Desire Me If You Can (Novel) - . ₊ Capítulo 58
Capítulo 58
Sob a pressão de Ezra, que parecia a ponto de agarrá-lo pelo colarinho e sacudi-lo, DeAndre encolheu-se instantaneamente.
— Bom, é que… já faz bastante tempo… e não parece que esse cara esteja interessado em procurar por ele…
Embora tenha continuado a gaguejar desculpas, a atenção de seus companheiros já havia se desviado para outro assunto.
— Por que diabo o Miller está interessado no Dane?
— A verdade é que me senti inquieto desde que ele o seguiu naquele almoço. Por que ninguém o impediu?
— Como a gente poderia ter evitado? Teria sido óbvio demais!
— É, e no fim das contas, o que poderia acontecer? Não foram só os dois, tinha outro cara também…
— O Dane tem suas próprias intenções astutas, então não teria dito nada comprometedor. Além disso, não há razão para trazer à tona aquele assunto de tanto tempo atrás.
— Então, por que de repente esse sujeito está perguntando sobre o Dane?
— Talvez tenha surgido algo suspeito antes?
— Do nada?
As perguntas voltaram ao ponto de partida. Eles olharam-se entre si com expressões sérias, mas ninguém disse mais nada.
***
Grayson estava imerso em seus pensamentos no ginásio vazio. Olhou fixamente para o lado, passou a mão pelo cabelo, depois acariciou o queixo e permaneceu assim por um bom tempo.
“Deveria usar esse método afinal de contas?”
Era a forma mais simples e eficaz que Grayson conhecia para obter as respostas que buscava. Tudo o que restava era escolher o candidato adequado.
*Click.*
Ao escutar o som da porta, Grayson levantou o olhar. Ao cruzarem os olhos, o outro homem sobressaltou-se e ficou paralisado.
Sim, alguém como ele.
Grayson esboçou um sorriso largo e disse:
— Tenho uma coisa para falar com você. Tem um momento?
O homem arregalou os olhos e olhou ao redor. Mas só estavam Grayson e ele. Hesitante, apontou para si mesmo com o dedo, e Grayson assentiu:
— Sim. Você e eu. — Deliberadamente, Grayson apontou para ele com o dedo e depois girou a mão em direção a si mesmo, inclinando a cabeça com um sorriso. — Eu te agradeceria.
Ninguém conseguia resistir quando Grayson sorria daquela maneira. Como era de se esperar, o homem, embora tenso e cauteloso, vacilou e finalmente assentiu.
***
“Que porra este cara quer?”
Ezra, incapaz de acalmar o pulsar ansioso de seu coração, olhou furtivamente para Grayson, sentado à sua frente. Ter retornado ao ginásio foi um erro. Tinha esquecido alguma unidade importante e, ao hesitar se ia buscar ou não, terminou encontrando-se cara a cara com Grayson. Nunca imaginou que Grayson continuaria ali sozinho.
Dando a si mesmo uma desculpa, Ezra deu um gole na cerveja que tinha diante de si. No meio de uma situação absurdamente incômoda, havia aceitado uma proposta ridícula. Beber com Grayson Miller, apenas os dois. Quem em sã consciência faria algo assim? Era só uma cerveja. Poderia terminá-la e ir embora. Ezra repetiu isso para si mesmo. Era o melhor que podia fazer.
Com determinação, inclinou a cabeça e deu grandes goles na cerveja. Grayson, do outro lado da mesa, observava-o em silêncio. Ezra, que já havia esvaziado a metade da garrafa de um único gole, deixou-a sobre a mesa com um baque seco e olhou diretamente para Grayson:
— Então, o que é que você queria conversar?
Sua pronúncia já gaguejava, como se o álcool começasse a fazer efeito. Claro, mesmo sendo apenas cerveja, tinha bebido rápido demais. Grayson estreitou os olhos e refletiu. Não era um alfa dominante, imune ao álcool ou às drogas. Mantendo oculto seu desprezo e sarcasmo em relação ao homem sentado à sua frente, Grayson adotou uma expressão amargurada e falou:
— Tem uma coisa em que preciso da sua ajuda.
— Que coisa? — Ezra inclinou a cabeça para a frente e pronunciou a palavra com força, como se tentasse parecer ameaçador.
Mas para Grayson, não passava de um suricato, um homem insignificante que parecia que, com um simples empurrão, sairia voando longe. Olhando-o com uma expressão de incômodo fingido, Grayson falou:
— Sinto que vocês mantêm certa distância de mim, e eu me perguntava se… isso tem a ver com o Dane Striker.
Grayson fez uma pausa deliberada para observar a reação. Como esperava, Ezra sobressaltou-se, claramente desconcertado.
— D-Dane? O que tem a ver? Por que você acha isso?
— Porque… — Diferente de Ezra, que gaguejava, Grayson falou lentamente, arrastando as palavras antes de se calar de novo.
Ezra, com o rosto tenso, segurou a respiração, esperando ansiosamente pela palavra seguinte. Sua expressão gritava: “Diga logo, diga!” Grayson suspiro, tomando seu tempo, quase exasperantemente lento, mas justo antes de Ezra pressioná-lo, abriu a boca:
— Não sei se é porque paguei um mico na frente dele, e por isso vocês estão me evitando…
Ezra, que estivera segurando a respiração sem se mover, de repente soltou o ar com força. As palavras vieram em seguida:
— …O quê?
Grayson olhou-o em silêncio, com um sorriso amargo nos lábios, enquanto Ezra o observava com uma expressão de total incredulidade.
* * *
Já passava da hora do jantar, e o lugar estava cheio de gente. Entre o alvoroço e as vozes misturadas, alguns aumentavam o tom para se fazerem ouvir, mas na mesa deles reinava um silêncio inquietante. Ezra piscou, desconcertado, como se não pudesse acreditar no que acabara de escutar.
— Ei, o que você está dizendo… o quê? — Apenas conseguiu começar a falar, mas ao não encontrar as palavras adequadas, agitou uma mão para ganhar tempo, franzindo o cenho antes de perguntar: — Você está dizendo que pagou um mico? O que quer dizer? Quando? Como?
“Ah, será que ele está falando de quando desmaiou?”
A ideia repentina fez com que Ezra se atentasse de novo. O ambiente parecia ter voltado ao ponto de partida, e ele já estava pensando em como se esquivar e fugir, quando Grayson falou:
— Eu confundi a porta pensando que era o banheiro, e o Dane estava lá. Eu deveria ter ido embora, mas ao me virar, bati a cabeça na porta e desmaiei.
Efetivamente, estava falando daquele dia. Mas os detalhes não batiam com o que Ezra sabia.
— Você bateu a cabeça na porta? Sozinho?
Grayson assentiu obedientemente. Ezra, após engolir em seco e tomar um gole de cerveja, olhou para ele de novo:
— E isso foi quando?
Era uma pergunta importante, mas Grayson respondeu como se não fosse grande coisa:
— No dia da minha festa de boas-vindas, naquele bar.
Ezra piscou, aturdido. O que estava acontecendo? Tinha certeza de que Dane havia sido quem o tinha apagado.
…Ou ao menos era o que tinha acreditado.
Tardiamente, Ezra deu-se conta. Tudo aquilo não era algo que eles haviam presumido? O próprio Dane tinha dito que esse cara havia desmaiado sozinho. Então, não era o mesmo que Miller estava dizendo agora?
Ao chegar a essa conclusão, Ezra levantou o olhar e observou Grayson. Já com uma expressão mais relaxada, abriu a boca com cuidado:
— Então, ei… você de verdade bateu a cabeça e desmaiou sozinho? Sério mesmo?
Diante da repetição da palavra “sério”, Grayson assentiu e acrescentou com autocrítica:
— É por causa da minha altura. Ridículo, não é? Sou um pouco desajeitado.
Nisso, enquanto observava a expressão de Ezra, Grayson contou mentalmente. Cinco segundos, no máximo. Logo, obteria o resultado que buscava. Grayson já havia vivido essa situação muitas vezes. Não importava quão forte fosse a desconfiança ou a hostilidade em relação a um alfa dominante, esse método sempre funcionava. Mostrar vulnerabilidade.
Quanto maior fosse a vulnerabilidade, melhor. Grayson ajustava sua estratégia conforme a pessoa, obtendo o que queria delas. Às vezes era algo material, outras vezes algo intangível. Nunca havia falhado, e desta vez não seria diferente. Ao ver como a expressão de Ezra se iluminava gradualmente, Grayson esboçou um leve sorriso.
…3, 2, 1.
— Aaah, hahahaha! Ah, entendi, hahahaha! — Ezra riu a gargalhada e bateu na mesa. Grayson podia ver claramente que ele havia baixado totalmente a guarda. — Não, é um erro comum. Uma vez eu até urinei na rua na frente de casa. Minha esposa ficou tão furiosa que não falou comigo por um mês porque eu fiz no jardim querido dela.
— Puxa, isso deve ter sido incômodo.
— Você não tem ideia, foi uma tortura…
Animado pela resposta de Grayson, Ezra continuou falando sem parar. Grayson, sorrindo enquanto escutava, murmurou em voz baixa:
— Então foi isso mesmo.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello