Desire Me If You Can (Novel) - . ₊ Capítulo 198
Capítulo 198
— Não fica agindo feito um cachorrinho, me confunde.
Embora dissesse isso ofegante, Dane estava sorrindo. Então Grayson, como se estivesse só esperando por isso, ergueu o corpo e lhe deu um beijo nos lábios. Numa situação daquelas, Dane não conseguia afastá-lo. Também não tinha a menor vontade de afastá-lo. Dane pensou que não queria recusar o beijo e ver aquele cachorrinho mal-educado decepcionado. Antigamente, isso teria sido algo inimaginável.
— Eu te amo, Dane.
Grayson, depois de chupar de leve o lábio superior dele e soltá-lo, sussurrou:
— E desculpa por ter te machucado.
— Chega. Foi algo que eu quis, então não precisa pedir desculpas.
Diante do pedido de desculpas repetido, Dane respondeu com indiferença. Em seguida, deu uma risadinha e acrescentou:
— De agora em diante, nunca mais na vida vou tomar remédio e transar.
As sequelas tinham sido enormes. A ponto de fazê-lo cair em si de uma vez. Por mais devassa que tivesse sido a vida de Dane, ele nunca tinha tomado remédio para isso, então não fazia ideia de que seria daquele jeito.
Nunca mais vou fazer isso.
Dane, que tinha feito essa promessa a si mesmo, franziu a testa por causa de um pensamento que lhe ocorreu de repente. Pensando bem…
— O que foi?
Grayson, que percebeu na hora que havia algo errado, perguntou. Dane soltou um breve suspiro e respondeu:
— Minha alta atrasou, então vou ficar mais tempo sem ver o Darling. O Darling vai ficar ansioso.
— Mas eu estou aqui!
Sem lhe dar tempo de dizer mais nada, Grayson gritou. Quando Dane parou e olhou para ele, Grayson continuou, todo animado:
— Deixa comigo, eu vou cuidar direitinho dele. O Darling também gosta muito de mim.
— Bom…
Dane murmurou com uma expressão de quem não estava muito convencido. Mas não havia outro jeito. Afinal, ele não podia trazer o gato para o hospital. Depois de pensar um pouco, Dane olhou para Grayson e de repente teve uma ideia.
— Ei, me dá a sua jaqueta.
— Hã? Tá.
Embora estranhasse, Grayson tirou a jaqueta obedientemente e a entregou, e Dane a abraçou e fechou os olhos por um instante. Ao vê-lo despejar feromônios na jaqueta dele, Grayson arregalou os olhos.
— Toma.
Devolvendo a jaqueta totalmente impregnada de feromônios, Dane disse:
— Se der isso a ele, o Darling vai ficar tranquilo. Deixa perto da almofada ou do arranhador onde ele gosta de brincar.
— …Tá.
Grayson pegou a jaqueta, desnorteado. Ao vê-lo olhando fixamente para a peça, Dane perguntou:
— O que foi, era uma jaqueta de estimação?
Quando Dane, tarde demais, pensou que devia ter perguntado antes, Grayson balançou a cabeça.
— Não, não é isso… Não é nada.
O rosto que sorria de orelha a orelha parecia meio malicioso. Deve ser impressão minha, pensou Dane. Esse sorriso é sempre o mesmo, não é? Ele estava cansado demais para analisar a fundo. Ignorando a suspeita que tinha erguido a cabeça por um instante, logo caiu num sono profundo. O mau pressentimento que ele descartou com tanta facilidade, porém, tornou-se realidade no dia seguinte.
Grayson apareceu no quarto do hospital trazendo um roupão gigantesco.
— …O que é isso?
Ainda deitado, Dane olhou de relance para o roupão colocado sobre o próprio peito. Era tão grande que cobria o corpo inteiro de Dane e ainda sobrava. Não havia a menor dúvida de que era de Grayson.
— Por que diabos você trouxe isso?
À pergunta de Dane, Grayson respondeu com toda a inocência:
— Para dar para ao Darling.
Ao vê-lo esperando como se dissesse “anda, espalha os feromônios”, Dane ficou sem palavras. Fazer algo cuja intenção qualquer um enxergaria de longe e ainda ter a ousadia de usar a gata como desculpa.
— Escuta, a jaqueta de ontem você deu mesmo para o Darling?
Diante da voz cheia de desconfiança, Grayson ficou sério e imediatamente tirou algo de dentro de uma sacola de compras enorme. Era justamente a jaqueta que Dane tinha impregnado de feromônios e entregado no dia anterior. Sem dizer nada, Grayson apontou para a jaqueta. Em todos os pontos que o dedo dele tocava, dava para ver pelos de gato grudados, deixando tudo esbranquiçado.
— Viu?
Depois de dizer isso todo cheio de si, Grayson enfiou a jaqueta de qualquer jeito na sacola. Como se não se importasse nem um pouco se ela amassasse ou não.
Então por que ele trouxe isso, para começo de conversa?
Será que tinha previsto que Dane desconfiaria dele? Pensando assim, Dane se sentiu um pouco culpado. Afinal, a culpa era dele por ter desconfiado de Grayson sem motivo.
— …Desculpa.
Quando Dane se desculpou sem resistência, Grayson declarou, todo cheio de si:
— Eu só queria dar à Darling uma sensação de segurança mais fofinha e macia.
— Tá, desculpa.
Dane se desculpou de novo. Só então Grayson, como se dissesse “agora sim”, apontou para o roupão.
— Pronto, agora impregna bastante.
Diante do pedido confiante, Dane despejou feromônios de boa vontade e o devolveu. Só depois de impregnar cada canto do roupão gigante com o cheiro de Dane, Grayson, satisfeito, guardou-o com todo o cuidado. Até aí, tudo bem. No dia seguinte e no outro também, Grayson continuou trazendo novos objetos e estendendo-os a Dane. Travesseiro, almofada e, por fim, até o lençol da cama; ao ver as costas dele levando tudo com todo o cuidado depois de impregnar com os feromônios de Dane, a desconfiança brotou naturalmente.
O que esse desgraçado está aprontando?
No instante em que viu uma foca de pelúcia gigantesca, quase do tamanho de metade de Grayson, Dane teve certeza. Tem alguma coisa aí. O que diabos ele pretende fazer com tudo isso? Mesmo que perguntasse, a resposta era óbvia.
— É para o Darling.
Que absurdo. Dane bufou por dentro. Em sua mente, todas as loucuras que Grayson tinha feito diante dele até então passaram como um panorama. E, entre elas, a mais terrível era, claro, a lembrança dele correndo pelado pelo corredor. Ao se lembrar disso, Dane não conseguiu mais ficar só deitado quieto.
— Grayson.
— Hum?
Quando Dane o chamou, Grayson, que estava todo animado abraçado à foca, virou-se para ele. Dane sorriu e continuou:
— Vem cá.
Grayson colocou a pelúcia direitinho sobre o sofá e voltou até ele, como mandado. Dane fez um gesto pedindo que ele se inclinasse e, com habilidade, puxou-o para os próprios lábios. Quando lhe deu um beijo com um estalinho fofo, Grayson abriu um sorriso bobo. Logo os lábios se sobrepuseram, e os dois trocaram um beijo como se brincassem, mas sensual, misturando línguas e saliva. Quando o clima já estava bem quente, Dane ergueu a mão e, acariciando os cabelos de Grayson, sussurrou:
— Grayson.
— Hum.
Logo o beijo desceu para o pescoço. Dane deixou que aqueles lábios atrevidos se movessem pouco a pouco rumo a um alvo óbvio demais. Chegou até a abrir de propósito os botões do avental hospitalar. Dane, que esperava aqueles lábios que corriam animados em direção à Vênus, falou de repente no instante em que Grayson abriu a boca, nham, e deu uma grande mordida no peito.
— Para que você vai usar aquilo?
Diante da voz baixa que escapou de mansinho, Grayson não respondeu de imediato. Dane, que olhava fixamente para ele chupando o peito com alegria e fazendo até barulho, chup, chup, de repente agarrou-lhe os cabelos.
— Ugh.
— Ei.
Para Grayson, que foi obrigado a se afastar, Dane perguntou rangendo os dentes:
— Estou perguntando para que você vai usar aquilo.
Grayson tentou dizer “Darling”. Mas, no instante em que seus lábios formaram o D, os olhos de Dane se ergueram, ameaçadores. Diante daquele olhar assustador, Grayson fechou a boca com força e desviou os olhos para outro lado. Era um sinal silencioso de que não ia dizer.
Esse desgraçado… Será que eu solto feromônios nele de uma vez?
Dane pensou isso sentindo uma veia saltar na têmpora. Seria muito fácil. Dominar Grayson com feromônios e fazê-lo desembuchar o segredo que escondia. Mas, se fizesse isso, quando Grayson recobrasse a consciência mais tarde, com certeza ficaria ressentido com Dane. Ao pensar até ali, não conseguiu liberar os feromônios tão facilmente. Não seria a primeira vez que ele usava um método sujo para arrancar um segredo. Pelo contrário, nunca tinha sentido culpa até então, e agora hesitava daquele jeito. No fim, acabou soltando os cabelos de Grayson, que estava segurando.
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Continua
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello&Belladonna