Desire Me If You Can (Novel) - . ₊ Capítulo 24
Capítulo 24
— Muito bem, prontos? Um, dois…
Wilkins fez uma última verificação antes de dar o sinal. Os companheiros alinhados de ambos os lados gritavam os nomes de Dane e Grayson, lançando-lhes incentivos com fervor. Dane inclinou o tronco, pronto para sair correndo assim que o sinal fosse dado. Wilkins olhou para eles alternadamente e, com o rosto tenso, gritou:
— Três!
— Vaaamoss!
— Dane, Dane! Nossa esperança! Nosso herói!
— Grayson, meu amor!
— Corram, corram! Grayson, você tem que ganhar!
— Dane, você é o nosso orgulho!
Com o sinal de partida, os vivas explodiram, e ambos dispararam, golpeando o chão com força. Da base da montanha, os companheiros os observavam com atenção. Podiam continuar vendo-os, mesmo que fossem como pequenas figuras, exceto quando precisavam entrar no novo trecho adicionado ao percurso.
Era uma zona onde a montanha se curvava em uma encosta íngreme, ocultando-os da vista até que reaparecessem do outro lado. Esse era precisamente o momento em que Dane teria que justificar o dinheiro que lhe haviam pago.
O terreno plano terminou rapidamente, dando lugar a uma subida ascendente. Era a primeira prova do desafio: subir degraus simulados enquanto arrastavam uma mangueira de bombeiros até a metade da montanha. Embora a colina não fosse muito alta, a inclinação era acentuada, e o peso da mangueira esgotava as energias desde o início. Pelo menos, a mangueira estava vazia, ao contrário de quando treinavam em terreno plano, onde a enchiam de água. Isso era uma pequena vantagem.
Ao avançar com destreza, arrastrando a mangueira, chegaram ao ponto onde estava a equipe. Ali deviam deixar a mangueira e carregar o equipamento de bombeiro. Ao ver o objetivo, Dane quase jogou a mangueira no chão e agarrou as ferramentas preparadas. Com uma motosserra em cada mão, devia contornar uma árvore a 100 metros de distância e retornar ao ponto de partida. Repetir isso duas vezes permitiria que avançassem para o próximo trecho. Claro, se soltassem as motosserras, seriam desclassificados. Lá de baixo, os companheiros podiam vê-los, então não havia margem para erros.
“Maldição, por que estou passando por isso…?”
Dane praguejou enquanto sentia o suor encharcando suas costas. Ao contornar a árvore, inevitavelmente cruzou com Grayson. Instintivamente, ele se pôs em guarda, mas, para sua surpresa, Grayson passou por ele sem demonstrar emoção alguma, completando sua volta ao redor da árvore. Por um momento, Dane se distraiu e quase perdeu a liderança, mas rapidamente acelerou e o deixou para trás.
Em vez de escalar a escada, Dane agarrou a corda que pendia e começou a subir pela rocha. Pareceu-lhe ouvir, debilmente, os gritos de seus companheiros lá de baixo, mas soavam tão distantes quanto o zumbido de um inseto. Assim que terminou de subir pela corda, agarrou o tronco de uma árvore e cruzou um pequeno riacho. A inclinação ascendente continuava. Dane movia seu corpo de maneira mecânica, correndo sem descanso até que chegou ao lugar que havia imaginado de antemão. Depois de completar alguns percursos, ao contornar a montanha e entrar em uma encosta, Dane percebeu que aquele era exatamente o lugar que estivera esperando. Os gritos que ouvia fracamente haviam desaparecido por completo. Na quietude, ele rapidamente olhou para trás. Ainda não havia sinal de Grayson. Dane, arfando, vasculhou rapidamente os arredores. Aquele lugar, que claramente haviam adicionado como substituto de uma fase de exploração na prova, tinha o solo irregular e mal havia onde pisar com segurança. Encontrou um lugar relativamente plano, apoiou o pé e se preparou. Dois golpes e meio… seriam 38 dólares e 25 centavos, não?
“Agora, venha.”
De pé em silêncio, com os ouvidos alertas, ouviu um leve estalo. Eram os passos de Grayson. Aproximavam-se a uma velocidade assombrosa, como se estivessem prestes a se materializar à sua frente. Dane conteve a respiração e esperou o momento certo. Um, dois. E finalmente… Grayson, que havia dobrado uma pequena encosta, parou bruscamente. Ao final do seu olhar, Dane estava erguido. Ao ver que os olhos amendoados de Grayson se estreitavam, Dane assentiu com a cabeça.
— Olá, lindo.
O tom zombeteiro estava cheio de sarcasmo. Grayson simplesmente olhou para Dane sem dizer uma palavra.
Durante um bom tempo, os dois se olharam em silêncio. Para ser exato, Grayson o penetrava com o olhar, enquanto Dane o observava com uma expressão indiferente. Foi Grayson quem quebrou o silêncio primeiro.
— Não posso acreditar que você me esperou! Por acaso estava preocupado comigo? Claro, você é um bombeiro, nosso herói! Que comovente…
— Vou te bater.
Como ouvir bobagens não estava nos termos do contrato, Dane cortou suas palavras imediatamente. Enquanto se alongava, agarrando um trapézio e girando o braço para mover o pescoço de um lado para o outro, Grayson arregalou os olhos e perguntou:
— Me bater? Em mim? Você está dizendo que vai me bater? De repente? Por quê?
O homem falava demais. Para Dane, que não costumava ser muito conversador, aquilo era quase insuportável.
— Porque recebi uma encomenda.
— Uma encomenda?
— Sim.
Ele parou de se massagear e disse:
— Você receberá uns golpes por 38 dólares e 25 centavos, nada mais.
Grayson contorceu o rosto. Poderia se pensar que ele estava desconcertado com a situação, mas isso seria no caso de uma pessoa normal.
— 38 dólares? Isso é tudo o que valem os golpes que você me dará? — perguntou, incrédulo, enquanto levava a mão à testa. Parecia mais impactado pela quantia do que pelo fato de que apanharia.
Sendo o famoso bastardo da família Miller, inúmeras pessoas haviam tentado fazer algo com ele em troca de dinheiro. Esse “algo” às vezes fora amor ou sedução, mas em muitas outras ocasiões fora uma encomenda de agressão ou até mesmo de assassinato. Claro, era o carma da vida que havia levado. Todas aquelas “diversões passageiras” que ele havia descartado sempre afiaram as lâminas da vingança. Mas isso era problema de Grayson, e Dane não tinha o menor interesse nesse tipo de assunto. Simplesmente assumiu que, sendo tão incrivelmente rico, Grayson havia se sentido impactado pela quantia de 38 dólares. E fazia sentido. Dane aceitou isso com facilidade, mantendo sua expressão indiferente.
— Sim, não aceito contraofertas. Isso mina a confiança.
— Ah, isso é um problema. A confiança é algo muito importante. Só que…
Grayson, que havia agitado as mãos exageradamente como se a ideia fosse absurda, soltou um suspiro de decepção.
— É barato demais. De todos os que vieram me bater por dinheiro, você é o mais barato. A maioria, só pelo medo do escritório de advocacia Miller, nem sequer se atreve a fazer uma oferta baixa. Você não poderia ter pedido mais? Ou será que a sua tarifa é assim tão baixa? Nossa, você é muito barato.
Embora ele tenha se estendido em seu comentário de “você é muito barato”, Dane não mordeu a isca da provocação. Com indiferença, passou a mão pelo cabelo e disse:
— Não há por que se surpreender. Apenas significa que esse é o seu valor. Se quiser que paguem mais, terá que aumentar seu próprio preço.
Então, Dane o olhou de cima a baixo e acrescentou:
— Com um pouco de esforço, você poderia chegar aos 40 dólares.
— Hmm.
Grayson piscou e então esboçou um sorriso peculiar.
— Nada mal.
Não era exatamente agradável, mas esse homem tinha um talento excepcional para cutucar os nervos dos outros. Se Dane fosse tão suscetível quanto qualquer outro, as palavras de Grayson o teriam incomodado. No entanto, Dane possuía um dom inato: as palavras de alguém que não lhe importava nem um pouco não chegavam sequer a roçar seus ouvidos. E muito menos as de Grayson Miller, cujas palavras não tinham o menor poder para ferir seu estado de espírito.
Ao não obter a reação que esperava, Grayson rapidamente mudou de assunto. Desviou seu olhar para as mãos de Dane e perguntou com tom de deboche:
— É isso? Sua ferramenta para me beijar?
Nossa, outro talento: o de ser repulsivo. Dane adicionou mais um ponto à sua avaliação mental de Grayson antes de responder:
— Se chamar assim dói menos, então sim, digamos que é um “beijo profundo”.
— Eu gosto, “beijo profundo”. Gosto muito.
Grayson aplaudiu como se tivesse feito uma grande descoberta. Dane começava a se cansar dessa conversa absurda. Havia falado demais com alguém que claramente não estava em seu juízo perfeito. Já havia dado avisos suficientes e tempo de sobra para que Grayson fugisse. Não havia mais nada a dizer.
No silencioso bosque, um — Pum! — ressoou com força, quebrando a quietude.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby, Othello&Belladonna