Deflower Me If You Can (Novel) - Capítulo 162
Capítulo 162
Um silêncio sufocante pairou pela sala de visitas. Ashley Miller permaneceu sem fazer o menor movimento, encarando Cassian com a mesma expressão inexpressiva de antes. Ao contrário dele, Koi esteve a ponto de dar um pulo da cadeira, de olhos arregalados. Ele só não passou por essa vergonha graças à força da mão de Ashley, que o segurou firmemente, mas Koi não conseguiu esconder o tom de pânico ao olhar alternadamente para os dois.
— Como… assim, tão de repente, como…?
Para Koi, que parecia não saber o que dizer e apenas enfileirava palavras sem nexo, Ashley lançou um olhar de canto de olho. Acalmando Koi, que apenas movia as pupilas em sinal de ansiedade, ele disse em tom baixo:
— Espere um pouco aqui.
Dando um olhar a Koi como quem diz para ele não se preocupar, Ashley se levantou de seu lugar. Depois que ele saiu da sala de visitas, Koi ficou completamente a sós com Cassian. Sem conseguir entender a situação, olhou para ele com um rosto atordoado, mas Cassian apenas o encarou de volta com um leve sorriso, como se tentasse tranquilizá-lo.
Quando aquele olhar fez Koi se acalmar um pouco, Ashley finalmente voltou. Nesse instante, Koi tomou um susto e dessa vez sim deu um pulo da cadeira, e Cassian, que já esperava por isso, também se levantou lentamente com o rosto pálido.
Ele era o homem que ensinou seus seis filhos a serem invencíveis desde que tivessem um bastão em mãos, o MVP do hóquei no gelo dos tempos de escola: Ashley Miller.
Em suas mãos, havia um enorme taco de hóquei.
Encarando o rosto de Cassian, do qual todo o sangue havia sumido, Ashley esboçou um sorriso gélido.
— Faz tempo que não me exercito. Vamos ver se ainda sei como usar isso.
— Não!
— Não faça isso, Papa!
Tanto Koi quanto Bliss, que estava ouvindo tudo escondido, gritaram pálidos de pavor. Enquanto Bliss se virava em pânico para subir as escadas correndo, Koi segurou Ashley, que estava prestes a brandir o taco de hóquei da fúria.
— Não pode, se controle, Ashley!
— O quê?
No mesmo instante, Ashley travou. Olhando para baixo com uma expressão de absoluta incredulidade, como se perguntasse “como foi que você acabou de me chamar?”, Koi percebeu o erro e corrigiu o tratamento às pressas:
— Ash.
Ashley não disse nada, mas encarou Koi com um rosto extremamente desconfortável por alguns segundos. Embora soubesse o significado disso melhor do que ninguém, Koi fingiu não notar e mudou de assunto. Afinal, havia algo mais importante no momento.
— Tente se controlar por enquanto, precisamos ouvir o que aconteceu.
Diante do modo como Koi se agarrava a ele com todo o corpo para tentar impedi-lo, Ashley não teve escolha a não ser ceder. Ver Cassian, que era o próprio pivô daquela catástrofe, parado ali apenas olhando a cena como se não fosse com ele, fez sua raiva ferver novamente, mas ele tampouco tinha coragem de empurrar Koi.
No fim, ele abaixou lentamente o taco de hóquei que havia erguido no alto. Só então Koi soltou um longo suspiro de alívio e voltou o olhar para Cassian — ainda agarrado ao corpo de Ashley, sem relaxar totalmente os braços.
— Então, afinal de contas, o que aconteceu?
Perguntado sobre os detalhes da história, Cassian curvou levemente a cabeça em um gesto de agradecimento e falou:
— Enquanto Bliss estava na Inglaterra, nós nos reencontramos e nos apaixonamos. Por isso, vim procurar os dois para pedir a permissão para nos casarmos.
Era uma explicação absurdamente simples. Enquanto Koi hesitava sem saber o que perguntar diante de uma história tão reduzida, Ashley se pronunciou de repente:
— Se vocês dois se amam, por que veio sozinho pedir a permissão para o casamento?
“Ah!”, percebendo o ponto, Koi voltou a encarar Cassian. Ashley também o olhava com os olhos semicerrados e perguntou:
— Você não tem a menor ideia de onde o Bliss está, não é verdade?
Havia uma profunda desconfiança em seu tom de voz, que beirava o deboche. Ashley não estava acreditando. Nas palavras de Cassian de que os dois tinham se apaixonado. Ao confirmar que a expressão de Koi também não era muito diferente, Cassian falou devagar:
— Eu confirmei os sentimentos de Bliss.
Argh, argh.
Ao subir a infinidade de degraus na velocidade máxima e chegar à porta da sala de visitas, Bliss estava arfando como se estivesse prestes a perder o fôlego. Pressionando o peito enquanto tentava regular a respiração, ele se esforçou para abafar o som do peito subindo e descendo e encostou o ouvido na porta da sala de visitas.
“Não dá para ouvir nada!”
Bem naquele momento, a voz do Papa saiu do celular que ele segurava.
— Mas aquele garoto te abandonou e voltou sozinho.
“É mesmo, tinha isso!”
Lembrando-se da existência do celular com atraso, ele o levou apressadamente ao ouvido. Mais uma vez, um silêncio sufocante se fez presente.
Ashley Miller encarava Cassian com um olhar gélido. Existiria uma prova mais evidente do que aquela? Pela primeira vez, Cassian ficou sem palavras. Afinal, ele próprio ainda não havia encontrado a resposta para aquela pergunta. Diante dessa reação, Ashley zombou como quem diz “eu já sabia”:
— Responda. Se você e meu filho realmente se amavam e confirmaram os sentimentos um do outro, por que ele voltou sozinho para cá? Além disso, agora você veio sozinho pedir a permissão para o casamento sem nem saber onde o Bliss está.
Ashley soltou uma breve risada proposital. Entre aquela risada carregada de manifesto deboche, ele franziu a testa e perguntou:
— Como quer que eu interprete isso?
Glup. Do lado de fora, Bliss engoliu a saliva em seco. A reação de Ashley era absolutamente natural. Ele não sabia de nada do que tinha acontecido entre Bliss e Cassian.
“Se o Papa descobrir o que eu aprontei…!”
No momento em que fechou os olhos com força tomado pelo medo, Cassian abriu a boca:
— …Acredito que eu deva ter cometido algum erro.
Isso era tudo o que ele podia dizer. “Não!”, do lado de fora da porta, Bliss gritou internamente tomado de susto, mas obviamente o som não chegou ao interior da sala. E o que veio em resposta foi, como esperado, o deboche de Ashley Miller:
— E mesmo assim quer se casar com o Bliss?
Mesmo que o que Cassian disse fosse verdade, aquilo por si só já serviria de resposta para Bliss, como se perguntasse o que mais ele ainda queria confirmar. Porém, desta vez, Cassian também tinha o que dizer:
— Sim.
Desta vez, seu tom de voz transbordava certeza. Do lado de fora da porta, ouvindo aquilo, as lágrimas brotaram nos olhos de Bliss. “Cassian, você me perdoou? De verdade… você quer mesmo se casar comigo?”
Foi bem no momento em que ele enxugou às pressas as lágrimas que escorreram. Encarando Ashley com um olhar tão inabalável quanto o seu tom de voz, Cassian soltou mais uma bomba:
— Afinal, o Bliss deve estar grávido de um filho meu.
A bomba que explodiu desta vez era incomparavelmente mais poderosa do que a anterior. Dizia-se até que o próprio pedido de casamento não passava de uma bombinha de brinquedo perto daquelas palavras.
Como prova disso, nem Ashley Miller, nem Koi, e nem mesmo Bliss conseguiram dizer uma única palavra. Eles apenas olhavam para Cassian atônitos, de olhos arregalados.
“O que é isso que ele acabou de dizer?”
Parado do lado de fora da porta, Bliss apenas piscava os olhos sem entender nada. Grávido? Um filho? Eu?
Ele levou a mão à barriga sem pensar e raciocinou:
“Tem uma criança aqui deeeeentro?!”
Dentro da sala de visitas, apenas o som assustador do ponteiro dos segundos do relógio fluía ritmicamente. Após um silêncio ainda mais longo do que o anterior, Ashley Miller, como o chefe da família, foi o primeiro a recuperar a razão:
— O que… você… disse?
Embora tenha conseguido emitir algum som, parecia ter ficado tão chocado que não conseguia formar uma frase direito. Essa devia ser uma experiência contável nos dedos ao longo de toda a vida de Ashley Miller. Quem ousaria cometer um ato de terror desses bem na cara de Ashley Miller?
No entanto, Cassian cometeu esse ato monstruoso. Sem prezar pela própria vida, encarando Ashley Miller nos olhos, e logo por duas vezes.
E então, ele soltou a terceira bomba:
— Eu dormi com o Bliss. Me desculpe.
Seria possível virar o estômago de alguém dessa forma usando um tom tão elegante e respeitoso? Cassian conseguiu fazer isso de novo.
— …Como ousou.
Após um breve silêncio, Ashley falou. Com uma voz que parecia contida ao máximo, mas que tremia incontrolavelmente, ele murmurou:
— Engravidar o meu filho?
A mão de Ashley Miller segurando o taco de hóquei ganhou tanta força que as articulações dos dedos ficaram brancas. Suas veias saltaram na fonte e uma respiração pesada começou a escapar. Como se representasse suas emoções furiosas, os feromônios que emanavam de seu corpo tingiram intensamente a sala de visitas. Em seus olhos, tornados dourados pela raiva, havia até um intento assassino.
Koi, que esteve segurando Ashley até aquele momento, soltou os braços de mansinho e deu um passo para trás. Ashley, finalmente livre, rangeu os dentes e praguejou:
— Vou te matar.
Naquele instante, o taco de hóquei cortou o ar com força. Junto com um som aterrador de impacto, o sangue espirrou da cabeça de Cassian. Sem dar tempo para que ele emitisse um único grito ao cair no chão, Ashley avançou sobre ele como se estivesse apenas esperando por isso. Assustado com os sons implacáveis das agressões ecoando em sequência, Bliss escancarou a porta com um grito desesperado:
— Não! Não bata nele!
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby, Othello&Belladonna