Desire Me If You Can (Novel) - . ₊ Capítulo 30
Capítulo 30
Quando Dane terminou de falar, o ambiente mergulhou em um silêncio sepulcral. Todos perceberam, ainda que tarde, que até a mesa ao lado havia parado de conversar para ouvir suas palavras. No entanto, ninguém se atrevia a quebrar aquele silêncio incômodo, limitando-se a trocar olhares cautelosos. Foi Ezra quem, em meio àquela atmosfera embaraçosa, finalmente falou.
— Mesmo assim, acredito que algum dia você encontrará alguém para amar.
— Eu?
— Sim.
Ezra acrescentou com convicção:
— Como no caso da Sandra e eu; alguém com quem você seja feliz apenas por estarem juntos, a quem queira beijar toda vez que a veja, que cruze sua mente constantemente e sem a qual sinta que não poderia viver…
Enquanto falava, ele girava o copo com a ponta dos dedos. Mesmo ao pronunciar essas palavras, um sorriso inconsciente se desenhava em seu rosto. Parecia que só de pensar em Sandra, os cantos de seus lábios se erguiam sozinhos. Embora ela não estivesse ali, era como se a ouvisse rir ao seu lado.
Talvez recordasse os dias comuns e corriqueiros que haviam compartilhado. A sensação de seus ombros se roçando ao caminhar, a xícara de chá quente que ela lhe oferecia nos dias exaustivos, aquele formigamento peculiar no coração toda vez que pronunciava o nome dela. Ezra, que estivera enumerando essas lembranças uma a uma, olhou para Dane.
— Alguém assim, sabe?
Após um silêncio pouco agradável, Dane murmurou:
— Você tem sorte. Parabéns.
— O quê? Ah, não, sim, acho que conhecer a Sandra foi uma grande sorte… — Ezra, embora desconcertado, soltou uma risadinha nervosa. Parecia que só de pensar em sua esposa, sentia-se inundado de felicidade. Ele deu uns tapinhas no ombro de Dane, como quem quer animá-lo, e disse: — Não se preocupe, você também encontrará alguém algum dia, assim como eu encontrei a Sandra. Quando esse momento chegar, você entenderá o quão grandioso é o amor.
Embora seu tom buscasse aprovação, no perfil de Dane apenas se desenhou um sorriso frio e cínico.
— Se é que o amor realmente existe.
Dito isso, esvaziou de um trago o que restava de sua cerveja e pediu outra. Logo, os demais também fizeram seus pedidos, e a conversa derivou para outros temas, esquecendo rapidamente o que haviam discutido antes.
Dane levantou-se de seu assento quando o relógio marcava uma hora bastante avançada. Ao vê-lo esvaziar completamente a cerveja à sua frente e se erguer, Ezra, surpreso, perguntou:
— Hein? Já vai?
Dane assentiu com a cabeça e respondeu:
— Está tarde. Darling estará me esperando acordada. Wil, obrigado pela bebida.
Com um gesto simples, levantou a mão para se despedir dos companheiros e virou-se. Foi nesse momento que, quase sem querer, girou a cabeça e seus olhos se encontraram com os de Grayson. Por um breve instante, Dane sustentou o olhar daqueles olhos violetas que o observavam com expressão impassível, mas logo desviou a vista e saiu da mesa. Ao cruzar com uma garçonete, ela lhe lançou um olhar carregado de intenção, mas Dane apenas respondeu com um sorriso leve, como quem diz “até a próxima”, e seguiu seu caminho. Em outra ocasião, não teria rejeitado a insinuação, mas hoje era uma exceção. A única coisa em que conseguia pensar era no quão exausto estava e no quanto desejava se esticar na cama.
Enquanto caminhava pelo corredor, viu vir em sua direção um homem de estatura imponente. Era Grayson Miller.
À primeira vista, seu físico era excepcional. Pernas e braços esguios, uma estrutura robusta e uma altura natural que fazia qualquer um ao seu lado parecer insignificante. Um traje elegante moldava com perfeição seus ombros largos e pernas longas e, sob seu cabelo escuro, penteado com naturalidade, vislumbravam-se olhos profundos. No entanto, apesar dessa aparência deslumbrante, Dane franziu levemente o cenho sem dizer palavra e continuou caminhando.
Por azar, seus passos coincidiram com o momento em que Grayson retornava do banheiro. Não era a melhor das coincidências, mas Dane não quis aparentar que se importava, então manteve seu ritmo sem alterá-lo. Grayson fez o mesmo. Ou ao menos parecia. Dane não tinha intenção de entabular conversa com ele, mas Grayson parecia pensar diferente. Quando a distância entre eles se reduziu o suficiente para estarem ao alcance de um braço, de repente ele esboçou um amplo sorriso.
— Já vai? A noite ainda é uma criança — disse Grayson com um tom despreocupado que se encaixava perfeitamente com a imagem que o mundo tinha dele: um bon vivant.
Seria seu jeito tão despreocupado uma mostra de sua mente aberta, ou simplesmente o sinal de um psicopata incapaz de sentir emoções? Afinal, fazia apenas algumas horas que ambos estiveram prestes a se matar.
— Estou cansado.
Dane respondeu brevemente e tentou seguir seu caminho, mas Grayson não o deixou ir tão fácil.
— Parece que a Massa está interessada em você. Vai deixá-la assim?
Massa referia-se à funcionária do bar que antes havia lançado um olhar paquerador para Dane. Sério que ele havia percebido aquilo? Dane não pôde evitar soltar uma risada incrédula.
— Nossa, parece que você observa tudo, mesmo enquanto flerta com todas as funcionárias do lugar.
Diante do comentário sarcástico, Grayson respondeu com um sorriso radiante.
— O amor não pode ser ocultado. Era impossível não notar.
Dane o olhou fixamente, sem poder acreditar, enquanto ele continuava sorrindo como se nada tivesse acontecido. Sim, afinal de contas, o amor de uma noite também é amor, não é? Com um pensamento cínico flutuando em sua mente, Dane tentou seguir seu caminho sem dizer mais nada, mas de repente Grayson o agarrou pelo braço. O que era aquilo? Ao olhá-lo com evidente incômodo, Grayson, com um sorriso despreocupado, disse:
— Aonde você vai? Deveria corresponder aos sentimentos da Massa.
— Já disse que estou cansado.
— E se você se arrepender depois?
— Me arrepender? Eu? Por quê?
A palavra inesperada fez Dane disparar três perguntas rápidas. Grayson, com uma expressão inusualmente séria, respondeu:
— Pode ser que a Massa seja o amor da sua vida.
A voz de Grayson, como sempre, soava leve e alegre. Dane franziu o cenho e perguntou:
— E daí?
— Se você a deixar ir desta vez, pode ser que nunca mais a veja. Não seria terrível e triste? Ah, dá até vontade de chorar.
Grayson adotou uma expressão dramática, chegando a passar a mão nos olhos como se estivesse chorando, embora, é claro, não houvesse lágrimas. Era um exagero teatral. Dane, exasperado, olhou para ele e perguntou com sarcasmo:
— Então, o que é exatamente esse amor que você tanto procura?
Era uma pergunta claramente desafiadora. Grayson não parecia o tipo de pessoa que levava o amor a sério. Mas, para surpresa de Dane, Grayson reagiu de maneira inesperada. Sua expressão mudou sutilmente. Embora o sorriso brincalhão continuasse em seus lábios, seus olhos brilhavam de uma maneira peculiar.
— É felicidade, alegria, é querer estar juntos sem motivo, é querer que estejam do meu lado não importa o que eu faça…
Seu rosto, enquanto falava do amor, parecia estar imerso em um sonho maravilhoso. Depois de um tempo enumerando todas essas coisas boas, Grayson concluiu com uma expressão satisfeita:
— É alguém que estará comigo, ao meu lado, para sempre.
— Hmm.
Por outro lado, Dane, que estivera ouvindo com uma expressão entediada, como se sua alma tivesse escapado, deixou escapar um suspiro indiferente e depois soltou uma risadinha debochada. A resposta sonhadora que acabara de ouvir lhe soava, na verdade, ridícula.
— Definitivamente, isso não existe neste mundo.
Em contraste com a longa explicação de Grayson, ele apenas deixou essa única frase antes de se virar. O doce aroma de feromônios que sempre o rodeava também começou a desaparecer. Pensou que aquele seria o fim, mas de repente, Grayson lançou uma pergunta inesperada.
— Você não foi naquele dia, não é?
— Sim, não fui.
Dane respondeu sem sequer se virar, despreocupado diante da pergunta repentina. Naquele momento, um silêncio carregado de certa malícia se estendeu às suas costas. De repente, sentiu que Grayson estava sorrindo. Isso o irritou. Não, na verdade, pareceu estranho. E finalmente, Grayson acrescentou:
— Eu não disse que dia foi.
Dane parou abruptamente. Ao se virar, seus olhos se encontraram com os de Grayson, que o estivera observando o tempo todo. O canto dos lábios de Dane moveu-se ligeiramente.
— Nada mal.
Com uma risadinha de escárnio, ele enfiou as mãos nos bolsos da jaqueta e continuou caminhando. Dane saiu do lugar sem olhar para trás nem uma única vez.
— No que você está pensando? Claro que não é esse cara.
Grayson, que permanecera no mesmo lugar, virou-se. Sentindo-se absurdo por ter dito algo assim, caminhou com passo firme na direção oposta à de Dane, retornando ao seu lugar.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby, Othello&Belladonna