Desire Me If You Can (Novel) - . ₊ Capítulo 99
Capítulo 99
— Seja muito bem-vindo, Darling!
Grayson, que vinha aguardando de prontidão em pura contagem regressiva, encarregou-se de abrir a porta principal pessoalmente e enlaçou Dane de forma apertada, mantendo os braços escancarados. Aquela tática barata de camuflar o apelido de “Darling” sob o pretexto de estar vocalizando o nome do felino mostrava-se totalmente transparente. Dane cogitou empurrá-lo para longe com violência, mas como sustentava a caixa de transporte do felino em uma das mãos e uma bolsa abarrotada com os pertences do Darling na outra, viu-se impossibilitado de reagir. Em substituição, rosnou adotando um tom de voz audivelmente ameaçador:
— Larga de mim, enquanto eu ainda estou exigindo por bem.
Absorvendo o real significado do aviso, Grayson esfregou o rosto por toda a extensão do ombro de Dane antes de finalmente libertá-lo do abraço. Ao elevar a cabeça e recuar um passo, suas bochechas exibiam uma tonalidade intensamente avermelhada.
— Eu permaneci à sua espera… por um intervalo de tempo absurdamente longo.
— Longo?
Do que diabo aquele sujeito estava tagarelando agora? Dane franziu o cenho e rebateu de forma reflexiva, fazendo Grayson abrir um sorriso radiante e assentir:
— Ao longo de toda a minha existência.
— Lá vem você com essa palhaçada de novo.
Dane balançou a cabeça negativamente, exibindo uma feição de pura saturação. Grayson vinha disparando asneiras sem nexo a respeito de “destino manifesto” desde o milésimo de segundo em que cruzara sua trajetória, então ele já se encontrava devidamente blindado contra aquilo. Se ele de fato validava o teor daquelas declarações, aí já passava a ser uma conjuntura totalmente distinta.
“Bem… sonhar não custa absolutamente nada”, Dane ponderou de forma fadigada, relanceando o entorno.
— Em que ala fica o quarto?
No exato instante em que a indagação foi proferida, Grayson deu meia-volta e orientou:
— Avance por este quadrante, eu fiz questão de estruturar os aposentos detentores da melhor vista panorâmica da propriedade.
À medida que vencia os degraus da escadaria principal, Grayson cantarolava os versos de uma melodia. Testemunhar aquela figura exteriorizando seu contentamento com cada milímetro do corpo transmitia a Dane uma sensação estranha e desconfortável.
Após superar o patamar composto por cinco degraus sucessivos, o pavimento inferior parecia ter recuado para uma distância considerável. Dane lançou um olhar rápido por sobre o guarda-corpo, mensurando a altura monumental da estrutura, antes de reatar os passos em encalço a Grayson. “Se o Darling houvesse se transferido para este complexo quando ainda ostentava pouca idade, certamente desfrutaria de jornadas incomparavelmente mais divertidas”, o pensamento cruzou sua mente de forma abrupta, mas ele tratou de sacudir a cabeça para espantar a hipótese. De qualquer forma, aquela propriedade não lhe pertencia, então que sentido fazia nutrir tais pensamentos?
O corredor extenso e de proporções generosas ecoava de forma isolada apenas com a sinfonia de seus próprios passos. O ambiente mostrava-se tão silencioso que transmitia a nítida impressão de que restavam apenas duas almas no interior daquela mansão monumental, embora a presença de uma equipe de governança fosse uma certeza matemática. As esculturas, distribuídas em intervalos simétricos, encontravam-se perfeitamente limpas, desprovidas de qualquer vestígio de poeira, e a passadeira de carpete que se estendia pelo piso reluzia com um brilho impecável.
— O quarto é este aqui.
Grayson, que havia ultrapassado uma sucessão de portas ao longo do trajeto, finalmente parou diante de uma entrada e girou o corpo para encarar Dane. O timing mostrou-se cirúrgico, uma vez que a fadiga começava a cobrar seu preço e Dane encontrava-se prestes a aceitar qualquer quarto que estivesse disponível, sem distinção.
Grayson destravou a porta e recuou para abrir passagem; Dane cruzou a soleira primeiro, postando-se no interior do quarto. E paralisou na exata posição em que se encontrava diante do primeiríssimo panorama que se via diante de suas pupilas.
Para além da imensa folha de vidro da janela panorâmica inteiramente escancarada, uma deslumbrante e monumental vista noturna estendia-se até perder de vista no horizonte. A constelação de luzes brilhantes emitidas pela metrópole distante tingia a escuridão da madrugada em uma tonalidade intensa de índigo, fazendo com que a densa penumbra reluzisse feito um tapete salpicado de estrelhas. Aquela figurava como a primeira oportunidade em que Dane se deparava com um espetáculo de tamanha magnitude, e ele permaneceu estático na posição, complemente hipnotizado pelo cenário por alguns segundos. Porventura já havia testemunhado uma noite de tamanha beleza ao longo da vida?
A antiga residência onde Dane habitava situava-se no topo de uma pequena colina, mas a presença de uma elevação montanhosa logo na retaguarda bloqueava por completo qualquer projeção da linha do horizonte urbano. Ele ocasionalmente vislumbrava fragmentos daquela vista noturna ao cruzar as rodovias quando retornava nas madrugadas tardias, mas contemplar a pintura da paisagem urbana diretamente do conforto de um quarto, através de uma vidraça monumental daquela natureza, desenhava-se como uma experiência totalmente inédita. No período diurno, com certeza o panorama descortinaria uma vegetação exuberante sob a abóbada de um céu azul sem fim.
“Existiria padrão de consumo mais extravagante do que este?”, Dane indagou-se em puro transe mental. O maior privilégio reservado às castas abastadas resumia-se justamente à capacidade de adquirir paisagens.
— O que achou, Dane? Ficou do seu agrado?
Grayson, que vinha mantendo total silêncio às suas costas até aquele milésimo de segundo, aproximou-se e demandou o veredito. Para desdenhar de um aposento nesses moldes, o indivíduo necessitaria operar sob um temperamento terrivelmente hostil, ser totalmente desprovido de senso de ridículo ou ostentar o status de imperador de alguma dinastia soberana. Naturalmente, Dane passava longe de carregar tamanha hostilidade, desfrutava de pleno senso de ridículo e figurava como um autêntico sem-teto que acabara de ver sua propriedade virar cinzas, passando longe de qualquer título imperial.
— Há outras suítes disponíveis na propriedade. Você pode inspecionar o perímetro e decretar a sua escolha. O que me diz de adotarmos esse curso de ação?
Grayson sugeriu a alternativa sem sequer aguardar por uma manifestação imediata. Dane tentou articular uma resposta, mas um ruído estranhamente metalizado escapou de seus canais vocais, forçando-o a pigarrear às pressas para reajustar o tom:
— Não há necessidade, está perfeito. Ficou totalmente do meu agrado. Eu vou me fixar neste quarto.
— É sério? Fico imensamente aliviado com o veredito.
Grayson abriu um sorriso que transbordava um alívio genuíno. Por outro lado, a conjuntura desenhava-se de forma profundamente desconcertante para os parâmetros de Dane. O aposento, cuja área total superava com folga a soma das três salas de sua antiga residência combinadas, contava com portas de correr que segmentavam o espaço com precisão, isolando os aposentos de dormir de um lado e um ambiente similar a uma sala de estar do outro. Para completar, o perímetro encontrava-se guarnecido por um sofá de alto padrão, um aparelho de televisão e até mesmo uma mesa de chá. Se Dane assim deliberasse, teria plena capacidade de gerenciar sua rotina básica sem a necessidade de colocar os pés para fora daquele quarto por dias.
E o que dizer do quarto de dormir propriamente dito? Aquela figurava como a primeira oportunidade em que ele deparava com um leito de proporções tão monumentais que mesmo um homem de estatura elevada feito ele seria capaz de estender os braços e as pernas em amplitude máxima e, ainda assim, desfrutar de margem de sobra no colchão. Obviamente, o proprietário da mansão ostentava um porte físico ainda mais avantajado do que o seu, logo, a mobília havia sido estruturada sob medida para acolher sua estrutura corporal, mas Dane, que sempre havia enfrentado o inconveniente de encontrar leitos curtos demais ao adquirir colchões convencionais no mercado, experimentou uma urgência imediata de se desabar ali ao constatar aquela largura sob medida.
Contudo, o elemento que magnetizou as pupilas de Dane com uma intensidade incomparavelmente superior às telas de pintura dispostas na parede, aos ornamentos decorativos e às peças de cerâmica de valor nitidamente exorbitante foi a estrutura de um arranhador monumental de teto instalado rente à janela.
O exato modelo de Cat Tower que Dane vinha planejando adquirir há meses, que acabou recebendo de forma acidental como um presente de Grayson, mas que havia se reduzido a cinzas antes mesmo que ele reunisse oportunidade de finalizar a montagem dos componentes, e cuja reposição havia se tornado inviável em decorrência do volume de despesas que teria de gerenciar no futuro próximo para reerguer sua vida.
— Meu Deus do céu…
Dane murmurou para si mesmo de forma totalmente involuntária. O arranhador de proporções gigantescas encontrava-se complemente montado, exibindo a extensão de ambas as alas laterais. Darling certamente experimentaria uma satisfação incomensurável ali. A urgência que o habitava era a de acomodar o felino na estrutura naquele exato milésimo de segundo para registrar uma fotografia, mas ele necessitava recorrer à paciência. Darling vinha sendo submetido a um estresse severo em decorrência das sucessivas transferências de teto. Demoraria um intervalo de tempo considerável até que ele reunisse coragem para abandonar o isolamento da caixa de transporte, logo, era imperativo agir com cautela e aguardar até que ele se ambientasse àquele ecossistema totalmente desconhecido.
Ainda assim, tomado por uma ponta de melancolia, ele acariciou o material do arranhador, fazendo com que Grayson, que mais uma vez havia colado seu corpo contra a sua retaguarda, indagasse:
— O Darling vai aprovar o brinquedo, não vai?
— Bem…
Dane viu-se incapaz de refutar a colocação e arrastou a pronúncia da sílaba. Ele realmente não prevera que o outro operaria sob um nível de consideração tão extremado. Grayson, que permanecia estático na posição contemplando a cena com um semblante complexo, verbalizou novamente:
— Trata-se de um presente. Você desfruta da total liberdade de levá-lo consigo quando o prazo do nosso acordo se encerrar e você bater em retirada.
— O quê?
Dane girou a cabeça de forma abrupta diante daquelas palavras totalmente inesperadas, e Grayson abriu um sorriso complacente:
— Considere isso como uma bonificação pelo fato de você ter consentido em se transferir para cá.
Dane cravou as pupilas naquela fisionomia, sem proferir uma única palavra. “Que diabo você está tentando articular com isso, seu bastardo…?” Um mimo daquela magnitude não representava absolutamente nada para os padrões financeiros de Grayson Miller. Ele tinha capacidade para despender milhares de dólares sem piscar os olhos. Contudo, a engrenagem operava de forma totalmente distinta sob a ótica de quem recebia a oferta. Acima de tudo, aquele não se desenhava como um vínculo com prazo de validade devidamente estipulado, o qual ele havia capitulado em aceitar puramente por força das circunstâncias?
— …Miller.
Dane abriu a boca exibindo um semblante totalmente gélido:
— Eu não nutro a menor simpatia por essa dinâmica de conceder e receber mimos de proporções excessivas. Eu valido a sua intenção, mas faço questão de declinar da oferta.
— Não se trata de um mimo excessivo.
— Para os seus parâmetros com certeza não se desenha assim, mas para a minha realidade, sim.
Dane barrou a investida de forma implacável:
— Se você se mostrar incapaz de preservar o devido distanciamento regulamentar, eu junto os meus pertences e desabo daqui para fora no mesmo milésimo de segundo, independentemente de você adotar uma postura de perseguidor ou o que quer que seja.
Ele falava com total seriedade. Obviamente, Grayson decifrou a gravidade do aviso.
— Tudo bem. …Contudo, peço que consinta em reter este item especificamente, eu firmo o compromisso de não adquirir nenhuma outra peça para você no futuro.
Havia um tom audivelmente amargurado na pronúncia de Grayson. Dane paralisou por um instante e, por fim, assentiu com a cabeça. Aquele bastardo não possuía nenhum felino sob sua tutela, e seria um autêntico desperdício arremessar uma estrutura daquelas diretamente na caçamba de descarte.
Grayson não tardou a elevar os cantos dos lábios, abrindo um sorriso. Dane experimentou uma ponta de desconforto diante daquela reação, mas optou por não tecer comentários a respeito. Em substituição, apontou na direção de uma das portas integradas ao recinto e inquiriu:
— Aquela abertura ali é o acesso do banheiro?
— Hã? Não. O banheiro fica naquele outro lado — Grayson esclareceu, exibindo as bochechas ligeiramente tomadas por uma tonalidade carmim. — Aquela porta estabelece a conexão direta com os meus aposentos privativos.
Dane fixou as pupilas em Grayson, completamente desprovido de voz.
— …O quê?
Foi somente após alguns segundos de um silêncio sepulcral que ele vinculou as sobrancelhas e cuspiu a palavra com pura indignação.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello