
— Ha.
Dane jogou a cabeça para trás, sem conseguir acreditar. Olhou para o lustre luxuoso no teto por um instante, depois baixou os olhos novamente para Grayson e se levantou devagar do sofá.
— Fica de quatro que eu te fodo. Só não garanto que não vou vomitar nas suas costas enquanto faço isso.
— Não.
Grayson negou imediatamente a proposta de Dane, que falava enquanto desafivelava o cinto. Quando Dane parou, ele acrescentou de forma radiante:
— Tem uma coisa que eu preciso ver. Não dá para ver se você me foder.
Que porra ele está falando?
— Ver o quê?
Quando ele perguntou com o rosto ainda contraído em uma careta, Grayson de repente estreitou os olhos. Foi mais uma reação inesperada. Ao ver a testa de Dane se franzir ainda mais, os lábios de Grayson se curvaram de leve para cima.
— Você não sabe.
— Então, o que é?
Dane pressionou de novo, mas Grayson apenas continuou sorrindo. Ele sentiu vontade de dar um soco naquela cara de tão irritante que era, mas se conteve. “Preciso poupar minhas energias por enquanto. Não sei quando a oportunidade vai surgir…”
Ao pensar até aí, algo estalou na mente de Dane. Ele lançou um olhar desconfiado para Grayson e abriu a boca lentamente:
— Não me diga que você também deixou comida preparada?
Grayson piscou, mantendo o rosto sorridente. Dane rangeu os dentes com força diante de mais uma reação sinistra.
— Me responde, seu moleque maluco do caralho.
Ao som daquele rosnado ameaçador, Grayson coçou uma das bochechas e soltou uma risadinha: — Hehe.
— O que eu deveria responder?
— Não abusa da sorte.
Dane ergueu o punho devagar. Diante da pressão silenciosa de que esmagaria as bolas dele com aquilo, Grayson logo respondeu:
— Eu tenho, e muita.
O depósito de mantimentos, projetado para se conectar diretamente à mansão quando ela submergisse, ficava logo ao lado da sala de estar. O que parecia uma porta dos fundos no dia anterior era agora o espaço que dava acesso ao depósito. Quando Grayson abriu a porta à sua frente, Dane ficou de boca aberta com a quantidade colossal de comida ali. Não parecia que nem mesmo o estoque de uma unidade militar comum teria tanto. Desde comidas instantâneas simples até todo tipo de enlatados, o depósito também contava com uma geladeira enorme. Havia também carnes processadas, aves e vegetais em recipientes herméticos. “E eu comendo pão estragado ontem com tudo isso aqui.” Maldito, maldito, maldito!
Dane respirou fundo, contendo o impulso de esmurrar a parede novamente. No ritmo daquilo, ele conseguiria comer e viver ali por três anos mesmo se o mundo acabasse. Ele estava tentando aprisionar o parceiro, mas aquilo não era diferente de construir um bunker contra bombas.
“Alfa dominantes são todos loucos.”
Pensando que Ashley Miller era definitivamente um lunático, assim como Grayson, Dane fez um gesto com o queixo:
— Entra aí.
— Não, você está querendo me trancar?
Grayson recusou imediatamente, como esperado. Dane o chutou sem dizer uma palavra. Grayson cambaleou com um gemido e foi empurrado para dentro do depósito; Dane ficou escorado no batente da porta com os braços cruzados e disse:
— Você vai preparar a refeição, pega aí o que precisar.
Grayson coçou a cabeça e perguntou:
— Er… então a comida… você quer que eu cozinhe?
— Claro que é você que vai fazer. Você me sequestra e quer que eu prepare a janta? Está querendo morrer de verdade?
Quando Dane rosnou, Grayson se virou com uma cara desanimada e começou a olhar ao redor. Ele pareceu hesitar por um momento e então pegou uma lata. Dane o observava em silêncio. Ficou olhando enquanto ele juntava algumas latas até que, finalmente, abriu a boca:
— Ei.
Grayson parou e olhou para trás. Dane perguntou desconfiado, semicerrando os olhos:
— O que exatamente você está tentando cozinhar agora?
— Er… bem.
Grayson olhou para as latas que segurava. Eram todas de peito de frango. Ele ergueu a cabeça novamente e sorriu:
— Proteína?
— Ei.
Dane sentiu uma veia saltar em sua têmpora, finalmente desencostou do batente e marchou para dentro. Ele guardou tudo de volta no lugar, exceto uma das latas, e em seguida varreu o armário com os olhos, encontrando vegetais e outros enlatados para servirem de tempero, empilhando-os rapidamente nos braços de Grayson. Por fim, após pegar uma cerveja na geladeira, Dane saiu primeiro e olhou para trás.
— Anda, sai daí, idiota.
Grayson fez o que foi mandado e ficou parado na sala após sair do depósito. Dane fechou a porta atrás de si com força para impor autoridade e apontou para a cozinha com o queixo. Mais uma vez, ele obedeceu, e Dane, que estava encostado no balcão, gesticulou de novo:
— Começa.
Grayson piscou e apontou para si mesmo com o dedo. Dane apontou com os olhos alternadamente para os enlatados que tinham acabado de tirar e para Grayson. Só então Grayson perguntou, como se não pudesse acreditar:
— Fazer? Eu? Cozinhar? Sério?
A ordem das palavras foi uma bagunça. Dane já tinha dito aquilo antes, mas ele obviamente não achou que fosse sério. Dane ergueu o punho sem dizer uma palavra para Grayson, que estava visivelmente sem ação. Grayson começou a abrir as latas uma a uma com uma expressão melancólica. Dane o observava enquanto levava a lata de cerveja à boca e dava um longo gole. Conforme acompanhava os movimentos de Grayson com os olhos, algo em um canto da cozinha de repente chamou sua atenção. Ele se afastou do balcão, caminhou até lá e pegou o objeto.
— Ei.
Grayson ergueu a cabeça ao ser chamado. Dane estendeu o que estava segurando e ordenou:
— Veste isso.
Grayson desviou o olhar do rosto de Dane para a mão dele. Era um avental cheio de babados.
— Vestir isso? Eu? — Grayson se atrapalhou nas palavras de novo.
Dane apenas assentiu sem dizer nada, substituindo a palavra “sim”. Grayson deu de ombros de forma inesperada, pegando o avental com uma expressão relutante, e passou-o pela cabeça dele . Quando Dane pensou que era surpreendente vê-lo amarrando o laço atrás das costas sozinho, Grayson de repente ergueu a cabeça com um sorriso lascivo:
— Já que estou usando isso, vamos dar uma transada agora.
— Não viaja.
Quando Dane soltou o xingamento com uma cara séria, Grayson demonstrou irritação pela primeira vez:
— Eu não durmo com alguém com quem já transei uma vez. Só preciso transar com você uma única vez, então por que você não quer?
— Deixa eu te corrigir: não é que eu não queira transar com você, é que eu não gosto de você.
— Então me deixa colocar o pau para dentro e para fora só uma vez.
— Eu não disse que não gosto de ficar repetindo as mesmas palavras? Guarda bem isso na sua cabeça de vento. Se me fizer falar isso de novo, eu realmente não vou te perdoar.
Grayson finalmente fechou a boca quando Dane deu seu último aviso. Dane estava prestes a voltar para o seu lugar e beber sua cerveja quando Grayson lhe disse:
— Cedo ou tarde, você vai transar comigo.
Quando Dane se virou, Grayson sorria com um rosto confiante. Dane também sorriu de volta.
E então, virou a lata de cerveja que estava bebendo e despejou-a inteira na cabeça de Grayson.
Assim como no dia anterior, Grayson estava deitado na cama se preparando para dormir. Tudo estava correndo conforme o planejado. Em apenas alguns dias, Dane acabaria levantando a bandeira branca. Não havia ninguém no mundo que conseguisse suportar aquela situação. Ele detinha todas as cartas, e a vitória era mais do que óbvia.
“Borboleta.”
Grayson ergueu a mão no ar e a fechou de leve.
“Eu só preciso confirmar aquilo.”
Antecípando o dia que chegaria em breve, ele fechou os olhos. Parecia que conseguia sentir de leve o cheiro daquela época na ponta do nariz.
…ou assim ele pensava.
“Hã?”
Grayson despertou de repente. Algo parecia estranho. Ele não sabia se ainda estava sonolento por causa do sono ou se havia outro motivo, mas tinha certeza de que algo não estava certo.
“Tem alguém…”
Ao se dar conta desse fato, Grayson cruzou olhares com o homem que estava ajoelhado sobre o seu corpo, olhando-o de cima.
Dane Striker.
— Por que você está aqui…
“Estou sonhando?”
Quando ele abriu a boca com uma sensação de torpor, o aroma repentino de feromônios o inundou por completo.
…Cio.
Grayson teve certeza absoluta ao ver o rosto vermelho de Dane e seus ombros subindo e descendo com a respiração acelerada.
Ele está no cio.
Ao mesmo tempo, seu coração começou a bater como louco.
Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello