Desire Me If You Can (Novel) - . ₊ Capítulo 44
Capítulo 44
Só depois de ouvir que o menino levado às pressas para o hospital estava salvo, Dane finalmente soltou um profundo suspiro de alívio. Enquanto todos compartilhavam algumas palavras de alegria e comemoração, Wilkins de repente gritou:
— Esperem, e o Miller?
Suas palavras fizeram com que todos se lembrassem de algo que tinham esquecido. Por que tinham vindo aqui em primeiro lugar?
— Estávamos todos procurando o Miller! Alguém descobriu alguma coisa? Receberam alguma pista?
O sol já estava se pondo. Diante da pergunta urgente de Wilkins, ninguém soube o que responder. Era lógico. Ninguém sabia onde estava Grayson. Exceto uma pessoa. “Aquele maldito não deixa de ser uma dor de cabeça até o fim.” Dane engoliu um palavrão e correu de volta para a casa onde tinham estado antes.
* * *
O som das grossas gotas de chuva caindo ecoava em seus ouvidos, quase cortante. Grayson, sentado no chão do porão, cantarolava uma melodia sem sentido, como costumava fazer quando era criança.
Matar o tempo dessa maneira era algo habitual para ele. Fantasiando, cantando ou, no pior dos casos, dormindo, sempre chegava o momento em que a porta fechada se abria e vinha a hora da libertação. Desta vez não seria diferente. Enquanto cantarolava desafinado, apoiado contra a parede, o som da chuva se misturou com o ruído de uma chave girando na fechadura. Alguém tinha entrado na casa. “Será o pai do Santiago?”
Grayson continuou sentado, pensativo.
“Logo vão abrir a porta.”
Sua previsão não esteve tão longe da realidade. Escutaram-se passos que iam e vinham entre a cozinha e a entrada, aproximando-se e afastando-se várias vezes. “Quando vão abrir a porta?”
O tempo sempre parece infinitamente longo para quem espera. Grayson sabia disso muito bem. Fosse quando estava sozinho no porão, ou quando todos os seus irmãos tinham encontrado o seu “destino” e ele era o único que tinha ficado para trás, sempre pensava a mesma coisa: a espera sempre parece várias vezes mais longa do que realmente é, por isso a impaciência é tão sufocante. Na verdade, o tempo não passa tão rápido, mas ele podia esperar tudo o que fosse necessário. Olha só, inclusive agora.
Os passos do homem voltaram a se aproximar. Quando por fim ele parou em frente à porta do porão e Grayson o ouviu introduzir a chave e girá-la, os cantos de seus lábios se contraíram como se soubesse que ele estava chegando.
“Esse cara não veio nem mesmo cem vezes.”
O rangido metálico da velha fechadura ecoou no ar. E, por fim, a porta do porão que se conectava com a sala se abriu.
— …Que diabos?
O homem, que tinha aberto a porta esperando ver o rosto de seu filho, franziu o cenho com desconforto. Seus olhos inquietos percorreram a escuridão do porão, mas nada tinha mudado. Ao dar-se conta de que seu filho não estava, rapidamente fixou o olhar no estranho que tinha à sua frente.
— Você, qu-quem é você? Onde está o meu filho?
Sua voz trêmula soava estranhamente aguda, como se estivesse à beira do pânico. Grayson levantou-se. Sua estatura imponente, tão alta que quase roçava o teto, fez o homem engolir em seco e recuar.
— E-espera, fique aí! Não se aproxime!
— Sou Grayson Miller.
Grayson apresentou-se com educação e esboçou um sorriso. Sabia que sorrir ao cumprimentar era o correto. Era algo que tinha aprendido ao longo da vida, e não podia falhar. Era um sorriso desenhado para transmitir amabilidade e fazê-lo parecer encantador, mas desta vez não funcionou. O homem empalideceu ainda mais e recuou como se tivesse recebido uma descarga elétrica.
— Pare, maldito seja! Não se aproxime mais!
O homem gritava histérico, mas Grayson ignorou seus protestos e continuou explicando:
— O Santiago estava recebendo o castigo dele, mas houve uma interrupção…
O homem estava alterado porque o filho tinha desaparecido sem completar o castigo. Grayson pensou que, se falasse com calma, o homem se tranquilizaria. Afinal de contas, o sujeito mal lhe chegava ao peito. Se as coisas ficassem feias, Grayson estava seguro de que poderia dominá-lo fisicamente. Claro, isso era antes de o homem tomar uma decisão drástica.
— Eu te disse para parar! Se você se mexer, eu atiro!
Com a voz trêmula, mas cheia de fúria, o homem sacou uma pistola que trazia escondida e a apontou na direção de Grayson. O sorriso desapareceu do rosto de Grayson. Os olhos injetados de sangue e o cano trêmulo da arma deixavam claro que o homem falava sério. “Nossa, por essa eu não esperava.”
Grayson levantou as mãos em sinal de rendição. Uma tensão palpável instalou-se entre os dois.
* * *
Em frente à casa, havia uma caminhonete velha que ele não tinha visto antes. Parecia que o pai de Santiago tinha retornado. Na mente de Dane, uma rajada de pensamentos cruzou em um instante. “O Miller já terá ido embora? Talvez não reste ninguém ali. Eu deveria simplesmente ir embora? E se ele ainda estiver enfiado lá dentro? Que inútil, causando tantos problemas. Se pegarem ele, vão batê-lo até a morte.”
A porta principal estava aberta. Segurando a respiração, ele entrou e uma tensão de congelar o sangue o envolveu. Não se escutava nenhum som, mas instintivamente sentiu uma presença mortal que arrepiou todos os pelos do seu corpo.
— Pensei que as pessoas costumassem deixar as armas em casa, mas trazê-la com você… Você é um homem perigoso.
A voz repentina fez Dane parar seco. Era inconfundível a voz do homem que tinha vindo buscar.
“Não pode ser.”
Dane negou a realidade. Queria dar meia-volta e sair sem fazer barulho, mas, infelizmente, tinha encontrado sem querer a fonte daquela presença mortal. Ao girar para se esquivar, viu as costas de um homem apontando uma arma para o interior do porão, a poucos passos da entrada.
“Ah, que merda.”
Dane levou a mão à testa, praguejando em silêncio. Logo, escutou a risada áspera do homem, que deu de ombros. Diante dele, estava parado outro homem que não deveria estar ali. O pior cenário que tinha imaginado desenrolava-se diante de seus olhos.
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Atirar em Grayson Miller era algo que só existia em sua imaginação, mas, ao ver aquilo prestes a acontecer diante de seus olhos, sentiu uma mistura de emoções complicadas. A razão pela qual nunca tinha feito isso na realidade era porque limpar a bagunça posterior lhe parecia um incômodo, mas agora, graças a outra pessoa, via-se obrigado a lidar com o caos. Parecia-lhe absurdo. Devia pôr um fim àquela situação antes que as coisas ficassem piores. Justo quando se preparava para tomar uma decisão inevitável e agir, o homem gritou:
— Cale a boca, maldito! Onde está o meu filho? Devolva o meu Santiago!
— Já te disse que ia te explicar.
Em contraste com o grito cheio de raiva do homem, a voz de Grayson era tranquila, quase serena. Continuou falando com seu tom característico, ligeiramente zombeteiro:
— Sei que o seu filho cometeu um erro e por isso acabou no porão, mas por certas circunstâncias agora ele não está aqui, só estou eu. Espere, não se enfureça. O menino escapou, mas eu fiquei, não é o bastante? Afinal de contas, a única coisa que importa é completar o tempo, não é?
Era um discurso sem pé nem cabeça. E não era o único que pensava assim.
— Que classe de merda você está dizendo, seu filho da pu…?
Antes que o homem pudesse terminar a frase ou puxar o gatilho, a paciência de Dane esgotou-se por completo. Ele não podia permitir que um rastro de sangue complicasse ainda mais a sua noite, muito menos ter que carregar o corpo daquele idiota gigantesco para fora dali.
Aproveitando a distração do homem, que estava completamente focado no absurdo que Grayson dizia, Dane moveu-se com a rapidez e a precisão de quem estava acostumado a agir em segundos de vida ou morte. Deu um passo firme à frente e, antes que o pai de Santiago pudesse notar sua presença, segurou o pulso do homem com uma força de ferro, forçando o cano da arma para cima.
*Bang!*
O disparo ecoou de forma ensurdecedora no espaço fechado, e a bala cravou-se no teto da sala, derrubando poeira e pedaços de gesso sobre eles.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello