Desire Me If You Can (Novel) - . ₊ Capítulo 111
Capítulo 111
— Entendo. Então, o senhor se importaria se eu fizesse uma recomendação primeiro? Acabamos de lançar uma nova coleção para gatinhos desta vez…
— Espere, só um minuto.
Dane cortou apressadamente as palavras fluidas do homem. Ele não podia simplesmente se deixar levar daquela maneira. Sentiu como se tivessem jogado um balde de água fria em meio a uma crise, e sua mente despertou no mesmo instante. Tentando manter a lucidez, ele pediu:
— Eu preciso discutir uma coisa com o Miller, então o senhor poderia nos dar um momento de privacidade?
— Ah… Sim, perfeitamente.
O gerente lançou um olhar furtivo para Grayson e, em seguida, retirou-se sem pestanejar. Logo, restaram apenas os dois no aposento. Dane cruzou os braços, batendo uma das pernas de forma frenética enquanto encarava Grayson.
— O que você está fazendo? É sério.
Grayson inclinou a cabeça para o lado, como se questionasse o motivo daquela pergunta rosnada.
“Olha só para esse moleque maluco, ele acha que vou deixar passar só porque fica piscando esses olhinhos bonitos?”
Dane sentiu uma veia pulsar em sua têmpera de pura frustração e continuou da forma mais calma que conseguiu:
— Por que você me trouxe aqui, afinal de contas?
Ele não havia parado para refletir sobre aquilo por ter sido arrastado com tanta rapidez. Deveria ter feito essa pergunta antes de colocar os pés no estabelecimento. Arrependeu-se tardiamente, mas ainda dava tempo de consertar. Grayson parecia confuso diante de Dane, que o questionava com a testa franzida, como se o estivesse interrogando.
— Eu te trouxe aqui porque você disse que queria comprar coisas para o gatinho?
— Eu quero saber o porquê de ser *aqui*.
Grayson piscou algumas vezes e, em seguida, ergueu os cantos dos lábios. Ele repetiu uma atitude que já era um hábito enraizado em seu corpo, mas, sob o olhar gélido de Dane, desfez o gesto devagar, retornando à fisionomia normal. Grayson pareceu desorientado, como se não soubesse que cara fazer; rolou os olhos, abriu e fechou a boca várias vezes antes de finalmente pronunciar:
— Se você não gostou daqui, quer que a gente vá para outra loja?
— E onde fica essa outra?
— Bem aqui do lado…
— Pare.
Dane cortou a fala de Grayson com uma única palavra. Ele continuava com o cenho franzido, mas havia compreendido o cenário. Em suma, o patamar de lojas que Grayson Miller conhecia se resumia a lugares daquele tipo. Não importava o quão banal fosse o item, se ele entrasse em uma boutique daquelas e fizesse o pedido, eles trariam na mesma hora.
— Você disse que tem um cachorro, certo?
— Sim.
Dane questionou Grayson, que assentiu obedientemente, apenas para fazer um teste:
— Você corta as unhas do seu cachorro, não corta? Onde você comprou o cortador de unhas?
— Aqui.
“Exatamente como imaginei.” Dane teve a certeza de que seu palpite estava correto. Então era por isso que eles fabricavam borrachas, lápis e outros artigos de papelaria tão absurdamente caros em locais como aquele. Porque existiam clientes com esse perfil.
— Miller.
— Sim.
Mais uma vez, Grayson respondeu de imediato e com submissão. Dane, armado de paciência, ensinou-lhe a realidade:
— A maioria das pessoas não entra simplesmente em uma loja como esta para comprar um cortador de unhas de cachorro como você faz. Você deveria ter me perguntado se não tinha problema comprar as coisas aqui antes de me fazer entrar.
Grayson franziu a testa diante do ensinamento de Dane. Dane estreitou as pupilas, instando-o a falar o que quisesse, pressentindo que ele tinha uma objeção.
— Mas… — Grayson continuou com um tom contrariado. — Você me disse para não gastar dinheiro. Então, como mais você vai comprar as coisas se eu não pagar?
A perna de Dane, que vinha balançando freneticamente de cima para baixo, travou no mesmo instante. Ele encarou Grayson com o rosto retorcido, como se dissesse: “O que esse moleque pirado está falando?”.
— Haa.
Dane soltou um suspiro profundo, como já havia feito inúmeras vezes naquele dia, e passou a mão pelo rosto. Era desesperador, mas não havia o que fazer. Aquilo era apenas o reflexo de uma divergência de pensamento causada por realidades de vida totalmente distintas. Em momentos assim…
— De qualquer forma, eu não tenho dinheiro para pagar nem uma coleira aqui, entendeu?
— Então eu…
— Nós vamos para outra loja, uma que eu conheço.
Dane cortou a fala de Grayson com firmeza antes que ele cruzasse a linha novamente. Teria sido simples apenas dar as costas e sair dali. No entanto, ao bater o olho na caneca de café e no prato de doce vazios, sentiu uma ponta de remorso. Arrependeu-se de ter consumido os quitutes, mas já era tarde demais. De todo modo, se ele havia dado início àquilo, precisava assumir a responsabilidade. Ou melhor, Grayson Miller precisava.
— Você.
Grayson fixou o olhar no mesmo segundo em que Dane o chamou. Tomado por uma sensação esquisita, como se estivesse diante de um Golden Retriever bem-comportado, Dane prosseguiu:
— Você não está precisando de nada? Compre alguma coisa, eu não quero ir embora de mãos abanando.
— Mas a gente pode simplesmente ir embora.
Dane cerrou o cenho e ameaçou em um tom de voz baixo:
— Compre alguma coisa, qualquer porcaria barata serve.
Grayson pareceu imergir em pensamentos com uma expressão séria, mas logo se levantou do sofá. Quando retornou, trazia uma pequena sacola de compras em mãos.
— Prontinho, comprei.
Ao ver aquela feição sorridente, Dane se levantou. Ele não fazia a menor ideia do que o outro havia adquirido, mas também não se importava. O que valia era que ele havia comprado algo, então sua parte estava quitada.
Só então Dane sentiu-se aliviado e tomou a dianteira, caminhando na frente. Eles deixaram o estabelecimento escoltados pelo gerente, que fez questão de acompanhá-los até a saída.
— Me dá as chaves.
Dane estendeu a mão como se fosse o natural a se fazer. Grayson entregou-lhe as chaves do carro, e ele acomodou-se prontamente no banco do motorista. Desta vez, com Grayson ocupando o assento do passageiro, o veículo deu a partida.
Dane conduziu o automóvel em direção a um distrito comercial decadente, situado bem longe das ruas de comércio de luxo. Ele estacionou o veículo de Grayson ao lado de uma caranga bizarra, que parecia ter a frente de um carro de passeio enxertado e a traseira de uma caminhonete, e desceu imediatamente do banco do motorista. Grayson também desembarcou e, sem olhar para trás, Dane trancou a porta e jogou a chave na direção dele com o polegar. Grayson apanhou o objeto no ar com uma das mãos e seguiu os passos de Dane com uma postura desleixada.
— Seja bem-vindo, Dane. Já faz um tempo.
Uma senhora de idade que realizava a limpeza do local cumprimentou-o calorosamente. Após um abraço leve e uma troca de saudações, Dane explicou o motivo de sua visita. Enquanto ele avaliava as caixas de transporte para animais, Grayson passou a observar o interior do estabelecimento sem pressa.
As paredes estavam repletas de tudo o que um animal de estimação poderia necessitar, desde brinquedos até alimentos. Havia uma variedade imensa de artigos, passando por suprimentos para gatinhos e cachorros até itens para répteis e anfíbios.
Ele espiou com curiosidade o interior de uma gaiola vazia e, em seguida, virou o rosto, deparando-se com um aquário. Os peixes aglomeravam-se na superfície, abrindo as bocas como se tivessem acabado de receber ração. Ele inclinou o corpo e fixou os olhos vazios dos peixes com uma expressão estática. E permaneceu imóvel, hipnotizado por eles, até que Dane o chamou.
— Miller.
Ao escutar o chamado, ele ergueu as costas devagar e virou-se, encontrando Dane que o observava. Inclinou a cabeça para o lado e ouviu:
— Já terminei, vamos.
E Dane limitou-se a se despedir da proprietária e deixar o local na frente, exatamente como fizera antes. Quando Grayson o acompanhou para o lado de fora, Dane girou o corpo abruptamente. Grayson piscou, pressentindo que ele diria algo, e indagou:
— O que foi?
Dane agora tinha consciência de que aquela feição sorridente com os cantos dos lábios elevados era um reflexo automatizado de seu corpo. Mas, sem trazer isso à tona, apenas limitou-se a encarar Grayson em silêncio.
“O que se passava pela sua cabeça enquanto você olhava para aquele aquário agora pouco?”
A maioria das pessoas diria que sentiu vontade de criar peixes ou que estava apenas olhando por falta do que fazer, mas Grayson Miller passava longe de ser uma pessoa comum. Dane sentiu curiosidade, mas preferiu não perguntar; em vez disso, estendeu o produto que segurava em uma das mãos.
— Toma.
Grayson demonstrou confusão, mas estendeu a mão. Dane posicionou o artigo em sua palma e o soltou. Grayson encarou o objeto que havia acabado de receber com o olhar vazio.
Tratava-se de uma lata de petiscos para cachorros. Dane dirigiu-se a Grayson, que piscava como se esperasse uma explicação:
— É um presente, me disseram que tem muitos dos nutrientes que cães mais velhos precisam.
— …Um presente? — Grayson repetiu as palavras de Dane. Tomado por um embaraço repentino, Dane coçou a nuca.
— É, de qualquer forma, eu estou em dívida com você…
Ele deveria ter pedido para colocar em uma sacola, pensou logo em seguida. Foi nesse instante que Dane, ao desviar o olhar inadvertidamente, travou o movimento e soltou uma exclamação de surpresa. Grayson o encarava de cima com os olhos arregalados. O motivo logo ficou evidente.
— Esta é a primeira vez que você me dá um presente… — Grayson pronunciou utilizando um tom de voz que o outro jamais escutou antes. Sua voz sutilmente trêmula passava a impressão de que ele estava comovido. Não, talvez fosse exatamente esse o sentimento que o preenchia naquele momento. Seus olhos brilhantes, as bochechas levemente coradas e a vibração em suas cordas vocais serviam como prova inequívoca daquilo.
— Obrigado, eu vou guardar com muito carinho.
Era um comentário absurdo. Dane franziu o cenho e apontou a incoerência com crueza:
— Seu moleque pirado, você tem que dar isso para o cachorro, o que você vai fazer guardando uma lata de ração?
A fisionomia de Grayson permaneceu inalterada, mesmo diante do que deveria ter sido uma situação embaraçosa. Ao notar aquele rosto, Dane sentiu pena e suavizou o tom de voz, acrescentando:
— Não foi nada caro, então não precisa agradecer tanto.
Mesmo após essa fala, a expressão de Grayson não se desfez. Ele sustentava aquela lata, que parecia tão minúscula em suas mãos grandes, de forma extremamente preciosa. Grayson fitava Dane de cima com o olhar perdido, como se desejasse expressar algo, mas não fizesse a menor ideia de como colocar em palavras.
Foi nesse exato momento que as orelhas de Grayson deram um leve espasmo.
Sobressaltado com aquela reação imprevista, Dane arregalou os olhos. Grayson, percebendo que o parceiro observava suas orelhas, levou as mãos até elas, visivelmente sem jeito.
— Não, isso… é só um tique.
— Mexer as orelhas?
Diante do questionamento de Dane, Grayson assentiu e justificou, confuso:
— Eu não sei a causa, mas às vezes elas se movem sozinhas.
Dane continuou a observá-lo em silêncio. Mais uma vez, as orelhas de Grayson se moveram. Desta vez, o movimento foi perfeitamente visível. Ao presenciar o fenômeno, Dane sentiu que havia decifrado o enigma. O motivo pelo qual as orelhas de Grayson estavam se mexendo.
Grayson podia ser incapaz de processar as emoções de forma racional, mas as orelhas daquele homem sabiam exatamente qual era a sensação que estava se expandindo em seu peito naquele instante.
Ao constatar a realidade, o coração de Dane começou a pulsar de forma lenta e compassada. O rubor nas bochechas pálidas de Grayson assemelhava-se a uma flor desabrochando. Dane ergueu a mão devagar e cobriu aquela flor com a palma de sua mão.
Dane não interrompeu o gesto, mesmo consciente de que Grayson o encarava com os olhos repletos de surpresa. Ele deslizou a mão por trás da cabeça de Grayson e começou a puxá-lo para perto sem pressa. Grayson hesitou por um milésimo de segundo, mas não ofereceu resistência. De forma lenta e natural, a distância entre os dois foi se extinguindo.
As pálpebras, que desciam devagar, fecharam-se por completo. Respirações quentes se cruzaram no ar. Em breve, seus lábios se tocariam. Ambos tinham plena consciência do que aconteceria em seguida. Mas nenhum deles ousou recuar.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello